Após uma expectativa gigantesca, Mc Marechal finalmente lança outro single — o último (e primeiro) foi “Sangue Bom“, em 2010. Todo hype começou em fevereiro, quando Marechalescreveuapenas “1º de Abril” em suas redes sociais. No mesmo momento, fãs, que aguardam o álbum “#VVAR” há anos, começaram a especular que algo grandioso viria neste dia da mentira. Eis que veio, Marechal lançou o single “Primeiro de Abril“.
A faixa é uma sonzera, pedrada, tiro de rpg que, como Marechal havia informado em seu Facebook, chegou no estilo Quinto-Andar, 15 anos depois. E chegou com um vídeo — se possível definir assim — muito subversivo e emocionante.
No decorrer do período entre o anuncio e o lançamento de fato, Marechal já havia soltado algumas barra
s em sua rede, veja aqui, aquie aqui.
Estava na nossa frente desde o princípio o que estaria por vir;
“Primeiro de Abril” também pode ser entendida em partes como uma auto
explicação pra isso.
Embora os Estados Unidos tenha sido erguido a partir da exploração de mão de obra escrava negra, tal qual o Brasil e Cuba, fora as menções à prática de vodu nas províncias do sul (como Louisiana e Nova Orleans), muito pouco se ouve falar a respeito de tradições religiosas africanas que se mantiveram vivas no processo de colonização das terras do Tio Sam.
Sendo do candomblé, isso sempre me intrigou. Qual não foi minha surpresa quando conheci esse duo feminino de hip hop chamado Oshun. Formado por Niambi Sala e Thandiwe, duas jovens negras de apenas 19 anos residentes em Nova York, o duo referencia Oxum, a deusa yorubá das águas doces, da beleza, da riqueza, do amor e da fertilidade.
Com inspirações musicais que vão de Nas, Lauryn Hill e Erykah Badu à John Coltrane, Miles Davis e Herbie Hancock, a musicalidade de Oshun é descrita pelo duo como iya sol, uma mistura de neo-soul e hip hop. As letras, por sua vez, são carregadas de espiritualidade e mensagens positivas de empoderamento, amor próprio e resgate às raízes.
Nem tudo na dupla, entretanto, é paz e amor. Vivendo em um contexto político explosivo, em que a comunidade negra americana se revolta frente à série de assassinato de jovens negros por policiais brancos, a dupla apresenta maturidade e consciência política, discutindo com propriedade questões sociais.
A faixa ‘#’ que abre o primeiro EP da dupla (‘Afaye’, que pode ser baixado aqui) é incisiva em afirmar “We’re the kings and the queens and we’re taking power back! It’s over, i’m done keeping my composure, it’s time to get loud… Fuck making them proud! It’s the revolution! I declare war on you”.
Na última semana de abril, pouco depois de se apresentar ao lado de grandes nomes como Erykah Badu e Joey Bada$$ no Broccoli City Festival, em Washington, o duo lançou seu novo disco ‘Asase Yaa’, termo que significa ‘Mãe Terra’.
Segundo a dupla em entrevista à Impose Magazine o objetivo com esse álbum é “permitir que a mulher negra, assim como qualquer pessoa, atinja a transcendência. Estamos presos na escravidão mental. Através desse projeto nós caminhamos para a libertação, libertando a nós próprias e tomando consciência de quem somos.”
– Você sabe o que acontece quando se encosta em um fio de alta tensão?
– Você pode morrer, só.
Narrado por Djan “Cripta” Ivson, um dos “representantes” da cena da pixação em São Paulo, o documentário “Pixadores” mostra a visita de Djan e mais três amigos à Alemanha, convidados pela 7° Bienal de Berlim para conhecer e participar do evento. O problema é que os alemães provavelmente não sabiam que pixação e permissão são palavras que nunca andam juntas, e que os quatro brasileiros não lançariam seus trampos só onde fosse permitido.
“Eles se deram mal quando acharam que éramos mais um animalzinho na gaiola deles”
O documentário, que foi dirigido pelo diretor iraniano Amir Escandari, levou quatro anos para ser produzido e foi acompanhado pelo sociólogo Sérgio Miguel Franco, responsável pela curadoria do trampo dos pixadores na Bienal berlinense.
Depois de ser lançado no Festival de Documentários de Helsinki, na Finlândia (janeiro), o doc tem sido exibido em vários festivais na Europa e na Africa ao longo de 2014 e 2015. E após longa espera pelo público brasileiro, o longa será exibido a partir do dia 27 de Outubro na 39° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O apelo midiático criado em torno do artista de rua Banksy criou uma fama que se por um lado inspira pessoas do mundo todo a idolatra-lo, por outro é responsável por um mito que parece não durar muito quando colocado à prova.
O documentário Graffiti Wars, produzido pela Channel 4, do Reino Unido, escancara uma das maiores tretas recentes do mundo da arte: Banksy versus Robbo, um dos “pais” da arte de rua na Inglaterra. O filme mostra a importância de Robbo para a street art, como começou, suas dificuldades, e qual era a relação de Banksy não só com ele, mas com outros artistas nos quais teria se inspirado – ou copiado sem dó, dependendo da perspectiva.
Uma disputa que, depois de ter alimentado competição e até ódio em grupos que tomaram partido em favor de cada um dos artistas, instigou e continua inspirando muitos a se utilizarem da rua como suporte para sua arte.
Assista o documentário “Graffiti Wars” completo aqui:
Em versos me reverbero em anúncio ao enclave
contra os deselegantes que ressoam o simplório desejo do expurgo de meu preto
intelecto. Namastê aos inconformados invólucros em seus arrogantes arrotos
espúrios de seus absolutismos ocultistas.
Envolto em sílabas de seda, macias mais que
não enganam e nem ofuscam o gueto e o seu belo pretérito, podem desenhar monastérios
em copta ou gótica que não apagaram da memória que a Mãe África, é o berço de
tudo que revigora no mundo.
Conhecemos bem esse epílogo do branqueamento
ao mais claro dos esbranquiçados. Não é à toa que a língua que nessa terra
ecoa, tem idiomas e dialetos de meus ancestrais pretos, vindos dos terreiros,
cria de guerreiros e guerreiras. Não tente disfarça sua tristeza, insatisfação,
frustração em saber que de muito tuas pronúncias tem sotaques das terras alem mar
do meu passado que brilha.
Eu em minha cacofonia, gloriosa és minha lida
a tanto em minha vida concubina, minha África és rainha Terra Mãe, vitoriosa
que nos cânticos és formosa emociona e conforta aqueles que trazem no âmago o
fulgor preto, e o orgulho negro.
"Meninas negras não brincam com bonecas pretas", diz a letra do rap de Preta Rara, uma das personagens de Parece Comigo. O documentário explora o problema da falta de bonecas negras no mercado brasileiro e mostra do trabalho das bonequeiras que tentam mudar esse cenário, enfrentando a gigante indústria de brinquedos com seu artesanato consciente.
*Vencedor do 10º Edital de Roteiros Rucker Vieira da Fundação Joaquim Nabuco
Entrevistadas: Ana Júlia dos Santos (Ana Fulô), Andre Ramos, Carolina Monteiro, Clélia Prestes, Joyce Fernandes (Preta Rara), Lena Martins, Lucia Makena, Patricia Santos, Soffia Gregório Correia (MC Soffia), Ynaê dos Santos
Direção e Roteiro: Kelly Cristina Spinelli Produção Executiva: Bruno Graziano, Kelly Cristina Spinelli e Mônica Ravaioli Diretor de Produção: Bruno Graziano Produção: Lilian Barcelos Ass. Direção: Eugênio Britto Consultoria Narrativa: Djamila Ribeiro Fotografia e Câmera: Everton Oliveira 1º Ass e Câmera Adicional: Cauê Gruber 2º Ass: Rafael Mattielo Gaffer: Raoni Gruber Operador de Ronin: Franklin Closel Motorista de Set: Wilson da Silva Som Direto: Tales Manfrinato Mixagem de Som: João Victor dos Santos Mixagem Adicional: Ariel Henrique (Cinecolor Digital) Trilha Sonora Original: Felipe Parra (Capitão Foca) Percussão: André Ricardo "Piruka" Montagem e Finalização: Bruno Graziano Montagem Adicional: Sandro Dourado Correção de Cor: Maynara Fanucci Design Gráfico: Renato Marcondes DCP e BLU-RAY: The End Tradução e Legendas: ETC Filmes Realização: Controle Remoto Filmes Oferecimento: Fundação Joaquim Nabuco, Ministério da Educação, TV Brasil e EBC
Exposição do Instituto Dagaz é baseada no livro 'A Cozinha dos Quilombos'. Ela pode ser vista no Espaço das Artes Zélia Arbex, até 7 de abril.
Exposição homenageia cultura afro
(Foto: Divulgação/Instituto Dagaz)
Pensando em apresentar a cultura afro por meio da culinária, o Instituto Dagaz lançou um livro chamado "A Cozinha de Quilombos: sabores, territórios e memórias". A obra virou exposição que pode ser vista até 7 de abril, no Espaço das Artes Zélia Arbex, em Volta Redonda, no Sul do Rio de Janeiro.
A mostra conta com trabalhos dos fotógrafos Davy Alexandrisky, Wallace Feitosa e Lidiane Camillo, que irá expor pela primeira vez. "Traduzir em imagens os sabores e gostos da culinária quilombola, foi um prazer e uma experiência indizível. Foram 40 duros dias de trabalhos e centenas de quilômetros rodados nas estradas do estado, visitando os Quilombos, ouvindo muitas estórias e comendo muito bem", contou Davy, através de nota.
De acordo com as informações do instituto, o livro é um passo para o registro da cultura afro-brasileira e seu reconhecimento.
"A obra traz relatos e fotos dos pratos tradicionais das comunidades quilombolas que foram mapeadas e ainda revelou uma forma diferente de manifestar sua cultura, afetos e chamar atenção para questões sociais que ainda permeiam seu território, através da sua culinária", explicou a diretora do instituto Marinêz Fernandes.
Serviço
O quê: Exposição 'A Cozinha de Quilombos: sabores, territórios e memórias'
Quando: até 7 de abril; visitas diariamente de 10h às 19h
Quem pode: classificação livre
Quanto: entrada de graça
Onde: O Espaço das Artes Zélia Arbex fica na Rua 14, s/nº, no bairro Vila Santa Cecília.
LIL KISHA foi a minha convidada da última edição do mês de Março do programa Mix Hip Hop, entre os assuntos relacionados a sua musica, a rapper falou um pouco do seu EP Crónicas, o primeiro da sua carreira e no fim lançou umas barras para os seus fãs, para quem não teve a oportunidade de ouvir, segue o link a baixo e para quem não teve oportunidade de fazer download do EP, ai vai mais uma oportunidade.Interaja com a malta deixando o seu comentário.
Lembrando que o programa Mix Hip Hop vai ao ar quinzenalmente aos sábados das 18 as 20horas, na Rádio UnIA FM 92.3 (Luanda), e pela internet no endereço www.radios.sapo.ao/radio-unia
O breu galanteador incomoda o chapisco
esbranquiçado. Entre transversais e rupturas vivenciamos bem o nosso cotidiano
maniqueísta e embuste a aurora turva e nebulosa, da pluma que paira entre os
ventres marcados pelo apogeu apocalíptico branco instaurado na humanidade.
Torna-se
reforçadamente atenuantes, o apontamento da culpa que recai sempre ao branco em
seus desmandos que a história registrou oralmente, em papiros, alcalinos e
celuloses. Oh glória hoje podemos livres expressar em palavras, gestos e
movimentos a farisaica doutrina pseudomoralista da cor civilizada e monocórdia,
a nossa supre e ancestral revolta e acusação criminal, assassinos, assassinos,
assassinos.
Hoje
em tons de breu, conjecturalmente materializamos tudo aquilo que nos foi
tirado, negado, usurpado através da força, de assassínios, e algozes mesmo dos
nossos que se prestavam em realizar em trocar de favores e benefícios espúrios
seus serviços sujos. Durante séculos a cor que representava e simbolizava o e a
paladina da moralidade e da ética, subterfugiou-se em mentiras e fabricou
calúnias e infâmias sobre nós pretos e nossos ancestrais africanos
escravizados.
Hoje
externamos a nossa repulsa em ser o que sempre nos foram impostos por esses
seres brancos sujos, tanto por fora quanto por dentro. Inexoravelmente tangível,
a nossa cor e raiz se aflora a cada dia, a nossa ancestralidade a cada dia
aumenta.
A história não nega,
nunca negou e nunca negará que o mal no mundo tem cor, e é representado pela
cor decadente branca.
É perturbador a ideia macula de implementação
de uma sociedade reacionária. Discursos suaves e inflamados, doces com toques
subliminares, com o único e simples intuito de confundir as pessoas do bem e mascarar
as táticas persuasivas de intimidação, terror e ideais típicos da idade média
das trevas.
O processo individualista humano desses seres, impressiona
em tamanha raiva autoritária e sistêmica, um ardor desejo que por décadas
entocado resolve espremer-ser e se aflorar como um pus fétido canibalístico.
Aos berros insanos os fanáticos milicos e bolsonetes asquerosos, parecem terem
saído de algum longa tipo The Walking Dead ou Resident Evil, não como os
mocinhos, mas sim, como aquelas criaturas sedentas por carne, ódio e sangue que
tem apenas um simplório e sádico desejo de exterminar tudo que existe de bom em
nossa plural e cultural sociedade.
Somos refém do medo dessas criaturas, em sua esmagadora
maioria branca, que tem a cega e injusta justiça e a covarde, assassina e
genocida instituição policial como seus fãs e protetores. Nós pretos e pobres,
vivemos dentro de um contexto social de total selvageria direita de moral
eclesiástica, vivenciamos uma cruzada paladina borgiana temperada a golpes
antidemocráticos que insuflam um esquerdismo que somente existe em suas mentes
perturbadas e darwinianas.
Com seus cânones em mãos e seus engôdos orais
inflados em suas gargantas, assassinam memórias, destroem histórias, viralizam em
suas redes seus folhetins e manchetes, com total apoio de uma mídia confessa em
conluio com golpistas reacionários, num marketing a sabor de Goebbels. A
verdade que seja dita é que, quando esses reaças golpistas berram o hino
nacional brasileiro, na verdade eles invocam o hino nazi-fascista para que o
mesmo deixe bem claro o que os golpistas almejam atingir e destruir.
Mas a capilaridade de nosso verdadeiro povo
brasileiro, o povo da lida cotidiana, o povo que realmente contribui para o
crescimento e desenvolvimento desse país, não deixará o mal prevalecer. E que o
sol da liberdade continue iluminando forte a nossa luta pela permanência da
democracia e que o sonho intenso e o raio vivido, firmem no horizonte e que a
verdade e a democracia prevaleçam.