segunda-feira, 16 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
EXCLUSIVO: OUÇA "Perto de Mim", O NOVO SINGLE DE SORRY DRUMMER FEAT. STEFANIE, RASHID, TATIANA BISPO, DJ NEGRITO! (Prod. Silvera & Sorry Drummer)
Sorry Drummer está de volta! O baterista e super produtor recrutou seus "Friends": os rappers Stefanie e Rashid, a cantora Tatiana Bispo e o DjNegrito em sua nova música, "Perto de Mim".
Produzido em parceria com o renomado produtor/cantor e compositor, Silvera, "Perto de Mim" é o primeiro single oficial de seu próximo álbum 'Sorry Drummer & Friends Vol. 2' que será lançado em 2014 pela gravadora Gueropa Records.
Sorry Drummer lançou seu primeiro álbum, 'Sorry Drummer & Friends' em 2012 que é liderado pelo hit e single "Sair Pra Gastar" com Rincón Sapiência & Filiph Neo.
Ouça abaixo com exclusividade, "Perto de Mim" e diga-nos o que achou na seção de comentários!
CONFIRA ABAIXO TAMBÉM UMA PRÉVIA DE SORRY DRUMMER & FRIENDS
FONTE: http://rollingsoulbrasil.blogspot.com.br/2013/09/exclusivo-ouca-perto-de-mim-o-novo-single-do-sorry-drummer-com-stephanie-rashid-tatiana-bispo-djnegrito.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/NuNcuY+(Rolling+Soul)
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HIP HOP ANGOLANO - AS MILIONÁRIAS, SINGLE És o meu mor
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BLAHKA TAO
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terça-feira, 10 de setembro de 2013
A,B,C DO RACISMO
Mariana Santos de Assis, uma militante do movimento negro que está sempre antenada nas informações e debates sobre muitos temas, já estivemos juntos no Pro-Cotas Unicamp e Pro-Cotas do Mandato Pedro Tourinho e em outras ocasiões e tenho que ressaltar a qualidade do debate que Mariana sempre nos traz de forma simples sem deixar de ser acadêmica.
Segue seu Texto abaixo:
Vivemos um momento importante no Brasil, pois nossa elite branca, finalmente está saindo do armário da democracia racial e botando o racismo na rua abertamente. Por um lado isso facilita nossa vida, pois torna visível e incontestável o racismo em certas falas e atitudes, mas por outro lado, torna mais complicado entender as raízes mais profundas da discriminação racial, as formas cruéis e sutis como os interesses e as estruturas política-econômica-ideológica reverberaram em nossa formação cultural e relações sociais.
Por exemplo, quando brancos se mobilizam contra a entrada de negros em números semelhantes a de brancos nas universidades, quando defendem o espaço universitário como sendo DELES; quando se incomodam com médicas que parecem empregadas domésticas (ao invés de se incomodarem com o fato de não termos médicas, no Brasil, que se pareçam com aquelas de Cuba); quando ainda aceitam e reivindicam elevadores de serviço, quartos de empregada e outras estruturas que demarcam e diferenciam os espaços da casa grande e da senzala; quando não paramos para pensar no medo que um homem negro em uma rua escura nos causa, e sei que causa mesmo; quando não pensamos que a marginalidade dessa parcela da população foi construída por uma história de privações e exclusão, quando dizem que “quem quer consegue”, mesmo sabendo que os negros estão, majoritariamente, pobres, presos ou mortos (vide os dados do IBGE), quando excluímos as produções culturais negras dos espaços valorizados de circulação de conhecimento.
Sempre que brancos assumem essas atitudes ou pensam dessa forma estão sendo racistas, estão, excluindo, reforçando os lugares de subalternidade do negro, nos colocando “no nosso lugar”, não é o fato de não sentirem atração sexual por mulheres negras ou não gostar de samba, funk ou qualquer produção cultural da periferia negra que os tornam racistas, assim como o fato de ter amantes negrxs ou frequentar espaços culturais negros não te torna um grande defensor do povo negro e baluarte da igualdade entre as raças. Isso porque nossa luta não é pela aceitação e admiração do branco, lutamos por um espaço digno na sociedade que ajudamos a construir, lutamos pelos mesmos direitos de escolha e liberdade que os brancos gozam, ainda que sejam pobres, dentre outras coisas por estarem bem mais próximos da “boa aparência” necessária para estar em espaços privilegiados.
Por fim, percebam que falei em brancos sendo racistas, excluindo e reforçando os lugares de subalternidade do negro, muitos gritarão revoltados que negros também são racistas, muitas vezes bem mais racistas que brancos. Lembro as palavras de Carlos Moore, “racismo é sistema de poder… O negro não tem poder de ser racista em nenhum lugar, mesmo se fosse possível”. O que negros fazem ao papaguear as bobagens racistas que faz parte de nossa sociedade é apenas reproduzir, fazer as vezes do negro servil que repete a postura do branco, numa busca desesperada por aceitação em uma sociedade que jamais o verá como igual e só o aceitará se ele, de dentro de seu belo carro importado, com sua linda mulher branca, souber abaixar a cabeça e aceitar seu lugar.
Não há nada mais perfeito para os interesses de nossa sociedade racista do que negros falando contra cotas, contra médicos negros cubanos, contra políticas de ações afirmativas ou gritando argumentos pautados no mito da democracia racial. Saibam apenas que o negro que ainda faz esse papel, nunca será revoltante e odioso como o branco privilegiado que faz o mesmo. O branco quer manter seus privilégios, seu papel de dominador e o nosso de dominados; o negro, por sua vez, quer apenas manter-se seguro, garantir o pão e o pano, ainda que o pau seja inevitável e as noites de batuque na senzala, à luz da lua e das doces lembranças de África sejam o mais próximo de liberdade que chegará. Entendo que muitos ainda não tenham consciência de que pensam e agem assim, mas no fim das contas, mesmo que não seja sua intenção é isso que está fazendo, exatamente isso.
HIP HOP ANGOLANO - Euclarmany – Dia Das Mentiras ft Hernâni da Silva Prod. Smash
Euclarmany apresenta a segunda musica promocional do EP "Arte Contemporanea" com previsão de saída em dezembro deste ano ou janeiro do próximo. Por enquanto façam o download desta faixa que conta com a participação do conceituado rapper da nova escola de Moçambique Hernâni da Silva, esta contou com produção de Smash.
Dia Das Mentiras é uma música em que o artista retrata sobre uma possível situação que acontece no dia 1 de abril da qual ele se arrepende e tenta reverter. A música é uma viajem desde o instrumental ao mais básico suspiro por cima dele. Recomendo a todo o pessoal que ouça e entre na onda do Dia Das mentiras.
FONTE: http://www.hiphopangolano.net/2013/09/euclarmany-dia-das-mentiras-ft-hernani.html
HIP HOP ANGOLANO - Leonardo Shankara - Razão Humana
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HIP HOP ANGOLANO - Dj Soneca - Levels ft Nga & Masta
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HIP HOP ANGOLANO - RAPPER TULEWIS
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013
O ASSASSINATO NO BRASIL DA PRÁXI-MARXISTA NA MODERNIDADE E A FALSA IDEOLOGIA DA REAL DEMOCRACIA RACIAL
MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE & RAPPER.
Jesus Cristo quando veio ao mundo, não
andou em todos os cantos da terra. Existem nações até hoje que se quer ouviram
falar no Cristianismo. A mesma coisa podemos dizer do socialismo e do
comunismo. Quando Karl Friedrich Marx, com o seu O Capital, inaugurou
mundialmente a ideologia comunista-socialista, ele apenas pensou e a formulou
nos moldes europeus, portanto se quer Marx havia pensado nas outras
civilizações que povoavam toda a extensão terrestre. Assim podemos dizer de
seus sucessores ideológicos Vladimir Ilyitch Uliánov, Lênin, e Leon Trotsky.
Stálin nem pensar, assassino, carrasco e genocida. Assim sendo, como o
capitalismo, o comunismo e o socialismo são ideais brancos.
Vejamos então, o que o socialismo e o
comunismo fizeram para os povos pretos e indígenas? Absolutamente nada. Na
verdade, os ditos socialistas e comunistas não sabem nem o que é ser preto.
Estudar, se doutorar numa cultura não quer dizer que o indivíduo seja realmente
detentor de todos os seus saberes. Como sempre digo o negro quando nasce já
nasce sendo educado como branco, mas o branco quando nasce nunca é educado como
preto. Os ideais socialistas-comunistas destruíram a África, com os seus
tiranos ambiciosos no víeis molde de Stalin aplicaram durante anos políticas de
austeridade do terror. Na África o socialismo-comunismo mostrou a sua verdadeira
face: o socialismo-comunismo sempre foi muito mais capitalista do que os
neoliberais. Sangue preto jorrava e manchava a Terra Mãe, sangue derramado
pelos próprios irmãos que defendiam um sistema de ideal branco.
“Voltem
para as senzalas” “escravos”, foi com essa recepção que os médicos
cubanos, muitos negros, foram recebidos no Brasil. E muitos brancos com e total
convicção mais de 90% de militantes e compactuantes dos ideais
socialistas-comunistas compartilham da mesma opinião racista e xenófoba. Socialistas
burocratas que servem para dificultar o avanço de outras raças que não sejam de
descendência européia e não façam parte de seu grupinho, essa é a verdadeira
razão para que o negro não consiga avançar no Brasil. Idéias de um país igual e
justo de acordo com determinantes de linhas burocráticas de um determinado
grupo e imposto por ele, já é racismo e xenofobia. Como eu posso atender as
necessidades, anseios e desejos de determinados grupos se ao menos nem sei
realmente do que eles necessitam e desejam? Se esse grupo vai ao contrário do
que acredito e prego, como posso satisfazê-lo com justiça e igualdade?
É dessa forma que os defensores do real
socialismo pensam. Que somente a doutrina socialista-comunista é a salvadora do
mundo. A história prova que não. O indivíduo tem seus desejos, necessidades,
particularidades que nenhum defensor do ideal de justiça e igualdade pode impor
em sua condição. Isso se aplica também na política de uma nação, de uma forma
geral. Se um determinado grupo concorda com um grupo que possa atender as suas
demandas e vá desfavorecer a outros grupos, quem pode impedi-los de tomar tal
decisão? O coletivo decidi o que é bom para a maioria e não uma ideologia. E
porque os pretos brasileiros que foram oprimidos nessa terra desde que chegaram
aqui escravizados tem que ouvir e escutar socialistas-comunistas que chegaram
aqui com idéias advindas de ideários europeus? Esses mesmos
socialistas-comunistas que são contra cotas ou benefícios que atenda a
população preta brasileira são os mesmos que seus ancestrais chegaram aqui com
total regalia, terras, salários fixos, com a política de higienização para
forçar um embranquecimento total da nação.
Ora encheram o bucho e os bolsos fizeram
nome as nossas custas e agora querem nos proibir de usufruir de benefícios que
deviam ter sido de nossos ancestrais mais infelizmente não foram? Portanto
justiça seja feita reparações de um povo escravizado devem ser compensadas sim.
Portanto como descendentes desse povo escravizado todo preto tem o direito sim
de se beneficiar dessas reparações sociais e econômicas. Socialismo, idéia que
surgiu na Europa feita para os europeus e suas revoluções. Socialismo se quer
conhece o ser preto, não sabe o que é já nascer perseguido com os estigmas e
chagas epiteliais.
Classes
imputam a essa derivação de classes toda a sorte de acontecimentos oriundos do
desespero da maioria. Mas as tendências classistas carregam consigo jargões
xenofóbicos e racistas. Então pergunto: de que forma os
classistas-socialistas-comunistas lidam com isso? Sabem qual a resposta? Não
lidam simplesmente porque não sabem e simplesmente porque sempre foram e serão
racistas e xenófobos, não respeitam e ridicularizam tudo o que é diferente da
vida e gostos deles.
Os
socialistas-comunistas modernos e de seus respectivos partidos, não vivem a práxis
marxista, na verdade nunca viveram, estão interessados apenas no poder e em
seus bolsos nos benefícios que a grande massa pode lhes dá ao segui-los. Portanto
digo mais, nós pretos (as) o exército de trabalhadores de reserva temos que nos
corporativisar criar mecanismos de inserção e luta no cenário econômico e político.
Acredito sim que se embrenhar nos ensinamentos de Marx, em sua principal obra O
Capital, seja essencial, mas façamos da forma preta conhecimento marxista para
os pretos sem escutar os brancos e suas correlações, eles não estão nem aí para
nós. Fica a dica e dito.
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
TÁ VALENDO
MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE & RAPPER
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE & RAPPER
Ser moderno é fazer parcerias?
Então sou pós-moderno, sou pós-contemporâneo.
Tirei a figurinha premiada num envelope
Acreditei quem ficou pra trás tchau pro estoque.
Um tipo comédia tentou passar um corre na rua
Vi um nada parecido com coisa nenhuma
Implora por uma milagre a galinha dos ovos de ouro
Chorou dos fly´s que não tinham a sua estampa, coitado,
abraço.
Te vejo na próxima remessa
Cada qual com sua cruz vai com calma e sem pressa
Deixei de lado um pouco o stress na memória
Escrevo com letras em negrito minha página na história
Coeficiente numa réplica, tréplica
Nesse exato momento sinto o peso da beca
Fiz a minha cama valorizei termos
Interprete a ideia são vários enredos.
0800 rendeu na medida certa foi bravo
Bem requintado com amores de cruela
Foi sem frescura, mas açoitado na censura.
Não pode extrapolar a imagem das ruas
A muralha boçal despencou não aguentou
Egocentrismo se viu em pane, brochou, miou
É lenda verdadeira tamanho não é documento
Nos menores frascos estão os melhores perfumes então tá valendo.
Lundus, Jongos, Gege e Nagô
Séculos de lutas a raiz germinou e fortificou
Hoje frente ao espelho orgulho e graça
Quelé marinheiro só, tem que tá na lição de casa.
Bem decorada pra na hora da avaliação
Ser 100% aproveitamento irmão
Exibição com queixo erguido, esguio
Incomodar a fila dos converser, dos que não crer.
Tenho sangue crioulo sobrevivendo o reboco
Imposto margiamente pra que outros tenham berço de ouro.
Mas o sufoco valeu, fortaleceu a luta,
No dia e sou protegido na noite escura.
Quer revistar a minha mochila toma
Se encontrar B.O. por favor você me conta
Pô nada, que pena foi bom o passatempo
Seu dedo tá coçando, fazer o quê só lamento.
É apenas um atrativo sou bem genuíno
Não sou fominha divido também com meus inimigos
Que são gulosos não esperam ficar pronta a mamadeira
Fazem roc-roc com a boca cheia
Dispensam e ignoram o que me apaixono com certeza
ADORO AS NEGRAS, AMO AS PRETAS
Sou da cor de ébano, da cor do carvão
Perguntar não ofende, sou 100% preto negô, é por isso que.
TÁ VALENDO
TUDO BREU, É MEU
TIRE O OLHO, SACA
JÁ MARCOU A HORA ENTÃO VAZA.
VAI VENDO
O QUAL É, MUITA FÉ, NÃO É PRA QUALQUER, POR ISSO, NEGUINHO TE DIGO.
TA VALENDO
O ESFORÇO ESCOMUNAL, É REAL, NÃO É A TOA, É PRA VENCER DOIDÃO, CONFIRA.
VAI VENDO
CONTAS CIFRAS CONTIDAS, RETIDAS SÓ TA NA FIRMA QUEM ACREDITA, E BOTA FÉ
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
VANONNE RAPMAN
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MC AGULHA
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CONCEITO PERIFÉRICO - A BRISA TÁ PRA NEVE.
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REALIDADE FUNEBRE & LADO BECO
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013
DONA MARIA, PRETA, POBRE, EVANGÉLICA E BONJESUENSE.
MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE-UFF/RJ e RAPPER
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE-UFF/RJ e RAPPER
Dona Maria, 44 anos moradora do
bairro Pimentel Marques cidade de Bom Jesus do Itabapoana, estado do Rio de
Janeiro. Preta, pobre, doméstica, evangélica. Dona Maria dividi seus afazeres
cotidianos entre os cultos na igreja e a escravização doméstica na casa de uma
madame de classe média bom-jesuense. Dona Maria é mais uma entre várias.
Trabalha nessa residência mais de nove horas por dia de segunda a sábado,
inclusive quando solicitada, aos domingos. A patroa da dona Maria a ameaçou de
demissão, se a mesma aderisse aos direitos das trabalhadoras domésticas. Diante
do assédio moral feito pela patroa madame, dona Maria recuou, aliás, esse tipo
de atitude rebelde se quer havia passado pela sua cabeça. Dona Maria não tem
carteira assinada e ganha menos de um salário mínimo.
Dona Maria cresceu numa família
pobre, é uma das três filhas de sete irmãos. Têm três filhos duas meninas e um
menino, pais diferentes. A sua educação sempre foi baseada na subserviência,
estudou pouco, pai rígido de doutrina machista e conservadora, mãe submissa as
vontades do marido sempre ensinava que lugar de mulher é nos afazeres doméstico
e que não deveria estudar. Dona Maria cursou somente até a quarta série.
Durante infância e adolescência, com as constantes violências domésticas, dona
Maria passou a freqüentar e a se relacionar mais com as amizades criadas na
rua, na vizinhança. Álcool, drogas, sexo e os terreiros passaram a ser rotina
em sua vida. Engravidou aos 16 anos, uma menina, o pai não assumiu. Aos 20 anos
conheceu Antonio, seu marido, na qual foi reside junto. Aos 20 anos,
engravidou-se da segunda menina. Aos 30 anos teve o terceiro filho.
Nada muda em sua nova vida, continuam
as bebedeiras, o uso excessivo de drogas, visitas constantes ao terreiro. Não
era raro sofrer nas mãos de seu esposo, que a espancava cotidianamente, as
crianças assistiam tudo cresciam num ambiente que era para ser familiar e de
referência. A sua filha mais velha
engravidou aos 14 anos de um rapaz dois anos mais velho, os dois foram residir
na casa de dona Maria. Dois quartos, um banheiro no quintal, uma cozinha. As
brigas eram constantes. Dona Maria doméstica, praticamente sustentava a casa. O
marido vivia de bicos, alcoólatra sempre chegava bêbado em casa. A menina de 10
anos apenas estudava e ajudava a cuidar da casa e olhar o irmão menor. O genro
vivia na rua e a filha mais velha cuidava do seu filho e geralmente não fazia
nada.
A rotina teve poucas mudanças,
dona Maria continuava as bebedeiras, deu um tempo nas drogas, afastou-se do
terreiro. Com o passar do tempo descobre que o genro junto com sua filha
estavam traficando. Não demora muito e são presos. Ela agora com 16 e ele com 18.
A casa caiu. Mais uma somatória de decepções na vida de dona Maria. Agora com o
seu filho mais novo com dois anos, a do meio com 12 e o neto também com dois
anos. O marido a larga foge com outra, dona Maria está só, aumenta novamente as
doses de bebedeiras, volta a usar drogas, retorna ao terreiro. O tempo passa, a
idade chega e a vida continua a mesma. Trabalho exaustivo, bebedeiras, consegue
uma vitória largar de vez o vício das drogas e decidi por um ponto final no
terreiro. Converte-se ao protestantismo. Fim das bebedeiras.
Orações e leituras diárias da
Bíblia, feliz por ter encontrado Jesus, mas a vida de tribulações continuava a
mesma. O filho mais novo e o neto, juntos agora com 14 anos. A filha do meio
com 24 havia fugido de casa com um homem casado. A filha que traficava,
retornou, mas continuou no movimento junto com seu marido e novamente encontra-se
encarcerada. O neto e o filho mais novo encontram o mesmo caminho da filha mais
velha, as drogas e o tráfico. São funkeiros, classificados pela sociedade do
“bem” de Bom Jesus como marginais. Os dois fazem parte da gangue que tem rixa
com os outros bairros periféricos, um tipo de status entre as “novinhas” e o
estilo bandsta trazido das grandes metrópoles. Algo esporádico, pois de acordo
com o histórico periférico, não há motivos para existir esse tipo de conflito
urbano em nossa cidade. Mas tudo que é das grandes metrópoles e comercializado
como “status” é absorvido pela classe pobre interiorizada. O glamour do crime,
sacralizado pela grande mídia, pela classe média e a elite é sedutor, atraente
e excitante.
Dona Maria e sua vida sofrida,
trabalho, casa e igreja. A sociedade do “bem” de Bom Jesus não está nem aí para
ela. É somente uma mera individua preta lutando para sobreviver e manter o seu
sustento e de seu filho e neto. São constantes os bilhetes e reclamações da
escola onde estudam. O Conselho Tutelar vive em sua porta. Num triste dia
recebe uma ligação, filho e neto haviam sido presos. Ao chegar à delegacia
encontra-os com as marcas da violência brutal da sociedade em seus corpos.
Feridos pelos capatazes, algozes e carrascos servos da sociedade do “bem”. Dona
Maria desmancha-se em prantos. Recolhidos cumprirão um período de medida
sócio-educativa numa unidade de internação para menores infratores.
Dona Maria, 44 anos moradora do
bairro Pimentel Marques cidade de Bom Jesus do Itabapoana, estado do Rio de
Janeiro. Preta, pobre, doméstica, evangélica. E lá vai ela caminhando, agora
solitária, parentes todos hoje residem na capital, sua residência mantém a
mesma estrutura desde início. Hoje domingo dia do Senhor, 07h da manhã, lá vai
ela atender aos caprichos da patroa madame de classe média bom-jesuense do
“bem”, pessoas do “bem” que não querem ver dona Maria Bem. Oremos e torcemos para
que dona Maria encontre a real felicidade e que finde suas tribulações.
História fictícia, mas que
representa e reflete muitas histórias de muitas mães pobres hoje em nossa
cidade.
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sexta-feira, 23 de agosto de 2013
A VIOLÊNCIA EM BOM JESUS DO ITABAPOANA/RJ
MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE-UFF/RJ & RAPPER.
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE-UFF/RJ & RAPPER.
“....... me persegue até o fim
Nesse
momento minha coroa ta orando por mim.
É assim
demorou já é,
Roubaram
minha alma, mas não levaram a minha fé.
Não consigo
nem olhar no espelho
Sou combatente
coração vermelho.
Minha
mina de fé ta em casa com o meu menor
Agora
posso dá do bom e melhor.
Várias
vezes me senti menos homem
Desempregado
e meu moleque com fome.
É muito
fácil vir aqui me criticar
Sociedade
me criou agora manda me matar.
Me condenar
e morrer na prisão
Virá
noticia de televisão.
Seria
diferente se eu fosse mauricinho
Criado
a sustagem e leite ninho.
Colégio
particular depois faculdade não, não é essa minha realidade.
Sou caboquinho
comum, com sangue no olho
Com ódio
na veia soldado do morro.
Feio
e esperto com uma cara de mal
A sociedade
me criou mais um marginal.
Eu tenho
uma nove e uma HK
Com ódio
na veia pronto para atirar.” (Soldado do Morro, MV Bill)
É muito inoportuno e chega a
ser uma situação jocosa os relatos dramáticos da situação da violência em Bom
Jesus do Itabapoana-RJ. Não estou aqui para defender aqueles que praticam, mas
sim de tentar fazer uma análise e desconstruir um paradigma que está sendo
imposto por indivíduos ditos do “bem” que do bem não têm nada. Não sou fã e não
defendo criminoso, porque se for para debater analiticamente a classe criminosa
eu teria que dessecar esse termo em diversas partes, pois em nossa sociedade
existem diversos tipos de criminosos. Mas irei basear-me, portanto, nos
criminosos ditos comuns: pobres, pretos, periféricos, favelados.
O meu professor e mestre
Hélio Coelho que leciona na Universidade Federal Fluminense-UFF/RJ, instituição
onde cursei e me formei em Serviço Social, ao participar da minha banca
expressou-se no dia: ”quando vamos a Bom
Jesus do Itabapoana-RJ, nas partes centrais, podemos observar bem uma cidade de
colonização branca européia, não se vê praticamente negros. Você, Marcelo, com
o seu TCC nos trouxe uma outra realidade.”
Então vamos a nossa análise.
Primeiramente antes de tudo, toda a escalada de violência (furtos, roubos,
física, entorpecentes) é culpa irrestrita da sociedade, a construção da
violência faz parte do embrionário societário. Portanto a violência é algo
gerado e criado pela própria sociedade. Como afirmo isso? Pelo histórico de
construção do Brasil: escravidão, genocídios, exploração, racismo,
discriminação, marginalização, segregação, corrupção etc. Aí me vem um cidadão
bonjesuense culto e diz: “mas não tenho
culpa dessa tal construção, o que passou, passou temos que pensar no agora.”
E eu respondi: “Ok, mas porque você fica
por aí dizendo que sente falta dos anos áureos de Bom Jesus do Itabapoana,
então vamos esquecer os anos áureos e pensar no futuro. Os inocentes pagam
pelos pecadores.”
A relação de senhorio e a
perda desse prestígio representam um dos fatores para o crescente
desenvolvimento da violência em nossa região. Qualquer surgimento de uma
sociedade no decorrer de seus anos sofre mutações culturais e societárias, isso
é algo imutável. Portanto tentar frear bruscamente através de ideologias
conservadoras e arcaicas essas transformações é algo de uma mentalidade insana.
Durante os tempos ditos áureos de Bom Jesus do Itabapoana-RJ, a gestação do
progresso e do desenvolvimento humano foi forçada a sofrer um aborto social,
sendo assim impedida de dá a luz ao que podia ser uma prevenção dos males que
assim se seguiram, no entanto restrito apenas as regiões margeadas,
periféricas. Numa clássica posição paternalista e assistencialista os
conservadores e a sociedade em prol pensaram que estariam a salvos desses males
se os mantivessem longe de seus arredores.
Não permitir o nascimento do
progresso humano e o seu desenvolvimento social sadio com um intervencionismo
que garanta uma dignidade social justa, é um dos maiores erros e crimes que uma
sociedade conservadora/neoliberal pode cometer. Acreditar que seres humanos
nascem para servir e outros para serem servidos assim posso dizer, é de uma
bestialidade tamanha. O resultado, portanto é o que vemos hoje. O progresso e
desenvolvimento humano precoce de Bom Jesus do Itabapoana/RJ. Sem o
acompanhamento e cuidados adequados, sem a intervenção social que deveria ter
tido o progresso e desenvolvimento humano vai crescendo de acordo com a forma e
adequação da atual sociedade. Se não existiu oportunidades e incentivos o
exemplo é “eu aprendo com quem está mais
próximo”. Abriram os portões para o desenvolvimento das grandes metrópoles,
sem uma estrutura humana adequada, o diagnóstico social apontado para Bom
Jesus do Itabapoana/RJ é o de grave crise social e humana.
Humana porque, aqueles que
cantam pelos sete ventos a canção “ó Bom
Jesus, terra de hospitalidade” pertencem às classes abastadas, não fazem
parte diretamente daqueles que são atingidos pela crise social. Esses
indivíduos abastados, há anos já enviavam seus filhos para estudarem fora
obtendo diplomas das melhores faculdades e cursos. Os que não nasceram
abastados ou sendo as margens, tinham que aceitar o que os senhorios lhes davam,
ou seja, o assistencialismo e o paternalismo, a caridade em troca do senhorio,
o não senhor e o sim senhor.
Social porque é clara e
evidente territorialmente as famílias e os cidadãos que sofrem com essa
violência. Já sofriam desde o nascimento da cidade de Bom Jesus do
Itabapoana/RJ com a discriminação e manutenção da segregação institucional
velada, com o impedimento do nascimento do progresso e o desenvolvimento
humano, e hoje sofrem com as violências que aterrorizam as famílias
cotidianamente, drogas, prostituição, ausência de valores (não me refiro a
valores religiosos e conservadores mais valores que sempre foram criminalizados
por serem valores periféricos) e a humilhação de assistirem seus filhos sendo
carimbados como “criminosos”. Criminosos esses, criados pela própria sociedade
que os criminaliza e os condena.
A história sempre deixou registrada
documentalmente e oralmente o percurso e condições em que a violência urbana percorreu
e se criou e de como esse sistema tentou ser mantido em um único espaço através
de políticas mantenedoras e promovedoras da própria violência urbana em seu
espaço rústico-urbano. Dá-se a entender, que esse processo de manutenção
proposital perpassa a política de higienização e dizimação social desde a
formação do Brasil, processo em que consiste manter os indivíduos indesejáveis
e aquém da sociedade dita do “bem” em seus territórios aplicando a
auto-segregação. Violência gratuita e manipulada para os deleites dos cidadãos
do “bem”.
A violência foi produzida de
uma forma peculiar, administrada por um tempo por indivíduos da elite na qual
pensavam que poderiam adestrá-la e assim sendo mantê-la sob seu controle. Mas o
que se viu e vê foi uma escalada desenfreada da mesma que ao perceber sua
dimensão era tarde demais. Agora como conseguir parar algo que nós mesmos
criamos e adestramos? Pergunta a sociedade refém de sua própria violência.
Pergunta a sociedade dita do “bem” de Bom Jesus do Itabapoana/RJ refém de sua
própria violência. Racismo, desigualdade social e injustiça social também são
as responsáveis pela violência que vivemos hoje, se o senhor do “bem” não sabe.
Lamentar por águas passadas
e ser saudosista, tudo bem direito de cada um. Mas querer culpar indivíduos
pelos seus atos individuais apenas, quero deixar claro que não estou o isentando
de sua culpa, sem levar em conta a construção histórica das relações de classe
e formação desse ambiente violento, é um tanto que injusto.
E segundo Educação vem de
berço? Posso afirmar que isso seja relativo. A criança passa por quatro fases
de sua educação: a família, a escola, a igreja e a rua. Aí te pergunto como
exigir dos pais que eduquem seus filhos de acordo com a moral
cristã-eurocêntrica se os mesmos foram educados sobre opressão da mesma? Foram
criados segundo os costumes de outros e não dos seus? Foram criados conforme as
regras e leis “manda quem pode obedece
quem tem juízo”?
Sendo assim, criação com
formação opressora cria indivíduos distantes da realidade e suas
transformações. Pais pobres com formações conservadoras-opressoras quando
educam seus filhos, educam na forma que foram educados em determinada época,
portanto não acompanham as transformações que ocorrem no mundo. Portanto
educação vir de berço é relativo. Pode ser que funcione como pode ser que não,
dependerá da formação de cada caráter. Dependerá de saber a distinção de certo
e errado, em casos em que o certo é errado e o errado é o certo. Certo e
errado, o bom e o mal são infinitas incógnitas.
Olhemos e analisemos o
passado para podermos realmente julgar, condenar e culpar os verdadeiros
culpados pela sociedade violenta a qual vivemos, não nos direcionemos somente a um indivíduo e suas associações.
“Todos
os homens nascem bons, as sociedades que os corrompem.” (Rosseau).
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