sexta-feira, 10 de junho de 2016

Por que brancos e negros ainda vivem separados em algumas partes dos EUA

Segregação legal acabou há mais de 50 anos no país, mas segregação imobiliária ainda é mantida devido a leis antigas.

Leste da Troost Avenue, em Kansas City, lado mais pobre e marca da divisão racial da cidade (Foto: BBC)

A segregação legal nos Estados Unidos pode ter acabado há mais de 50 anos. Mas, em muitas partes do país, americanos de raças diferentes não são vizinhos, não frequentam as mesmas escolas, não compram nas mesmas lojas e nem sempre têm acesso aos mesmos serviços.
Em 2016 a questão de raça ainda vai ser uma das pautas mais populares no país. Os assassinatos cometidos pela polícia contra mulheres e homens negros desarmados nos últimos anos desencadearam novamente um debate sobre as relações entre as raças no país, e a reverberação deste debate será sentida na próxima eleição presidencial e depois dela.
Ferguson, Baltimore e Chicago são três cidades associadas à tensão racial, mas as três também têm outro denominador comum. Elas, como muitas outras cidades americanas, ainda são muito segregadas.
Testemunhei isto em muitos locais do país - da Louisiana ao Kansas, do Alabama ao Wisconsin, da Georgia ao Nebraska. Em muitos destes lugares, pessoas de raças diferentes simplesmente não se misturam, não devido à escolha, mas devido às circunstâncias.
E se não há interação entre as raças, é mais difícil até começar uma conversa sobre como resolver o problema.
Dados
Dados do censo divulgados recentemente e analisados pelo instituto de pesquisa americano Brookings Institution mostram que a segregação entre brancos e negros está caindo um pouco em cidades grandes, mas continua alta.

Se o número zero é considerado como a medida para a perfeita integração e 100 é a segregação completa, a análise da Brookings mostrou que a maioria das grandes áreas metropolitanas do país tem níveis de segregação variando entre 50 e 70.
Prédios abandonados e cercados de lixo no leste da avenida (Foto: BBC)
De acordo com o relatório da Brookings, "mais da metade dos negros precisaria se mudar para alcançarmos a integração completa".
Segregação racial e segregação econômica estão ligadas: se uma pessoa é negra nos EUA, a probabilidade de ela viver em uma área com concentração de pobreza é maior que a de uma pessoa branca.
Não é uma questão de escolha ou acaso. Políticas habitacionais antigas evitavam de forma ativa que negros vivessem em certas áreas, por exemplo.
Kansas City é uma das cidades mais segregadas do país. Na parte oeste da Troost Avenue há grandes casas, com grandes varandas, propriedades cujos preços variam entre US$ 356 mil a US$ 1 milhão.
Na parte leste da mesma avenida há casas abandonadas, jardins sem manutenção, prédios fechados e com muito lixo em volta.
Casa própria
O governo americano tem uma parte da culpa por esta segregação, devido a práticas instituídas ainda na década de 1930 que evitaram que muitos negros conseguissem comprar casa própria em certas regiões.
Leis americanas permitiam que negros (e pessoas de outras origens) fossem proibidos de viver em determinadas casas. Na foto, documento de Washington, 1958 (Foto: BBC)
Quando o governo começou a dar financiamentos imobiliários para promover o crescimento econômico como parte do plano New Deal, foram impostas duras regras para que cada financiamento fosse liberado.
Áreas onde as minorias viviam eram vistas como investimentos arriscados e famílias negras tinham seus pedidos de financiamento negados de forma rotineira.
O historiador Bill Worley, que mora em Kansas City, explicou que estas políticas continuaram sendo aplicadas na década de 1960 e excluíram negros americanos de uma das grandes marcas de prosperidade do século 20: ter a casa própria.
Em teoria, esta política é ilegal nos EUA desde a década de 1970, mas, na prática, acontece até hoje.
"Bancos continuam a construir e estruturar suas operações de empréstimo de uma forma de evita ou não consegue servir de forma significativa às comunidades de cor, tendo como base a premissa do risco financeiro", disse em setembro de 2015 Vanita Gupta, a mais importante advogada de defesa dos direitos civis no Departamento de Justiça.
Outro fator são os pactos raciais restritivos que estão incluídos nos contratos de habitação. Até 1948 era totalmente legal evitar que uma pessoa negra comprasse ou vivesse em uma casa.
Estes pactos criaram os bairros ricos mais afastados para famílias de renda média e alta. Aconteceu em Kansas City e no país inteiro.
A ida de famílias brancas para estes subúrbios ficou conhecida como "white flight" (ou "fuga branca", em tradução livre).
Com o uso destas práticas e de outra conhecida pela palavra em inglês blockbusting, na qual corretores de imóveis se especializavam em transformar áreas de brancos em áreas de negros, a segregação continuou.
A segregação residencial chegou ao auge na década de 1970. A historiadora econômica Leah Boustan disse que, neste momento, mais famílias negras estavam se mudando para os subúrbios e de volta às cidades do sul que abandonaram depois do fim da escravidão.
"Pode parecer estranho pois temos estereótipos do sul (dos EUA), mas os níveis de segregação residencial são os mais baixos em cidades do sul como Atlanta, Houston e Dallas", afirmou.
Atlanta
Mesmo sendo a cidade menos segregada dos EUA, Atlanta ainda tem desafios a enfrentar.

Nicole e Lewis Anderson moram na cidade e são dois afro-americanos com empregos em grandes corporações, mas contaram à BBC que os corretores de imóveis mostravam a eles apenas propriedades em certas "áreas negras".
Nicole e Lewis Anderson contaram à BBC como foram discriminados enquanto procuravam imóvel para comprar (Foto: BBC)
"Quando começamos havia alguns brancos na nossa área, mas alguns anos depois eles se mudaram", disse Lewis Anderson.
"Nós, afro-americanos, quando vemos um grupo de pessoas brancas se mudando para a vizinhança, pensamos que é bom, estamos bem com isso. Mas para muitas famílias brancas este não é o caso - eles começam a se preocupar com o valor da propriedade e se mudam."
O caso de Lewis e Nicole não parece ser isolado. Uma pesquisa do governo americano mostrou que minorias, quando procuram imóveis para comprar, têm menos propriedades mostradas a elas do que os brancos.
Uma lei, a Fair Housing Act, foi aprovada há mais de 40 anos para acabar com a discriminação imobiliária, mas não foi aplicada da forma apropriada.
Em 2015, o presidente Barack Obama prometeu tornar esta lei mais rigorosa, com novas regulamentações. Agora novos projetos imobiliários só podem receber dinheiro do governo se demonstrarem uma maior integração com outros bairros e haverá sanções para os que não obedecerem.
Mas isto só se aplica a projetos imobiliários públicos. Construtoras privadas continuam com seus projetos sem este tipo de condição.
Julian Castro disse à BBC que a Fair Housing Act é uma lei que nunca foi aplicada de forma adequada nos EUA (Foto: BBC)
"A Fair Housing Act exigia que as comunidades que recebiam dinheiro do governo fizessem o que podiam para, de forma afirmativa, ampliar a habitação justa", disse o secretário de Habitação Julian Castro em entrevista à BBC.
"O problema é que, por muitos anos, esta exigência nunca foi definida ou aplicada de forma adequada."
Castro, que é visto como um possível candidato à vice-presidência pelo Partido Democrata na eleição deste ano, disse que uma das formas pelas quais seu departamento pretende garantir que áreas de pobreza não sejam ignoradas é dar a cidades acesso a dados demográficos para um melhor planejamento habitacional.
Mas o desafio mais importante continua: décadas após o movimento pelos direitos civis, muitos americanos, brancos e negros, simplesmente não se misturam.
E, enquanto os Estados Unidos lutam com problemas raciais, conhecer uns aos outros é um passo adiante na compreensão e resolução destes problemas.
FONTE:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/01/por-que-brancos-e-negros-ainda-vivem-separados-em-algumas-partes-dos-eua.html

Enegrecendo as plataformas digitais


Passou da hora do Brasil dar ao mundo online as mesmas cores que têm off-line. Negros e pardos formam mais da metade da população brasileira, mas isso não é perceptível quando navegamos em espaços como o YouTube, por exemplo. Apesar de ser um espaço gratuito e democrático, na maior plataforma de vídeos do planeta, o conteúdo feito por e para negros, ainda fica perdido na multidão.
“Sentimos que há uma demanda, que há pessoas negras produzindo conteúdo, mas eles se sentem inseguras e acham que o YouTube não é para eles”, explica Silvia Nascimento, diretora de conteúdo do site Mundo Negro que fechou parceria com o YouTube Space São Paulo que nesse mês de maio tem oferecido cursos de qualificação para melhor uso da plataforma, somente para produtores negros. Nos dias 23 e 24, Youtubers negros de vários cantos do Brasil farão parte do Workshop Intensivo de Produção.
“Recebemos mais de 500 inscrições para um pouco mais de 50 vagas disponíveis e isso sinaliza o desejo dos produtores negros em se qualificar, em querer que seus vídeos alcancem a qualidade que eles assistem em outros canais da plataforma”, acrescenta Silvia.
“O projeto Negros Digitais, que faz parte do Mundo Negro visa justamente não só trazer mais pessoas negras para os ambientes digitais, mas sobretudo, qualificar e mostrar as possibilidades de fazer certo e melhor”, finaliza.
Ainda não há previsão da abertura de novos cursos voltados para comunidade negra, mas eles serão anunciados na página Negros Digitais no Facebook.
FONTE:https://www.mundonegro.inf.br/enegrecendo-as-plataformas-digitais/

A situação dos negros no mundo atual

Por Juliana Miranda

A busca por igualdade de oportunidades vem marcando a história dos negros no Brasil e no mundo. As marcas da desigualdade histórica ainda estão presentes nos dias de hoje.

Muitos negros permanecem marginalizados, sofrem com o racismo e a discriminação e não encontram condições igualitárias de educação e desenvolvimento profissional. Um estudo recente apontou que em fábricas um trabalhador branco ganha até 75% mais do que um negro.

É claro que os negros alcançaram algumas vitórias, mas a realidade ainda está longe da ideal. Ainda vivemos o mito da democracia racial, e segundo o IBGE precisaremos de pelo menos 20 anos de políticas afirmativas no Brasil para fomentar a igualdade entre negros e brancos.

Atualmente, a população negra no Brasil ainda está em desvantagem em relação aos brancos em todos os itens, como violência, renda, educação, saúde, emprego, habitação e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo um relatório da ONU, não existe região ou estado brasileiro em que a condição de vida da população negra seja melhor do que a da população branca.

A ONU sugere que todos os países busquem uma ação conjunta entre governo e sociedade para combater o racismo no país e melhorar as condições de vida da população negra.

Saiba o que é democracia racial.

Em países de primeiro mundo, como Estados Unidos, existe um cenário bastante peculiar, onde muitos negros se encontram marginalizados, e tantos outros se destacam nas melhores universidades e empresas do país. Uma marca dessa mudança da sociedade foi vista na reeleição de Barack Obama, primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Após 10 anos, Jurassic 5 retorna com novo single e turnê

INDIO, CA - APRIL 12: Jurassic 5 performs onstage during day 1 of the 2013 Coachella Valley Music & Arts Festival at the Empire Polo Club on April 12, 2013 in Indio, California. (Photo by Frazer Harrison/Getty Images for Coachella)

Formado em 1993 em Los Angeles, o grupo de rap Jurassic 5 está de volta! Depois de um hiato de uma década sem lançamentos, o clássico grupo lança o single “Customer Service” (‘Atendimento ao Cliente’, em tradução).
A faixa single tem produção de DJ Nu-Mark e bebe bastante do funk, enquanto os integrantes disparam rimas bem conscientes. Você poe baixar a faixa gratuitamente poraqui.
Além do lançamento, o grupo sairá em Turnê pela Europa a partir de Junho, passando por mais de 10 países, entre eles: Suíça, Irlanda, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido.
FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/34924/jurassic-5-lanca-single-e-turne/

Em parceria com o Savave, Cadelis lança clipe “Curso Natural”


Compreender não é tarefa fácil. Para que isso aconteça, o ser humano precisa buscar intensamente dentro de sua natureza suas raízes, sua primitividade e missão, tudo isso levando em consideração o pensamento abrangente, que estende a sua própria ação.
Foi através dessa procura incessante por sabedoria que o MC curitibano Gustavo Cadelis criou as canções do disco “Sob a Tempestade“, onde narra a trajetória das milhares de vidas que habitam em Curitiba, tema chave para a exploração do cotidiano da cidade em um espectro psicológico.
O clipe de ‘Curso Natural‘, música que encerra o disco, é o ápice de uma jornada de compreensão que simboliza os tais espectros que vagam pela mente de um homem que não suporta mais a pressão de uma sociedade fútil, tendo reflexões sobre aquilo que vê no seu dia a dia.
A produção musical ficou por conta do Dario, e o clipe foi feito pela Juice Filmes, com direção de Ruggero Fiandanese e fotografia de Juliano Julio.
FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/34919/cadelis-curso-natural/

0800 Crew e Dario estão prontos pra tomar o mundo em um gole, ouça “Asa Delta”


Junho de 2016 é o mês em que a 0800 Crew comemora 1 ano de atividade.
Obviamente, a data não passou em branco: Junto da lenda dos beats de CWB, o renomado Dario, o grupo nos presenteia com a faixa “Asa Delta”, um rap pra lá de classudo, que apesar de ter um tom mais sério, ainda contém toda a abordagem criativa e irreverente – que é a principal característica dos meninos.
Aqui, podemos notar um amadurecimento do grupo quanto a escrita e musicalidade que, segundo eles, será recorrente no segundo disco, intitulado “Nome Sujo” – previsto pra agosto desse ano.
FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/34908/0800-crew-asa-delta-musica/

Ogi lança música “Reality Show”, com Haikaiss e PrimeiraMente


Nesta manhã de quinta-feira (9), Rodrigo Ogi, detentor do melhor disco de rap de 2015 de acordo com o RND, lançou a nova faixa “Reality Show“, que tem colaboração deSPVIC e Raillow, dos grupos Haikaiss e PrimeiraMente, respectivamente.
O som faz boas alusões à ilusão dos reality shows exibidos na televisão comparando-os às mazelas e dificuldades do mundo real. O destaque da faixa vai pela lírica dos rappers. A produção musical é de ninguém menos que Nave — que também produziu inteiramente o glorioso “Rá!“.
FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/34945/ogi-lanca-reality-show/

Rimas & Melodias - Tatiana Bispo - Eu Preciso Ir


Rimas & Melodias - Tássia Reis - No Seu Radinho


terça-feira, 7 de junho de 2016

Da França, Vini Hemp lança seu primeiro EP “Big Bang”


Em 30 de maio, o jovem rapper nascido no Guarujá, Vini Hemp, divulgou seu trabalho de estreia intitulado “BigBang
Nascido e criado no litoral de São Paulo, cresceu ouvindo rap e diversos gêneros por influência familiar de seus avós e tios. Vini Hemp começou sua caminhada no hip hop fazendo freestyle nas rodas de rimas (14BIS, amsterPAM e Centro) de Guarujá.
Ao completar 19 anos Vini decidiu imigrar para a França, e após dois anos morando lá (2014-2016) o rapper conseguiu então lançar seu primeiro trabalho solo, o EP “BigBang”, com 7 faixas e participações de seus parceiros dudsMDM, Mirow e Gannesh.
Na sequência, Vini também divulgou o clipe do single do disco, “Sem Fronteiras“, que retrata a transformação ocorrida em sua vida após se mudar para Europa. Assista:
O EP “BigBang” também está disponível para download no iTunes.
FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/34875/vini-hemp-ep-big-bang/

Rima Dela: Conheça MJ, a primeira mc de Recife

Mariana, conhecida como MJ, é moradora da Torre, bairro da Zona Norte do Recife, uma mina atuante, guerreira, mãe de três mulheres, nordestina e com suas próprias palavras, “a primeira Mc de Recife, com muito orgulho’’.
Ela iniciou sua trajetória em 1995, inspirada por Dina Di, Lauryn Hill e Lady Rapper, e  já entrou com tudo, quebrando todos os tabus que já eram imposto as mulheres naquela época, principalmente de subir nos palcos e expor seus pensamentos.
O primeiro contato com o rap surgiu através do skate, que levou Mariana a conhecer as rodas da break, e se identificar com a linguagem e a liberdade de se expressar dentro do movimento.
Junto com Fabiana Rossini, a Mc faz parte do grupo  “Donas” e vem com ideias diretas que abordam temas como: liberdade, autoestima e feminismo.
As mulheres que sofrem violência, elas precisam da mão das outras, elas precisam de uma música que ela escute e diga: ‘Pô, essa mulher tá me dando uma força nessa letra aí’ Eu uso muito meu Rap pra isso… Isso que fez  minha libertação no Rap, foi resgatar as Manas.” nos disse MJ.
A proposta do Donas é de crescimento, resgate, e que através da música, possam trazer outras mulheres para atuar dentro do movimento, seja no microfone ou nos demais elementos. O grupo havia dado uma pausa, mas voltou com tudo, com vários projetos e um deles é chamado: “Donas e os monstros” que são as minas e dois Dj’s cabulosos, que prometem roubar a cena.
A Mc ganhou a final da Liga Feminina de mc’s e  vai representar lindamente Pernambuco no Duelo Nacional, e disse que vai chegar falando: “Meu Maracatu pesa uma tonelada” pra acabar de vez com esse preconceito pelos Nordestinos.

Rima Dela é um projeto do coletivo feminino Soul Di Rua, feito exclusivamente com mulheres, para que elas possam expor suas ideias abertamente, mostrar suas conquistas dentro da cultura Hip-Hop e que através das suas vivências, seu dia a dia, suas lutas e conquistas, possam se expressar da forma que desejam.
O intuito do projeto é dar mais visibilidade e voz as mulheres através da sua arte, da sua poesias, de rimas, improvisos, mostrando a força e a importância que todas tem dentro do movimento.
Curta a página do Soul Di Rua e acompanhe o trabalho da MJ no Facebook.
FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/

BFace lança “Rec On”, um boombap jazz no estilo Golden Era


Ontem (6), o curitibano BFace lançou o áudio visual “Rec On“, onde o rapper ilustra o cotidiano em meio as cidades com seu inventário de referências, passando por cenários urbanos e modernos.
Rec On” é batida e microfone, articula conhecimentos sonoros e visuais em favor da criação, esse é o processo: transformar inquietações em canções.
BFace trabalha em Curitiba como MC e Produtor há 8 anos. No início da carreira trabalhou com Duplex. Em 2010 juntou-se com o Coletivo Akimemu através do ProjetoConscient in Coletivo. Ao lado de Fantoxi, dirige, grava e produz diversos artistas do projeto e do selo.
Em 2014 lançou a coletânea “Suíte Para Corações Urbanos” com a contribuição de artistas do Rap Curitibano, responsável pela produção, gravação e mixagem de todas as faixas. Atualmente trabalha em seu disco solo.
BFace está no Soundcloud / Facebook
Trecho da música
Transformo o brilho de um instante num loop constante
indescritível num nível contagiante. Perceba no semblante
Mesmo estando sem blant, com isso eu briso
É pouco que preciso, um corte bem preciso


FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/34863/bface-rec-on/

Ouça e baixe “Orgunga”, o primeiro álbum do Rico Dalasam


Rapper, negro, gay e nenhum motivo para abaixar a cabeça. Na ultima sexta-feira (3)Rico Dalasam, cheio de orgulho, lançou seu primeiro álbum “Orgunga“, segundo trabalho do mc — e sucessor do EP “Modo Diverso“.
Investindo numa pegada bem animada, o disco conta com 8 faixas, sendo 5 inéditas e vem, inclusive, com a música “Honestamente”, fruto de parceria com a Red Bull Studio. Dalasam mantém a alta vibe nas músicas, mesmo sem nenhuma participação.
O EP (Modo Diverso) tinha muita coisa de R&B, funk e eletrônico. No disco (Orgunga), a gente troca isso por timbres indianos e flautas e percussões bem brasileiras (por Mahal Pita, do BaianaSystem), disse ele, em entrevista recente à RollingStones Brasil.
Orgunga”  é uma palavra que Rico Dalasam “inventou” para selar seus três maiores orgulhos: ser rapper, ser negro e ser gay. A masterização do álbum ficou a cargo de Luiz Café, com direção musical e artística do próprio rapper. A gravação foi feita no estúdio Comando S por Rodrigo Tuchê.
O álbum está disponível em plataformas de streaming como Spotify e Deezer. E download gratuito:
FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/34862/rico-dalasam-lanca-album-orgunga/

Rimas & Melodias - Alt Niss - Das 3 as 6


Rimas & Melodias - Karol de Souza - Quem É Que Tem o Poder


Rimas & Melodias - Drik Barbosa - Banho de Chuva


Rimas & Melodias - Stefanie - Muita Calma


segunda-feira, 6 de junho de 2016

NZINGA, A RAINHA NEGRA QUE COMBATEU OS TRAFICANTES PORTUGUESES

No século XVII, o lucrativo comércio de escravos praticado pelos portugueses sofreu um duro revés. A oposição mais forte que enfrentaram veio da rainha Nzinga, uma obstinada líder política e militar que, por quarenta anos, impediu que os portugueses penetrassem no continente africano. Conheça a história dessa mulher africana extraordinária. 

Seu nome é grafado de diferentes maneiras: Nzinga, Ginga, Jinga, Singa, Zhinga e outros nomes da família linguística Banto (ou Bantu). É também conhecida pelos nomes portugueses de Ana de Souza, rainha Dona Ana e pelas formas híbridas como rainha Ana Nzinga.  

Nzinga Mbandi Ngola Kiluanji, nasceu em 1582, no Ndongo, filha do ngola com uma escrava ambundo. Ainda criança, começou a ser treinada para o combate e o uso de armas. Com oito anos de idade, acompanhou o séquito do pai, em uma batalha, como parte dos exercícios de guerra. Com a morte do pai, em 1617, seu irmão Mbandi tornou-se ngola ascendendo ao trono de Ndongo. 

Por essa época, os portugueses já estavam estabelecidos na ilha de Luanda onde fundaram a vila de São Paulo de Luanda, construíram igreja, casas e fortificações. Enfrentaram a resistência dos chefes angolanos e as doenças tropicais que impuseram pesadas perdas aos portugueses. Calcula-se que, entre 1575 e 1590, dos 1700 europeus falecidos em Angola, só 400 perderam a vida na guerra; os demais, quase 80%, morreram de maleita e outras febres.  

No lugar de prata, escravos  O interesse inicial dos portugueses, em Angola, não era o tráfico de escravos mas as riquezas do país, suas jazidas de prata, cobre e sal. Além disso, o domínio de Angola abriria caminho para chegar, por terra, até as fabulosas minas de Monomotapa (atual Zimbábue). Acreditando que Angola seria um novo Peru, o rei de Portugal e Espanha (era o início da União Ibérica) enviou soldados, armas e canhões para derrotar os angolanos. 

Foram 24 anos de combates até os portugueses finalmente atingirem, em 1603, às supostas minas de prata de Cambambe, ao sul de Luanda. Mas o contentamento durou pouco: as amostras colhidas revelaram-se de chumbo. Não havia prata em Cambambe. Decepcionado, o rei Felipe III mandou suspender a conquista e limitar-se ao tráfico de escravos. 

O porto de Luanda tornou-se o local de embarque de milhares de escravos. Por volta de 1600, a média anual era de 5.600 escravos provindos de diversas partes da África e embarcados para a América. 

Em Luanda chegavam vinhos portugueses, artigos de ferro e latão, mantas do Alentejo, lãs e linhos de Flandres, contas de vidro de Veneza, algodão e musselina da Índia a ainda produtos brasileiros como a farinha de mandioca. Como moeda usam-se os panos fabricados no Congo que recebiam um carimbo com o emblema real e eram usados para a aquisição de escravos. Conforme relata Costa e Silva, esses tecidos, em geral, não eram usados como roupas; passavam de mão em mão até se desgastarem e puírem, perdendo progressivamente parte de seu valor.  

O comércio de escravos 

Os portugueses tinham pouco controle sobre a captura de escravos. A apreensão e o comércio em território de Angola eram fortemente centralizados pelo ngola Mbandi, o rei ambundo, irmão de Nzinga. Ele cobrava dos portugueses tributos e taxas e proibia-lhes o acesso ao interior do reino e a compra direta de escravos. 

As vendas de escravos eram fiscalizadas e só podiam ser feitas por lote, não permitindo ao traficante escolher as “peças” que lhe interessavam. O ngola mandava incluir, no lote, negros idosos, doentes ou com defeitos físicos de difícil colocação no mercado escravo de Luanda. Os que desrespeitavam as regras e os costumes locais eram punidos com o confisco da mercadoria, prisão, expulsão, açoites e até morte. 

As restrições ao livre trânsito dos mercadores e as sanções aplicadas pelo ngola aos infratores causaram indignação entre os portugueses de Luanda. Afinal, para eles, aquelas terras eram de Portugal. As tensões levaram a uma nova guerra contra o ngola Mbandi que, como ocorrera outras vezes, ficou inconclusa. 

Entra em cena a princesa Nzinga 

Nzinga sentou-se sobre sua acompanhante colocando-se em posição de igualdade
com o governador português. Manuscrito de Cavazzi, missionário capuchinho, 1687



Em 1621, chegou a Luanda o novo governador português que se apressou a buscar a paz com o ngola Mbandi. Para negociá-la, o rei ambundo enviou a Luanda uma embaixadora – sua irmã Nzinga, então com 39 anos de idade.

Neste encontro, ocorreu um episódio curioso que revela a altivez da princesa ambundu. Como o governador a recebeu sentado e não lhe ofereceu cadeira, Nzinga fez um sinal para uma de suas acompanhantes que se colocou de quatro no chão para a princesa sentar-se sobre ela. Ao sair, deixou a moça na sala, na mesma posição, como se fosse um banco. O governador avisou-a para levar a moça e Nzinga respondeu-lhe que não sentaria novamente naquele banco pois tinha muitos outros e não o queria mais.

A princesa, inteligente e decidida, deixou claro que o rei ambundo não era e nem seria vassalo do rei ibérico. Estava ali como representante de um estado soberano e exigia tratamento de igual para igual. Para surpresa de todos, Nzinga falou em português fluente. Possivelmente aprendera a língua com alguns dos mercadores e missionários portugueses que haviam frequentado a corte de seu pai. 



Nzinga exigiu que os portugueses abandonassem suas instalações no continente, que entregassem os chefes africanos prisioneiros e ainda um lote de armas de fogo. Em sinal de sua intenção de celebrar o acordo de paz, Nzinga aceitou o batismo católico sob o nome português Ana de Souza. A conversão foi um jogo político do qual ela vai se valer em outros momentos para ganhar confiança e confundir os portugueses.

A rainha Nzinga 


Vários meses se passaram desde o encontro em Luanda sem que os portugueses cumprissem sua parte no acordo. Não estavam dispostos a ceder em nada. Nzinga vai cobrar, pelas armas, o que fora prometido mas, dessa vez, como ngola, rainha de Ndongo.  

A ascensão de Nzinga ao trono, em 1623, é rodeada de mistérios. Alguns estudiosos afirmam que ela envenenou o irmão, outros dizem que o rei se suicidou por decisão dos grandes chefes. Há ainda a versão de que Nzinga, com a morte do irmão tornou-se regente do garoto escolhido como novo ngola, mas a criança pouco depois, morreu afogada no rio Cuanza. 


Começava a nascer uma “mitologia Nzinga”. Rainha enigmática, cujo nome causava terror entre os portugueses, ela deu origem a lendas e relatos contraditórios a seu respeito.

Nzinga e seu séquito. Manuscrito de Cavazzi,
missionário capuchinho, 1687.


 
Desconhece-se sua imagem, não existem retratos da rainha elaborados no seu período de vida. Uma imagem de 1769, para a obra Zingha, reine d’Angola, de Jean-Louis Castilhon, mostra a rainha de perfil com um olhar recatado que nada corresponde ao perfil guerreiro dessa líder política africana. Usa coroa, colar, bracelete, broche e manta típicos da cultura europeia. O toque exótico e sensual fica por conta do seio à mostra, como era comum nas representações de africanas pelo traço europeu cristão.  A imagem aproxima-se da descrição de Glasgow:

 Vaidosa quanto às roupas e aparência, trazia na cabeça a coroa real, com joias de prata, pérolas e cobre  a lhe adornarem os braços e as pernas. Lindos tecidos e roupas eram sua paixão especial e não perdia nenhuma oportunidade de adquirir novas roupas em estilo europeu dos mercadores portugueses. Às vezes ela trocava de traje várias vezes por dia, variando das modas africanas para as portuguesas e vice-versa, até no estilo do penteado. (…) Quando Nzinga recebia hóspedes estrangeiros, tanto ela quanto sua corte se adornavam com dispendiosos trajes e joias europeias e havia farto  uso de baixelas de prata, cadeiras e tapetes. Saudava os hóspedes com o selo real de prata na mão e a coroa na cabeça, ocasionalmente até três vezes por semana. (Glasgow, p. 95-96)

 Costa e Silva apresenta outra descrição de Nzinga:  



“Ela recusava o título de rainha e fazia questão de ser chamada rei. Por isso que decidiu tornar-se socialmente homem e ter um harém, com os concubinos vestidos de mulher. Por isso que lutava como um soldado, à frente do exército. Na realidade, Jinga estava a criar a sua tradição, a sua legitimidade, os precedentes que permitiriam a suas netas e bisnetas ascenderem, sem contestação do sexo, ao poder.” (Costa e Silva, p.438)
Nzinga usando elementos da cultura europeia e
africana em uma gravura do século XVIII.


 

 Em obra recente, Nzingha: warrior queen of Matamba, de Patricia McKissack, publicado em 2000, o conceituado ilustrador Tim O’Brien, criou uma nova imagem da rainha ambundo dando-lhe uma fisionomia bantu juvenil. Ela usa bracelete e colar típicos da realeza bantu, um cordão de zimbos ou búzios, uma concha utilizada como moeda nos reinos do Congo, Ndongo e em sociedades tradicionais de Angola. O vestido colante com grafismos em zig-zag, motivo recorrente na cultura material da África subsaariana, e o arco e flechas compõem o retrato guerreiro e africano de Nzinga.


 O filme Njinga, rainha de Angola, de 2012 (mostrado no Brasil em 2014) construiu outra imagem da rainha. Para representa-la, foi escolhida 
Nzinga com uma fisionomia bantu juvenil,
segundo representação feita por Tim O’Brien, em 2000.


 
Lesliana Pereira, miss Angola 2008. A beleza da atriz reforçada por trajes sensuais em cenas de combate aproxima a rainha à imagem de uma super-heroína africana. 

Nzinga reinou absoluta durante quarenta anos sobre Ndongo (1623 a 1663) e, a partir de 1630, também sobre Matamba. Para enfrentar os portugueses, aliou-se aos ferozes jagas e desposou um chefe deles. 

Veja o trailer do filme Njinga, rainha de Angola, direção de Sérgio Graciano, 2012


Vocabulário 
Ambundo ou Mbundu: maior grupo étnico de Angola, falante do quimbundo, língua que muito contribuiu na formação do léxico do português falado no Brasil. 
Ndongo ou Dongo: reino ambundo da Angola pré-colonial, limitado ao norte pelo Reino do Congo, a leste por Matamba, a oeste pelo Oceano Atlântico e ao sul pelos Estados ovimbundos. 
Ngola ou angola: importante título nobiliárquico e guerreiro dos ambundos na Angola pré-colonial, equivalente a rei. O termo acabou batizando o nome atual do país.

 FONTE:http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/nzinga-a-rainha-negra-contra-os-traficantes-portugueses/