quinta-feira, 9 de maio de 2013

SANTA TERESINHA: DESCOBERTA DE UM CONFLITO RACIAL, DE IDENTIDADE E CULTURAL

1. A SEGREGAÇÃO SOCIAL/RACIAL E A CULTURA COMO \MECANISMO DE ENFRENTAMENTO.
1.1 A SEGREGAÇÃO RACIAL NO BRASIL
O bairro Santa Teresinha, popularmente conhecido como Volta da Areia, é um bairro do município de Bom Jesus do Itabapoana, município este situado na região noroeste-fluminense do estado do Rio de Janeiro. É um bairro periférico da cidade, que fica a 2 KM de distância do centro da cidade, dotado de uma infraestrutura como posto de saúde, um mini-mercado, duas mercearias, uma igreja católica, duas igrejas evangélicas, uma escola municipal e uma creche municipal. Apesar desse aparato estrutural, apresenta dificuldades com relação à manutenção dos aparelhos públicos (o posto de saúde, creche e escola). Faltam recursos principalmente na área da saúde.
Tal bairro, num primeiro olhar, aparenta se constituir de uma comunidade mista onde convivem negros, brancos e os ainda, ditos no popular, morenos e mulatos. Mas adentrando a comunidade, percebe-se uma clara separação espacial e racial.
Na parte mais baixa, no pé do morro, onde foram construídas na década de 1970 as casas populares pela COHAB[1], a maioria dos moradores são brancos e de pele mais clara. Na parte alta, onde as construções irregulares e demais aglomerações foram erguidas fora da faixa de zoneamento e na parte baixa, mais ao lado leste[2], a maioria dos moradores são negros e de pele mais escura.
Os moradores são marginalizados e discriminados por morarem no local, pelo tocante das questões de criminalização que permeiam a comunidade. A maioria das mulheres, mesmo com alguma formação, são domésticas, faxineiras, estão inseridas no mercado informal de trabalho. O mesmo ocorre com os homens, que em sua maioria é pedreiro e servente.
A aceleração do fenômeno do branqueamento e clareamento nas periferias e favelas não descaracteriza a condição do negro enquanto maioria nesses espaços segregados. Dada à condição de marginalizados e segregados socialmente, referência essa herdada pelos séculos de escravização a qual foram submetidos, os negros ainda perpetuam nos patamares mais baixos da classe societária. Portanto, uma falsa convivência harmônica não diminui e nem desvaloriza a condição de segregação fenotípica, no entanto só retroalimenta uma pré-condição já existente e não anula a luta pela igualdade, mas cabe o teor valorativo da diferença. Sendo assim,
A luta contra todas essas formas de discriminação e de segregação deve ser uma pré-condição para a verdadeira unidade da luta dos explorados, uma unidade que parte do reconhecimento da igualdade como síntese das diferenças, e não da igualdade que pretende anular com o método de Procusto. (Almeida. 2007, p. 98)

2. BOM JESUS DO ITABAPOANA UMA HISTÓRIA DE PRECONCEITOS E DESVALORIZAÇÃO DO NEGRO.
2.1 – BOM JESUS DO ITABAPOANA E O RACISMO, UMA ZONA DE DESCONFORTO.

          
  De acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal (1988), todos são iguais perante a lei, ou pelo menos deveriam ser. Não simplesmente por uma formulação constitucional, mas sim por questões de direitos humanos e respeito mútuo.
            Nesse momento somos levados a problematizar sobre a questão racial. Como diagnosticar um racismo? Diante dessa pergunta desconfortável, certamente iríamos colher comentários dos mais variados desde àqueles que afirmam que o brasileiro é racista até àqueles do contra simpatizantes de Ali Kamel[3], não, não somos racistas.
            Uma vez, tecendo uma abordagem desafiadora, somos levados a tentar solucionar uma questão pertinente, que soma a nossa discussão: bom se não somos racistas, de que forma olhamos o outro? Será que realmente olhamos o outro, o diferente como igual?  A busca por responder questões tão delicadas faz com que fujamos da realidade e vivamos numa realidade em que, violências como o racismo, não existam, são meramente fantasias nas cabeças de quem não tem nada para fazer.
            A descoberta do racismo em Bom Jesus do Itabapoana eclodiu numa verdadeira zona de desconforto. O ranço do rancor branco manifesta-se de uma forma que tal debate sobre o racismo, atrasa o avanço tanto do progresso quanto humano da cidade. “Esse debate não cabe em discussão em nossa terra”, ressalva alguns indivíduos simpatizantes da democracia racial, já até nos disseram que tal questão negra, não vem ao caso num município do interior.
            A verdade a bem saber, é que tal racismo já existia desde quando os primeiros habitantes chegaram e constituíram famílias nessas terras bonjesuenses. Trouxeram seus escravos e com isso, o racismo introjetado da superioridade branca sobre o negro, a cultura da caridade, do favor, da sucumbência servil a que o negro estava fadado eternamente ao homem branco.
            Bom Jesus do Itabapoana é um município brasileiro que fica na região nororeste-fluminense do Estado do Rio de Janeiro. A população é de 35, 411[4] habitantes, e tem uma área de 598,824 km², subdividida nos distritos de Bom Jesus do Itabapoana (sede), Calheiros, Carabuçu, Pirapetinga de Bom Jesus, Rosal, Serrinha, Usina Santa Isabel, Usina Santa Maria, Barra do Pirapetinga. Bom Jesus do Itabapoana é rodeado ao norte pelo Rio Itabapoana que delimita a fronteira com o Estado do Espírito santo; a sudeste estão os municípios de Campos dos Goytacazes e Italva; ao sul e sudeste o município de Itaperuna e ao oeste-noroeste o município de Varre-Sai. A economia está voltada para a  agropecuária e setores comerciais e de serviços. Conta com um pequeno parque industrial. (Fonte: FIRJAN)
Bom Jesus do Itabapoana, como qualquer cidade do interior na Brasil, convive com a idéia que seus habitantes vivem em perfeita harmonia racial, portanto não existe segregação espacial e muito menos racial. No entanto o que sempre esteve escondido acaba sendo descoberto. O racismo enrustido do interior acaba por se revelar como sendo o mais cruel dos racismos velado, leva em consideração o passado ruralista da região onde qualquer piada com tons de insultos direcionados a cor da pele, não é caracterizado como ofensa.
            ‎"Primeiro o ferro marca a violência nas costas. Depois o ferro alisa a vergonha nos cabelos. Na verdade o que se precisa é jogar o ferro fora, É quebrar todos os elos dessa corrente de desesperos.[5]” É de fato perceptível essa colocação acerca da destruição da cultura do outro, percebe-se na condução de seu cotidiano onde é aprisionado, acorrentado ao modo de vida que se mantêm ainda em vigência, o branco. Podemos enquadrar essa ação de destruição da cultura do outro, numa passagem de Carneiro (2005) onde a relação do epistemicidio[6] se encaixa perfeitamente. Nesse ambiente animalizado essa ação destruidora da cultura do outro nada mais é “uma forma de seqüestro da razão em duplo sentido: pela negação da racionalidade do outro ou pela assimilação cultural que em outros casos lhe é imposta” (Carneiro. 2005, p. 97)

2.2 – A DESCOBERTA DO “ELEMENTO” NEGRO NO BAIRRO SANTA TERESINHA.
O município de Bom Jesus do Itabapoana foi elevado a condição de freguesia com o nome de Senhor Bom Jesus do Itabapoana em 14 de novembro de 1862. No brasão do município instituído, junto com a bandeira, na data de 14 agosto de 1965 encontra-se a data de 1842 e 1938. De acordo com TEIXEIRA[7] (2005) as datas representam “1842 – início da povoação, com a primeira denominação de Campos Alegre. – 1938 – restauração do município” (2005, p. 57)
A história do negro na sociedade bonjesuense, remota ao século XIX precisamente, a partir de 1863

Os novos donos das terras introduziram o elemento negro. O escravo, com o seu trabalho persistente e barato, representou papel primordial na evolução da agricultura. “Em cartórios de Campos-RJ, encontram-se escrituras várias, a partir de 1863, de compra, venda ou troca de escravos, como simples mercadorias, embora se referindo a pessoas que trabalharam sempre e exclusivamente, pelo engrandecimento local.” (Teixeira. 2005, p. 14)

Em Teixeira (2005), a história do negro como a sua importância para o progresso e desenvolvimento de Bom Jesus é praticamente nulo. Não há registros históricos escritos que descreva a colaboração, participação do negro, muito menos alguma genealogia familiar dos negros escravizados que trabalharam como escravos em Bom Jesus do Itabapoana que possa ser compartilhada.
Os autores destacam somente a genealogia de descendentes de brancos europeus e mais tarde de árabes. Destacamos aqui a venda de um escravo de nome Domingos[8]. Colocamos os seguintes questionamentos: E o escravo Domingos, qual a sua história? Sua genealogia? Sobre o escravo Domingos apenas encontramos uma cópia de um documento[9] de sua venda nos livros que narram à história branca de Bom Jesus do Itabapoana.
Também em seu livro a autora relata a primeira negra escravizada que foi alforriada, “em 15 de abril de 1866, há o registro da primeira carta de liberdade, dada a Faustina Theodoro” (2005, p. 14). Novamente colocamos os seguintes questionamentos: E Faustina Theodoro a primeira negra alforriada de Bom Jesus do Itabapoana, qual a sua história, sua genealogia? Praticamente não existe.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
ALVES, Marcelo Siles. SANTA TERESINHA: DESCOBERTA DE UM CONFLITO RACIAL, DE IDENTIDADE E CULTURAL. Trabalho de Conclusão de Curso do Curso de Serviço Social, Universidade Federal Fluminense-UFF/Campos dos Goytacazes-RJ. 2º semestre de 2012. Ano 2013, pág, Capítulo 1; 20-21: Capítulo 2; 38-42.




[1] Companhia de Habitação Popular do Rio de Janeiro.
[2] Essa parte mais a leste do bairro na parte baixa, faz-se ao encontro de um córrego que corta o bairro, onde são despejados os detritos de esgoto. Também onde ainda se encontram algumas casas populares em seu formato original. Percebe-se, no entanto que, com o passar do tempo, as moradias foram se deteriorando.
[3] Diretor Executivo da emissora Rede Globo que em uma palestra, admitiu que o brasileiro não é racista.
[4] De acordo com o último censo do IBGE de 2010.
[5] Luis Silva Cuti poema O Ferro.
[6] SANTOS, Boaventura de Souza Santos classifica de epistemicídio “a morte de conhecimentos alternativos”.

[7] TEIXEIRA, Ana Maria. História de Bom Jesus do Itabapoana. UFF/Eduff. 3ª edição ampliada. 2005.
[8] A cópia do documento se encontra no livro Bom Jesus do Itabapoana de Francisco Camargo Teixeira 3ª edição ampliada. Páginas 78-79.
[9] Vinde anexo Xerox do documento da venda do escravo domingos

terça-feira, 7 de maio de 2013

BLAHKA TAO




CARTA A NEGRITUDE BONJESUENSE,



Não é de se estranhar que adolescentes, jovens e adultos negros não se simpatizem pelas ideologias da esquerda em Bom Jesus do Itabapoana-RJ. A esquerda tanto quanto a direita, sempre foram e são ainda representadas por setores clareados da nossa sociedade. A esquerda sempre saudosista traz consigo a eterna paixão dos caras- pintadas e dos combatentes aguerridos de nossa tão maldosa qual foi à ditadura militar brasileira. A confusão que se seguiu no pós-ditatorial, foi à brecha perfeita para por em prática o plano que há tempos a direita preparava em silêncio: definitivamente dai ao povo pão e circo.
                Bem sabemos que o negro brasileiro traz em seu ardor o sangue quente, a cor que simboliza a realeza de seus ancestrais escravizados, misturado ao branco europeu e ao indígena. Por mais que essa característica que faz do negro ser única, não o livrou, não o livra e nunca o livrará da marca do racismo e da segregação. Com esses ingredientes calientes ardentes que determinam a identidade nacional brasileira, na sua mais perfeita celebração do ordem e progresso, a direita jogou a sua semente, arou a terra, cuidou de seu plantio e desde de tempos da Constituição Federal de 1988 vem colhendo excelentes frutos.
                Significado do nome Brasil: festa, bunda e futebol. Muitos dos irmãos, iludidos com a política e os que se autodeclaram não políticos e com essa postura acreditam não estarem engajado em nenhum lado político na verdade, somando ilusão com posição apolítica, contribuem ainda mais para que o sistema opressor e racista se mantenha no poder. Não estou aqui negando avanços e conquistas que tivemos na esfera federal, conquistas que são inegáveis. Mas nós, negros bonjesuenses na diáspora, estamos sofrendo uma mudança de paradigma que não estamos percebendo e isso não pode ficar resumido apenas numa política sistêmica de “dai ao povo pão e circo”.

                Também não quero aqui defender a esquerda brasileira, que sempre pregou um marxismo e socialismo que é tão racista quanto a nossa direita.  Os socialistas sempre pregaram uma ideologia socialista e comunista baseados nos ideais brancos do leste europeu, sem levar em conta as outras culturas das nações africanas, latinas e asiáticas. Certo em afirmar também, que a representação fenótipa da esquerda e sua militância é branca assim como a direita, tal qual as características classistas são burguesas.
                Então se desejamos mudança, participar de algo, fazer à diferença a saída que temos na atual conjuntura municipal é à ideologia É NÓS POR NÓS. Não podemos ficar de braços cruzados e reclamar do atual quadro político se não contribuímos com nada. Não podemos ansiar por mudanças na ociosidade.
Faço um convite a você negro e negra bonjesuense, não se isole politicamente, pois por mais que pense e não goste de política partidária qualquer decisão que você tome em sua vida por mais simples que seja, irá se refletir na sua vida, na sua família, na sua comunidade. Convido a você para conhecer um movimento com uma ideologia que abrace nossa causa, não digo a nível nacional, mas sim regional municipal, que te dará voz, voz aos negros bonjesuenses para discutirmos nossas questões e problemáticas cotidianas. Se você é um negro e uma negra que busca igualdade racial, igualdade de gênero nos moldes de uma política igualitária e justa então este é o seu lugar: É NÓS POR NÓS.

Rapper Marcelo Silles

JASMINE "SERIZZY" DAVIS



Salve, salve geral, novo som da rapper norte-americana de New Jersey, Jasmine "Serizzy" Davis. Cliquem no link abaixo e confiram o som.

Rapper Silles. 


sábado, 4 de maio de 2013

MC AGULHA

Salve, salve mais um parceiro que fecha com a É NÓS POR NÓS. Diretamente de Vitória-ES, MC Agulha. Confiram seus sons e façam seus downloads. Puro luxo.

Rapper Silles






DIZZY


O rapper fluminense Dizzy, continua bombando em suas correrias.  No momento participando do Projeto Raízes do SESC Campos dos Goytacazes-RJ, que já está em sua terceira edição. Clique o confira um dos seus novos lançamentos de 2013 o single NÃO SE AMASSE, com produção de Luís Café.

Rapper Silles

sexta-feira, 3 de maio de 2013

MARCELO SILLES, RÁDIO BOM JESUS AM 1170

Debate sobre Juventude e Segurança na qual eu, Marcelo Silles, participei. Realizado no dia 09 de março de 2013, no programa Jornal do Vale da rádio Bom Jesus AM 1170 Khz. Participaram do debate também Humberto Rodrigues membro do Conselho Municipal de Segurança Pública de Bom Jesus do Norte-ES. Com a apresentação e sobre a mediação do âncora do Programa Jailton da Penha o debate realizou-se com total sucesso.
Lembrando que foi a minha primeira participação em debate ao vivo, portanto, não reparem muito na inexperiência das falas. Mas apesar de tudo, a ideia e a ideologia foram passadas e atingido um pouco do objetivo.

EU SOU GANGSTA RAP


UM LUGAR CHAMADO LOS ANGELES, UM ESTILO CHAMADO GANGSTA.



O termo gangster é antigo, desde os anos 30 já se denominavam as pessoas fora da lei como gangsters. All Capone, Nitti, Baby Face Nel, Gambion, Dillinger, Bony and Clyde e outros mafiosos eram gangsters respeitados e influentes.
O termo gangsta incorporou-se ao Rap com força no começo dos anos 90, com a explosão do NWA e o discurso tipo: “Que se dane todo mundo! Eu tenho a mulher que quero!” Putas, cafetões e outros palavrões definiram o estilo dentro do Hip Hop e colocou Loas Angeles como a terra dos gangstas.

E no Brasil............

No Brasil a febre gangsta também teve seu ponto alto no começo dos anos 90, com a explosão do NWA. Os rappers, principalmente de São Paulo, se espelhavam no visual do NWA e os artigos principais eram acessórios dos Raiders e dos Kings. No centro de São Paulo, mas exatamente na praça Roosevelt, onde o pessoal do Sindicato Negro se reunia, o visual gangsta, lançado pelo grupo de Los Angeles, era item obrigatório.
Na época, 90% dos grupos de Rap de São Paulo se vestiam de preto, a cor mais usada pelos gangstas.
Com as tretas no cenário americano e as mortes de astros como 2Pac e Notorious Biggie, muita coisa foi falada sobre a música gangsta, confundindo várias pessoas, inclusive até no Brasil.
Certa vez, um grupo de Rap nacional disse a seguinte frase em sua música:”Gangsta não canta, gangsta mata”. Esta frase reflete um pouco da confusão que se criou em cima do estilo.
Nem todo rapper que faz o estilo gangsta tem problemas com a lei e nem toda canção considerada Gangsta fala de p... e cita palavrões a esmo. Os caras e minas também falam de amor, esperança e dão toques para quem está no crime achar uma saída.

A cultura gangsta vai muito além de palavrões, festas de arromba e armas em punho. É considerada gangsta toda música que tem harmonias e timbres sinistros, as mugueiras tradicionais e geralmente os samplers de bandas antigas da era soul.
Não é apenas em Los Angeles que o termo gangsta é usado, existem muitos rappers de outros estados que são considerados gangstas como Mobb Deep, Notorious Biggie, 50 Cente de Nova Iorque; Máster P e Hot Boyz de New Orleans; Three Six Máfia, Gangsta Pat, Eight Ball & MJG de Memphis, entre outros.

FONTE: RAP BRASIL COLLECTION.. MATÉRIA POR MC RÓ.

Rapper Marcelo Silles

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O HOMEM DE COR


Numa discussão em meio a questão de afrodescência, um indivíduo disse-me que não sou afrodescendente e muito menos africano. Detalhe o indivíduo é negro. Como eu sendo preto, posso conceber tal afirmação? Como eu sendo preto, traços totalmente negros posso relativizar essa condição do não devir negro? Não me vejo  classificando como moreno, mulato e muito menos branco. Ser brasileiro todos nós somos. O IBGE em seu senso pede a classificação de cada pessoa enquanto raça e cor. Existem no Brasil, os pomeranos, prussianos, italianos, alemães, finlandeses etc. todos descendentes. E porque eu não posso ascender-me na diáspora enquanto afrodescendente?
A discussão surgiu em torno da polêmica do tal merdaputado pastor Marcos Feliciano em que o mesmo chamou os afrodescendentes de “amaldiçoados” afirmando que a Bíblia confirma isso. Só que na Bíblia não há nada confirmando e muito menos afirmando. Então esse nobre paladino membro da câmara para se safar da dita burrada, apresentou seus pais negros e se alto afirmando também como afrodescendente assim sendo não poderia ser chamado de racista por ter traços negróides sendo assim é afro.
Bem se um indivíduo desloca-se de sua terra natal, nação de origem e vá se domiciliar, habitar numa outra nação e com o passar do tempo adota esse país como sua nova morada, os nativos dessa terra a qual ele adotou, sempre o trataram e o tratarão com termos referentes a sua terra natal, sempre será o estrangeiro. Por mais que ele seja recebido com amor fraterno, ele sempre será o estrangeiro. Dessa forma somos nós os pretos, os afrodescendentes descendentes dos pretos escravizados, é algo indiscutível e imutável, o indivíduo preto pode ter uma mãe branca e um pai preto vice-versa, de um lado veio  um descendente africano escravizado.
Quando é algo justificável para inferiorizar o negro, enganá-lo culturalmente, espiritualmente tentam o convencer que ele não é negro, nem afrodescendente e muito menos descendente de negros escravizados. Mas no cotidiano de forma sutil nos melhores cargos, nos melhores espaços somos avaliados como negros e afrodescendentes. Para o negro sempre foi e é o pior, para os brancos e claros subservientes sempre foi e é o do melhor. Concordante a Garcia (2007)

Diante das novas relações estruturadas no período pós-abolição, como ficou a fronteira racial estabelecida no “direito costumeiro”? Quanto aos brancos não havia dúvida. Eram os descendentes de europeus e ocupavam os melhores postos na sociedade escravocrata imperial. Existiam também os brancos miseráveis. Esses se negavam a fazer “serviço de negro”, dos ex-escravizados.26 Os pardos, os indígenas, os negros, os “mulatos”, os crioulos e outros que o fizesse. (Garcia, 2007, p-29)

Como citado acima, o negro é afrodescendente sempre no que for para atuar nas piores posições. Mas no que se concerne na luta e conquista de direitos aos negros, na afirmação de sua religiosidade e cultura, o negro não é negro, não descende dos africanos escravizados, e não é afrodescendente. O negro é brasileiro. O branco não, o branco tem seus direitos garantidos tanto espiritual quanto cultural de descendência eurocêntrica. Rápido me veio a mente o processo de destruição identitária do negro em solo brasileiro, da destruição do seu nome, arrancando com força suas raízes da terra mãe, através da negação involuntária de sua ancestralidade. Convivemos na atualidade com essa tortura da negação, da imposição do processo de submissão há um grupo religioso de características europeias e á uma elite racista e desumana.

Dali por diante teriam que conviver com o trauma do desenraizamento das terras dos ancestrais e com a falta de amigos e parentes que deixaram do outro lado do Atlântico. (Albuquerque; Filho, 2006, p. 66)

Chego de certa forma a afirmar que esses indivíduos subservientes que negam suas origens, acabam por contribuir, propagandear e promover involuntariamente um epistemicídio. Colaboram assim sendo com uma prática invisível de segregação e exclusão na qual não se dão conta que também estão inseridos, seja por uma reação fanática religiosa, seja por uma ilusão constante por acreditar que faça realmente e que realmente veio de determinado grupo inserido da elite na qual convive socialmente, portanto sendo forçado a negar sua história, ancestralidade suas raízes.

“o genocídio que pontuou tantas vezes a expansão européia foi também um epistemicídio: eliminaram-se povos estranhos porque tinham formas de conhecimento estranho e eliminaram-se formas de conhecimento estranho porque eram sustentadas por práticas sociais e povos estranhos. Mas o epistemicídio foi muito mais vasto que o genocídio porque ocorreu sempre que se pretendeu subalternizar, subordinar, marginalizar, ou ilegalizar práticas e grupos sociais que podiam ameaçar a expansão capitalista ou, durante boa parte do nosso século, a expansão comunista .... contra os trabalhadores, os índios, os negros, as mulheres e as minorias em geral (étnicas, religiosas, sexuais).” (Santos apud Carneiro, 2005, p. 96).

E por final e mais intrigante, que tal indivíduo seja tão convicto de sua afirmação sobre o povo preto e sua brasilidade, concordando obviamente de quanto a África é amaldiçoada, que o mesmo se quer sabe a origem do nome África. Até a classificação dos pretos africanos de negro é discutida, porém sabe-se afinal de ser uma denominação imposta pelos brancos europeus aos povos de pele escura quando do primeiro encontro de suas invasões a terras estrangeiras. Aportaram em solo africano e relacionaram os povos de pele mais escura a necromancia, consiste na adivinhação mediante consulta aos mortos e seus espíritos ou cadáveres, e começaram dessa forma a chamá-los de negros, necro. Para deleito de meu nobre amigo negro que não se afirma negro e para o leitor (a) que ler esse texto, fecho com chave de ouro com algumas supostas informações sobre a origem do nome África. Independente da origem eu não estou em África, mas África está em mim.

Até a próxima,

Abraços.

Rapper Marcelo Silles.


Nota do coordenador do volume: A palavra ÁFRICA possui até o presente momento uma origem difícil de elucidar. Foi imposta a partir dos romanos sob a forma AFRICA, que sucedeu ao termo de origem grega ou egípcia Lybia, país dos Lebu ou Lubin do Gênesis. Após ter designado o litoral norte‑ africano,
a palavra África passou a aplicar‑ se ao conjunto do continente, desde o fim do século I antes da Era Cristã.
Mas qual é a origem primeira do nome? Começando pelas mais plausíveis, pode‑se dar as seguintes versões:
• A palavra África teria vindo do nome de um povo (berbere) situado ao sul de Cartago: os Afrig. De onde Afriga ou Africa para designar a região dos Afrig.
• Uma outra etimologia da palavra África é retirada de dois termos fenícios, um dos quais significa espiga, símbolo da fertilidade dessa região, e o outro, Pharikia, região das frutas.
• A palavra África seria derivada do latim aprica (ensolarado) ou do grego aprik(isento de frio).
• Outra origem poderia ser a raiz fenícia faraga, que exprime a ideia de separação, de diáspora. Enfatizemos que essa mesma raiz é encontrada em certas línguas africanas (bambara).
• Em sânscrito e hindi, a raiz apara ou africa designa o que, no plano geográfico, está situado “depois”, ou seja, o Ocidente. A África é um continente ocidental.
• Uma tradição histórica retomada por Leão, o Africano, diz que um chefe iemenita chamado Africus teria invadido a África do Norte no segundo milênio antes da Era Cristã e fundado uma cidade chamada Afrikyah. Mas é mais provável que o termo árabe Afriqiyah seja a transliteração árabe da palavra África.
• Chegou‑se mesmo a dizer que Afer era neto de Abraão e companheiro de Hércules! 
(Pag. 30 Joseph Ki-Zerbo)

Referências Bibliográficas:
KI-ZERBO, Joseph. Metodologia e pré-história da África. Ministério da Educação do BRASIL. UNESCO Representação no BRASIL, Universidade Federal de São Carlos

ALBUQUERQUE, Wlamira R. de. FILHO, Walter Fraga. Uma história do negro no Brasil. Centro de Estudos Afro-Orientais. Fundação Cultural Palmares. 2006

GARCIA, Renisia Cristina. Um estudo sobre a história do negro na educação brasileira, identidade fragmentada. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (INEP). 2007.

CARNEIRO, Aparecida Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Tese apresentada de São Paulo como parte dos requisitos para a obtenção do titulo de Doutora em Educação junto à área Filosofia da Educação, sob a orientação da Professora Drª Roseli Fischmann. São Paulo. 2005.

SANTOS, S. Boaventura. Pela Mão de Alice. São Paulo: Cortez Editora, 1995.

TOMA LÁ, DÁ CÁ


Eu sou preto, 100% por fora e por dentro, sou afrocentrado, eu não vivo em África, mas a África vive em mim. Esse é o meu estilo de vida e cultura, os orixás, nossos ancestrais que sempre nos acompanharam e nos acompanham desde as primeiras embarcações escravocratas que aportaram nessas terras indígenas, nos fazem reverenciar as suas histórias. África.

Ultimamente tenho a ligeira impressão que os neonazistas brasileiros, supostos seguidores de Hitler ormador por nordestinos, sulistas, sudestinos, nortistas, centro-oestistas etc. estão crescendo no Brasil, a partir das polêmicas que ganharam muita evidência da mídia do pastor Marcos Feliciano e do louco, adepto de genocídios, insano do Bolsonaro. Os dois compartilham a idéia de que todos os africanos e seus afrodescendentes são amaldiçoados e que a AIDS é um câncer gay. Afirmando, os dois são racistas e homofóbicos.

Os dois confirmam a tese de que, todo o racista e homofóbico não tem inteligência, são seres inferiores que buscam amenizar suas frustrações atacando determinados grupos aos quais acusam de serem o mau responsável por todas as mazelas da sociedade. Partem de premissas falsas e sem fundamentação. Como conceber um discurso de tamanho absurdo? Inaceitável.

Somos radicais, fanáticos por discordar de total e descomunal tamanho absurdo? Trabalhei durante cinco anos na Secretaria Paroquial da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus no município de Bom Jesus do Itabapoana-RJ. Durante um certo período bem curto ouvi um engraçadinho responsável por um grupo litúrgico que não me vem a mente o nome do grupo agora, brincadeiras ofensivas comum a nós pretos “preto se não faz na entrada faz na saída”, “preto sentado folgado, tem que está trabalhando, esse é o mau que a tal lei Áurea deixou” e blá, blá, blá, blá... Por fim um dia sentei a pua no indivíduo, ele ficou irritado e disse que eu tinha complexo de inferioridade e eu respondi, “ cara você é racista, exijo respeito, na próxima chamo a polícia”. O sujeito bateu a mão na mesa, na qual não era o lugar para ele está sentado, e foi embora. Nunca mais me dirigiu a palavra. Também não faz falta nenhuma, é até um favor. Vejam só, por eu exigir respeito sou passível de complexo de inferioridade?

Imaginem, quer dizer que todo o negro afrocentrado e homossexuais que se sentirem agredidos, injustiçados sofrem de complexos de inferioridade? A bem da verdade que, argumentos imbecis sofrem retaliações com conteúdos construtivos que acabam rechaçando teses sem lógicas que são absorvidas por seguidores fanáticos que enxergam somente para seus umbigos. O Senhor me abençoou porque estou salvo do mundão o pecado é algo comum a todos e você irmão não está abençoado porque você vive na perdição, eu estou salvo. Em verdade lhe digo irmão: não, o pecado não é algo comum a todos, o pecado é algo subjetivo o meu é diferente do seu não me rotule.

Ficam no disse que me disse que a mídia edita as suas falas. Só sei que essa mentalidade e pregação é antiga. Para subjugarem os pretos, lançavam esse discurso de amaldiçoados para escravizar, dominar, explorar e praticar as mais diversas barbáries. A casa caiu! Bom Jesus do Itabapoana-RJ em especial existem muitos evangélicos neopetencostais, por mais que concordem não comentam esses discursos em vão, também não tem tanto conhecimento para tal. A expectativa sempre é que, esses dois ditadores e seus demais seguidores nazi-fascistas, sejam trucidados por alguma lei punitiva severa nos moldes de toma lá da cá. Mais vivemos na nação mais feliz do mundo, Brasil.


De muitos evangélicos, também temos sacerdotes católicos romanos conservadores e também nazi-fascistas. O exemplo mais famoso é do sacerdote Andre-Joseph Leonard arcebispo de Mechelen-Bruxelas, que é contra o casamento gay em que a homossexualidade é uma anorexia e vários discursos considerados homofóbicos e racistas, e de declarações do tipo “que os padres acusados de pedofilia que já estejam aposentados ou afastados de suas atividades não sejam levados à Justiça”, “restrições a professores de religião de escolas católicas que sejam divorciados” e ainda mais “Aids é uma vingança da natureza decorrente de desvios de amor.
Mas como se dizem por aí de tais absurdos comentemos:


Tava rolando uma sessão de confissão na igreja, aí o padre precisou ir no banheiro, então ele chamou uma freira que vinha passando por ali e disse: "fica aqui no meu lugar que eu preciso dar uma saidinha" e explicou pra ela mais ou menos quais as penitências ela deveria dar para os casos mais comuns que estavam aparecendo naquele dia.
acontece que bem de cara entra uma bichinha e diz "ai seu padre, eu preciso confessar uma coisa", "diga meu filho" disse a freira. "Ai seu padre, eu dei. Não pude resistir, ele era um gato, e ficou me seduzindo a noite toda" "o que eu preciso fazer pra me livrar desse pecado?" "Qual a minha penitência seu padre?" Então a freira pensou "minha nossa, o padre não falou nada sobre isso. O que eu dou pra esse cara agora?" Nisso vinha passando o coroinha, então ela teve uma ideia "vou perguntar pro coroinha" e disse "ei menino, o que o padre dá pra quem dá o c....?" e o garoto respondeu de imediato "ah, pra mim ele dá dois pastel e uma coca-cola!".

Retaliação? Moral da história: Toma lá da cá.

Rapper Silles

IGUALDADE SOCIAL UM MITO NO VALE DO ITABAPOANA



O atual contexto a qual vivemos, vivenciamos um aspecto aparentemente conciliador e harmônico, como previu e acentuou Gilberto Freire em “Casa grande e senzala”, a tal “democracia racial” mitológica perdurou baseada numa construção histórica e cultural de subserviência, docilidade, obediência, caridade e troca de favores. Diante desses elementos que compõe os mecanismos sutis de segregação, temos uma relação de raças concorrendo à conformidade e a aceitação, configurando uma atenuante pacificidade diante de uma sociedade conflituosa a qual vive a base do medo, medo do outro. O relacionamento racial, pregado diante a argumentação de Gilberto Freire sobre uma nação mestiça, se torna impactante nos territórios periféricos, muitas das vezes admitidos racionalmente por concordância a uma sociedade excludente e exigente com perfis padronais impostos e pré-definidos.  O fator racismo e desigualdade, então são camuflados.
            Mas esse projeto de manipulação, não apaga as cicatrizes a qual os negros sempre trouxeram: marginalizados, excluídos, segregados. Esse processo de branqueamento aplicado no final do século XIX e início do século XX, através de políticas de cunho segregacionistas apesar de terem sido veladas, e ainda continuam sendo veladas, através da demonização de suas culturas, religiosidades, identidades causou um efeito fulminante indo de encontro a ideologia de desunir para conquistar e dominar. FILHO em (A trajetória do negro na literatura brasileira. P. 1; 2004; editora Scielo) reforça esse argumento onde o mesmo cita, “envolvem... procedimentos que... indiciam ideologias, atitudes e estereótipos da estética branca dominante”. Não cabe aqui justificar e nem vitimizar, num país onde a miscigenação é o fator fundamental para a manutenção de uma minoria no poder. Cabe sim relacionar uma condição social onde uma maioria de pele escura está submetida a todo desprovimento de sorte, faz-se assim fomentar uma discussão num âmbito mais amplo que foge os padrões meritocráticos a qual o sistema neoliberal justifica e condiciona a ações que impelem há um tratamento diferencial ao grupo classificado teoricamente mais abastardo.

            Após a abolição da escravatura, todo tipo de sorte é lançado ao povo negro, gerando assim, uma massa de esfarrapados sem noção para onde ir, o que fazer. Muitos negros acabam ficando nas senzalas, pois os mesmos só sabiam exercer ofícios na lavoura, no plantio e serviços do lar. Os que se arriscam a irem para as cidades encontram um ambiente hostil, de repressão, racismo, exclusão a qual os empurram para os cortiços, as encostas e morros surgindo assim as primeiras favelas. Afirmo aqui, que a desigualdade social no Brasil tem cor, foi se construindo historicamente, onde negros foram obrigados a aceitar qualquer limitação de possibilidade, numa sociedade hostil e carente de todo afeto humano. Afirmo também, que uma discussão onde muitos autores como CHADAREVIAN (Critica marxista. Ed. Revan. P.74.2007) em seu artigo defende que deva se separar raça de nação, ser vago tal argumento visto que, os negros oriundos da África, vindos para essa terra a força, diretamente fincaram raízes nessa terra, para tal efeito são nacionalistas como qualquer outro. Portanto, no Brasil separar raça de nação, nos leva ao discurso reacionário que reforça a miscigenação enfraquecendo assim o atual momento, onde se debate a questão cor e raça como um fator determinante da exclusão e desigualdade social.
            ALMEIDA (Critica marxista. Ed. Revan. P.98.2007), em seu artigo define essa desigualdade e diferença em duas maneiras: “primeiro porque os negros têm educação sistematicamente inferior, o que os coloca em posição desvantajosa no mercado de trabalho, e segundo, porque mesmo quando se comparam trabalhadores negros e brancos que compartilham o mesmo nível educacional, os negros recebem menor remuneração (discriminação salarial pura)”.  Na atual conjuntura contemporânea é fácil identificar essa realidade, apesar de não admitida, mas é sim compelida e notadamente aplicada com eficácia. Outrora diante de argumentos combativos, faz-se necessário expandir holisticamente o embate acadêmico para além dos muros do doutorado e da ciência ortodoxa.
            SANTOS apud SILVA “cada homem vale pelo lugar onde está: o seu valor como produtor, consumidor, depende de sua localização no território”. Tanto em Bom Jesus do Norte-ES como em Bom Jesus do Itabapoana-ES, temos uma relação racial baseada na harmoniosidade e conformidade. Conformidade por parte dos negros em não aceitar a estética histórica de sua condição enquanto negro na construção da sociedade brasileira. Observa-se uma exploração velada em conluio há uma segregação social, econômica e territorial legitimada por uma cultura enraizada de caridade, troca de favores e subserviência que é claramente visível nas duas sociedades bom-jesuenses. A desigualdade social a qual a maioria dos negros é submetida é gritante nos dois municípios. Em Bom Jesus do Norte-ES, pode se perceber essa realidade nos bairro Silvana e arredores. Em Bom Jesus do Itabapoana-RJ é perceptível nos bairros Santa Teresinha, Barro Branco, Santa Rosa, Morro do Querosene, Asa Branca, Nova Bom Jesus, Usina Santa Isabel e Pimentel Marques, onde a maioria dos seus habitantes em condições de desigualdade são negros. Uma abordagem maleável vem a tona quando se considera a questão da regionalidade, onde os dois municípios por questões geográficas e culturais não se enquadram numa discussão que se envolva um padrão mais amplo a nível nacional. Por mais que adentremos e abordemos as questões de particularidades, não nos foge teorizar a questão racial como ponto de referência nacional, pois os negros da região também estão fadados e são submetidos ao mesmo processo de exclusão social aplicável de uma forma polarizada. Por serem municípios pequenos, onde a pecuária, o laticínio são as principais fontes de economia, a desigualdade social é vista muita das vezes como um tabu, pela construção histórico-cultural comentada acima nesse texto.
            Por fim, a desigualdade social em nossa região não é algo empírico e nem fantasioso, é real e tem cor. Tratar os desiguais como iguais perpetua a desigualdade isso é fato e em concordância com ARCARY (Critica marxista. Ed. Revan. P.106.2007), numa sociedade subjetiva igualdade sem democracia total, sem cidadania e sem total garantia de direitos, é utopia.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
ARCARY, Valério. Por quê as cotas são uma proposta mais igualitarista que a equidade meritocrática?. Crítica marxista. Ed. Revan.p. 106;2007.
ALMEIDA, Mauro William Barbosa de. Lutas sociais, desigualdade social e discriminação racial. Crítica marxista. Ed. Revan. p. 98; 2007.
CHADAREVIAN, Pedro Caldas. Os precursores da interpretação marxista do problema racial. Crítica marxista. Ed. Revan. p. 74; 2007.
FILHO, Domício Proença. A trajetória do negro na literatura brasileira. P. 1; 2004; editora Scielo
SILVA, Tarcia Regina da. A construção da identidade negra em territórios de maioria afrodescendente. Revista África e Africanidade – ano 3, n.11. p.7; 2010. WWW.africaeafricanidades.com

POR
Marcelo Silles (Rapper Silles)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

IVETH


Direto de Moçambique a Rapper Iveth.


Iveth uma das melhores rapper de moçambique, uma mulher forte,inteligente,batalhadora.. que lutou muito contra o preconceito e machismo do rap.

Fonte: clique no link e confira a entrevista da Rapper Iveth. http://www.noticiario-periferico.com/2012/10/noticiario-periferico-entrevista-rapper.html

Destaque para o som AFRO, onde a rapper exaltar a beleza da negritude, África, Moçambique e todos os afrodescendentes.


terça-feira, 16 de abril de 2013

GENTILEZA - ELLA SIMONE PART. CAUTELLA

Coletânea mixtape Sindicato 022


ELLA SI



Cantora,Modelo,Apresentadora, Atriz e Estilista.Entre tantas outras Atividades é uma pioneira no vocal feminino da região 022,com junções com Biggie Êni,Dizzy Ragga,Primo vinnie,Doctor Rê e Dj Samurai teve obras rap de total valor no mercado rap da regiao,fez parte do hip hop interrio além de integrar-se a outros eventos Importantes como o premio hútuz ,Teve o seu reconhecimento notório como ser” a unica mulher” que predominava no estilo rap da regiao dos lagos e norte fluminense,Fez propagandas comercias na tv da região,Dirigiu vários projetos que tiveram êxito,como eventos rap e eventos culturais dentro da cidade de Campos Rj.Ella si com certeza veio para mostrar que as mulheres também podem ter espaço em um mercado dominado por rappers do sexo masculino e a sua voz é forte além de poder abrir os caminhos para toda uma gama de nova geração de vozes femininas.Ella tambem atua em rodas de samba e tem destaque pela sua voz alem de composições inteligentes.




CAUTELLA



Nascido no ano de 2008, no interior do Estado do Rio de janeiro Precisamente em Santo Antônio de Páduaf, os três amigos decidiram formar o grupo de rap "CAUTELLA", com a intenção de dar voz aos seus pensamentos, com letras que falam desde a situaçao do país até seus proprios rolés e experiências de vida. O objetivo principal é aliar a diversão e descontração com o compromisso.





CLIQUE NO LINK ABAIXO E CONFIRA O SOM E FAÇA SEU DOWNLOAD.




FONTE:http://sindicato022.blogspot.com.br/

A DANÇA DO TWISTER

Grupo paduano se dedica à dança de rua e organiza musicais.

O Twister Dance é atualmente uma referência em dança no Noroeste Fluminense. Grupo sediado em Santo Antônio de Pádua, ele trabalha a dança de rua, realiza musicais e participa de diversos eventos culturais, obtendo destaque.
Com mais de 10 anos de existência,  o grupo realizou apresentações em Pádua e toda a região, encenou musicais, concorreu em festivais e competições em vários estados brasileiros e formou professores específicos da Dança de Rua.
A participação em festivais faz parte do portfólio de atividades do grupo. O primeiro em que participou foi o Festeduc, realizado em Pádua, onde obteve o primeiro lugar. Daí surgiu o interesse em participar de vários outros, como o Festival de Macaé, desde 2008, de Cabo Frio, desde 2009, de Paraty, desde 2010, de São Sebastião-SP desde 2011, Além Paraíba – MG desde 2010, de Três Rios  desde 2011, do Urbanus Master Competition no Rio de Janeiro desde 2011, todos com premiações nas categorias solo, duo e conjunto, obtendo inclusive o primeiro lugar.
De acordo com Julio Gonçalves, diretor geral do Twister Dance, o início do grupo partiu da iniciativa de um grupo de amigos se reunindo, e o projeto aos poucos foi tomando maior dimensão:
— A primeira formação do Twister surgiu com a junção de alguns amigos que se reuniam para dançar, e que por motivos da vida, se separaram. Daí, eu  comecei a dar aulas de dança e dentro dessas aulas havia alguns alunos bolsistas, que se reuniam todos os finais de semana para ensaiar e treinar. A partir desses alunos surgiu o grupo de apresentações na região, apresentávamos em escolas e algumas festas de bairro, depois começamos a escrever os musicais e apresentá-los. A partir daí surgiu à idéia das competições, se tornando a Cia Profissional Twister Dance — conta.

O grupo principal conta com 9 integrantes. Também existem os grupos infantil, intermediário e adulto, que juntos contabilizam aproximadamente 150 integrantes. Entre seus projetos está a elaboração de diversos musicais, todos escritos pelos próprios integrantes. Os espetáculos já encenados foram “Dance sem parar” (2007). “Dance sem parar II” (2008), “Ih, a TV pirou” (2010) e “Emoções…o sentido da vida”, (2011 e 2012). Com os grupos Infantil e Intermediário foram realizados “Crianças, um show!” (2009), “Vem dançar” (2010), ”Pequenos grandes astros” (2011) e em “Mãe, tô na TV!” (2012) e “O Oscar que ninguém viu” (2012).
— O trabalho principal da Cia é a dança de rua, mas estamos começando a trabalhar com jazz. Mas com os outros grupos trabalhamos dança livre, danças folclóricas, axé, sertanejo entre outros ritmos que tocam na atualidade — diz Julio.
Julio conta que seu interesse pela dança é uma herança familiar, que ele transformou em uma meta para sua vida:
— A satisfação é de poder falar que “eu não trabalho, eu me divirto”. A maioria das pessoas desejam isso, e eu posso. Se todos pudessem trabalhar assim, garanto que não teriam tanto estresse e cansaço — afirma.

sábado, 6 de abril de 2013

FIM DE SEMANA. RETROSPECTIVA SILLES DE VOLTA A CENA

SINGLE NEGO FALA..... FALA....FALA LEANDRO BOCA E VANONE RAPMAN


     O rapper e parceiraço Vanone Rapman junto com o rapper Leandro Boca lançam o single NEGO FALA...FALA...FALA. O rap esculacha os atrasa lado, os picuinha, os falador demais que sempre vivem de olho gordo e torcem para o insucesso dos irmãos. Mas esse tipinho sempre quebra e falador demais dá bom dia a cavalo. Esse som é especialmente pra você atrasa lado. Cliquem nos link´s abaixo confiram o vídeo e o som e façam seu download. Esse som tá puro luxo.



Por Rapper Silles

quinta-feira, 4 de abril de 2013

SERÁ REALMENTE QUE NÃO EXISTE RACISMO, PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO EM BOM JESUS DO ITABAPOANA-RJ E ES?

MARCELO SILLES
Rapper e Assistente Social



         Lemos consternados um artigo num blog pertencente ao bonjesuense Ricardo Teixeira (fonte: http://rtfonseca.blogspot.com.br/2013/02/bom-jesus-carnaval-2013.html?spref=fb), em que o mesmo classificou, sem detalhar e especificar, os adeptos do funk de marginais. Relatou indignado, que a presença dos mesmos no carnaval com suas músicas e danças não era apropriado para uma época, onde se deveria está tocando músicas para pessoas de bem e família de Bom Jesus do Itabapoana-RJ. Sabemos que existem determinadas regiões de Bom Jesus do Itabapoana RJ, que brigam pelo status de famílias de bem tradicionais e detentora do centro das atenções das demais plebes (assim que essas pessoas devem achar que devemos agir com elas) bonjesuenses.
Fica uma pergunta no ar: imaginem o que devem pensar comentar entre si e com piadas, bonjesuenses compactuantes da mesma ideia do autor do referido artigo? O que pensam sobre os pobres, negros (em geral)?
            Sem fazer-me de rogado, contrariando o discurso democrático racial, Bom Jesus do Itabapoana-RJ podemos estender até Bom Jesus do Norte-ES, traz consigo em sua sociedade as chagas, estigmas da escravidão, exploração, apropriação desumana e vil de seres humanos negros escravizados do continente africano. Tal afirmação pode ser verificada, num livro de batismo que existe na Paróquia Matriz do Senhor Bom Jesus, um livro batismal com anotações de batismo somente de negros escravizados na época. Por ter passado por aqui o fantasma branco da escravidão também veio junto às verbalizações na qual o negro ficou pejorativamente representado, através de estereótipos raciais com o único propósito simples de inferiorizar, segregar num conjunto de subalternizações a raça negra, diretamente dizendo “ponha-se no seu lugar”.
            E o presente não é diferente. O discurso romântico de igualdade mascara o cotidiano de desejo simplório de centralizar a detenção econômica e social da dita sociedade do bem de Bom Jesus do Itabapoana-RJ. São saudosistas da época “manda quem pode obedece quem tem juízo”, “do sim senhor, do não senhor” onde nas bibliografias da construção societária bonjesuense não está incluída a figura do negro, da sua importância histórica na construção dessa sociedade. Fatos como esse nos remete a crermos fielmente que Bom Jesus do Itabapoana-RJ por mais pacata que seja, tem sim um passado não só escravocrata como também de racismo, segregação e exclusão social algo que pode ser percebido no cotidiano periférico dos bairros onde o Poder Público menos atua. Cabe ressaltar sem generalizações, mas como disse Martim Luther King “o silêncio dos bons” é a prova cabal da conivência com a opressão do sistema.
          Sim e o funk é oriundo das camadas mais pobres da população, suas batidas lembram os toques dos terreiros, dos batuques fortes de resistência dos quilombos com seus atabaques que saudavam a guerra na luta por suas liberdades. Não, cultura que representa as camadas pobres e a resistência não interessa e não é bem vista pelas pessoas ditas "do bem". Salvo na ocasião quando são transformadas em mercadorias e engordam os bolsos dos hipócritas e sofistas.