sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

FUNK CARIOCA EM BOM JESUS PARTE 2: CULTURA DE RUA. CULTURA MARGINAL.

Em fevereiro de 2013 um blogueiro oposicionista
(http://rtfonseca.blogspot.com.br/2013/02/bom-jesus-carnaval-2013.html?spref=fb), em sua revolta pelo fato de não ter ocorrido o carnaval em Bom Jesus, foi enfático em sua postagem, em classificar os funkeiros de marginais. Em todo o momento o mesmo exclui os cidadãos que fazem parte desse movimento, de serem indivíduos pertencentes a decente família bom-jesuense, que os mesmos não têm decência e civilização. Não se farta de vangloriar esses termos várias vezes.

Para este blogueiro e o seu grupo da tal família bom-jesuense nós da Cultura de Rua, Cultura Marginal, na qual o funk também faz parte, ameaçamos a ordem social de seus contemporâneos que diversas vezes se auto-intitulam detentores do monopólio da manutenção da ordem municipal, da ordem pública.  E por que a Cultura Marginal incomoda tanto esses bons bom-jesuenses de família nobre, casta e inocente?

Para esses indivíduos a Cultura Marginal é tida como uma coisa maldita que foge totalmente os padrões culturais que se enquadram nessa decente cidade, e esses senhores e senhoras de bem querem imputar, a título de pretérito, suas velhas paixões saudosistas e suas culturas particulares dignas de apreços reacionários conservadores, ditatoriais e segregacionistas. A Cultura Marginal é a representação máxima da periferia, desnuda suas formas, contradições, paixões inquietantes, desejos furtados e aprisionados, reflete a realidade sem maquiagem, dando voz a quem antes não tinha voz despertando para o senso crítico.

Micael Herschmann em seu extraordinário, O Funk e o Hip Hop Invadem a Cena, expõe claramente o sentimento de repulsa, nojo e desaprovação de uma sociedade alicerçada no conservadorismo e num ranço discurso arcaico carregado explicitamente de racismo, preconceito, discriminação, marginalização, criminalização. Configura um apontamento de pré-julgamento e um clima de desconforto com a atual conjuntura dos arranjos culturais, econômicos, sociais e familiares. Os apontamentos feitos em seu trabalho expressa, de uma forma nua e crua, a luta desses movimentos em se manter firmes frente a uma escalada societária determinada em isola-los num campo de concentração patrocinado pelos senhores e senhoras de bem.

O fato é que, quando é conivente e conveniente em Bom Jesus, os funkeiros e adeptos da Cultua de Rua (Cultura Marginal) são tratados como iguais, cidadãos de bem no suave feito seda. Apertos de mão que são acompanhados de ‘tenho que aturar por enquanto’ fazem parte de um ritual conservador e de direita macabro de dois em dois anos, época em que todos os brasileiros são iguais mediante interesses desses crápulas meritocratas.

É necessário nós, da Cultura de Rua, unirmos força para termos os nossos representantes, que lutem pelos nossos direitos sociais e culturais, temos que repensar nossos momentos e fortalecer a nossa causa na luta do bem comum, unir forças e parar de darmos munição e créditos aos nossos inimigos que são muitos. É Nós Por Nós.

Despeço-me com a máxima do grande rapper Mano Brown do Racionais, que se encaixa perfeitamente para esses tipos de indivíduos bonjesuenses senhores e senhoras de bem que representam a santa e casta família bonjesuense, a tal família que nós, funkeiros, rapper´s da Cultura de Rua, Cultura Marginal, não fazemos parte:

Ei, Senhor de engenho eu sei bem quem você é. Sozinho, cê num guenta sozinho cê num entra a pé. Cê disse que era bom e as favela ouviu, lá Também tem Whisky, Red Bull, Tênis Nike e fuzil. Admito seus carro é bonito é, eu não sei fazê Internet, videocassete os carro loco. Atrasado eu tô um pouco sim tô Eu acho ,só que tem que seu jogo é sujo e eu não me encaixo. Eu sô problema de montão de carnaval a carnaval eu vim da selva sou leão, sou demais pro seu quintal. Problema com escola eu tenho mil, mil fita inacreditável mas seu filho me imita. No meio de vocês ele é o mais esperto, ginga e fala gíria, gíria não, dialeto. Esse não é mais seu ó subiu, entrei pelo seu rádio tomei cê nem viu. Nós é isso ou aquilo o quê? cê não dizia? Seu filho quer ser preto rááá.... Que ironia cola o pôster do 2Pac aí que tal? Que cê diz? Sente o negro drama vai tenta ser feliz. Ei bacana quem te fez tão bom assim? O que cê deu, o que cê faz, o que cê fez por mim? Eu recebi seu tic quer dizer kit de esgoto a céu aberto e parede madeirite..”
Marcelo Silles
Assistente Social



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