quinta-feira, 28 de abril de 2016

#PelePretaTatuada

O projeto busca empoderamento através de tatuagens que representam a causa. (Foto: Helen Mozão)
Confira o editorial fotográfico que mistura arte e empoderamento da raça negra.
Esse é um daqueles textos que deixa qualquer jornalista feliz e grato: Um dia desses, pensávamos em uma pauta sobre tatuagem em pele negra e nos deparamos com esse editorial lindíssimo. Ele tinha acabado de ser divulgado, muita gente comentou, compartilhou e nós aqui, frenéticos para saber mais, saber como, quem, onde…
Tombamento a começar pelo nome: #PELEPRETATATUADA.
Finho, tatuador há 15 anos e idealizador do editorial junto com a Estopim Art, nos disse em entrevista que o nome surgiu do próprio conceito do projeto e acabou virando uma espécie de campanha, já que a hashtag agora pode ser usada para dar visibilidade à arte em pele negra. Conversamos com Finho sobre o editorial, sobre sua carreira e sobre a participação do rapper Emicidaneste projeto.
Aproveitamos e fomos atrás da fotógrafa Helen Mozão, responsável pela produção do editorial e por essas belas fotos. Nossos dois convidados residem na cidade de Salvador, Bahia, onde aconteceu a sessão de fotos para o editorial.
Tatto2me?—?Como você começou sua carreira?
Finho?—?Eu sou, fui envolvido em muitas culturas que meio que moldaram o que sou, o que eu faço, o que eu produzo enquanto artista. Culturas ou contraculturas como o punk-hardcore, o veganismo, o hip-hop de maneira geral porque eu sou grafiteiro também. E eu acabei conhecendo a tatuagem muito cedo, desenhava muito por influência do meu irmão que também desenhava e eu fui percebendo a tatuagem e pegando canetinha, desenhando no papel, às vezes em mim mesmo quando era moleque. Fui comprando revistas, na época não se tinha Internet como hoje e fui me envolvendo a tal ponto dos amigos perceberem e colocarem uma pilha pra eu me jogar nisso. Eu acabei ouvindo esse pessoal, duas pessoas em especial que estiveram comigo desde início, Fabiano Passos e Robson Véio, que estão comigo até hoje, na Estopim Art do Fabiano… E tem um tatuador, talvez um dos mais antigos de Salvador, Álvaro Medrado, que foi quem abriu as portas. Foi no estúdio dele que eu comecei a tatuar e fiquei por quase 15 anos, lá que eu aprendi a tatuar, ele quem me ensinou o processo inteiro. E aí eu entrei num processo meio que de montar meu próprio estúdio, talvez passar isso adiante, ensinar outra pessoa, enfim, não sei.
#PELEPRETATATUADA: modelo, moda, tatuagem e composição. (Foto: Helen Mozão)
Tattoo2me?—?Como é o seu trabalho, sua trajetória como artista?
Finho?—?Minha trajetória, vamos dizer, foi normal. Eu sempre gostei de fazer determinados tipos de desenhos, mas fiquei, durante muito tempo, receoso em investir nessa temática mais Old School e New School, porque eu estava começando a tatuar e não era, pelo menos aqui em Salvador, uma temática mais comum. Eu lia muita revista gringa, em São Paulo eu sei que tinha uma parada muito forte, mas aqui eu não levava tanta fé que eu pudesse me destacar e fazer somente isso. Até porque o que eu vi era muita gente vindo atrás de desenho de álbum e eu ficava meio assim de fazer um tipo de desenho que não teria saída. Mas não sei se por teimosia, por ser turrão (risos), por ser aventureiro eu acabei investindo nisso e acabei tendo uma grata surpresa, porque muita gente acabou vindo me procurar por conta do meu modo de tatuar. Modo de tatuar eram os desenhos que eu criava. Eu nunca fui uma pessoa apegada a uma forma de tatuar, uma parada mais engessada. Sempre gostei muito de ComicsOld School e New School, sempre fiz desenhos bebendo dessas três fontes. Então, eu achava uma parada muito legal, primeiro porque o cliente saía com o desenho escolhido por ele e segundo que eu não precisava ficar reproduzindo aquele mesmo tipo de desenho de álbum. Eu tinha liberdade de estar criando minhas próprias coisas.
Tattoo2me?—?E aí, teve meio que uma mudança nos seus desenhos.
Finho?—?Bem mais recentemente, coisa de dois ou três anos, através de conversas com amigos, aproximação com movimentos sociais a gente começou a perceber que era complicado buscar referências de tatuagem na pele negra. Em revista gringa era até mais fácil de achar, mesmo assim muito reduzido, algo como 5% (das publicações). E era pra ter fonte de inspiração, você pegava o desenho e queria saber como ficaria em sua pele. Quanto mais escura a pele, mais complicado. E por conta dessa lacuna, eu vi que era uma coisa a ser pensada, trabalhada: dá pra se fazer muita coisa legal, dá até pra se mudar a maneira do preparo do desenho.
É massa a gente usar todo aquele modelo old school, âncoras, andorinhas, pin-ups. É interessante esteticamente, mas é uma cultura que não diz muito pra gente enquanto Brasil e num ponto mais específico, enquanto povo preto.
Foi por isso que eu comecei a pensar em desenhos de um outro ponto de vista, mas também de se pensar em pele negra, ainda mais em Salvador que a população negra é uma parcela altíssima (da sociedade). Acho que as minhas primeiras quatro ou cinco tatuagens foram feitas em peles negras, só que na hora de fotografar, eu dava prioridade aos trabalhos maiores e coloridos mesmo gostando de todos. E era um bagulho, no mínimo, esquisito. Eu comecei a ver que lá fora já se tinha esse cuidado, já se tinha umas pin-ups gordinhas, modelos hispânicas, asiáticas e não era mais restrito aquele padrão de mulheres magras, mulheres brancas, mulheres de olhos azuis. Funciona legal pra quem quer aquilo, mas quem não quer tinha que ter um modelo pra escolher.
Não só estética, tattoo também é representação, é pertencimento. (Foto: Helen Mozão)
Tattoo2me?—?Assim que surgiu a ideia pro editorial #PELEPRETATATUADA?
Finho?—?É, o Estopim é um trampo muito antigo de Fabiano, ele trabalha com audiovisual e mais recentemente ele começou a produzir uma série de camisas. Camisas ligadas à temática da tatuagem e eu acabei produzindo duas estampas dessa série, e em uma das nossas reuniões meio que chegamos nessa ideia, nesse conceito e resolvemos juntar uma coisa e outra já que eu já estava trabalhando em tatuagens mais voltadas para pele negra. E pra divulgar esse projeto, pensamos em não fazer fotos tradicionais e eu, automaticamente, pensei no nome de Mozão, Helen Mozão, que é uma fotógrafa muito boa daqui, nossa amiga, já tínhamos produzido umas coisas juntos, e eu achei que tinha muito a ver.
O ensaio é esse que vocês podem ver. Eu peguei alguns amigos e amigas que eu já tinha tatuado, tatuagens que eu achava emblemáticas pra saírem nesse ensaio. E foi massa porque é pra gente meio que ter orgulho e desdizer que tatuagem não combina com pele preta. Funciona, sim. Tá aqui a prova!
É um momento de empoderamento, de fortalecimento, e mostrar isso com a tatuagem e com a blusa é muito legal. É orgulho de dizer e mostrar na camisa:eu sou!

Genericamente, o projeto é sobre tatuagem em pele preta e mais especificamente, sobre as tatuagens terem uma certa temática, como por exemplo o Heru que Robson Véio tem no antebraço com o as letras do RBGque é uma alusão às cores da bandeira pan-africana, que é o vermelho, verde e preto. Pra mim é muito a ideia de referência, de se buscar a referência e transmitir. Porque se antes não se tinha (referência) agora a gente vai ser!
Referências egípcias e da Libertação Negra. (Foto: Helen Mozão)
Tattoo2me?—?E como aconteceu a participação do Emicida?
Finho?—?Ele talvez seja uma parada embrionária disso tudo. A gente já é amigo há algum tempo, e numa dessas minhas idas a São Paulo, ele comentou que tinha interesse de fazer uma tatuagem, na época não rolou, mas acabou rolando um pouco depois. E quando ele me falou da ideia do que queria fazer, eu pirei na hora porque eram várias cabeças, várias representações de pessoas importantes da cultura negra. Esporte, música, política, arte. É um trampo que a gente ainda não terminou, faltam ainda algumas cabeças e um fundo que vem meio que unindo tudo, é uma manga inteira, uma tatuagem grande.
O rapper Emicida com a camisa do projeto.
Conversamos, também, com a artista visual Helen Mozão, responsável pelas fotografias do editorial:
Tattoo2me?—?Como você define seu trabalho?
Helemozão?—?A minha fotografia é voltada para a periferia, direcionando, em alguns momentos, para a mulher, a mulher preta e periférica. Então, meus trabalhos autorais falam basicamente de emponderamento, de aceitação, de entender o seu corpo, de falar das pessoas da periferia e fazendo com que as mulheres se entendam e mostrem isso para a sociedade.
Tattoo2me?—?Como foi produzir o editorial?
Helemozão?—?Eu e Finho sentamos pra conversar e eu dei algumas ideias. O#PELEPRETATATUADA já existia e não teríamos outro nome para dar senão esse. E aí fizemos uma sessão de fotos exaltando a questão da tatuagem, nós saímos pelas ruas do Pelourinho com uma galera e o background eu pensei em algo bem desconstruído, descascado pra dar esse contraste mesmo com o tom da pele, a tatuagem, mostrar que é essa coisa da rua.
A gente quis fazer uma sessão bem alegre, com algumas pessoas sorrindo. E num outro momento, a gente quis fazer arepresentação da tatuagem nas pessoas.
Tattoo2me?—?E a edição das fotos? A edição foi feita de uma forma diferenciada?
Helemozão?—?O processo de edição é o que eu geralmente já faço nas minhas imagens, que é ressaltar mais a pele preta, e no caso do trabalho com Finho eu tive o maior cuidado em ressaltar o tom da pele preta, mas não escurecer tanto para dar visibilidade para a tatuagem. É um processo diferente das outras fotos porque eu preciso ter esse maior cuidado, na hora de fotografar eu tenho que procurar um ambiente com mais luz pra poder sair o desenho melhor.
Tattoo2me?—?O que o projeto representa pra você enquanto mulher e preta?
Helemozão?—?O projeto não é meu, autoral, mas eu me sinto muito representada e acredito que várias pessoas conseguem se sentir representadas porque é uma maneira de se desconstruir essa coisa de que a tatuagem só é legal em pele clara, mesmo que seja uma pele negra, mas clara. E que você não vai poder usar sombras, algumas coisas, sabe? O corpo é arte, independente de que tom de pele for. E Finho é essa pessoa, ele faz o trabalho muito bem, ele faz com que as pessoas confiem no trabalho dele e se deixem ser tatuados. É difícil uma pessoa olhar pro trabalho de Finho e não se sentir tocado e não gostar e não amar. E tem a questão da releitura, não tem uma mulher, gorda, negra que não consiga se olhar no desenho dele, as referências dele são muito próximas (às pessoas).
Nós, do Tattoo2me, não cansamos de elogiar o editorial e torcemos para que venham muito mais desse tipo de arte, ensaio, inspiração, referência, editorial. E eles virão! Vamos aguardar os próximos capítulos do#PELEPRETATATUADA.
Acompanhe os trabalhos de Finho e Helemozão e não deixe de conferir oeditorial completíssimo!
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FONTE:http://www.ceert.org.br/noticias/historia-cultura-arte/11327/pelepretatatuada

Angola: Rappers são condenados à prisão


Jovens receberam penas de 2 a 8 anos por participarem de grupo de estudos; Tribunal alega que eles estavam conspirando para derrubar o presidente
Cinco anos e seis meses de prisão. É esse o tempo que o rapper Luaty Beirão terá que cumprir, segundo a sentença condenatória proferida nesta segunda-feira (28) pelo Tribunal Provincial de Luanda. Luaty, assim como outros 16 jovens angolanos, foi condenado por “atos preparatórios para rebelião” e associação criminosa. Os jovens participavam aos sábados de um grupo de estudos de uma versão angolana do livro Da ditadura à democracia, do pacifista americano Gene Sharp. Catorze deles foram presos em junho do ano passado, em “flagrante delito” enquanto discutiam o livro. Desde então, Luaty passou 85 dias numa cela solitária, com direito a apenas uma hora de sol por dia, e depois seguiu preso em cela comum. Em dezembro o grupo foi transferido para a prisão domiciliar.
O julgamento durou 4 meses, durante os quais o Ministério Público procurou fundamentar a acusação de conspiração para derrubar o presidente José Eduardo dos Santos, que está no poder há 36 anos. Uma das principais peças apresentadas pela acusação foi um vídeo filmado durante os encontros por um jovem infiltrado pelo serviço secreto, mostrando os debates sobre táticas de protestos não violentos contra o governo.
Além disso, a acusação apresentou uma lista que circulou pelo Facebook contendo nomes de pessoas que deveriam ocupar cargos em um potencial governo pós-José Eduardo dos Santos. A brincadeira das redes sociais foi tomada pelo juiz como prova de que havia planos concretos para derrubar o presidente, embora constassem nomes pouco prováveis, como um fanático líder religioso que pregava fim do mundo. “Os arguidos estavam a preparar atos de rebelião porque os mesmos não pretendiam apenas ler um livro. Os arguidos queriam aprender como destituir o poder”, afirmou a representante do Ministério Público Isabel Fançony Nicolau.
Direto para a prisão
A estudante de filosofia Laurinda Gouveia, entrevistada pela Agência Pública em setembro do ano passado, foi condenada a 4 anos e 6 meses de prisão. A mesma sentença foi dada aos jovens Nuno Dala, Sedrick de Carvalho, Nito Alves, Inocêncio de Brito, Laurinda Gouveia, Fernando António Tomás “Nicola”, Afonso Matias “Mbanza Hamza”, Osvaldo Caholo, Arante Kivuvu, Albano Evaristo “Bingo-Bingo”, Nelson Dibango, “Hitler” Jessy Chivonde e José Gomes.
Além de Luaty Beirão, o professor Domingos da Cruz também recebeu pena maior – 8 anos de prisão – por ser considerado “líder” do grupo. Domingos é autor da adaptação do livro de Gene Sharp para o contexto angolano. Dois outros acusados receberam pena de 2 anos e três meses: Benedito Jeremias Dali “Dito” e Rosa Kusse Conde. O militar Osvaldo Caholo aguarda o processo no Tribunal Militar.
Todos participavam da pequena, mas vibrante cena Rap de Luanda, que reúne jovens músicos críticos ao regime. Segundo maior exportador de petróleo da África, Angola tem cerca de 36% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, e possui a pior taxa de mortalidade infantil do mundo, enquanto a filha do presidente é a mulher mais rica do continente.

Os condenados foram levados para a prisão logo após proferida a sentença, na manhã desta segunda-feira. Mas não se sabe o local exato, segundo Pedro Beirão, irmão mais novo de Luaty. “Ele já está efetivamente preso, mas não sabemos onde. Os advogados não sabem, vamos ver se amanhã sabem.” Pedro, que compareceu nesta manhã ao tribunal, diz que não teve contato com o irmão, que não estava na sala durante a sentença. “Não consegui ter acesso a ele, então não podemos saber muito bem a reação dele. Eu estou um bocado preocupado para saber onde ele vai estar e se vamos ter acesso a ele.”
Até ontem Luaty estava calmo e “preparado para o pior”, já que a condenação não foi uma surpresa, conta o irmão. “Obviamente achamos uma grande injustiça a decisão que foi tomada, mas não nos surpreende muito, porque o Tribunal em si já tinha dado alguns indícios que a decisão ia no caminho da condenação. Só tínhamos dúvida em relação aos 5 anos. Nos parece uma pena extremamente pesada para alguém que não fez nada.”
A defesa dos jovens entrou com recurso no Tribunal Supremo pedindo a revisão da sentença.

Ana Cernov, coordenadora do programa Sul-Sul da organização Conectas, que defende direitos humanos, diz que a decisão viola direitos tanto no âmbito nacional como internacional. “Esses jovens estão sendo condenados por lerem um livro. Em qualquer país democrático eles poderiam se reunir em um grupo de estudos e inclusive criticar abertamente o governo, e não poderiam ser condenados por esses crimes”, diz. Ela lembra que a decisão acontece na mesma época em que o governo angolano tenta projetar sua imagem internacionalmente. “Neste momento Angola ocupa a presidência do Conselho de Segurança da ONU. Mas se o governo quer ter esse papel internacional, tem que garantir a liberdade de expressão, de reunião e de associação em Angola.”
Ana Cernov critica ainda o silêncio da diplomacia brasileira sobre o assunto – o que considera “uma irresponsabilidade” uma vez que Brasil é um parceiro econômico estratégico de Angola. “Acreditamos que o Brasil teria forças suficientes para pressionar o governo angolano para garantir esses direitos fundamentais de expressão.” O Itamaraty afirmou repetidas vezes que não iria se manifestar sobre os ativistas.
Ativista angolano pede asilo no Brasil

Desde novembro do ano passado, um dos mais conhecidos ativistas ligados aos 17 jovens está no Brasil, onde pede asilo político. O angolano Raul Mandela chegou a ser entrevistado pela Pública em Luanda, antes de embarcar para São Paulo.
Sua partida foi conturbada. “Eu saí no dia 20 de novembro do ano passado. Mas tive um problema no aeroporto. O meu passaporte foi retido e me disseram que eu não podia viajar, porque estava sendo investigado”, diz ele. O embarque só foi permitido, segundo Raul, porque tinha um enorme ferimento na cabeça depois de ter sido espancado em uma manifestação em defesa dos amigos presos. “Eu fui torturado lá na Maianga [bairro central de Angola] numa manifestação que realizamos. Os policiais abriram minha cabeça com um pau, e sangrava muito. Com isso eu saí do país, a dizer que fui fazer tratamento no Brasil.”
Convidado para participar do grupo de discussões sobre táticas não violentas, Raul não conseguiu transporte para levá-lo à reunião no dia 20 de junho, quando todos foram presos. “E se eu fosse, hoje estava também preso, nessa prisão, que eu acho o cúmulo. Quando num país prendem jovens que leem livros, esse país não está em condições de ser chamado democrático. É um país ditatorial, Salazarista”, diz. Após a prisão dos amigos, Raul continuou a participar de manifestações em Luanda, até que a situação tornou-se insustentável.
“Começaram a me perseguir quando da prisão dos companheiros. No mesmo dia foram até a minha casa. Eu estava lá, mas avisaram-me que chegava a polícia e civis também. Tive que fugir”, lembra. “A minha casa foi invadida quatro vezes. Invadiram sem nenhum mandado de captura, não apresentaram nenhum documento. Eu tinha uma cópia do livro de Gene Sharp, que eles levaram.” Ele também relata ter sido procurado por um grupo de jovens afiliados ao partido governista do MPLA – o que o fez temer pela sua segurança física e decidir fugir do país.
Ele conta que decidiu pedir asilo depois de conhecer “a liberdade que o Brasil tem”. “Aqui no Brasil o meu trabalho é divulgar as violações de direitos humanos em Angola. Tenho que trabalhar em reverter a condenação dos meus colegas, meus companheiros. A luta é longa mas vou ter que conseguir fazer isso”, promete.

FONTE:http://www.ceert.org.br/noticias/africa/10990/angola-rappers-sao-condenados-a-prisao

GRANDE OTELO E O TALENTO NEGRO NA DRAMATURGIA BRASILEIRA

Multifacetado, podia interpretar tanto personagens sérios quanto os engraçados, além de cantar, escrever e declamar poemas. (Foto: Divulgação)
A população negra do Brasil é uma das maiores do mundo e já ultrapassou a marca dos 50% ou cem milhões de pessoas. Aos olhos de um estrangeiro significaria que os afrodescendentes ocupam majoritariamente cargos elevados em empresas importantes, são protagonistas nas decisões dos rumos da vida política e seus rostos e cultura estampam capas de jornais e revistas em cada esquina.

Mas, além de confundir a cabeça de que vem de fora, a vida cotidiana no país tropical do século XXI ainda não reflete a imponência dos números. Para se ter uma ideia, segundo pesquisa feita em parceria entre o Instituto Ethos e o Ibope, os negros ocupam 25,6% dos cargos de supervisão, 13,2% dos cargos de gerência e 5,3% dos cargos executivos de empresas brasileiras. É importante ressaltar novamente que, de acordo com o  IBGE, os negros e pardos representam 50,7% dos brasileiros.
Com mais de 50 anos de história, a TV ainda é um dos meios de comunicação mais utilizados no Brasil e também um dos que menos refletem sua realidade étnico-racial. A novela, um dos gêneros mais populares de todo o país, foi ao ar pela primeira vez em 1951 ano em que Sua Vida me Pertence de Walter Foster estrelou a programação da extinta TV Tupi sem um único negro no elenco principal. O primeiro negro a protagonizar uma telenovela foi o carioca Zózimo Bulbul, personagem central de Vidas em Conflito, exibida na então TV Excelsior, em 1969. O fato, que pode ser considerado um grande avanço, não mudou muito a realidade de atores e atrizes negras que ainda eram preteridos pelos Tarcísios, Glórias e Reginas. Salientando que não se coloca em dúvida o talento de nenhum dos citados.
A insatisfação já vinha de décadas antes do surgimento da primeira telenovela brasileira. Ainda no teatro, homens e mulheres negras eram deixados de lado e muitas vezes o que sobravam eram papéis caricatos ou pejorativos e  preconceituosos. Para atenuar o caso, surge a figura de Abdias do Nascimento e seu Teatro Experimental do Negro. Criado em 1944, o TEN foi fundamental para o desenvolvimento da dramaturgia negra.
Irritado e cansado com atores brancos se pintando de preto para interpretarem negros em cena (o que hoje ficou conhecido como black face), Abdias, um dos mais notáveis militantes pelos direitos dos afrodescendentes, os elevou ao posto de protagonista por meio do TEN. O poeta e dramaturgo assumiu lutas importantes, como a defesa dos direitos das mulheres negras, além de ter trabalhado para que a população afro-brasileira percebesse o racismo sofrido e valorizasse sua própria cultura. Os espetáculos estrelados pelos negros e negras voltaram os holofotes para  nomes de peso das artes, como Ruth de Souza, Haroldo Costa e Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo.
Um dos marcos de sua carreira foi a atuação em Macunaíma, adaptação da obra escrita por Mário de Andrade. (Foto: Divulgação)
Nascido em Uberlândia, Minas Gerais em outubro de 1915, Grande Otelo foi um dos atores mais talentosos do século XX. Multifacetado, podia interpretar tanto personagens sérios quanto os engraçados, além de cantar, escrever e declamar poemas. Ao longo da extensa carreira atuou no rádio e na TV e envolvia todos com suas expressões faciais. O começo de tudo foi por volta de 1926, na Companhia Negra de Revistas, formada apenas por artistas negros e que tinha no elenco nomes como Pixinguinha (atuando na função de maestro), Donga (músico) e Rosa Negra (atriz e cantora).
Fascinado pela boêmia da Lapa e de outros bairros cariocas, Grande Otelo se mudou para o Rio de Janeiro em meados do fim da ecada de 1930. Lá conheceu seu grande parceiro, o músico Erivelto, com quem compôs o famoso samba Praça Onze em uma das muitas idas ao badalado Cassino da Urca. Aliás, até a contratação de Grande Otelo para apresentações, os negros não podiam sequer entrar pela porta da frente do cassino. Práticas do racismo brasileiro. O cinema surgiu na vida de Otelo ainda nos anos 1940, tempo em que estrelou filmes comoMoleque Tião e Também Somos Irmãos, ao lado da grande amiga Ruth de Souza.
Ao lado do então presidente Juscelino Kubitschek e de Pixinguinha, Otelo se encontrou com o músico norte-americano Louis Armstrong. (Foto: Divulgação)
Contudo, a interpretação mais conhecida do ator foi em Macunaíma, de 1969. Adaptação da célebre obra de Mário de Andrade, que narra as mudanças de um herói preguiçoso e sem caráter, que nasce negro, mas se transforma em branco para emigrar da selva para a cidade. Pela atuação, Grande Otelo venceu o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília de 69. No cinema, o mineiro radicado no Rio de Janeiro também fez parte do elenco de um filme não finalizado, It’s All True, de Orson Welles, que apontou Grande Otelo como um dos maiores atores do mundo.
Elogiado por Welles, Grande Otelo protagonizou outro momento marcante para a história das artes brasileiras. Ao lado do então presidente Juscelino Kubitschek e de Pixinguinha, se encontrou com o músico norte-americano Louis Armstrong, que desembarcara no Brasil para uma temporada de shows. Na TV acumula atuações ao lado de nomes como Chico Anysio, Geisa Bôscoli e Ruth de Souza.
Presente no cinema, no teatro e na TV, Grande Otelo se coloca como uma das grandes figuras representativas das artes negras no Brasil. Apesar de todos as conquistas, faleceu em Paris aos 78 anos sem o devido reconhecimento, o que escancara os efeitos causados pelo racismo brasileiro. Dominado por algumas famílias, os veículos de comunicação contribuem para a manutenção da discriminação ao teimarem em não dar espaço para artistas negros contemporâneos, negando sua contribuição para a formação da cultura nacional. Assim, os veículos de mídia alternativa, coletivos e movimentos são indispensáveis no caminho de afirmação da figura do negro como protagonista da construção social do Brasil. 
“Todo o ator é um sentimental. Do contrário não seria ator. A gente tem de ser um doido, um sentimental, um idealista. Se não for assim, não poderá ser um bom ator.”
FONTE:http://www.ceert.org.br/noticias/historia-cultura-arte/11153/grande-otelo-e-o-talento-negro-na-dramaturgia-brasileira

Descolonizar o pensamento é o primeiro passo


Por toda Inglaterra, os estudantes têm “incendiado a casa grande”. Eles não estão batendo na sala dos diretores, embora eles demandem uma revisão do currículo, predominantemente branco e masculino.
A campanha “Por que meu currículo é branco?” tem atraído centenas de estudantes das principais universidades britânicas preocupados com o modo como os conteúdos dos cursos das universidades refletem o domínio branco e a sub-representação negra.
Estava na hora. A demografia da Grã-Bretanha está mudando. De maneira crescente, a etnia, a religião, a herança e língua são partes da discussão nacional. As universidades desempenham o papel de aguçar o pensamento e a política que pode aliviar estas tensões e adotar uma cultura de justiça e igualdade. Entretanto, eles apenas podem fazer isto se acharem justo e igualitário.
A crítica da campanha argumenta que ela reduz a liberdade acadêmica; que todo conhecimento tem o mesmo valor; que os estudantes devem transcender o contexto cultural em prol da expansão cognitiva; e que existem muitas boas razões do porquê o currículo de filosofia, economia ou história estar cheio de trabalhos de homens brancos mortos. Muito boas razões, de fato: alguns destes pensadores incluem o extermínio sistemático de filósofas, massacres dos pensadores precursores como os Aztecas; e a destruição de cidades africanas milenares que iluminam o pensamento das velhas civilizações.
Isso não é tudo. Quando a reflexão passa pela filosofia, por exemplo – uma disciplina particularmente importante de como nosso mundo é construído por ideias – o trabalho de homens brancos, mortos ou vivos, dominam o campo. Isto não é apenas porque homens brancos contribuíram com um profundo trabalho, mas também durante o flagrante ainda tacitamente silenciado relacionamento entre as estruturas de poder e o conhecimento. Por isso o complexo trabalho da professora de filosofia Angela Davis sobre o sistema de justiça social não influenciaram os estudos de filosofia atuais sobre as prisões como o trabalho de Michel Foucalt sobre o mesmo assunto. Ou porque o filósofo etíope Zera Yaekob, quem muito antes de Nietzsche declarara “Deus está morto”, ousadamente criticou religiões organizadas em seu tratado em 1667, Hatata, quando ele também disse: “Aquele que investiga a inteligência pura... descobrirá a verdade”. Mas além de promover razão desta maneira ele não é aclamado como pai da filosofia moderna como Descartes.
É por isso que Oriki – em resumo, abundante “poesia de louvor” Africana performática, espiritual e filosófica sobre tópicos universais – são considerados mitologia ou folclore, enquanto o poema épico de Homero, A ilíada, é filosofia. E porque qualquer um é familiarizado com os filósofos Montequieu, Maquiavel e Marx, mas não são com Ibn Khaldun, cujo pensamento sobre tudo, desde o ambiente físico para a história cultural de laços sociais foi pioneiro.
Parece que quando um homem branco pensa sobre o significado das coisas, quaisquer coisas, isto é filosofia, enquanto filósofos como estes citados são raramente discutidos nas universidades britânicas.
Para estar certo, não devemos desmerecer os pensamentos de brancos, ocidentais ou homens. A busca pelo conhecimento deve esforçar-se a transcender cultura e etnicidade – um filósofo indiano não é necessariamente o mais indicado para explicar o mundo para outro indiano simplesmente porque compartilham da mesma nacionalidade. Mas este não é o ponto.
O ponto é que para imaginar que somente um homem branco pode engajar-se na busca pelo conhecimento – como os currículos atuais implicam – é ridículo. O “cogito” de um homem é outra “máscara branca”, se eu puder ser existencialista. O que é referido como “filosofia” nas universidades da Grã-Bretanha são na verdade a “filosofia de homens brancos ocidentais”. E, francamente, é com frequência míope e verborrágica. Como um importante filósofo europeu, Michael McEachrane diz: “Os conceitos filosóficos modernos de pessoalidade, direitos humanos, justiça e modernidade são profundamente atravessados pela raça”.
Imagine um futuro onde um estudante interessado em, por exemplo, humanismo, encontre uma extensão global de pensamentos sobre o assunto e não um restrito acervo regional. Tal ambiente criativo e fértil não só é possível, mas é o único que pode reconduzir a filosofia ao seu propósito digno, qual seja, a investigação de toda a existência humana.
Tradutor: Róbson Gil Farias Oliveira
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FONTE:http://www.ceert.org.br/noticias/africa/9530/descolonizar-o-pensamento-e-o-primeiro-passo

Especialistas de todo mundo discutem, no Brasil, o IX volume da História Geral da África



A UFSCAR recebe os pesquisadores do Comitê Científico Internacional, entre 27 e 30/08, para discutir o conteúdo do novo volume da coleção da UNESCO. Eles participam de uma conferência aberta e de oficina epistemológica. 

Cerca de 20 especialistas de renome mundial marcam presença na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo, entre os dias 27 e 30/08/14, para discutir o conteúdo do IX volume da Coleção História Geral da África (HGA), considerada a principal referência e a mais completa obra sobre o continente. O volume, a ser elaborado por especialistas sob a responsabilidade do Comitê Científico Internacional, ligado à UNESCO, e está sendo patrocinado pelo Ministério da Educação do Brasil. 

A conferência de abertura acontece no dia 27 (quarta-feira), às 10h, pelo historiador congolense Elikia M’Bokolo, presidente do Comitê Científico para o uso pedagógico da História geral da África: Contribuições da História Geral da África a outra visão da África e de suas Diásporas. O tema da conferência é Novas Concepções da África e das Diásporas nas Ciências Sociais e Humanas. Em seguida, às 11h30, será feita a apresentação do IX volume da coleção HGA pelo Embaixador do Benin, Olabiyi B. Joseph Yai. As duas palestras e a cerimônia de abertura são os únicos momentos em que o acesso será aberto ao público, incluindo transmissão pela internet por meio do linkhttp://webconf2.rnp.br/UAB_UFSCAR . As demais sessões serão fechadas aos especialistas. 

A cerimônia de abertura, prevista para as 9h30, contará com as presenças do presidente do Comitê Científico para a elaboração do IX volume da HGA, Augustin Holl; do Chefe da Seção de Diálogo Intercultural da UNESCO, Ali Moussa Iye, que coordena o projeto de elaboração da HGA; da Coordenadora da área de Educação da UNESCO no Brasil, Maria Rebeca Otero; da Secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do MEC, Macaé Maria Evaristo dos Santos, e do Reitor da Universidade Federal de São Carlos Professor Doutor Targino de Araújo Filho. 

O IX volume da História Geral da África tem por objetivo primordial atualizar a coleção com os fatos ocorridos até o presente momento, já que os oito volumes anteriores lançados pela UNESCO, cuja versão em português teve financiamento do Ministério da Educação e coordenação técnica da Universidade de São Carlos, cobrem os períodos da pré-história até a década de 1980. A nova publicação ainda contemplará as mais recentes descobertas científicas, teorias, dados e conceitos sobre o passado e o presente da África e de sua diáspora. 

“A coleção História Geral da África contribui para disseminar o reconhecimento da importância do continente africano para o mundo, além de estreitar os laços históricos existentes entre a África e os países da Diáspora, entre eles o Brasil”, afirma a Coordenadora do setor de Educação da UNESCO no Brasil, Maria Rebeca Otero Gomes. 

Necessidade de uma oficina epistemológica 

O Comitê Científico Internacional, responsável pela elaboração da Coleção História Geral da África (HGA), estará reunido em São Carlos, do dia 27 até o dia 30 de agosto, para duas reuniões: nos dias 27 a 28/08 acontece a Oficina Epistemológica do IX volume da História Geral da África, e nos dias 29 e 30/08 a reunião do Comitê para o IX volume propriamente. 
Na oficina serão discutidos temas como análise crítica dos conceitos de raça, mestiçagem e miscigenação; a descolonização de discursos e paradigmas; visão endógena da história africana; cultura tangível e intangível; a África e sua diáspora como precursor da modernidade; novos atores no continente, entre outros. O debate se dará partir do inovador conceito de África Global, estabelecido pelo Comitê como central para se escrever a história da África e suas diásporas. Esta abordagem tem por característica considerar a dinâmica e os temas transversais que permeiam as referências culturais das sociedades africanas, também difundidas e reinventadas em todo o mundo ao longo dos anos. 

Durante as reuniões prévias em Salvador (novembro de 2013) e em Paris (16-19/06/2014), o comitê destacou a importância de abordar a história dos processos que ligam a África com suas diásporas, retratando como estas dialogam e influem nas diversas fases da globalização. E dada à multiplicidade e complexidade das questões, ficou definido a necessidade de realizar esta reunião no Brasil para a troca pontos de vista entre os especialistas, especificamente, a fim de se construir conceitos epistemológicos. 

Sobre a Coleção 

A Coleção História Geral da África, com quase 10 mil páginas, foi construída ao longo de 30 anos por 350 pesquisadores, coordenados por um comitê científico composto por 39 especialistas, dois terços deles africanos. 

A obra conta a história da África a partir de uma visão de dentro do continente, usando uma metodologia interdisciplinar que envolve especialistas de áreas como história, antropologia, arqueologia, linguística, botânica, física, jornalismo, entre outros. Seu conteúdo permite novas perspectivas para os estudos e pesquisas a respeito da África. 

Os oito volumes já lançados abordam o continente desde a pré-história até a década de 1980, passando pelo Egito Antigo, por diversas civilizações e dinastias, pelo tráfico de escravos, pela colonização europeia e pela independência dos diversos países. A África é destacada como berço da humanidade e de contribuição fundamental para a cultura e a produção do conhecimento científico mundial. 

A História Geral da África em Português 

A coleção em português, editada pela UNESCO, financiada pelo Ministério da Educação e com coordenação técnica da Universidade Federal de São Carlos, contribui para a disseminação de um novo olhar sobre a cultura e a história africanas na sociedade brasileira, e também para a transformação das relações étnico-raciais no país. Sua disponibilização na língua portuguesa integra uma estratégia para a implementação da Lei 10.639/2003, que prevê o ensino da história da África e da cultura africana e afro-brasileira nas escolas brasileiras. 


Download gratuito da Coleção História Geral da África em Português: 



FONTE:http://www.ceert.org.br/noticias/educacao/5153/especialistas-de-todo-mundo-discutem-no-brasil-o-ix-volume-da-historia-geral-da-africa

Bisneto de escravo liberto há 125 anos conta saga de sua família da senzala à Academia


Doutor em História, Robson Machado narra a história dos descendentes e como viveram desde 1888
Aos 14 anos, Vicente valia 1.200 réis. Era o ano de 1871, e ele vivia na senzala da Fazenda Córrego do Ouro, no sul do Espírito Santo. Escravo desde que nasceu, provavelmente em 1857, na Região da Zona da Mata de Minas, foi comprado para trabalhar no plantio e na colheita do café. No ano em que a Lei do Ventre Livre foi aprovada, Vicente dividia a fazenda com outros seis escravos. A mais velha, Jeronyma, de 50 anos, valia 400 réis, quatro vezes o valor de um burro de carga.
Dezessete anos depois, em 13 de maio de 1888, Vicente se tornou um homem livre. Mas, para ele e para a maioria dos escravos, a Lei Áurea não significou, de cara, uma mudança de vida. Ao ganhar a liberdade, recebeu o sobrenome do dono da propriedade e passou a se chamar Vicente Pereira Machado. E ainda permaneceu por, pelo menos, mais uma década na fazenda. Lá casou e teve os primeiros filhos.
Após 125 anos da assinatura da lei pela princesa Isabel, O GLOBO conta a vida de Vicente e de seus descendentes — personagens de um Brasil que redescobre sua História negra e reduz desigualdades, mas ainda convive com o preconceito e os resquícios da escravidão.
— Essa ideia de que as pessoas saíram correndo e comemorando, isso é lenda. Depois do 13 de Maio, meu bisavô e a maioria dos escravos continuaram vivendo onde trabalhavam. Registros históricos mostram que alguns receberam um pedaço de terra para plantar o que iam comer. Mas poucos passaram a ganhar ordenado, e houve quem recebesse uma porcentagem do café que plantava e colhia — conta Robson Luís Machado Martins, bisneto de Vicente, que desde a década de 1990 pesquisa a história de sua família e, de quebra, a do Brasil.
— Toda família tem uma história. A da minha é também a do Brasil nos últimos 150 anos.
Foi pesquisando para a graduação em História, o mestrado e o doutorado que Robson descobriu como viveu seu bisavô. Antes de tudo, ouviu os relatos dos seus avós maternos, Paulo Vicente e Ana Cândida, filha de uma portuguesa com um africano.
— Cresci com minha avó exaltando mais o lado comunitário e festivo do que as agruras, a violência, os filhos sendo vendidos, os açoites. A parte humana de uma convivência desumana. De haver um sentimento comunitário. Quando fui para a faculdade, resisti bastante a escrever sobre esse período. E até hoje faço assim: quando estou tranquilo, vou adiante. Quando abala, eu paro — diz Robson.
Em suas pesquisas, ele descobriu que Vicente era um negro mais alto e mais forte que a maioria. Em 1871, valia mais que o irmão, Marcos, um ano mais velho. Foi esse porte que fez com que fosse escolhido como reprodutor e tivesse relações com as escravas, que gerariam filhos. Depois, apaixonou-se por uma branca e acabou no tronco. Foi ainda capitão do mato, pessoa que devia resgatar os escravos que fugiam.
— Ninguém tinha opção. Meu avô contava que o pai teve que aceitar ser capitão do mato, mas que não ficou com reputação ruim — diz.
FONTE:http://www.ceert.org.br/noticias/historia-cultura-arte/11272/bisneto-de-escravo-liberto-ha-125-anos-conta-saga-de-sua-familia-da-senzala-a-academia

NEWS: Produtor Afirma Para a Rolling Soul "Novo álbum do TLC será um clássico mundial"

Saiba Tudo sobre o aguardado álbum de retorno do grupo vencedor do Grammy.


Em sua recente postagem no Instagram o produtor Cory “Knotch aka Timeless” Marks (já trabalhou com Chris Brown “Sweet Love” / Rick Ross “Pedal To The Floor” / Omarion “Fall In Love”...) falou comigo e informou que ele produziu a "Intro" do novo álbum do TLC, e ao que tudo indica essa intro será bem especial para os fãs, ele também afirmou que o novo álbum da dupla T-Boz & Chilli será um clássico mundial.



Além dessa informação, em recentes entrevistas de divulgação de seu single solo "Body", que é a trilha sonora do programa de exercícios físicos do Shawn T, Chilli revelou que ela e T-Boz passariam as próximas semanas finalizando o álbum em Los Angeles, e que elas já batizaram o disco com um nome, mas que ainda não pode ser revelado. Chilli também revelou que atendendo aos pedidos dos fãs que participaram da campanha no Kickstarter, elas irão "ressuscitar" os interludes, famosos nos 3 primeiros discos da banda nos anos 90, e extintos no álbum "3D", último de inéditas do TLC lançado em 2002.

Abaixo uma das entrevistas de Chilli, essa foi ao ar no dia 12 de Janeiro:


FONTE:http://rollingsoulbrasil.blogspot.com.br/2016/01/news-produtor-afirma-para-rolling-soul-Novo-album-do-TLC-sera-um-classico-mundial.html

HOMENAGEM: 14 Anos Sem Lisa "Left Eye" Lopes


Em um mês de grandes perdas (PrinceBilly Paul) para a Black Music, é também mês de lembrarmos de outro grande nome que nos deixou há exatos 14 anos, Lisa"Left Eye"Lopes, a rapper do TLC, que faleceu aos 30 anos de idade em um acidente de carro em Honduras no dia 25 de Abril de 2002.

Lisa deixou um legado incrível para a música mundial, seja liderando o TLC (que já vendeu 65 milhões de álbuns no mundo), ou em sua carreira solo, tão precocemente interrompida, mas com uma coleção de dezenas de parcerias bem sucedidas.

Além da música, nos resta a dor da saudade, abaixo vídeo da última apresentação do TLC como trio, no show comemorativo dos 20 anos da MTV.


Atualmente, as remanescentes, T-Boz & Chilli, do TLC estão em estúdio gravando o 5º álbum de estúdio da banda, 2º póstumo e 1º em 14 anos. O álbum, ainda sem título divulgado, deverá chegar às lojas ainda em 2016 e já é um dos discos mais aguardados do ano.

FONTE:http://rollingsoulbrasil.blogspot.com.br/2016/04/homenagem-14-anos-sem-lisa-left-eye-Lopes.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/NuNcuY+(Rolling+Soul)

Hip Hop Inclusão [DOC]



O documentário tem como objetivo retratar a cultura Hip Hop como contribuinte no processo de inclusão de um indivíduo na sociedade.

Viajando desde a época da 24 de Maio e São Bento, até os dias atuais, ícones do movimento como Nelson Triunfo, Thaide e Rooneyoyo, e alunos, professores e colaboradores dos projetos sociais "Casa do Hip Hop" e "Circo Escola Bom Jesus", compartilham histórias, experiências e opiniões a respeito dessa cultura tão presente nas periferias quanto fora delas, mas que ainda luta pelo preconceito.


FONTE:https://www.youtube.com/watch?v=r1MAtX08-w4

PEGAR PESSOAS NEGRAS NÃO SIGNIFICA QUE VOCÊ DÁ VALOR À VIDA DELAS


Texto original em inglês por Nakia Fire Angelou Brown.
Convivi por seis meses com um cara branco que tinha uma namorada negra. Eles cozinhavam, viajavam e dormiam juntos. Ela temperava os vegetais favoritos dele numa panela de ferro e abria os braços para recebê-lo quando ele chegava em casa. Eles bebiam cerveja alegremente juntos, gargalhavam ouvindo metal e trocavam histórias de viagem. Do lado de fora, tudo parecia um romance feliz e apaixonado. Eles compartilhavam um laço de conexão humana, segredos e noites de carícias. Só havia um único problema com esse conto de fadas pós-Jim Crow[conjunto de leis segregacionaistas dos EUA]: o namorado dela era filiado a uma organização de supremacia branca.
Relacionamentos interraciais comumente são vendidos glamourosamente como liberais e revolucionários. O tipo de envolvimento digno só de quem consegue ver além da cor de pele das pessoas. Mas, diferente do que se pensa, esse tipo de pareamento pode sim envolver racismo. A velha desculpa “Eu não posso ser racista, amo uma pessoa negra” volta e meia é usada para validar comportamentos racistas. Em que partes raça e romance se entrecortam? Sair com uma pessoa negra por anos não cura séculos de ódio. É possível ter amor por um corpo negro sem amar realmente a negritude desse corpo. Nossas crenças e valores nos seguem até a comodidade dos nossos quartos. Contudo, apesar de uma xota preta1 curar muitas coisas, micro-agressões, privilégio branco e supremacia branca são o tipo de coisas que escapam a esse poder.
Quando amamos, abrimos a parte mais sagrada de nós mesmos. Para muitas pessoas negras, esses espaços são repletos de traumas, racismo internalizado e conflitos com o amor-próprio. É impossível alguém amar o meu corpo sem se unir a luta para protegê-lo. A fetichização do corpo de mulheres negras restrige nossos corpos ao plano do meramente erótico. Corpos negros não devem ser vistos como motivo para protesto, ativismo ou luta. As pessoas não desejam proteger nossos corpos tanto quanto demonstram desejar penetrá-los.
Imagine que você está se divertindo em um café com uma pessoa amada e alguém a ataca. Você  a vê sendo brutalmente espancada e sofrendo. O que você faz? Você fica parado(a) e assiste a pessoa que você ama sendo agredida ou parte pro ataque? Talvez você dirá: “Mas isso é diferente! É claro que eu protegeria a pessoa que amo de ataques físicos”. Então o que é embate racial? Não seria um ataque físico contra corpos negros do racismo institucional? Se amamos nossos parceiros como podemos lutar conta quem os odeia?
O embate racial geralmente é invisível. Sendo assim, a importância de tratar desses embates — seja através de ativismo ou auto-cuidado —também é invisível. As vezes, dormir agarrado é como uma pessoa negra sobrevive a uma noite de depressão. Quando dizemos que #VidasNegrasTêmValor costuma ser para reconhecer uma vida já perdida. Para nos lembrar da vida após a morte. #VidasNegrasTêmValor é como falamos sobre nossos mortos, mas e os vivos? Para nós o amor não é casual. É um contra-ataque. É como, apesar da opressão sistêmica, dizemos: hoje eu não vou morrer! O amor nos ajuda a continuar vivos e viver é uma poderosa ferramenta política.
Se queremos nos relacionar afetivo-sexualmente com alguém de um grupo oprimido é nosso dever compreender a sua dor. Foi através da dor que eles aprenderam a viver e a amar. Se escolhemos ignorar essa luta jamais entenderemos suas ações, sua cultura, sua língua e o que os torna quem são. Conjugar-se com um corpo negro não significa que você sabe como é viver sob nossa pele e nem tampouco que você se esforça para manter a vida dentro dele.
O silêncio é uma postura política. O amor também.
FONTE:http://www.revistaforum.com.br/osentendidos/2016/04/11/pegar-pessoas-negras-nao-significa-que-voce-de-valor-suas-vidas/

Em clima descontraído, Max B.O. é entrevistado pelo canal “Meia Horinha”


No último dia 13 saiu a primeira entrevista do canal “Meia Horinha“, onde rolou uma conversa com o mc Max B.O.
O papo, conduzido por Adriano Rodrigues, aconteceu na mesa de um bar, onde o rapper fala de toda a sua carreira, experiências no hip-hop, suas ligações com a nova geração do rap, política atual e sobre a sua saída do Manos e Minas, da TV Cultura. Fala também da diferença entre MC e Rapper além de se posicionar contra o Impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O canal, de formato quinzenal, promete entrevistar não somente mcs, mas também DJs e outros artistas de diversos gêneros musicais.
Em seu próximo vídeo, o canal irá trazer o poeta e mc Marcello Gugu e tem data prevista para o dia 3 de maio.

FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/33607/em-clima-descontraido-max-b-o-e-entrevistado-pelo-canal-meia-horinha/

O Rico Dalasam fez um remix pesado da “Quinto Vigia” do Ndee Naldinho


Após Pedro Qualy, cantando “Mundo de Ilusões” do 3030 e SPVIC com as rimas densas de “Raciocínio Quebrado” do Parteum, foi a vez de Rico Dalasam marcar sua presença no quadro Tudo Clone do coletivo ODB (Ol’ Darth Bástarde) após também conceder uma entrevista no quadro “Salve Gravado” e participar do “Salve Hater”.
No quadro Tudo Clone, um rapper é convidado a cantar um Rap que não é de sua autoria ou fazer uma releitura, em um instrumental re-pensado, prestando assim uma singela homenagem ao compositor original.
Rico Dalasam fez mais do que isso ao mandar rimas inéditas em cima da clássica “Quinto Vigia”, que integra o álbum “Preto Do Gueto” lançado por Ndee Naldinho em 2000. O vídeo produzido junto a LiveStation se destaca pela edição de ponta e qualidade do som, que não se distancia das produções de músicas oficiais — assista acima.

FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/33665/tudo-clone-rico-dalasam-remix-quinto-vigia-ndee-naldinho/

"Menina" cantada por Kallú Maschio