quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Rap Plus Size - O Pano Rasga [Clipe Oficial]

CRIADOR DO PORTAL RAP 24 HORAS TAMBÉM FEZ COMENTÁRIOS MACHISTAS E RACISTAS NA INTERNET: “NÃO CONFIO EM NEGROS”

FORAM ENCONTRADAS MENSAGENS ONDE ELE MOSTRA “COMO SE DEVE BATER EM UMA MULHER” E DIZENDO “SIM AO PRECONCEITO”

O Hip Hop só existe como tal por causa dos negros e da cultura afrodescendente, a música de uma maneira em geral foi e continua sendo uma maneira de resistir e se opor ao sistema racista de ontem, hoje e sempre, porém até mesmo no meio da música sendo artista ou mídia, existem pessoas preconceituosas e racistas.
Recentemente, vimos o caso dos rappers Raffa Moreira e Delatorvi contra o Youtuber Bruno Fabil, os artistas divulgaram uma série de prints de posts do Youtuber fazendo piadas racistas em sua conta no Twitter, e isso gerou um grande debate. O interessante é que nenhum portal de Rap deu atenção sobre o assunto e se quer fizeram uma nota, agindo como se isso fosse algo bastante normal, mas não é e nunca vai ser.
Com o questionamento de leitores sobre atitudes machistas de um dos maiores sites de rap no Brasil, Portal Rap 24 horas, fizemos uma pesquisa para entender melhor o que estava acontecendo, e depois de saber como funciona o sistema usado no site em questão decidimos denunciar o dono do portal, mas para entender melhor o contexto de tudo isso você terá que compreender toda a história que iremos contar abaixo.
Com mais de 350 mil seguidores no Facebook, o Portal Rap 24 Horas é um dos pioneiros no quesito no país e é um dos sites mais lembrados pelos fãs e rappers. Apenas no período entre Setembro a Novembro, o Rap 24 Horas teve mais de 1 Milhão e 300 Mil de acessos, contra menos de 500 Mil do site Rap Nacional Download por exemplo, uma média de pouco mais de 460 Mil por mês.
Na página “Sobre nós” no site em questão, podemos encontrar os nomes dos membros do site que são, John Lavorato, Caio Lavorato, Lucas Rodrigues e Matheus Soares.Sendo o Criador/editor Chefe, editores e Pesquisador de conteúdo respectivamente.
Apesar de sabermos de outras ocasiões quem era de fato o criador do Rap 24 Horas, fomos atrás de John Lavorato e constatamos que ele não existe, por isso nossas buscas sobre quem era o verdadeiro dono do site foram voltadas para um conhecido de uma comunidade que nós membros do Rap + participávamos, Bruno Guerra. 
Fazendo uma pesquisa no Whois (Site que mostra quem são os donos dos domínios da internet) encontramos Bruno de Oliveira Guerra, mesma pessoa que conhecíamos e divulgava o site nas redes sociais. Fomos atrás do perfil dele e percebemos que nossas contas tinham sido bloqueadas por ele no Facebook. Isso foi ocasionado depois que questionamos em sua página sobre diversas matérias que fizemos com exclusividade e que foram replicadas por eles sem os devidos créditos, como você pode ver aqui
O portal nunca nos respondeu ou tentou resolver o problema de maneira pacifica, como nos dando os devidos créditos por exemplo, e sim nos ameaçou e continuou copiando nossas matérias, noticias, fotos e videos de maneira descarada. Por isso, continuamos tentando descobrir mais sobre Bruno para tentar conversar com o mesmo e resolver nossas diferenças. Mas acabamos nos deparando com algo muito pior do que copiar conteúdo.

Até então já suspeitávamos que John Lavoratto, um suposto “Jornalista” de 27 anos nunca existiu, e na verdade o jovem Bruno Guerra de São Paulo é quem estava por trás do Portal em tempo integral fazendo as postagens junto com outros colaboradores. Pelos textos publicados já percebíamos que a pessoa por trás do Portal não tinha o mínimo de entendimento sobre a ética jornalistica, que segue um conjunto de normas e procedimentos éticos que regem a atividade do jornalismo. Bruno Guerra não deve nem se quer imaginar o que é isso pelas diversas atitudes que vem apresentando também contra o Rap+.

MACHISMO E RACISMO DO FUNDADOR DO RAP 24 HORAS

Há alguns meses, saiu a notícia do vazamento do boletim de ocorrência da ex-namorada do rapper XXXTENTACION, no boletim ela relatou com diversos detalhes horríveis sobre o que passou quando estava com o rapper, e o Rap 24 Horas publicou a matéria “defendendo” o rapper, o que ocasionou uma chuva de críticas nos comentários, até que posteriormente eles tiveram que alterar a matéria.

Essa não foi a primeira e nem a única vez que o portal defende artistas, se você acompanha a página já deve ter visto isso, porém muitos fãs da página (não de rap) simplesmente ignoram todas essas atitudes e quem não ignora é silenciado pela página.
Dando uma pesquisada no Twitter de Bruno Guerra, o dono do Portal Rap 24 Horas, encontramos algumas mensagens antigas onde ele mostra atitudes racistas e machistas,  onde podemos ver entre outras coisas ele dizendo que “não confia em negros”, além de postar um vídeo do rapper Lil Reese brigando com uma mulher com a legenda “Como bater em uma mulher”.
Aguardamos uma resposta de Bruno Guerra sobre seus comentários e esperamos que admita seus erros e que no mínimo se desculpe a todos, não existe espaço principalmente na comunidade do Hip Hop para pessoas desse tipo. Vale ressaltar que todas as provas colhidas que temos e as que colocamos aqui foram enviadas para oMinistério Público do Rio de Janeiro.
Todas as mensagens você pode pesquisar e ver com seus próprios olhos no Twitter de Bruno Guerra clicando aqui (Antes que ele apague) ou pelos prints abaixo clicando na imagem.
Confira e tire suas próprias conclusões sobre tudo isso.
Atualização: Após a publicação da matéria Bruno Guerra excluiu seu Twitter.



FONTE:https://rapmais.co
m/blog/2017/12/13/portal-rap-24-horas-e-comentarios-racistas/

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Fotógrafa especialista em conflitos é presa por desembargador durante julgamento do recurso de Rafael Braga

Na tarde de hoje, durante o julgamento do recurso impetrado pela defesa de Rafael Braga sobre a sua condenação de 11 anos e 3 meses por tráfico e associação, na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o desembargador Luiz Zveiter mandou prender a fotógrafa Katja Schilirò que acompanhava a sessão de julgamento.
O caso de Rafael é mais um que segue o modelo habitual do TJRJ de mecanização do encarceramento do povo pobre, do negro e do morador da favela. O fato ocorreu momentos após Zveiter negar o recurso e seguir com a condenação do reú. O ato do Juiz foi considerado pela platéia presente no julgamento como retrógrado e reacionário, já que Rafael Braga sofre com uma condenação explicitamente injusta.
De acordo com informações que recebemos de pessoas que estavam no tribunal, a indignação do povo foi imediata diante de mais uma decisão arbitrária contra uma vida negra da favela. Enquanto gritos de fascista e racista direcionados à Zveiter ecoavam no tribunal, de forma aleatória e arbitrária ele decidiu dar voz de prisão à fotógrafa especialista em conflitos Katja Schilirò, integrante do Coletivo Mariachi e colaboradora da Mídia Independente Coletiva. Ela foi levada algemada para a 5ª DP, na Lapa e posteriormente liberada após assinar um termo circunstancial.
Postagem e alterações no texto sob a responsabilidade do conselho gestor da Mídia Independente Coletiva.
Texto e foto: Kauê Pallone/Fotoguerrilha.

FONTE:http://midiacoletiva.org/fotografa-especialista-em-conflitos-e-presa-por-desembargador-durante-julgamento-do-recurso-de-rafael-braga/

A286 - A Comédia dos Erros (com letra)

A cor da morte: jovens negros são os que mais morrem no ES No Espírito Santo, homicídios de jovens negros acontecem 5,5 vezes mais do que os de brancos. Diferença é a 6ª maior do país, segundo Unesco

Dez perfurações deixaram no corpo de Gustavo da Fonseca Santos as marcas da crueldade. Aos 18 anos, o jovem negro, que trabalhava como cuidador de um doente, foi morto a tiros no último domingo por criminosos que o alvejaram enquanto ele andava por uma das ruas do bairro Colina, em Cariacica. Revoltada, a mãe Ana Cristina Souza da Fonseca, 45, garante que o filho foi vítima de emboscada. “Ele conheceu uma menina pelo Facebook e marcou de se encontrar com ela. Quando chegou, o namorado dela o matou”. lamenta.

A recente morte de Gustavo, bem como o rastro de dor deixado em sua família, é o reflexo mais duro de uma realidade que se revela em números. De acordo com os dados do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017, enquanto a taxa de homicídios de jovens brancos no Espírito Santo em 2015 era de 25,46 a cada 100 mil habitantes, a de jovens negros era de 139,48.

139,48 jovens negros

Taxa de assassinato no Estado a cada 100 mil habitanteS
Em outras palavras, a população negra do Estado entre os 15 e 29 anos tem 5,5 vezes mais chances de morrer vítima da violência na comparação com jovens brancos. A taxa supera a média do Brasil, em que jovens negros têm 2,7 chances a mais de serem mortos.
Os dados avaliados pelo Fórum Nacional de Segurança Pública e divulgados pela Unesco colocam o Espírito Santo na sexta posição do ranking de Estados em que a diferença da cor da pele tem maior influência sobre o número de homicídios nessa faixa etária.
Para o coordenador do Fórum da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes), Lula Rocha, apesar de alarmante, a situação revelada pelo estudo não é uma surpresa e já vem sendo motivo de denúncias nos últimos dez anos. “O racismo determina que nossas vidas tenham um peso diferente. Se morressem mais jovens brancos do que negros, a comoção da sociedade e dos governos seria maior”, critica.
Rocha argumenta que o preconceito racial serve de base para a desigualdade, que se acaba se refletindo nos índices de violência. Do mesmo modo, a coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) da Ufes, Patrícia Rufino, diz:
“A vulnerabilidade não começa no estigma social e sim no racial - onde se verifica a exclusão da população negra no acesso e qualidade de bens que garantam uma melhor perspectiva social. A perspectiva de vida da maior parte da população negra, gira em torno do trabalho, e nem sempre este trabalho consegue seguir o curso da qualificação. Não apenas pela negritude, mas pela condição social imposta à essa maioria marginalizada”.
ENFRENTAMENTO
Doutor em Educação e pesquisador no campo dos estudos etnico-raciais, o professor Gustavo Forde acrescenta que a melhoria dos índices está diretamente ligada ao enfrentamento do racismo. Segundo ele, investir em políticas públicas que garantam o acesso e permanência de negros na educação, bem como o acesso à saúde, ao lazer e ao mercado de trabalho é fundamental para que a página de desigualdades seja virada.

25,46 a cada 100 mil

É a taxa de assassinatos de jovens brancos no Espírito Santo.
“Historicamente, essas disparidades são mantidas quando o Estado é ausente. Nas áreas onde vivem a maioria dos negros, chamadas de periferias, as políticas públicas não chegam porque o racismo opera institucionalmente. Faltam direitos básicos, como coleta de lixo, iluminação, pavimentação ou praças e parques”.
Por outro lado, o secretário estadual de Direitos Humanos, Julio Pompeu, observa que, comparados a anos anteriores, os índices no Espírito Santo têm apresentado melhora. “Dos critérios que criam o indicador, o pior é o da morte violenta dos jovens negros. E, ainda que seja uma mudança pequena, está melhorando”.
POLÍTICAS PÚBLICAS
Pompeu destaca que os indicadores são um termômetro para mostrar o resultado de políticas públicas ou a falta delas. E, por essa razão, ele acredita que nas pesquisas seguintes o Espírito Santo vai apresentar um cenário de redução da vulnerabilidade, visto que o programa Ocupação Social terá mais tempo de implantação. “Em 2015, quando foi feita a pesquisa, estava apenas começando. Esperamos que o resultado de 2016 comece a refletir de maneira mais intensa o trabalho que estamos realizando”.
O programa concentra, segundo Pompeu, uma série de ações com foco nos jovens da periferia e em especial das regiões com maior número de mortes violentas. As iniciativas têm três eixos como prioridade: reduzir a evasão escolar, gerar emprego e renda, e desenvolver habilidades socioemocionais.
Atualmente, o Ocupação Social está em 26 regiões de nove municípios: Pinheiros, São Mateus, Colatina, Linhares, Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Cachoeiro de Itapemirim. A região mais recente a ser incorporada ao programa foi a do Bairro da Penha, na Capital.
Para 2018, o secretário disse que o principal objetivo é tornar o programa uma lei e, assim, deixe de ser uma política de um governo para ser de Estado, possibilitando sua continuidade em outras gestões.
FONTE:https://www.gazetaonline.com.br/noticias/cidades/2017/12/a-cor-da-morte-jovens-negros-sao-os-que-mais-morrem-no-es-1014110776.html


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A's Trinca lança o disco "Identidade – Lado A", seu mais novo trabalho nesta sexta-feira (15).

O disco é resultado parceria com o selo independente Agaéle Music, que também administra a nova fase da carreira do grupo DMN.
A's Trinca, nesta sexta-feira dia 15 de dezembro lança o seu mais novo CD, intitulado "Identidade – Lado A". Neste trabalho o grupo apresenta seu repertório autoral, contundente, com rimas e melodias marcantes somados a toda sua militância do Hip Hop. O álbum faz parte do projeto duplo também intitulado "Identidade", que tem previsão do lançamento do CD "Lado B", no primeiro trimestre de 2018.
astrincaidentidade2
Confira a track list do CD
  1. Se Identifica
  2. Cantei
  3. Pegadas
  4. Falsos profetas
  5. 3x4 ft. Apocalipse Urbano
  6. Falsidade é Mato ft. Nocivo Shomon
  7. Mais Perto
  8. Padrões da Farsa
Gênero Musical: Rap / Hip Hop 
Produzido por Indião BL, com exceção da faixa 3X4 produzida por DJ MaxnosBeatz.
 
"Padrões da Farsa"
 
Para o lançamento do disco, o grupo preparou um clipe, no qual divulga a nova música "Padrões da Farsa". Com direção geral de Filippe Nascimento (Agaéle Music) e Codireção de Zinho (Lado Sujo da Frequência), foi gravado Centro de São Paulo em Dezembro/2017 e tem participação de mulheres de representatividade em São Paulo, como Amanda Negrasim, Kamilah Pimentel, Débora GGF, DJ Sophia e entre outras.
 
Com muita garra e representatividade as mulheres de nosso Brasil vêm diariamente quebrando tabus, ocupando seus espaços e sendo voz através de muita luta e 2016 e 2017 ficarão marcados na história como os anos em que as mulheres deixaram de ser coadjuvantes em músicas e personagens de letras e passaram a ter voz.


A's Trinca
 
Diretamente do bairro de Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, A's Trinca, iniciou sua trajetória no ano de 2012, com suas letras expressivas, mostrando suas ideologias e a valorização da mulhercarregando muita história e experiência desde os anos 2000.
 
Formado por Nay LopesKel FidelisNina e DJ X-Jay, "três minas no vocal e um DJ no vinil"; como diz o trecho da música "Se Identifica", de autoria do grupo, lançado em Março de 2015 através de uma versão exclusiva para o canal RAPBOX.
 
Em 2016, o grupo foi premiado no "Prêmio Sabotage" na categoria MC (prêmio criado pela Câmara Municipal de São Paulo) e no "Prêmio LiberdaDExpressão" (realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). Participou ainda de programas de televisão como o X-Factor Brasil (Band e TNT) e o Corre e Costura (SBT e Fox Life).

FONTE:https://dnaurbano.com.br/publicacoes/astricacd



Número de negros mortos por policiais é o triplo do de brancos No ano passado, policiais mataram 963 pessoas brancas e mais de 3.000 negras

São Paulo – A polícia matou o triplo de negros do que de brancos entre 2015 e 2016, de acordo com levantamento do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no começo de novembro. Os dados são uma compilação de todos os casos registrados em boletins de ocorrência nos dois últimos anos.
Foram 963 mortes de brancos contra 3.240 mortes de negros, por policiais de folga ou em serviço no ano passado. Outras 1.642 mortes foram registradas como “não identificado” e mais 51 como “outros”, totalizando 5.896 mortes causadas pela polícia.
A esmagadora maioria das pessoas mortas pela polícia é composta por  homens: são 5.769, contra 42 mulheres e 85 casos não identificados. Grande parte também é jovem: 35,5% têm entre 18 e 29 anos. Mas na maior parte dos casos o dado não foi levantado (45,6%).
Além disso, 532 menores de idade, de 12 a 17 anos, foram mortos por policiais, o que representa 9% do total.

Mortes de policiais

Por outro lado, o levantamento registrou a morte de 573 policiais, em serviço ou não, em 2015 e 2016 – cerca de um décimo, portanto, das mortes causadas por policiais.
A maioria deles também era negra (223, contra 171 brancos e 179 não identificados), mas a média de idade era maior, entre 30 e 49 anos.
Quase todos os policiais mortos eram homens: foram registradas 10 mortes de mulheres e 18 ficaram sem identificação.

2016

O Fórum de Segurança Pública também divulgou o recorte por estados das mortes causadas por policiais em 2015 e em 2016.
O estado em que a polícia mais mata é o Rio de Janeiro, como se vê na tabela abaixo. Também foi o local onde o número de mortos pela polícia mais cresceu no país.
Em seguida, aparecem São Paulo, Bahia, Pará e Paraná. Na Bahia o número de mortos pela polícia também cresceu significativamente, mas o Fórum de Segurança ressalta que os dados do estado são os menos confiáveis de todo o levantamento, porque a Secretaria de Segurança Pública do estado não respondeu ao questionário.
Estado20152016Diferença
Rio de Janeiro645925280
São Paulo83285624
Bahia354457103
Pará19328289
Paraná24626721
Goiás14120968
Rio Grande do Sul11116857
Maranhão8912738
Minas Gerais1081124
Ceará8610923
Alagoas9610812
Sergipe439451
Pernambuco447531
Rio Grande do Norte7665-11
Santa Catarina6362-1
Amapá205939
Espírito Santo255025
Amazonas33374
Piauí18279
Mato Grosso do Sul4026-14
Acre102515
Paraíba15227
Rondônia9189
Mato Grosso8157
Tocantins10155
Distrito Federal107-3
Roraima550
Total33304222892
Os pesquisadores usam duas metodologias diferentes: para os dados estaduais, são utilizadas informações fornecidas pelas secretarias; para os recortes por sexo, raça e idade, são avaliados boletins de ocorrência.
FONTE:https://exame.abril.com.br/brasil/numero-de-negros-mortos-por-policiais-e-o-triplo-do-de-brancos/?utm_source=whatsapp

domingo, 10 de dezembro de 2017

Kmila CDD - PRETA CABULOSA Full Album




Outra face da prostituição: Idosas, Negras e Analfabetas

A reportagem é um relato sobre a vida de mulheres na prostituição aos 40, 50, 60 e até 70 anos. Segundo as organizadoras do Grupo Mulheres da Luz, duas ex prostitutas e uma irmã da Igreja, elas fazem o possível e o impossível para dignificar a vida dessas mulheres.

“As mulheres que cumprimetei no caminho na verdade estão todas se prostituindo”. Assim Cleone começa nossa conversa enquanto caminhamos para a sede do Parque da Luz, ao lado da Pinacoteca do Estado em São Paulo, uma construção antiga, tombada, e que hoje abriga o Grupo Mulheres da Luz formado por duas ex-prostitutas L.T. (mantivemos o nome em sigilo a pedido da entrevistada), Cleone e Regina, uma irmã da Igreja que há anos auxilia mulheres prostitutas.
O grupo que foi se organizando nesse espaço, conquistado mediante muita luta, possibilita que mulheres que se prostituem durante a semana no parque tenham acesso a aulas, já que muitas querem sanar a dificuldade de ler e escrever. A organização também serve como apoio diverso e acolhimento, pois na maioria das vezes elas se sentem solitárias e culpadas. Essa organização se dá mesmo na ausência de apoio público e do próprio movimento feminista.


É no caminho até a sede do parque que fui vendo uma face da prostituição muito distante daquela pintada pela mídia com a imagem da Bruna Surfustinha e até mesmo da Bebel da novela Paraíso Tropical. Glamour que não existe para as mulheres que estão no Parque da Luz. O que vi foram várias mulheres que são auxiliadas pelo Grupo Mulheres da Luz, sentadas em bancos da praça, cada qual no seu canto, algumas com maquiagem colorida, roupas do dia a dia, algumas conversando entre si, outras nitidamente apreensivas, e todas com a idade que eu remetia a minha avó e mãe.
Para quem passa desapercebido são só mulheres sentadas numa praça. Para quem começa a observar atentamente são muitas. Segundo os dados recolhidos pela irmã, ali ficam mulheres de 21 a 70 anos, mas a grande maioria da área tem entre 40 e 50 anos. O que choca é uma mulher no auge dos seus 70 anos ali se prostituindo e sustentando netos e filhos. Sim, a grande maioria tem filhos, netos e faz o que faz pelas suas famílias.
Segundo a fundação francesa Scelles, mais de 40 milhões de pessoas se prostituem no mundo. Dessas, 75% são mulheres entre 13 e 25 anos. Sendo assim, as mulheres que na Luz se prostituem fogem das estatísticas mundiais, fato que ajuda a entender toda a realidade de maior vulnerabilidade a que elas estão expostas.
É no porão, a partir de algumas cadeiras que foram doadas, que a sala de aula vai ganhando forma em um dos três cômodos daquele espaço. Sento e fico de frente com L.T., Cleone e Regina. As três que vão me expondo com desenvoltura a necessidade da criação de novas possibilidades para as mulheres prostitutas do Parque da Luz.

Livros recolhidos para a biblioteca que pretendem formar em um dos cômodos
Segundo Cleone, depois dos 28 anos, uma prostituta não tem mais “valor” nesse meio. Por isso muitas estão ali, já que naquele espaço elas têm a possibilidade de se livrar dos temidos cafetões. Mesmo com a segurança do parque, a não presença de um cafetão e a idade mais avançada significam receber valores baixíssimos pelos programas: entre 20 e 30 reais. O valor é abaixo do preço dos próprios hotéis da área, geralmente usados para os programas. Esses costumam cobrar entre 30 e 50 reais.
A higiene dos espaços é nula. Os lençóis não são trocados entre um programa e outro, os espaços são precários e nem as toalhas de banho são lavadas, relata L.T. Segundo ela e Cleone, o cliente geralmente se responsabiliza por pagar o hotel. Algumas delas, porém, também usam esses espaços como dormitório, quando não possuem onde ficar, o que acaba sendo recorrente.
“A violência começa quando a gente esconde da família”.
É assim que L.T sintetiza as suas vivências como prostituta. Segundo ela, a primeira violência é essa. Depois, achar que a escolha é uma opção, quando para elas, as mulheres na verdade são reféns de um sistema que por fim as tornam em pedaços de carne, vistas como “boas de cama” e que quando são negras, um pedaço de carne que ganha menos.
Logo depois dessa opinião, que diverge de algumas prostitutas ativistas, pergunto o posicionamento das três, que se organizam durante todo final de ano para doar presentes e fazer almoços para os filhos dessas mulheres que se prostituem, sobre a regulamentação da prostituição e a resposta é unânime:
“Somos contra. Não podemos ser a favor da regulamentação de algo que não se faz por escolha. A dignidade delas é tirada, a maioria dessas mulheres não sabem quais são seus direitos”.
A irmã Regina ainda enfatiza que muitas delas não querem nem ouvir falar sobre isso, pois acham que a regulamentação inclusive não trará benefícios para elas. A maioria das mulheres que se prostituem naquela área moram nas periferias e bordas da cidade de São Paulo, enfrentam grandes distâncias de mais de três horas para chegar ao Centro da metrópole, onde se prostituem muitas vezes sem a família saber. Fazem isso para ajudar os filhos e netos que estão em situação difícil. Algumas mentem que vão trabalhar como doméstica, quando na verdade vão para a praça se prostituir. Essas mulheres, devido a essa condição, de acordo com Cleone, não querem ter uma carteira assinada pois o anonimato as protege. Perguntei para Cleone se para ela, mulher negra que já vivenciou a prostituição e agora auxilia o grupo de apoio às diversas mulheres na mesma situação, se ela via alguma forma de empoderamento na prostituição:
“Só haverá empoderamento se as mulheres conseguirem estudar, ter acesso a políticas públicas, mas também buscar uma forma de ter uma outra alternativa”.

Cartaz na parede da sede
É do próprio feminismo pautar que na sociedade atual as mulheres ainda não são vistas como sujeitas. É claro que mulheres negras já recorrem aos recortes para evidenciar que quando se une classe, raça e gênero, como fatores que te colocam numa situação de desprivilégio, a possibilidade de se fazer escolhas é praticamente nula para mulheres negras, pobres e analfabetas, como é o caso de algumas mulheres que se prostituem na Luz. Cleone e as parceiras de ativismo recolhem doações de sabonetes, pastas de dentes e alimentos que têm como destino as mulheres e seus familiares, já que isso suaviza o orçamento delas no fim do mês. Uma que tem o filho numa penitenciária é uma das mais necessitadas nesse quesito, segundo a irmã Regina:
“Estamos falando de necessidades básicas. Elas precisam do básico”.
Regina tem num caderno dados sobre essas mulheres. É assim que vão tendo um controle sobre a área e o que precisam conseguir urgentemente para algumas delas. É terrível perceber que elas não possuem muito apoio, mesmo de grupos que lutam pela emancipação feminina. Pergunto do porquê dessa falta de apoio de feministas em amparar as mulheres que estão na prostituição, passando necessidades financeiras e até fome. Cleone é enfática:
“As feministas não têm claro qual é a verdadeira situação das mulheres, principalmente as idosas que estão dentro da prostituição”.
Cleone diz que nós mulheres, prostitutas ou não, deveríamos nos unir para apoiar umas às outras, principalmente as que precisam de acesso às políticas públicas e de recursos que muitas vezes nos soam banais, como uma pasta de dente, mas que para elas são um alívio no orçamento. Como os valores do programa são baixos, muitas não conseguem nem o dinheiro para garantir as refeições e/ou a condução de volta.
Por isso o sonho de Cleone e da irmã Regina é uma casa para acolher essas mulheres. O porão seria uma sede provisória, para o sonho que elas admitem ser alto. Atualmente é só o Parque fechar, de acordo com os seus horários comerciais, que algumas saem para se prostituir ali nos arredores da Luz, de forma totalmente desprotegida. Outras simplesmente viram a noite porque não têm onde dormir ou o dinheiro para voltar para suas casas. Uma passagem hoje custa 3,80 e mesmo cobrando valores baixos pelo programa, nem sempre elas garantem a possibilidade de voltar para a casa.
É naquele espaço público que as protege, onde muitas vezes elas queriam ter o dinheiro da passagem e do dia garantido para sair dali, que essas mulheres tem que escutar coisas como:
“Eu prefiro meu marido aqui com vocês do que estuprando uma filha minha”.
As agressões psicológicas vão tomando o ar dos comentários e são feitas descaradamente. Essa é verdadeira face do Brasil, um mix de ódio de gênero, classe e raça que recai sobre mulheres negras e/ou pobres que são invisíveis aos olhos de muitos que usam o parque para cortar caminho, vão na Pinacoteca para prestigiar obras de arte e fazem da Estação da Luz seu principal ponto de partida e chegada.

Cesto de camisinhas e livros
Os homens que procuram essas mulheres e as usam para exacerbar seu ideal de masculinidade são em sua maioria muito, muito pobres e muitos mais velhos do que os de filmes como Uma Linda Mulher, que te fizeram romantizar a prostituição. Homens que pagam mais caro para elas não exigirem preservativos e algumas inclusive aceitam pois precisam dos reais a mais. Cinco, dez, quinze reais fazem muita diferença para essas mulheres, que por isso aceitam e se tornam suscetíveis a sífilis, gonorreia, entre outras DSTs. Lembrando que a A Lei Maria da Penha entende isso como violência sexual.
A violência sexual é definida pela Lei Maria da Penha no inciso III do Artigo 7o como “qualquer conduta que constranja [a mulher] a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos” (Brasil, 2006).
Em linhas gerais as pessoas vão dizer que não existe impedimento, mas uma mulher vulnerável não tem opções diante da possibilidade de obter mais recursos financeiros cedendo e não usando preservativos. A vulnerabilidade nas palavras de L.T é extrema. Além de física, também é psicológica. Segundo a irmã, algumas delas têm doenças mentais e mesmo assim continuam se prostituindo. Para Cleone, esse é um estrago causado pelo sofrimento, que está envolvido em questões da realidade marginalizada dessas mulheres e da situação que vivem enquanto prostitutas:
“Precisamos melhorar nosso espaço, e ter um psicólogo promovendo atendimento aqui todo dia sem julgar elas. Isso é urgente”.
Realmente o porão tem ainda um ar de provisório. Elas ainda esperam os documentos para ficarem realmente com o local e tornar ali uma área de acolhimento. O problema é que ainda faltam recursos, ajuda e apoio de fora.
Cleone diz que até é convidada para alguns debates sobre prostituição, mas se nega a ir pois a realidade dela ali com essas mulheres é outra. Para as três, mesmo com todo apoio e histórico de envolvimento com a luta de prostitutas, essas mulheres não querem debater a regulamentação, pois entendem que é diferente estar aos 60 anos nesta situação para comprar pasta de dente pro filho na prisão.
“Elas são independentes, inclusive muitas buscam na prostituição a fuga de famílias patriarcais. Acabam na prostituição e acham que terão vidas melhores. Meninas sensíveis, inteligentes e sonhadoras”.

Cartilha do GMEL grupo que Cleone colaborou com informações sobre leis e telefones e endereços úteis
A irmã Regina enfatiza em vários momentos o quão inteligente e cheias de capacidades distintas essas mulheres têm caso lhes dessem chances. Por isso, para a irmã, o silenciamento que essas mulheres sofrem é mais uma das violências sofridas por mulheres que deveriam estar falando por si e tendo espaço para isso. São mulheres de uma potencialidade humana e intelectual enormes que não falam e tem medo de falar, completa a irmã.
No grupo tem mulheres que são artistas, escritoras, desenhistas e pintoras. Eufóricas e com muita alegria contam que uma delas escreve poesia. Eu pergunto se é algo como Carolina Maria de Jesus e Cleone me diz que é essa a semelhança, uma mulher escrevendo o dia a dia dela em papéis e nem sendo totalmente alfabetizada.
Não tem como não ficar triste com a realidade que elas vão me relatando. É de apertar o peito. O Parque querendo ou não protege essas mulheres que com a idade mais avançada são motivos de chacota e repúdio. Algumas delas têm medo de qualquer coisa e preferem não aparecer em fotos, entrevistas e eventos que pretendem debater a realidade da prostituição no Brasil. Foram ensinadas e condicionadas a serem discretas e silenciosas. É isso que uma mera passada no Parque evidência. É com o tempo e a auto organização, que elas estão aprendendo a se auto proteger. As três sempre repetem nas conversas com todas:
“Vocês tem voz, vocês precisam ser unidas”.
Mesmo que as três afirmem isso, ainda é complexo demais. Segundo elas, muitas brigas acontecem e por incrível que pareça o mais difícil é lidar com os sentimentos distintos e a necessidade de atenção de tantas mulheres. A sensação mais presente é a da culpa, de acordo com a irmã Regina:
“Algumas aqui sentem muita culpa, muita culpa mesmo. Sabem que os homens que pagam têm famílias e elas dizem que o dinheiro dado para elas é amaldiçoado e por isso não conseguem sair da vida, pois é o dinheiro do pão dos filhos que eles dão para elas.”
“Hoje eu ainda não pequei.” - É isso que Cleone diz que escuta de uma das mulheres. E ainda completa: "Tem dia que chego em casa e não consigo dormir”.
Cleone é uma mulher negra que viveu a realidade distinta para negras na prostituição e que agora tenta com seus esforços ajudar as mulheres que ainda estão nessa realidade, mas sem apoio nenhum. O mito da mulher negra ser forte se materializa na sua imagem, de alguém que também precisa de apoio para si, mas continua ali lutando coletivamente por várias mulheres. A sensação é de impotência ao perceber que mulheres que poderiam ser nossas mães, avós estão ali.

Cronograma dos eventos criados pelo grupo com as mulheres
Pelo que elas me contaram, até uma mulher de 80 anos já se prostituiu ali nas áreas centrais e por incrível que pareça chamava atenção de jovens que viam nela a possibilidade de uma experiência sexual diferente. Outra mulher negra que mesmo aos 80 anos era de alguma forma o objeto de diversão das pessoas. Cleone me diz que uma já cega continuou se prostituindo na Sé, e eu não consigo cogitar o que leva homens a se envolver com idosa cega e pagando ela para isso. Outra aos 74 anos se aposentou mas entrou em depressão, já que desde os 19 fazia isso e não sabia que poderia fazer outra coisa da vida já que sempre foi prostituta. Por isso, mesmo nessa idade preferia retomar o ofício. Poderia ser minha ou sua avó. Estamos falando de um cenário de extrema pobreza que filmes nacionais insistem em apenas retratar nas regiões norte e nordeste, mas que tive contato no centro de São Paulo.
“Não queremos vitimizar essas mulheres, mas queremos mostrar que elas existem”.
É a frase que escuto da irmã, como se ela pedisse desculpas por contar que as mulheres são semi analfabetas e algumas completamente analfabetas e têm a sua vida ali 24 horas do dia diante do cenário de pobreza e miséria no meio do centro de uma das cidades mais ricas do país.
Na gestão passada do ex prefeito Haddad na na cidade de São Paulo, elas tiveram reuniões e momentos de discussão via secretaria de política para mulheres. Atualmente elas não sabem como será diante da gestão do PSDB do atual prefeito Dória em que já se nota políticas higienistas que não beneficiam essas mulheres e nem qualquer outra população vulnerável.
Talvez o pouco conquistado, como ter uma relação com uma secretária da prefeitura, se perca na atual gestão. É fato que tudo está em jogo e quem tem que pedir desculpas para essas mulheres é a sociedade, que não possibilita nem o mínimo que as três pedem: um espaço para dar comida, ensinar a ler e possibilitar a elas que durmam no centro quando necessário.
FONTE:http://www.almapreta.com/editorias/realidade/outra-face-da-prostituicao-idosas-negras-e-analfabetas