terça-feira, 19 de novembro de 2013

O RAP PERIFÉRICO E A MÍDIA BURGUESA PARTE I


Texto de Prettu Júnior

O programa ESQUENTA da nossa saudosa Regina Casé que se diz parte da cultura afro brasileira, mas que surpreendentemente mostra em seu programa um negro estereotipado, risonho, eterno feliz, fanfarrão, com pouco ou quase nenhum conteúdo, no programa exibido (domingo 17/11) nos apresentou o trabalho solo do rapper Edi Rock integrante do grupo Racionais MC’S . 

O tema era o dia da consciência negra, foi à ministra Matilde Ribeiro, Seppir e a primeira juiza negra no Brasil, Luislinda Dias de Valois Santos ela é da Bahia. Tal fato a meu ver não é motivo de celebração, mas de lamento, já que somos mais da metade da população brasileira e ter um ou dois ministros, um ou dois juizes é bastante relevânte, porém não é o bastante. Tinha também a atriz Taís Araújo que nos brindou com a seguinte perola “ meu filho é bicolor” Caralho! Não ignoro o fato de que ela e seu marido têm prestado um papel bastante relevante a comunidade negra, por suas postuturas e engajamento, mas custava ser um pouquinho menos censo comum? O Edi Rock foi lá cantou, ouviu um monte de abobrinha e se omitiu, não opinou, não questionou. Propôs-se apenas a fazer um dueto com Péricles, em negro drama, como se a musica fosse o bastante. 

Eu acredito que o fato dele ir à Globo quando em momentos anteriores havia dito que não iria, não é o mais importante. Relevante nessa história é ele ter se calado diante de todas as baboseiras ditas em nome da consciência negra, isso foi inaceitável. Agora ele se calou por quê? Será que se sentiu pouco a vontade no meio daqueles pretinhos sorridentes, sonhadores, propagadores da miscigenação como solução para um país racista? Ou será que como um militante ele é um bom rapper apenas? Durante muito tempo a militância e o rap era algo que não se podia separar, um era a extensão do outro. Não se admitia rappers que não soubesse bulhufas de negritude. O próprio movimento tratava de limá-los

Os tempos mudaram e ao que parece o quinto elemento do hip hop, a saber, a sabedoria esta sendo substituído por outros elementos que preitearam tal vaga ao longo dos anos. Pode ser o Beat Box, o Skate, o Basquete ou até mesmo o dinheiro. Os tempos são outros e devemos entender que nada mais será como antes. Primeiro foi o Xis que foi no num reality show e mais que isso, deu mole.Vcs podem ver aqui nesse link:


A imagem não é das melhores mas pow o video é de 2002. Depois veio à negra li do RZO que até afinou o nariz, logo em seguida o MV Bil apareceu na malhação deslegitimando as cotas para negro na universidade. Ver link: 


e agora o Eddy Rock no esquenta, mas antes dele o Rapping Wood esteve lá fazendo uma figuraçãozinha ele e o Emicida que na minha opinião se saiu bem. Estava à vontade e o que é melhor com banca de protagonista. Tenho que fazer justiça ao MV Bill também por que desses nomes todos que citei ele foi o que melhor soube se expressar e expor seus pontos de vistas. Deu mole a meu ver ao ir à malhação, pois foi contraditório com suas próprias musica, em especial com "Coisa de maluco" onde deixava claro que não se iludia com vidinha de artista, porém ainda assim se saiu melhor que os outros. 
MV Bill no domingão do Faustão, ver link:


Isso foi em 2004.
Também teve o Emicida que como disse antes ele realmente chegou com postura e isso me lembra um frase do Celso Athaide há muito tempo atrás onde ele diz que a TV não é pra qualquer um, uns vão se destruir e outros vão se promover. Mais uma vez a cultura da periferia é objeto de disputa, assim como foi com o samba em outros tempos, agora é a vez do rap. Tudo que foi dito a dez, quinze anos atrás agora vai ser posto a prova e salve-se quem puder. Eu como rapper nunca disse que não iria, também não disse que iria. Uma coisa é certa se tiver que ir uma dia não irei para ficar calado ouvindo playboy falar merda.

Por: Prettu Júnior
Autor do livro
Um pouco além da rimas: o preto e a cidade
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