segunda-feira, 20 de maio de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
MARCIO DISKINA
Grande parceiro nosso e aliado fortíssimo da É NÓS POR NÓS, rapper MARCIO DISKINA, diretamente de Cariacica-ES divulgando seus novos trampos beat´s que são puro luxo. Confira e se estiver afim é só entrar em contato com esse grande Rapper.
Entrevista com Eduardo Facção central falando do seu livro e periferia
O Eduardo fala claramente à situação
que vivemos no Brasil e infelizmente não tem o apoio que merece, tem que ter
coragem pra falar como ele fala, a verdade é que sem união nada vai mudar, os
políticos usam do nosso dinheiro para entreter o gado com virada cultural...
Espero estar vivo para ver mais de Um
milhão de pessoas protestando nas ruas e lutando pelo o que é nosso de direito. (Comentário na page-youtube)
sábado, 18 de maio de 2013
NÃO QUIS ENXERGAR - ÚLTIMO SUSPIRO
Apresentação do grupo de rap de Cariacica-Es, ÚLTIMO SUSPIRO. Cliquem e confiram o single NÃO QUIS ENXERGAR. Puro Luxo
O QUADRO DA ESCRAVIDÃO
‘Eu sou da época em que se comemorava o 13 de maio’,
ouvi de uma professora de Antropologia da PUC - Rio esta semana. Achei isso
triste e interessante. Nunca tive isso no colégio. Hoje em dia, se comemora
mais o Dia da Consciência em todo 20 de novembro do que a data em que a
escravidão negra supostamente terminou. Afinal, essa liberdade é, e deve ser
muito questionada até hoje. Mesmo assim, é raro ver quem fale sobre isso fora
do mundo acadêmico. Brasileiro nunca soube lidar muito bem com traumas do
passado. O racismo é um e o assunto é muito feio.
Há uns quatro meses, eu estava com minha namorada em
um restaurante de temática colonial em Botafogo e, mais uma vez, pude constatar
isso. O lugar, muito bom, é um dos únicos pela Zona Sul que não chegou ainda a
preços surrealmente absurdos, mas já havíamos sido alertados por uma amiga dela
sobre a decoração tida como “duvidosa” do local.
Mesmo tendo ido ao restaurante algumas vezes, nunca
havíamos nos deparado com nada de mau gosto por lá (se todo estabelecimento de
temática colonial fosse abordado assim, teriam que fechar inúmeros lugares).
Porém, nessa última vez, notamos que um quadro ilustrava explicitamente um
leilão de escravos, com um homem branco de postura senhoril segurando um
péssimo “menu” com o preço dos negros melancólicos e acorrentados aos seus pés.
O restaurante, devidamente informado via Serviço de
Atendimento ao Consumidor sobre o péssimo gosto do quadro e o nosso incômodo
por aquela atrocidade estar sendo usada como decoração, nem ao menos enviou um
pedido de desculpas ou deu qualquer outra forma de retratação. Assim, o quadro
permanece lá para quem quiser ver e naturalizar o holocausto negro que foi
oficialmente extinto há 125 anos.
O racismo no Brasil é exatamente isso: um quadro na
parede de nossa história que, apesar de tão feio, faz parte do cenário há tanto
tempo que não querem sequer tocar nele. Assim, falar sobre ele e pedir pela sua
retirada é muito problemático, já que todos se acostumaram com ele ali compondo
o ambiente.
Afinal, quem ele incomoda?
Fonte: Jornal O Dia de 16/05/2013, colunista Gilberto
Porcidonio, jornalista e mantém o site otitere.com.br
sexta-feira, 17 de maio de 2013
TÁ VALENDO - SILLES
Gravação caseira. Divulgando esse single que será gravado em outro beat. O que acharam?
1001 UTILIDADES.
É pixain, é bom. Natural, fenomenal,
sem igual. É o meu cabelo crespo que quando cresce, se amontoa nasce uma coroa
vira Black, Black Power, 4P. Sem desmerecer o seu liso, até que é bunitinho, engraçadinho
bem sedoso, mas não chega ao ponto de ser maravilhoso igual ao meu Black Power,
ao meu pixain. Orgulho? De monte tenho sim, por mais que os plin, plin tentem
transformá-lo em objeto comercializável, a sua história remonta a pré-história
da África. Portanto está nos livros, nos contos, na cultura nunca um cabelo foi
tão exaltado como o meu, dos meus irmãos pixain, natural, fenomenal, sem igual
e 4P.
Preto seja louvado, sinto-me agraciado
pela natureza que me presenteou com rara tamanha beleza, e ao meu Deus todo
poderoso que fez nascer em África o início de tudo, o mundo. Em África as
mulheres pretas as mais belas, belas não, verdadeiras Deusas, Deusas de Ébano, indiscreto
sou elogios as pretas sempre faço não meço palavras, nem letras, nem parágrafos
são rainhas, autênticas Candaces. A humanidade em África surgiu e pelo mundo se
multiplicou, transformaram-se de onde derivaram-se.
E o crespo, como é rei, é rainha mesmo
longe de seu habitat, onde habitou adequou-se para melhor viver e sobreviver. Volumoso,
charmoso, sexy, belo mais belo mesmo não é “o belo” sinônimo de feio não, é
BELO como sempre há de ser. Gerações e mais gerações hão de exaltá-lo, pois
muitos sempre criticarão e perguntarão “porque você não alisa esse cabelo?”, os
incomodados há os incomodados que nunca hão de entender o esplendor de tamanha
beleza e representatividade cultural e identidade. E meu crespo pixain,
natural, fenomenal, sem igual, Black Power, 4P está aí mesmo para incomodar,
pois tudo que incomoda é lindo, maravilhoso. Portanto, dêem licença para o meu
rei Crespo, curvem-se diante de tamanha beleza e realeza. Curvem-se para o
crespo, pixain, natural, fenomenal, sem igual, Black Power, 4P.
Texto:
Rapper Marcelo Silles
quarta-feira, 15 de maio de 2013
O QUE VEM POR AÍ...............
Um prévia dos beat´s dos novos lançamentos do Rapper Marcelo
Silles, os singles NINA SILVA, QUEM VAI PRA NOITE, DUVIDA? e É DESSE JEITO.
Aguardem....
Rapper Marcelo Silles
terça-feira, 14 de maio de 2013
ALMA AFRICANA, NÃO VIVO EM ÁFRICA, MAS A ÁFRICA VIVE EM MIM.
Boa tarde cidadão de cor pode me dá uma informação?
Essa pergunta foi me dirigida no domingo 12 de maio de 2013 na Praça Governador
Portela em Bom Jesus do Itabapoana-RJ, por um senhor aparentemente de avançada
idade e com um perfil cultural bem coloquial ruralista para o nosso tempo.
Inocentemente talvez ingênuo não soube formular sua pergunta em busca de uma
informação de forma correta. Educadamente o informei, não o questionei
sobre a sua conduta mediante a mim, já que o senhor havia sido educado e
notadamente reparei a sua postura tanto corporal quanto em seus gestos, simples
e de modo humilde destituído de certo saber acadêmico que a sua face mostrava o
quão à vida lhe havia sido dura.
O que sempre me chama a atenção é simplesmente a
dificuldade tamanha de pessoas se dirigirem aos negros e os chamá-los de
negros. Ou simplesmente não diga nada, simplesmente diga senhor, senhora esse
lance de cidadão de cor chega uma hora que é um saco. Bom somos a nação que aboliu a escravidão
tardiamente, brasileiro sempre é o último em tudo veja a industrialização, a
abolição aconteceu à apenas 125 anos então os pretos escravizados foram
libertos há apenas uns anos atrás, portanto resquícios da escravidão ainda são
recentes. Bem sabemos que na verdade o final exato da escravização se deu por
volta de 1930, segundo alguns historiadores.
Muitos negros pode se afirmar a maioria, sucumbiram a
subserviência e aos modos de vida branco, foi o germinar para um ambiente
fértil para a implantação do projeto de miscigenação e destruição da raça
negra. Certo nada de novo. Bom o que sempre é novo é essa classificação de “cidadão
de cor”, sendo que cor tem a sua denominação preta, amarela, azul, vermelha
etc. fica muito vaga e ambígua essa classificação a indivíduos negros de
cidadão de “cor”.
Analiso da seguinte forma, muitos negros não
atingiram o seu ápice do devir negro, ou seja, negaram e continuam negando as
suas origens, suas historicidades. Só vem ao caso por conivência, resumindo
para aparecer, o famoso negro é lindo! Ah como eu me sinto como Olinto, um
afro-brasileiro com total alma Africana um vício africano que pulsa em mim os
ancestrais, a pretitude, a negritude
“Zora e eu estávamos fisgados, e não o
sabíamos...
Estávamos arpoados, presos, marcados para
o
resto da vida. Corria o nosso sangue o
vício da
África de que ninguém se livra mais.”
OLINTO, Antonio. In: Brasileiros na
África. São Paulo: Ed. GRD/ Inst. Nac. do Livro, 1980, pg. 229.
Esse rompimento de muitos negros com a diáspora
africana, exercido através de fatores ligados a colonização que forçaram a
negação da história africana como também o clareamento, distorce completamente
a realidade cotidiana dos pretos pobres brasileiros, pois a cultura africana na
diáspora é absorvida e reinventada de forma que possa a ser comercializada com
conteúdos padronizados onde muita das vezes seus reinventores são brancos que
se dizem doutores na cultura africana.
Ontem, data de 13 de maio de 2013, assisti uma cena,
uma aberração transcorrida na novela das 19h da rede esgoto de televisão que se
chama Sangue Bom. Uma atriz que tem filhos adotados, como assisti por acidente,
portanto não assisto novelas e por isso não sei a quantidade de filhos
adotados, apresentou o seu filho branco-africano adotado. Até aí normal o
garoto podia ser da África de Sul e de origem inglesa. Mas pelo que pude notar
o garoto foi apresentado como sendo negro, e coincidentemente estava com uma
blusa escrita 100% negro. Bom nada contra é uma simples camiseta. Mas se fosse
ao contrário se eu saísse na rua com uma blusa escrita 100% branco, será que a
reação de aceitação seria a mesma?
Estou tentando dizer é que, se um branco pega algo
dos pretos como sendo seu tanto o branco quanto o negro acham normal. Mas
quando é ao contrário, até mesmo o negro critica a atitude do negro que está
usando uma camisa escrita 100% branco. Inversão e destruição de valores é o que
permiti chamar um negro de cidadão de “cor” porque simplesmente um branco está
usando uma blusa 100% negro de cor negra. Mas o branco não é cor, portanto o
negro não pode usar uma blusa 100% branco.
Mas acaba-se percebendo que o dizer 100% negro é
muito mais bonito soa muito mais lindo do que 100% branco. É como deixar um
afrobeijo o toque é mais doce do que whitekiss que uma garota branca enviou para
mim uma vez. Confesso que estranhei e achei bem esquisito. Tudo relacionado a
nossa Mãe África suas músicas, culturas, histórias é mágico e lindo. Um dia
irmãos e irmãs acordarão dessa hipnose clara eurocêntrica e enxergarão,
aceitarão suas origens e histórias. Não vivo em África, mas a África vive em
mim.
Rapper Marcelo Silles
segunda-feira, 13 de maio de 2013
O INIMIGO DEMASIADAMENTE INOFENSIVO.
Caim matou Abel, Abel matou Caim
e assim vai caminhando a infâmia cidadania. O nosso TAC – Termo de Ajustamento
de Caráter – das Ruas é muito mais eficaz do que o TAC dos conservadores,
liberais, elitizados, burgueses etc. Sabemos quem é quem, quem é aliado e quem
se vende. Como sempre digo satiricamente e maquiavelicamente não confie em
amigos demasiadamente poderosos.
A medida que o poder aumenta a
humildade diminui. A medida que se adquire um carro, uma moto, uma casa o mau-caráter
vai se revelando e a humildade vai diminuindo. Agora sou um homem da sociedade dita do “bem”, homem de “família” busco
meu respeito, não posso andar mais contigo. Comporta-se de tal forma
parecer-se que todos os seus pecados originais e carnais foram todos perdoados.
Ou seja, beatificou-se e santificou-se a si mesmo. Datavenia meu ex- grande
brother e amigo.
Foi na Rua através do É Nós Por
Nós que conheci e vivi sabores e dissabores e ainda continuo experimentado. E
foi através da Rua e do É Nós Por Nós com os nossos sofrimentos, ansiedades,
alegrias, tristezas, felicidades que somente Nós com nossas lutas diárias,
matando um leão por dia, com os meus, com os nossos inserindo no cenário de
luta societária que podemos transformar a sociedade justa para Nós. É Nós Por
Nós Maquiavelicamente falando “porque o tempo leva por diante todas as coisas,
e pode mudar o bem em mal e transformar o mal em bem”.
Na Rua o inimigo demasiadamente
poderoso pode ser um ser inofensivo, enquanto o amigo demasiadamente poderoso
pode se tornar um ser nocivo. De forma clara e objetiva, um irmão (ã) conhece
as fraquezas e riquezas um (a) do (a) outro (a), e conseguinte o (a) outro (a)
fica em significativa vulnerabilidade. O inimigo demasiadamente poderoso
pensará duas, três ou milhares de vezes antes de tentar dominar um território,
canalizará todas as suas forças na astúcia, malandreado, mas como o outro sabe
que se trata de um inimigo demasiadamente poderoso ficará de olho em todas as
suas movimentações. Permitindo-se assim a entrada do inimigo demasiadamente
poderoso no território da irmandade, o amigo demasiadamente poderoso se sentirá
ofendido. Está maculada a nocividade, Maquiavelicamente falando “pois os homens
ofendem ou por medo ou por ódio”.
Portanto, devemos colher frutos e
ensinamentos do inimigo demasiadamente poderoso, devemos sugar ao máximo tudo o
que pudermos de seu ser para que seja utilizado de forma a nosso favor. Sejamos
excelentes anfitriões, estude-o a fim de que ele se revele para nós. Mas
também, não deixemos nosso amigo demasiadamente poderoso afogar-se na traição
inflamando-se de ofensas a qual ele mesmo as plantou achando que as recebeu em
seus momentos de delírio. Por final, assim sendo É Nós Por Nós
Maquiavelicamente falando “as injúrias devem ser feitas todas de uma vez, a fim
de que, tomando-lhes menos o gosto, ofendam menos. E os benefícios devem ser
realizados pouco a pouco, para que sejam mais bem saboreados”.
Então, seja bem-vindo inimigo
demasiadamente poderoso.
Por Rapper Marcelo Silles
Referência bibliografia:
O Príncipe de Nicolau Maquiavel.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
SANTA TERESINHA: DESCOBERTA DE UM CONFLITO RACIAL, DE IDENTIDADE E CULTURAL
1. A SEGREGAÇÃO SOCIAL/RACIAL E A
CULTURA COMO \MECANISMO DE ENFRENTAMENTO.
1.1 A SEGREGAÇÃO RACIAL NO BRASIL
O
bairro Santa Teresinha, popularmente conhecido como Volta da Areia, é um bairro
do município de Bom Jesus do Itabapoana, município este situado na região
noroeste-fluminense do estado do Rio de Janeiro. É um bairro periférico da
cidade, que fica a 2 KM de distância do centro da cidade, dotado de uma infraestrutura
como posto de saúde, um mini-mercado, duas mercearias, uma igreja católica,
duas igrejas evangélicas, uma escola municipal e uma creche municipal. Apesar
desse aparato estrutural, apresenta dificuldades com relação à manutenção dos
aparelhos públicos (o posto de saúde, creche e escola). Faltam recursos
principalmente na área da saúde.
Tal
bairro, num primeiro olhar, aparenta se constituir de uma comunidade mista onde
convivem negros, brancos e os ainda, ditos no popular, morenos e mulatos. Mas
adentrando a comunidade, percebe-se uma clara separação espacial e racial.
Na
parte mais baixa, no pé do morro, onde foram construídas na década de 1970 as
casas populares pela COHAB[1],
a maioria dos moradores são brancos e de pele mais clara. Na parte alta, onde
as construções irregulares e demais aglomerações foram erguidas fora da faixa
de zoneamento e na parte baixa, mais ao lado leste[2],
a maioria dos moradores são negros e de pele mais escura.
Os
moradores são marginalizados e discriminados por morarem no local, pelo tocante
das questões de criminalização que permeiam a comunidade. A maioria das
mulheres, mesmo com alguma formação, são domésticas, faxineiras, estão
inseridas no mercado informal de trabalho. O mesmo ocorre com os homens, que em
sua maioria é pedreiro e servente.
A
aceleração do fenômeno do branqueamento e clareamento nas periferias e favelas
não descaracteriza a condição do negro enquanto maioria nesses espaços
segregados. Dada à condição de marginalizados e segregados socialmente,
referência essa herdada pelos séculos de escravização a qual foram submetidos,
os negros ainda perpetuam nos patamares mais baixos da classe societária.
Portanto, uma falsa convivência harmônica não diminui e nem desvaloriza a
condição de segregação fenotípica, no entanto só retroalimenta uma pré-condição
já existente e não anula a luta pela igualdade, mas cabe o teor valorativo da
diferença. Sendo assim,
A
luta contra todas essas formas de discriminação e de segregação deve ser uma
pré-condição para a verdadeira unidade da luta dos explorados, uma unidade que
parte do reconhecimento da igualdade como síntese das diferenças, e não da
igualdade que pretende anular com o método de Procusto. (Almeida. 2007, p. 98)
2. BOM
JESUS DO ITABAPOANA UMA HISTÓRIA DE PRECONCEITOS E DESVALORIZAÇÃO DO NEGRO.
2.1 – BOM
JESUS DO ITABAPOANA E O RACISMO, UMA ZONA DE DESCONFORTO.
Nesse
momento somos levados a problematizar sobre a questão racial. Como diagnosticar
um racismo? Diante dessa pergunta desconfortável, certamente iríamos colher
comentários dos mais variados desde àqueles que afirmam que o brasileiro é
racista até àqueles do contra simpatizantes de Ali Kamel[3],
não, não somos racistas.
Uma
vez, tecendo uma abordagem desafiadora, somos levados a tentar solucionar uma
questão pertinente, que soma a nossa discussão: bom se não somos racistas, de
que forma olhamos o outro? Será que realmente olhamos o outro, o diferente como
igual? A busca por responder questões
tão delicadas faz com que fujamos da realidade e vivamos numa realidade em que,
violências como o racismo, não existam, são meramente fantasias nas cabeças de
quem não tem nada para fazer.
A
descoberta do racismo em Bom Jesus do Itabapoana eclodiu numa verdadeira zona
de desconforto. O ranço do rancor branco manifesta-se de uma forma que tal debate
sobre o racismo, atrasa o avanço tanto do progresso quanto humano da cidade.
“Esse debate não cabe em discussão em nossa terra”, ressalva alguns indivíduos
simpatizantes da democracia racial, já até nos disseram que tal questão negra,
não vem ao caso num município do interior.
A
verdade a bem saber, é que tal racismo já existia desde quando os primeiros
habitantes chegaram e constituíram famílias nessas terras bonjesuenses.
Trouxeram seus escravos e com isso, o racismo introjetado da superioridade
branca sobre o negro, a cultura da caridade, do favor, da sucumbência servil a
que o negro estava fadado eternamente ao homem branco.
Bom
Jesus do Itabapoana é um município brasileiro que fica na região
nororeste-fluminense do Estado do Rio de Janeiro. A população é de 35, 411[4]
habitantes, e tem uma área de 598,824 km², subdividida nos distritos de Bom
Jesus do Itabapoana (sede), Calheiros, Carabuçu, Pirapetinga de Bom Jesus,
Rosal, Serrinha, Usina Santa Isabel, Usina Santa Maria, Barra do Pirapetinga.
Bom Jesus do Itabapoana é rodeado ao norte pelo Rio Itabapoana que delimita a
fronteira com o Estado do Espírito santo; a sudeste estão os municípios de
Campos dos Goytacazes e Italva; ao sul e sudeste o município de Itaperuna e ao
oeste-noroeste o município de Varre-Sai. A economia está voltada para a agropecuária e setores comerciais e de
serviços. Conta com um pequeno parque industrial. (Fonte: FIRJAN)
Bom Jesus do Itabapoana, como qualquer cidade do
interior na Brasil, convive com a idéia que seus habitantes vivem em perfeita
harmonia racial, portanto não existe segregação espacial e muito menos racial.
No entanto o que sempre esteve escondido acaba sendo descoberto. O racismo
enrustido do interior acaba por se revelar como sendo o mais cruel dos racismos
velado, leva em consideração o passado ruralista da região onde qualquer piada
com tons de insultos direcionados a cor da pele, não é caracterizado como
ofensa.
"Primeiro o ferro marca a violência nas costas. Depois o ferro alisa a
vergonha nos cabelos. Na verdade o que se precisa é jogar o ferro fora, É
quebrar todos os elos dessa corrente de desesperos.[5]”
É de fato perceptível essa colocação acerca da destruição da cultura do outro,
percebe-se na condução de seu cotidiano onde é aprisionado, acorrentado ao modo
de vida que se mantêm ainda em vigência, o branco. Podemos enquadrar essa ação
de destruição da cultura do outro, numa passagem de Carneiro (2005) onde a
relação do epistemicidio[6]
se encaixa perfeitamente. Nesse ambiente animalizado essa ação destruidora da
cultura do outro nada mais é “uma forma de seqüestro da razão em duplo sentido:
pela negação da racionalidade do outro ou pela assimilação cultural que em
outros casos lhe é imposta” (Carneiro. 2005, p. 97)
2.2 – A
DESCOBERTA DO “ELEMENTO” NEGRO NO BAIRRO SANTA TERESINHA.
A história do negro na sociedade bonjesuense,
remota ao século XIX precisamente, a partir de 1863
Os novos donos das terras introduziram o elemento
negro. O escravo, com o seu trabalho persistente e barato, representou papel
primordial na evolução da agricultura. “Em cartórios de Campos-RJ, encontram-se
escrituras várias, a partir de 1863, de compra, venda ou troca de escravos,
como simples mercadorias, embora se referindo a pessoas que trabalharam sempre
e exclusivamente, pelo engrandecimento local.” (Teixeira. 2005, p. 14)
Em Teixeira (2005), a história do negro como a
sua importância para o progresso e desenvolvimento de Bom Jesus é praticamente
nulo. Não há registros históricos escritos que descreva a colaboração,
participação do negro, muito menos alguma genealogia familiar dos negros
escravizados que trabalharam como escravos em Bom Jesus do Itabapoana que possa
ser compartilhada.
Os autores destacam somente a genealogia de
descendentes de brancos europeus e mais tarde de árabes. Destacamos aqui a
venda de um escravo de nome Domingos[8].
Colocamos os seguintes questionamentos: E o escravo Domingos, qual a sua
história? Sua genealogia? Sobre o escravo Domingos apenas encontramos uma cópia
de um documento[9]
de sua venda nos livros que narram à história branca de Bom Jesus do
Itabapoana.
Também em seu livro a autora relata a primeira
negra escravizada que foi alforriada, “em 15 de abril de 1866, há o registro da
primeira carta de liberdade, dada a Faustina Theodoro” (2005, p. 14). Novamente
colocamos os seguintes questionamentos: E Faustina Theodoro a primeira negra
alforriada de Bom Jesus do Itabapoana, qual a sua história, sua genealogia?
Praticamente não existe.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
ALVES, Marcelo Siles. SANTA TERESINHA: DESCOBERTA DE UM
CONFLITO RACIAL, DE IDENTIDADE E CULTURAL. Trabalho de Conclusão
de Curso do Curso de Serviço Social, Universidade Federal Fluminense-UFF/Campos
dos Goytacazes-RJ. 2º semestre de 2012. Ano 2013, pág, Capítulo 1; 20-21:
Capítulo 2; 38-42.
[1] Companhia de Habitação Popular do Rio
de Janeiro.
[2] Essa parte mais a leste do bairro na
parte baixa, faz-se ao encontro de um córrego que corta o bairro, onde são
despejados os detritos de esgoto. Também onde ainda se encontram algumas casas
populares em seu formato original. Percebe-se, no entanto que, com o passar do
tempo, as moradias foram se deteriorando.
[3]
Diretor Executivo da emissora Rede Globo que em uma palestra, admitiu que o
brasileiro não é racista.
[4]
De acordo com o último censo do IBGE de 2010.
[5]
Luis Silva Cuti poema O Ferro.
[6]
SANTOS, Boaventura de Souza Santos classifica de epistemicídio “a morte de
conhecimentos alternativos”.
[7]
TEIXEIRA, Ana Maria. História de
Bom Jesus do Itabapoana. UFF/Eduff. 3ª edição ampliada. 2005.
[8]
A cópia do documento se encontra no livro Bom Jesus do Itabapoana de Francisco
Camargo Teixeira 3ª edição ampliada. Páginas 78-79.
[9]
Vinde anexo Xerox do documento da venda do escravo domingos
terça-feira, 7 de maio de 2013
CARTA A NEGRITUDE BONJESUENSE,
Não é de se estranhar que
adolescentes, jovens e adultos negros não se simpatizem pelas ideologias da
esquerda em Bom Jesus do Itabapoana-RJ. A esquerda tanto quanto a direita,
sempre foram e são ainda representadas por setores clareados da nossa sociedade.
A esquerda sempre saudosista traz consigo a eterna paixão dos caras- pintadas e
dos combatentes aguerridos de nossa tão maldosa qual foi à ditadura militar
brasileira. A confusão que se seguiu no pós-ditatorial, foi à brecha perfeita
para por em prática o plano que há tempos a direita preparava em silêncio:
definitivamente dai ao povo pão e circo.
Bem
sabemos que o negro brasileiro traz em seu ardor o sangue quente, a cor que
simboliza a realeza de seus ancestrais escravizados, misturado ao branco europeu
e ao indígena. Por mais que essa característica que faz do negro ser única, não
o livrou, não o livra e nunca o livrará da marca do racismo e da segregação.
Com esses ingredientes calientes ardentes que determinam a identidade nacional
brasileira, na sua mais perfeita celebração do ordem e progresso, a direita
jogou a sua semente, arou a terra, cuidou de seu plantio e desde de tempos da
Constituição Federal de 1988 vem colhendo excelentes frutos.
Significado
do nome Brasil: festa, bunda e futebol. Muitos dos irmãos, iludidos com a
política e os que se autodeclaram não políticos e com essa postura acreditam
não estarem engajado em nenhum lado político na verdade, somando ilusão com
posição apolítica, contribuem ainda mais para que o sistema opressor e racista
se mantenha no poder. Não estou aqui negando avanços e conquistas que tivemos
na esfera federal, conquistas que são inegáveis. Mas nós, negros bonjesuenses
na diáspora, estamos sofrendo uma mudança de paradigma que não estamos
percebendo e isso não pode ficar resumido apenas numa política sistêmica de
“dai ao povo pão e circo”.
Também
não quero aqui defender a esquerda brasileira, que sempre pregou um marxismo e
socialismo que é tão racista quanto a nossa direita. Os socialistas sempre pregaram uma ideologia
socialista e comunista baseados nos ideais brancos do leste europeu, sem levar
em conta as outras culturas das nações africanas, latinas e asiáticas. Certo em
afirmar também, que a representação fenótipa da esquerda e sua militância é
branca assim como a direita, tal qual as características classistas são
burguesas.
Então
se desejamos mudança, participar de algo, fazer à diferença a saída que temos
na atual conjuntura municipal é à ideologia É NÓS POR NÓS. Não podemos ficar de
braços cruzados e reclamar do atual quadro político se não contribuímos com
nada. Não podemos ansiar por mudanças na ociosidade.
Faço um
convite a você negro e negra bonjesuense, não se isole politicamente, pois por
mais que pense e não goste de política partidária qualquer decisão que você
tome em sua vida por mais simples que seja, irá se refletir na sua vida, na sua
família, na sua comunidade. Convido a você para conhecer um movimento com uma
ideologia que abrace nossa causa, não digo a nível nacional, mas sim regional municipal,
que te dará voz, voz aos negros bonjesuenses para discutirmos nossas questões e
problemáticas cotidianas. Se você é um negro e uma negra que busca igualdade
racial, igualdade de gênero nos moldes de uma política igualitária e justa
então este é o seu lugar: É NÓS POR NÓS.
Rapper Marcelo Silles
JASMINE "SERIZZY" DAVIS
Salve, salve geral, novo som da rapper norte-americana de New Jersey, Jasmine "Serizzy" Davis. Cliquem no link abaixo e confiram o som.
Rapper Silles.
sábado, 4 de maio de 2013
MC AGULHA
Salve, salve mais um parceiro que fecha com a É NÓS POR NÓS. Diretamente de Vitória-ES, MC Agulha. Confiram seus sons e façam seus downloads. Puro luxo.
Rapper Silles
Rapper Silles
DIZZY
O rapper fluminense Dizzy, continua bombando em suas correrias. No momento participando do Projeto Raízes do SESC Campos dos Goytacazes-RJ, que já está em sua terceira edição. Clique o confira um dos seus novos lançamentos de 2013 o single NÃO SE AMASSE, com produção de Luís Café.
Rapper Silles
sexta-feira, 3 de maio de 2013
MARCELO SILLES, RÁDIO BOM JESUS AM 1170
Debate sobre Juventude e Segurança na qual eu, Marcelo Silles, participei. Realizado no dia 09 de março de 2013, no programa Jornal do Vale da rádio Bom Jesus AM 1170 Khz. Participaram do debate também Humberto Rodrigues membro do Conselho Municipal de Segurança Pública de Bom Jesus do Norte-ES. Com a apresentação e sobre a mediação do âncora do Programa Jailton da Penha o debate realizou-se com total sucesso.
Lembrando que foi a minha primeira participação em debate ao vivo, portanto, não reparem muito na inexperiência das falas. Mas apesar de tudo, a ideia e a ideologia foram passadas e atingido um pouco do objetivo.
Lembrando que foi a minha primeira participação em debate ao vivo, portanto, não reparem muito na inexperiência das falas. Mas apesar de tudo, a ideia e a ideologia foram passadas e atingido um pouco do objetivo.
EU SOU GANGSTA RAP
UM LUGAR CHAMADO LOS ANGELES, UM ESTILO CHAMADO GANGSTA.
O termo gangster é antigo, desde os anos 30 já se
denominavam as pessoas fora da lei como gangsters. All Capone, Nitti, Baby Face
Nel, Gambion, Dillinger, Bony and Clyde e outros mafiosos eram gangsters
respeitados e influentes.
O termo gangsta incorporou-se ao Rap com força no começo dos
anos 90, com a explosão do NWA e o discurso tipo: “Que se dane todo mundo! Eu
tenho a mulher que quero!” Putas, cafetões e outros palavrões definiram o
estilo dentro do Hip Hop e colocou Loas Angeles como a terra dos gangstas.
E no Brasil............
No Brasil a febre gangsta também teve seu ponto alto no
começo dos anos 90, com a explosão do NWA. Os rappers, principalmente de São
Paulo, se espelhavam no visual do NWA e os artigos principais eram acessórios
dos Raiders e dos Kings. No centro de São Paulo, mas exatamente na praça
Roosevelt, onde o pessoal do Sindicato Negro se reunia, o visual gangsta,
lançado pelo grupo de Los Angeles, era item obrigatório.
Na época, 90% dos grupos de Rap de São Paulo se vestiam de
preto, a cor mais usada pelos gangstas.
Com as tretas no cenário americano e as mortes de astros
como 2Pac e Notorious Biggie, muita coisa foi falada sobre a música gangsta,
confundindo várias pessoas, inclusive até no Brasil.
Certa vez, um grupo de Rap nacional disse a seguinte frase
em sua música:”Gangsta não canta, gangsta mata”. Esta frase reflete um pouco da
confusão que se criou em cima do estilo.
Nem todo rapper que faz o estilo gangsta tem problemas com a
lei e nem toda canção considerada Gangsta fala de p... e cita palavrões a esmo.
Os caras e minas também falam de amor, esperança e dão toques para quem está no
crime achar uma saída.
A cultura gangsta vai muito além de palavrões, festas de
arromba e armas em punho. É considerada gangsta toda música que tem harmonias e
timbres sinistros, as mugueiras tradicionais e geralmente os samplers de bandas
antigas da era soul.
Não é apenas em Los Angeles que o termo gangsta é usado,
existem muitos rappers de outros estados que são considerados gangstas como
Mobb Deep, Notorious Biggie, 50 Cente de Nova Iorque; Máster P e Hot Boyz de
New Orleans; Three Six Máfia, Gangsta Pat, Eight Ball & MJG de Memphis,
entre outros.
FONTE: RAP BRASIL COLLECTION.. MATÉRIA POR MC RÓ.
Rapper Marcelo Silles
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