Rapper e Assistente Social
Lemos consternados um artigo num
blog pertencente ao bonjesuense Ricardo Teixeira (fonte: http://rtfonseca.blogspot.com.br/2013/02/bom-jesus-carnaval-2013.html?spref=fb ), em que o mesmo classificou,
sem detalhar e especificar, os adeptos do funk de marginais. Relatou indignado,
que a presença dos mesmos no carnaval com suas músicas e danças não era
apropriado para uma época, onde se deveria está tocando músicas para pessoas de
bem e família de Bom Jesus do Itabapoana-RJ. Sabemos que existem determinadas
regiões de Bom Jesus do Itabapoana RJ, que brigam pelo status de famílias de
bem tradicionais e detentora do centro das atenções das demais plebes (assim
que essas pessoas devem achar que devemos agir com elas) bonjesuenses.
Fica uma pergunta no ar: imaginem
o que devem pensar comentar entre si e com piadas, bonjesuenses compactuantes
da mesma ideia do autor do referido artigo? O que pensam sobre os pobres,
negros (em geral)?
Sem
fazer-me de rogado, contrariando o discurso democrático racial, Bom Jesus do
Itabapoana-RJ podemos estender até Bom Jesus do Norte-ES, traz consigo em sua
sociedade as chagas, estigmas da escravidão, exploração, apropriação desumana e
vil de seres humanos negros escravizados do continente africano. Tal afirmação
pode ser verificada, num livro de batismo que existe na Paróquia Matriz do
Senhor Bom Jesus, um livro batismal com anotações de batismo somente de negros
escravizados na época. Por ter passado por aqui o fantasma branco da escravidão
também veio junto às verbalizações na qual o negro ficou pejorativamente
representado, através de estereótipos raciais com o único propósito simples de
inferiorizar, segregar num conjunto de subalternizações a raça negra,
diretamente dizendo “ponha-se no seu lugar”.
Sim e o funk é oriundo das camadas mais pobres da população, suas batidas lembram os toques dos terreiros, dos batuques fortes de resistência dos quilombos com seus atabaques que saudavam a guerra na luta por suas liberdades. Não, cultura que representa as camadas pobres e a resistência não interessa e não é bem vista pelas pessoas ditas "do bem". Salvo na ocasião quando são transformadas em mercadorias e engordam os bolsos dos hipócritas e sofistas.