sexta-feira, 26 de junho de 2015

Aos 11 anos, MC Soffia discute racismo na Viradinha: "Canto para crianças"

Vestida de rosa, com um grande laço no cabelo no estilo black, MC Soffia, de 11 anos, subiu no palco da Viradinha, no centro de São Paulo, acompanhada de dançarinas mirins com tranças coloridas. Deu seu recado em rimas como: "MC Soffia na rima, representa o hip-hop e a questão feminina", "está proibido se drogar porque escola é para estudar" e "o que ensina uma MC vai além do ABC, até o Z de Zumbi".

As crianças em cima dos ombros dos pais, que lotaram a "pistinha" na rua Cesário Mota Junior, não desgrudavam os olhos. "E aí, família, boa tarde", saudou Soffia. Até os pais responderam. "Tá fraco". Tamanha desenvoltura não era percebido minutos antes da apresentação, enquanto Soffia brincava de bambolê entre as crianças, despreocupada e tímida.
"Estou feliz, vai ser a primeira vez que canto sozinha", disse ao UOL, inquieta. Soffia fazia parte de um coletivo chamado Hip-Hop Kids, um sonho que tinha desde quando entrou em uma oficina do gênero.
Em tempos de MC Pedrinho, funkeiro mirim que canta músicas de alto teor erótico, ela explica que faz música para criança. "Eu falo para elas como é bom ser negra e sobre racismo. Quero trazer cultura para crianças. Antes os adultos não queriam que a gente aparecesse", explicou. "Hip-hop é resistência".
A mãe, orgulhosa, incentivou a filha quando o hip-hop bateu na porta. "Ela cresceu em uma casa de militantes e foi muito natural para ela falar dessas questões", explica Camila Pimentel, 29. "Incentivei a pesquisa. Ela foi lá saber quem foi Carolina Maria de Jesus [escritora, compositora e militante, morta em 1977] e Dandara [guerreira negra, esposa de Zumbi]. Ela fala dessas questões com o olhar lúdico de uma criança".
FONTE: http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2015/06/21/aos-10-anos-mc-soffia-discute-racismo-na-viradinha-canto-para-criancas.htm

Heroínas negras na história do Brasil


Na história do Brasil, conta-se muito pouco a respeito das mulheres negras. Na escola, são pouquíssimas as aulas que citem as grandes guerreiras e líderes quilombolas, ou que simplesmente mencionem a existência das mulheres negras para além da escravidão. Em um país em que a escravidão não é retratada como uma vergonha para a nação -  pelo contrário, ainda se insiste que a população negra não lutou contra esse quadro -, isso não é nenhuma surpresa.
Cordel sobre Dandara dos Palmares, líder
quilombola e companheira de Zumbi.
Nós, brasileiros, passamos vários anos na escola aprendendo sobre todos os detalhes das vidas de Dom Pedro I e II, seus familiares, seus casos sexuais e viagens. Na televisão, os imperadores viram protagonistas de minisséries, enquanto os atores e atrizes negros são reduzidos a papéis de escravos sem profundidade. Grandes lutadores como Zumbi dos Palmares, Dragão do Mar e José Luiz Napoleão, são pouco mencionados. Aliás, eles são lembrados apenas no mês de novembro, em razão do Dia da Consciência Negra; mas as mulheres negras, que contribuíram de tantas formas na luta contra a escravidão e nas conquistas sociais do Brasil, nem sequer são mencionadas.
O esquecimento das mulheres negras na história é algo que contribui para a vilipendiação da população negra. Por conta disso, as garotas negras crescem achando que não há boas referências intelectuais e de resistência nas quais possam se espelhar. Para descobrir seus referenciais, é preciso que se mergulhe em uma pesquisa individual, muitas vezes solitária, juntando peças de um enorme quebra-cabeça para no fim descobrir que pouquíssimo foi registrado a respeito de mulheres como Dandara dos Palmaresou Tereza de Benguela – importantes líderes quilombolas.
Devido ao machismo, é muito difícil encontrar registros da história das mulheres, especialmente aqueles que sejam contados de forma aprofundada e responsável. Ainda hoje, poucas mulheres, mesmo entre as brancas ou europeias, são citadas e celebradas por suas conquistas. No entanto, quando essas mulheres são negras, a negligência é ainda maior. Em um país onde mais de 50% da população é negra, a situação desse quadro é absurda.
Mesmo com os esforços racistas para apagar a história das mulheres negras, racismo nenhum será capaz de enterrar a memória de ícones como Luísa Mahin e Tia Simoa. Mulheres negras inteligentes, com grande capacidade estratégica, imensa coragem e ímpeto de transformação, que jamais se conformaram ou se dobraram diante do racismo e da misoginia; pelo contrário, lutaram e deram suas vidas para que mulheres negras como eu pudessem viver em liberdade e escrever, ocupando espaços que, ainda hoje, nos são de difícil acesso.
Infelizmente, tive que descobrir essas guerreiras por conta própria, contando com a ajuda de outras mulheres negras, companheiras de luta, que me apresentaram textos e materiais onde suas vidas foram contadas, ainda que brevemente. Por isso, decidi utilizar minha produção literária, meus cordéis, para contar as histórias dessas mulheres e fazer com que mais pessoas tomassem conhecimento de suas batalhas e do quanto são importantes para a história do Brasil. Até o momento, tenho vários cordéis biográficos que contam as trajetórias de Aqualtune e Carolina Maria de Jesus, além de outras já citadas nesse texto.
Nosso papel é fazer com que essas mulheres negras sejam conhecidas e seus feitos sejam estudados. Seja por meio do cordel, das redes sociais ou de trabalhos acadêmicos, precisamos registrar e divulgar essas memórias. Com elas, provamos que a população negra sempre lutou por seus direitos, provamos que as mulheres negras sempre foram protagonistas dos movimentos negro e de mulheres e que nunca se omitiram ou saíram das trincheiras. Afinal, essas mulheres são espelhos e exemplos do que todas as meninas e jovens negras podem ser.
FONTE:http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2015/04/17/heroinas-negras-na-historia-brasil/

PENSAMENTO COLONIZADOR: O CAPITÃO-DO-MATO.

Marcelo Silles
Assistente Social



A caveira em certos rituais e crenças significa a morte. E é com essa conotação, que determinadas instituições de aparelhamento repressivo do Estado, se intitulam e orgulham-se de carregar e exibir esse símbolo. São seres humanos moldados artificialmente e cruelmente para representarem a morte, fazem questão de serem os titulares, os enviados e servos do mau para aterrorizar e matar, muita das vezes, cidadãos inocentes.
São heranças macabras e pontiagudas, as sobras e aberrações de um colonialismo genocida e exploratório europeu. Mediante as atrocidades mentais e físicas, esses indivíduos são transformados em máquinas, sem sentimentos, robustos cães de guarda dos senhores da guerra, seres vis perpetuadores da desgraça humana.
São capitães-do-mato contemporâneos com um ideal puro e simples de servirem a morte. Alguns são cristãos que firmam em sua fé que, praticam o bem aplicando o mau. São os restos de um ideal pensamento colonizador que lá em um pretérito atroz aplicou com fervor eficiência e eficácia a mesma tática e plano, para transformarem negros entre seus iguais em deformações monstruosas em seu ser, transformar caráter em aberração, bárbaros. O pensamento colonizador pegou aquele negro fraco de espírito e o transformou em capitão-do-mato, o fez acreditar que fazia parte do mundo branco e que, ter nascido negro, era uma maldição que o mesmo não precisaria carregar por toda a vida.
Esses capitães-do-mato, resultante de um modelo excludente de desenvolvimento, que carregam com orgulho a caveira símbolo da morte, são sujeitos bizarradamente alienados, retratos e resultados de uma mutação monstruosa do sistema, servos obedientes e subservientes dos verdadeiros representantes do mau, da cólera da sociedade: a elite brasileira opressora, branca, racista, corrupta e tudo que representa o mau.
Esses algozes caveiras subservientes, cães Cérberos, são máquinas sem sentimentos treinados simplesmente para matar, não importando se é bandido ou inocente, só pelo fato de ser pobre, periférico e favelado, merecem ser aterrorizados, massacrados. Esses insanos bárbaros são eternamente escravos da barbaridade em que a ordem do dia ordinária é simplesmente executar, impor o terror e promover a sede por sangue e morte. E sendo assim, viva a democracia e justiça brasileira.


terça-feira, 23 de junho de 2015

XXII Metodologia e pre‑ história da África XXII METODOLOGIA E PRÉ-HISTÓRIA DA ÁFRICA (UM DOS CONCEITOS)

Prefácio
porM. Amadou Mahtar MBow,
Diretor Geral da UNESCO (1974-1987)


É visto que, pelas vias que lhes são próprias, o historiador só pode apreender renunciando a
certos preconceitos e renovando seu método.
Da mesma forma, o continente africano quase nunca era considerado
como uma entidade histórica. Em contrário, enfatizava-se tudo o que pudesse
reforçar a ideia de uma cisão que teria existido, desde sempre, entre uma “África
branca” e uma “África negra” que se ignoravam reciprocamente. Apresentava-se
frequentemente o Saara como um espaço impenetrável que tornaria impossíveis
misturas entre etnias e povos, bem como trocas de bens, crenças, hábitos e ideias
entre as sociedades constituídas de um lado e de outro do deserto. Traçavam-se
fronteiras intransponíveis entre as civilizações do antigo Egito e da Núbia e
aquelas dos povos subsaarianos.
Certamente, a história da África norte-saariana esteve antes ligada àquela da
bacia mediterrânea, muito mais que a história da África subsaariana mas, nos
dias atuais, é amplamente reconhecido que as civilizações do continente africano,
pela sua variedade linguística e cultural, formam em graus variados as vertentes
históricas de um conjunto de povos e sociedades, unidos por laços seculares.
Um outro fenômeno que grandes danos causou ao estudo objetivo do passado
africano foi o aparecimento, com o tráfico negreiro e a colonização, de estereótipos
raciais criadores de desprezo e incompreensão, tão profundamente consolidados
que corromperam inclusive os próprios conceitos da historiografia. Desde que
foram empregadas as noções de “brancos” e “negros”, para nomear genericamente
os colonizadores, considerados superiores, e os colonizados, os africanos foram
levados a lutar contra uma dupla servidão, econômica e psicológica. Marcado
pela pigmentação de sua pele, transformado em uma mercadoria entre outras,
e destinado ao trabalho forçado, o africano veio a simbolizar, na consciência de
seus dominadores, uma essência racial imaginária e ilusoriamente inferior: a de
negro. Este processo de falsa identificação depreciou a história dos povos africanos
no espírito de muitos, rebaixando-a a uma etno-história, em cuja apreciação das
realidades históricas e culturais não podia ser senão falseada.
A situação evoluiu muito desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em
particular, desde que os países da África, tendo alcançado sua independência,
começaram a participar ativamente da vida da comunidade internacional e
dos intercâmbios a ela inerentes. Historiadores, em número crescente, têm
se esforçado em abordar o estudo da África com mais rigor, objetividade e
abertura de espírito, empregando – obviamente com as devidas precauções –
fontes africanas originais. No exercício de seu direito à iniciativa histórica, os
próprios africanos sentiram profundamente a necessidade de restabelecer, em
bases sólidas, a historicidade de suas sociedades.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

A ÁFRICA SOFRE PELA COVARDIA DOS SEUS INTELECTUAIS!


Por Badou Koffi em AFRICRY (Arquivos)
A África sofre pela covardia, incompetência, e do desprezo dos seus filhos. Em todos os cantos do mundo, intelectuais africanos se destacam nas mais diversas áreas de conhecimento. No Brasil exemplos não faltam. Porém este continente extremamente rico, onde recursos minerais e naturais rimam com abundância, com terras férteis para a agricultura e a criação, onde há mão de obra em excesso, a miséria, a fome, doenças e principalmente guerras caminham lado a lado para desenhar o quadro sombrio que se recusam a mudar miliares de intelectuais enfeudados ao imperialismo americano e europeu, principalmente francês e inglês e ao oportunismo que oferece o no man´s land para os escravagistas do século XXI. 

Os intelectuais africanos são os próprios devoradores de almas das populações inocentes que vivem com a falta da esperança no Congo “Democrático”, na República Centro-africana, na Costa do Marfim, no Mali, na Líbia e nos outros países do pobre continente, onde há conflitos latentes. A África é sempre valorizada, quando a sua imagem permite que aquele que a use se torne conhecido ou enriquece com ela. E justificamos os males do continente procurando razões que desculpam e tiram a responsabilidade dos próprios africanos.

É de notório conhecimento que a França continua explorando os países africanos que colonizou, com a presença do seu exército do além-mar nas suas ex-colônias, e mantém um forte poder sobre a economia desses países através do Franco das Comunidades Francesas da África (FCFA), moeda comum aos países africanos de língua francesa no continente, cuja política e funcionamento são diretamente regulados pelo Banco Central Francês. No caso a moeda dos países africanos continua ad infinitum propriedade da França.

Alguém falou em independências?
Há mais de 50 anos países africanos comemoram a independência, sem ter Estados livres de fato, pois isso sugere que exercitem sua soberania sobre políticas internas, seu exército, suas cultura e tradição e, sobretudo, a capacidade de possuir uma moeda própria. A liberdade se conquista e vários exemplos no mundo demonstraram que nenhum povo pode ser dominado se ele desejar a sua independência e liberdade. A Indochina (o atual Vietnam) derrotou americanos e Franceses apenas com camponeses conscientes do preço da liberdade. Sul-africanos praticaram a desobediência civil e lutaram até derrubar o apartheid, para citar apenas estes. O resto da África continua numa letargia e uma dependência para com as grandes potências que deixa perplexo qualquer observador atento a tudo o que acontece no continente. Os únicos responsáveis são os intelectuais africanos. 

Afinal James Watson tinha razão
Criticamos o James Watson quando declarou que: "as políticas sociais na África fracassam porque não levam em conta que os negros são menos inteligentes que os brancos". Não quero discutir aqui a questão das políticas sociais que fracassariam na África, mas sim apenas o trecho em que afirma que o negro (africano) é menos inteligente do que o branco. Sim o brilhante prêmio nobel não é preconceituoso e nem racista, apenas diz uma verdade, somos menos inteligentes, pois incapazes de abraçar a liberdade que nos estende o braço, preferimos sempre “baixar as calças” como diz o presidente Lula, quando estamos diante dos europeus e americanos. O continente vem sendo explorado há mais de 500 anos. E em pleno século 21 assistimos covardemente e felizes a destruições e mortes de inocentes provocadas pelas bombas francesas na Líbia, na Costa do Marfim, no Mali.



sexta-feira, 12 de junho de 2015

MARCELO SILLES




OS REAÇAS CONTINUAM.

Marcelo Silles
Assistente Social


Retornando da minha hibernação textual, indagando-me sobre os recentes acontecimentos em prol dos bons em busca dos prestígios dos oprimidos. Acalenta-se perpetuar em vigília de orações sociais, orações de descontentamento e orações de indignações observo o baluarte do oportunismo autoritário da imposição da verdade de uns sobre outros. Saliento que, estes movimentos e suas atitudes impostas estão registrados na história como verdadeiros atos de políticas e governos pró- intolerância, pró-intransigência.

São sentimentos stalinistas, polpotistas, maoistas, hitleristas e tudo mais de istas que instigam a desordem insatisfatória, atacando e debochando do outro que somente quer apenas está lutando pelo seu e pelos seus.  Promovem o ódio, a intolerância impõe suas condições bárbaras de verdades infundadas de seus asseclas boçais míopes as condições de democracia e escolha de vida do indivíduo.

São reaças meramente, quando um periférico ascende a outras verdades e suas históricas rituais esses reaças se irritam, pois estão acostumados a serem os donos da real verdade, estão acostumados a serem ouvidos sem serem questionados. Na verdade querem aplausos, pedestais, serem assediados pelos pobres oprimidos ignorantes do saber, do conhecimento que vislumbram os seus discursos de praça e caixotes.


Os reaças estão aí, distribuindo os seus favores e orações, seus méritos hipócritas almejando glórias e louvores.  Benditos senhores da guerra, temos que acordar para pleitearmos o nosso lugar de direito, de fato, porque se não essa nação renascerá no caos.

segunda-feira, 9 de março de 2015

O AMOR NÃO TEM COR

Marcelo Silles
Assistente Social
O amor é um sentimento transcendental, que ultrapassa barreiras e significados simplórios, tem a capacidade imensa de atingir até os seres internamente inatingíveis. O amor celebra a união, a compaixão, a sensibilidade, a tolerância, a paciência, o afeto, a dignidade, o respeito. O amor representa a máxima essência do bem que há em cada ser humano.

Quem ama não ver cor, não ver raça, não ver credo, não ver aparência porque quem ama consegue enxergar o indivíduo em sua essência interior, captar os mais sensíveis gestos de solidariedade, afetuosidade, companheirismo. O amor restaura a longevidade, o caráter se torna mais iluminado, o ser transmite uma harmonia espiritual que tonifica todo o ambiente.

O amor cura qualquer ferida, realimenta e fortalece sonhos não compactua com a injustiça, a imoralidade e a covardia. O amor não tem fronteiras, não tem nacionalidade ele é universal. Quem distribui amor recebe amor em troca.

O amor não tem cor. O amor é incolor. O amor é a peça central que move o mundo, quem ama está de bem com a vida, consigo mesmo, é feliz, e sendo feliz faz a outra pessoa ser a pessoa mais feliz do mundo.

Portanto, amemo-nos uns aos outros como o Senhor Jesus nos ensinou.

D'ORIGEM


Formado em meados de 2005 por Meire Mc e Preta Ary, o D’Origem vem se destacando na cena do hip hop por ser um grupo feminino abordando diversos temas abrangentes do cotidiano com muita personalidade e atitude. A partir de 2010 o grupo ganha sua terceira integrante, D’soul, que vem para assumir o seu posto de DJ.
O grupo nasceu do intuito de se expressar através da música relatando suas experiências e trazendo a voz ativa da mulher brasileira e o desenvolvimento como poetizas. Para os ouvintes e amantes da boa música, o grupo D’origem diferencia-se por seus instrumentais trazendo a fusão de outros ritmos e a eloquência das Mestras de cerimônia. As influencias musicais vão desde Rap, o Soul e o R&B, até MPB, Jazz, Bossa Nova, Reggae, Samba, Repente, e tudo que está ligado às nossas raízes ancestrais.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

FUNK CARIOCA EM BOM JESUS PARTE 2: CULTURA DE RUA. CULTURA MARGINAL.

Em fevereiro de 2013 um blogueiro oposicionista
(http://rtfonseca.blogspot.com.br/2013/02/bom-jesus-carnaval-2013.html?spref=fb), em sua revolta pelo fato de não ter ocorrido o carnaval em Bom Jesus, foi enfático em sua postagem, em classificar os funkeiros de marginais. Em todo o momento o mesmo exclui os cidadãos que fazem parte desse movimento, de serem indivíduos pertencentes a decente família bom-jesuense, que os mesmos não têm decência e civilização. Não se farta de vangloriar esses termos várias vezes.

Para este blogueiro e o seu grupo da tal família bom-jesuense nós da Cultura de Rua, Cultura Marginal, na qual o funk também faz parte, ameaçamos a ordem social de seus contemporâneos que diversas vezes se auto-intitulam detentores do monopólio da manutenção da ordem municipal, da ordem pública.  E por que a Cultura Marginal incomoda tanto esses bons bom-jesuenses de família nobre, casta e inocente?

Para esses indivíduos a Cultura Marginal é tida como uma coisa maldita que foge totalmente os padrões culturais que se enquadram nessa decente cidade, e esses senhores e senhoras de bem querem imputar, a título de pretérito, suas velhas paixões saudosistas e suas culturas particulares dignas de apreços reacionários conservadores, ditatoriais e segregacionistas. A Cultura Marginal é a representação máxima da periferia, desnuda suas formas, contradições, paixões inquietantes, desejos furtados e aprisionados, reflete a realidade sem maquiagem, dando voz a quem antes não tinha voz despertando para o senso crítico.

Micael Herschmann em seu extraordinário, O Funk e o Hip Hop Invadem a Cena, expõe claramente o sentimento de repulsa, nojo e desaprovação de uma sociedade alicerçada no conservadorismo e num ranço discurso arcaico carregado explicitamente de racismo, preconceito, discriminação, marginalização, criminalização. Configura um apontamento de pré-julgamento e um clima de desconforto com a atual conjuntura dos arranjos culturais, econômicos, sociais e familiares. Os apontamentos feitos em seu trabalho expressa, de uma forma nua e crua, a luta desses movimentos em se manter firmes frente a uma escalada societária determinada em isola-los num campo de concentração patrocinado pelos senhores e senhoras de bem.

O fato é que, quando é conivente e conveniente em Bom Jesus, os funkeiros e adeptos da Cultua de Rua (Cultura Marginal) são tratados como iguais, cidadãos de bem no suave feito seda. Apertos de mão que são acompanhados de ‘tenho que aturar por enquanto’ fazem parte de um ritual conservador e de direita macabro de dois em dois anos, época em que todos os brasileiros são iguais mediante interesses desses crápulas meritocratas.

É necessário nós, da Cultura de Rua, unirmos força para termos os nossos representantes, que lutem pelos nossos direitos sociais e culturais, temos que repensar nossos momentos e fortalecer a nossa causa na luta do bem comum, unir forças e parar de darmos munição e créditos aos nossos inimigos que são muitos. É Nós Por Nós.

Despeço-me com a máxima do grande rapper Mano Brown do Racionais, que se encaixa perfeitamente para esses tipos de indivíduos bonjesuenses senhores e senhoras de bem que representam a santa e casta família bonjesuense, a tal família que nós, funkeiros, rapper´s da Cultura de Rua, Cultura Marginal, não fazemos parte:

Ei, Senhor de engenho eu sei bem quem você é. Sozinho, cê num guenta sozinho cê num entra a pé. Cê disse que era bom e as favela ouviu, lá Também tem Whisky, Red Bull, Tênis Nike e fuzil. Admito seus carro é bonito é, eu não sei fazê Internet, videocassete os carro loco. Atrasado eu tô um pouco sim tô Eu acho ,só que tem que seu jogo é sujo e eu não me encaixo. Eu sô problema de montão de carnaval a carnaval eu vim da selva sou leão, sou demais pro seu quintal. Problema com escola eu tenho mil, mil fita inacreditável mas seu filho me imita. No meio de vocês ele é o mais esperto, ginga e fala gíria, gíria não, dialeto. Esse não é mais seu ó subiu, entrei pelo seu rádio tomei cê nem viu. Nós é isso ou aquilo o quê? cê não dizia? Seu filho quer ser preto rááá.... Que ironia cola o pôster do 2Pac aí que tal? Que cê diz? Sente o negro drama vai tenta ser feliz. Ei bacana quem te fez tão bom assim? O que cê deu, o que cê faz, o que cê fez por mim? Eu recebi seu tic quer dizer kit de esgoto a céu aberto e parede madeirite..”
Marcelo Silles
Assistente Social



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O RANÇO DO SAUDOSISMO

Marcelo Silles
Assistente Social
Eu escutei um bom-jesuense da dita e honrosa família bom-jesuense gritar: FORA PT, FORA OS MORTOS DE FOME DO BOLSA-FAMÍLIA, FORA OS FAMIGERADOS DA COTA QUE TIRAM OPORTUNIDADE E MÉRITOS DAQUELES QUE SEMPRE LUTARAM PARA VENCER, FORA GOVERNO POBRE PARA OS POBRES. Palavras lançadas de um ego bastardo inflamado, que não se propicia em produzir nada em prol de uma nação justa e igualitária.

O tal bom cidadão bom-jesuense da dita e honrosa família bom-jesuense, não cansa de farta-se de insultos aos programas de ações afirmativas de combate à miséria, a fome, a desigualdade, a inclusão de negros e índios nas universidades e empregos públicos, em reparações aos sequestros, genocídios de um grupo e a invasão, expulsão e genocídio do outro. Esse santo e maculo, respeitado e bem honrado cidadão de família, não cansa de glorificar-se de seus exemplos de vida e santidade familiar, imputa sempre o seu orgulho meritocrata egoísta e vil àqueles que não foram abençoados e tocados pela sorte que adentrou a sua residência de vínculos afetuosos compromissados com o conservadorismo, a teocracia e autocracia ultra-direitista.

Eu escutei um bom-jesuense da dita e honrosa família bom-jesuense desta vez com colegas, amigos e correligionários que compartilham, comungam e compactuam dos mesmos ideias gritarem: ABAIXO A DEMOCRACIA BRASILEIRA, QUE TOME O PODER A DITADURA, QUE RETORNE OS ANOS ÁUREOS DO AI-5, CASTELO, DOPS. Vixi.....!!!!!!! aí pensei: FASCISTAS EM BOM JESUS? ERA SÓ O QUE NOS FALTAVA.

A reeleição de Dilma, serviu de um grande propósito na qual descobrimos que em Bom Jesus do Itabapoana-RJ e Bom Jesus do Norte-ES, existem adeptos do fascismo. Saíram do armário bufando em alto e bom tom destilando todo o ódio em cima dos negros, índios, pobres que para eles fazem parte de uma classe desmerecida e por conseguinte estão sucateando e destruindo a nação.

Ah sim, os fascistas desagradecidos mostram as suas garras. Fascistas que tiveram suas vidas privilegiadas, premiadas e, portanto, não suportam verem ruir seus castelos de privilégios e farturas acondicionadas num padrão social extemporâneo querendo se igualar categoricamente entre dons, caráter, oportunidades de espíritos, convivência e vivência. Cada indivíduo tem seu dom apreciado e dado por Deus, cada indivíduo tem o seu momento e tempo, cada indivíduo tem seu processo de oportunidade seja lá como for. Socialmente falando, oportunidades sociais e econômicas no Brasil foram retiradas a força de um grupo e premiadas para outros. Fenotipicamente falando, algumas cútises são sacralizadas e abençoadas facilitando assim, o ingresso de alguns com facilidade em acessos e ascensões, não preciso elencar e explicitar aqui, é claro.


Sim, existem fascistas nas duas Bom Jesus, seres ignóbeis, arrogantes, cheios de si, fascínoras que pregam o ódio e a separação. Mascaram um discurso de paz, com mensagens românticas temperadas com radicalismo exacerbado fazendo com que, aquele cidadão que necessita de programas sociais e ações afirmativas, se sinta em tremenda inferioridade e rancoroso consigo mesmo. Esses fascistas já existiam, mas como em épocas anteriores saudosas o situacionismo os favoreciam, não rangiam os dentes e nem berravam estupidez em alto e bom tom para que todos vejam e admirem a boçalidade sofista em seus denegáveis status quo.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Na Gringa: O “Thug Life” e seus mandamentos


Muitos começaram a ouvir Rap com Racionais Mc’s, que por sua vez sempre deixaram claro suas referencias de Tupac Shakur, assemelhando-se o termo Vida Loka ao Thug Life, que certamente são bastante parecidos.
Thug Life, foi originalmente, um movimento social, criado por Tupac e seu tio, Mutulu Shakur, com intuito de diminuir as mortes banais e a violência nas áreas pobres e favelas dos EUA.
Ninguém melhor pra explicar que o próprio Tupac.
Tal movimento tinha por objetivo, direcionar os “thugs”, sobre o que poderia e o que não poderia ser feito nas comunidades, como por exemplo; não poderiam haver mortes banais, sequestros ou venda de crack à crianças e moradores das comunidades. Isso diminuiu drasticamente o número de assassinatos nas áreas mais violentas e gerou ódio por parte do governo americano.
Como visto no vídeo, além de um estilo de vida, o Thug Life tinha seus mandamentos, especificamente 26 códigos de ética que deveriam ser seguidos.

Os mandamentos

  • 1. Os mais novos nesse jogo precisam saber que: a) Ficará rico | b) Ira para a cadeia | c) Morrerá
  • 2. Líderes de gangue: Vocês são responsáveis pelo pagamento dos outros membros. Sua palavra deve ser como um contrato.
  • 3. Um rato em sua gangue é um rato em todas. Ratos são como doenças, cedo ou tarde iremos pegá-las.
  • 4. O líder de uma gangue deve selecionar um diplomata, e descobrir meios de resolver disputas. A união faz a força!
  • 5. Roubar carros em nossa área é contra o código.
  • 6. Traficar para crianças é contra o código.
  • 7. Fazer crianças traficarem é contra o código.
  • 8. Nada de tráfico nas escolas.
  • 9. Desde que o rato Nicky Barnes abriu a boca, caguetar os irmãos virou uma prática comum para muitos. Não para nós.
  • 10. Caguetas fiquem longe daqui.
  • 11. Os garotos de azul (referência aos policiais) não fazem nada; nós fazemos. Controle a área e deixe-a segura para lazer.
  • 12. Não trafique para mulheres grávidas. Isto é assassinato infantil; isso é genocídio!
  • 13. Conheça seu alvo. Quem realmente é seu inimigo.
  • 14. Civis não são um alvo, devem ser poupados.
  • 15. Lesões em crianças não serão perdoadas.
  • 16. Atacar alguém em casa, onde sua família também mora não é permitido.
  • 17. Brutalidade sem sentido e estupros devem acabar.
  • 18. Nossos velhos não podem sofrer abusos.
  • 19. Respeitar nossas irmãs. Respeitar nossos irmãos.
  • 20. Mulheres do cotidiano devem ser respeitadas, se elas se derem ao respeito.
  • 21. Disputas armadas relativas a áreas de negócio dentro da comunidade devem ser tratadas com profissionalismo e fora do bairro.
  • 22. Sem tiroteio em festas.
  • 23. Shows e festas são territórios neutros, não atirem!
  • 24. Conheça o código, ele vale para todos.
  • 25. Seja sagaz, ande ao lado do código da Thug Life
  • 26. Proteja você mesmo o tempo todo.
Gangues de várias cidades americanas com altos índices de violência concordaram em usar o código Thug Life.
Vários bairros dominados por gangues funcionavam por dentro do código e apesar dos incides de violência e mortalidade estarem aumentando, nos bairros que aderiram ao tratado não há índices relevantes de tiroteios em escolas, festas ou atuação de crianças em gangues . Porém analistas de criminalística e jornalistas sugerem que o código Thug Life tenha sido esquecido , mas esses analistas não observam o fato desses crimes que vão contra o código acontecerem somente em locais fora de Los Angeles (local onde se concentra a maior parte das gangues) e longe de territórios dominados pelos Crips e Bloods (principais adeptos do tratado).
Thug Life também pode significar “The Hate U Gave Lil’ Infants Fucks Everyone”, algo como “O ódio que você passa para as crianças fode com todo mundo”.
Ou seja, Vida Loka e Thug Life porem ser considerados um termo similar.
FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/colunas/na-gringa-o-thug-life-e-seus-mandamentos/