quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A história mal contada do assassinato de Patrick, 11 anos

O caso de Patrick, criança de 11 anos assassinada em uma favela no Rio de Janeiro, já foi esquecido pela grande mídia. A PM alegou ter encontrado com o menino uma pistola, drogas e um rádio transmissor. Será mesmo?


Criança de 11 anos morre em uma favela do Rio de Janeiro. Estarrecido por ver que o caso está sendo esquecido pela grande mídia, quero aqui descrever, com muito desconforto, o que está sendo o extermínio do povo da favela.
Quando há um caso como o do menino Patrick, vemos o futuro da favela ser exterminado junto com ele. A criança de apenas 11 anos, morreu a tiros na manhã de quinta-feira (15), na comunidade Camarista Méier, Zona Norte do Rio. A incursão da polícia na favela tirou a vida de um menino e alegou ter com ele uma pistola, uma mochila com drogas e um rádio transmissor.
Ainda para elucidar o caso, segundo o jornal O Dia, o pai da criança afirma que não havia qualquer pistola perto do corpo logo depois que o menino foi baleado. O caso foi registrado na 25ª DP (Engenho Novo), que descreveu o caso como morte decorrente de intervenção, ou seja, mais um auto de resistência.
O que me deixa estarrecido, como falava no inicio do texto, é a naturalização da violência. Uma CRIANÇA de 11 anos foi morta a tiros e a população não se incomoda com isso. Ao saber do ocorrido fiquei com uma dor horrível, me frustrei e me perguntei se a sociedade sentiu a dor que eu estava sentindo. Pelo jeito não.
Pouco importa para a sociedade se mais um negro foi morto na favela. Foi só mais um dos milhões que a política de segurança quer exterminar. Acho que na verdade foi menos um. Menos um que não vai para o asfalto para roubar o playboy. Menos um que não ira ser o assaltante que roubou o empresário, que sequestrará o seu filho. Foi só menos um que não vai tirar a vaga do seu filho branco na universidade.
Quando uma criança negra da favela morre desta forma, vemos nitidamente as faces do racismo institucional. Historicamente a criminalização da pobreza esconde as tragédias que são cotidianas dos moradores das comunidades periféricas. Se Patrick estava ou não envolvido com o caso não cabe a mim julgar, mas caracterizar o ocorrido como pena de morte para um menino de 11 anos é, no mínimo, um problema de saúde mental e um grande complexo de divindade.
Perdemos mais uma criança para a violência, mais uma que pode vir a ser julgada de ‘menos uma’. Me pergunto: Patrick se continuasse vivo seria um perigo para a sociedade? O futuro de uma criança negra da favela é mesmo julgado pelos registros de violência na comunidade? Sinceramente, gostaria de falar que na favela os sonhos são cortados na sua raiz e poucos são os sobreviventes desta guerra. Patrick foi a vítima da vez. Quem será o próximo?
FONTE:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/01/historia-mal-contada-assassinato-de-patrick-11-anos.html

Marginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covarde


Parada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa
por Rosana Pinheiro-Machado Do Carta Capital
Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saia da escola particular do lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar. Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.
Mas eis que, de repente, um menino negro, magro e sorridente, ousou subverter as regras tácitas. Brincando de correr em ziguezague, ele “invadiu” a área branca e se esbarrou num menino que, imediatamente, se agarrou desesperadamente no braço da mulher que lhe buscara. Foi um reflexo automático do medo. O menino “invasor” fez um gesto de desculpas – algo como “foi mal” -, e voltou a correr entre os seus, enquanto que a outra criança seguia petrificada.
No olhar do menino “invadido”, havia um misto de medo, de raiva, mas principalmente, de nojo – como que se a outra criança tivesse uma doença altamente contagiosa. Não é difícil imaginar o impacto de esse olhar no inconsciente do menino negro e pobre. Este aprendia, desde muito cedo, que era um intocável, que vivia em uma sociedade na qual seu corpo, na esfera pública, valia menos que o de um menino da mesma idade, que ainda não tinha nenhum mérito conquistado, apenas privilégios herdados.  As consequências desse gesto minúsculo serão trágicas para o menino “invadido”, pois é vítima da ignorância social. Mas será muito mais trágica para quem é negro e desprovido de capital econômico, social e cultural. Para que essa que criança não se corrompa no futuro, ela precisa ser salva do olhar de nojo.
É possível que, por meio de leitura e mistura, o menino amedrontado se engrandeça politicamente no futuro, se liberte do muro que lhe protege e dispense o braço da babá. Mas, infelizmente, há uma tendência grande de que ele, cercado por medo e preconceito, passe o resto de sua existência se protegendo do “marginalzinho”. Pivetes, favelados, fedorentos: isso é tudo que o ele ouve sobre seus vizinhos. Trata-se de uma verdade histórica a priori, para além da qual não se consegue pensar. Essas categorias compõem o discurso forjado sobre a pobreza, que, em última instância, visa à intervenção e à manutenção do poder. Reproduzindo este discurso, então, o menino tornar-se-á um adulto. Ele blindará seu carro, colocará alarme em sua casa, pedirá a morte de traficantes. Dirá que rolezinho é arrastão, pedirá mais polícia e curtirá a vida em camarotes. Pode ser até que ele peça a volta da ditadura. Achando que é um cidadão de bem que age contra a marginalidade do mal, forma-se um perfeito idiota.
Ah, mas os pobres da África a gente gosta
Em 2012, enquanto eu estava em Harvard, recebi a visita de uma orientanda do Brasil. Ela tirava fotos e se exibia no Facebook: “#Orgulho”, “Minha orientadora é pós-doutora por Harvard, e a sua?”. Em uma pausa, ela me perguntou em que escola eu havia estudado para ter chegado a uma universidade da elite internacional. Ela buscava identificação. Eu era um exemplo de uma mulher jovem, branca e “bem sucedida”, exatamente como ela se projetava nos próximos dez anos. Eu, sabendo que ela havia estudado do lado de dentro do muro, respondi que passei a parte mais rica da minha vida, dos 2 aos 17 anos de idade, do outro lado do muro. Ela não postou, mas bem que pensou: #MinhaOrientadoraÉMarginalzinha…”.
A reação dela era de decepção, vergonha e certa pena de mim. Ela ficou vermelha, desconcertada, sem chão. Engasgou-se e começou a tossir para disfarçar a cor de suas bochechas. Isso tudo porque ela sabia muito bem que tinha passado aproximadamente quinze anos de sua vida chamando pessoas como eu de “tigrada”. Ela se socializou negando a alteridade e, portanto, nunca imaginou que a relação de poder entre os atores dos diferentes lados do mundo se inverteria. Tudo que ela havia aprendido sobre aquele Outro era simplesmente de que se tratava de uma não-persona. O motivo pelo qual o seus vizinhos tinham menos do que ela não cabiam em sua imaginação. Fazendo parte da meritocracia sem mérito, ela simplesmente merecia ter o que tinha.
Ela, então, tinha que desvendar um enigma: como uma pessoa que tinha vindo de um lugar tão ruim podia estar em uma Universidade tão boa? A única maneira de ela se reconciliar com seus próprios preconceitos era me classificar como um daqueles casos excepcionais de superação que aparecem Globo Repórter. Eu respondi que não, que o destino de quem sai de lá tem sido muito variado. Há quem entra para o crime e morre antes dos 18 anos, mas a maioria tem histórias de lutas, perdas, mas, sobretudo, conquistas. Uma pena que ela nunca quis saber dessas histórias e deixou de crescer por meio da alteridade.
Ironicamente, essa aluna estava voltando de um programa voluntário para ajudar uma comunidade miserável de Ruanda.  Havia poesia – e alívio cristão – em (arrogantemente) querer salvar a África. Por algum motivo, os pobres e negros do lado de lá do oceano (que não assaltariam a sua caminhonete já adquirida aos 21 anos) eram mais dignos de sua profunda bondade do que os pobres e negros que ela havia ignorado por toda a sua existência.
Eu sempre me pergunto as razões pelas quais esse perfil de elite se comove com a pobreza romantizada, mas nega a solidariedade ao pobre da mesma cidade. Nessas horas, me vem à cabeça o dia em que meus colegas de escola estavam participando de um campeonato de futsal, mas não tinham quadra para treinar. Marcamos uma reunião com a diretora da escola do lado no intuito de solicitar, em nome de nossa vizinhança, o uso da quadra durante a noite, que ficava inativa. Em um ato de profunda humilhação, fomos “escoltados” até o escritório e recepcionados com as piadas das outras crianças (que não teriam tido coragem de debochar fora da fortificação). Depois de muita resistência, a diretora liberou o uso do ginásio, o que foi vetado uma semana depois em função de uma bola que tinha desaparecido. Apesar de eu ter convicção de que não houve roubo, eu nunca vou poder afirmar isso com 100% de certeza. O que eu posso afirmar para o resto da minha vida é que, desde então, eu sou contra a pena de morte – e de toda a concepção de que bandido bom é bandido morto – justamente porque muitos inocentes terão suas vidas abortadas por causa do preconceito. Quinze jovens tiveram seu sonho de competir interrompido por causa de uma falsa verdade: a de que nós só poderíamos ser ladrões. Consequentemente, “não adianta mesmo querer ser generoso e dar oportunidade para marginal”.
Entender que o pobre do lado tem o mesmo valor do pobre da África é uma tarefa para uma vida toda, pois envolve uma postura política de grandeza reflexiva intelectual e o reconhecimento de nossa responsabilidade sobre o Outro. Reclama-se da ineficiência do Estado brasileiro, mas toda a violência estrutural gerada por este Estado é reproduzida por sujeitos covardes e apáticos que negam, estigmatizam e inviabilizam o Outro.
Faz vinte anos que eu deixei a escola. Em minha última visita, em 2014, as instalações estavam muito mais deterioradas. As goteiras continuam lá. Sem professores em sala de aula, os alunos não podem ir para área de esportes porque o lugar está interditado há seis anos por risco de o teto desabar. Mas o muro da escola do lado continua a crescer.
Desde pequena eu aprendi que a violência é holista. As elites não são vítimas da violência urbana. A agressão sofrida é a mesma que se pratica.  O olhar de nojo é também assassino. E os muros ferem mais do que protegem.  Será que as pessoas imaginam o quanto podem crescer derrubando muros?


FONTE:http://www.geledes.org.br/marginalzinho-socializacao-de-uma-elite-vazia-e-covarde/#axzz3Q7I13xUO


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A NEGRA QUE SE TORNOU MADRINHA DA INFANTARIA NAVAL

Paula, a Baiana, madrinha da Infantaria Naval | FOTO: Reprodução
Em sua coluna, Oswaldo Faustino conta a história de Paula, a Baiana, que mostra a humanidade na Marinha do Brasil tornando-se Madrinha da Infantaria Naval
Não. O lado humano nada tem a ver com a instituição, mas com parte de seus integrantes. Mais precisamente sua infantaria, os valorosos e sofridos Fuzileiros Navais. Descobri isso por meio do blog Coisa de Naval, de Gil Cordeiro Dias Ferreira, e do maravilhoso livro Mulheres Negras do Brasil, uma obra fundamental de Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil, publicada pela Editora Senac,em parceria com a Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh).

Tirei essa conclusão ao tomar conhecimento da existência de Paula, a Baiana (seu nome verdadeiro, nem um nem outro revela), provavelmente do Recôncavo, como muitas que seguiram ainda jovens para o Rio de Janeiro, no século 19. Consta que sua chegada na então Capital Federal se deu em 1895. E ela foi residir numa pequena casa alugada no subúrbio de Rocha Miranda, na zona norte do Rio de Janeiro. Quituteira de mão cheia, Paula levava seu tabuleiro à porta do Corpo de Infantaria da Marinha, na Ilha das Cobras, para vender aos militares esfaimados bolinhos de tapioca, pés de moleque, cuscuz, laranjas e bananas, entre outras guloseimas. João Cândido certamente a conheceu. Aquela negra cativou não só a marujada, mas também o pessoal do clube dos oficiais.

Assim, ela foi autorizada a montar sua pequena cantina, conhecida como Mafuá da Baiana, no pátio do Batalhão Naval. Perfilava-se, ao lado do tabuleiro, diante das altas patentes e, aos poucos, foi conquistando respeito e admiração. Em datas cívicas, como o 7 de setembro e o 15 de novembro, vestia sua saia branca engomada, seu dólmã vermelho com botões dourados, ajeitava seu turbante branco e sobre ele a cesta de vime em que carregava seus quitutes. Considerada madrinha da Infantaria, era Fuzileira Honorária e marchava ao lado das tropas, aclamada pela população. Quando não estava vendendo ou preparando as guloseimas, Paula lavava roupas na Cova da Onça, hoje uma tradição na Fortaleza São José, na Ilha das Cobras. 

Ao falecer, em abril de 1935, foi homenageada pelo Batalhão Naval que cruzou os fuzis cobertos de flores brancas e vermelhas sobre sua sepultura. Um bonito gesto por parte de integrantes dessa instituição de 190 anos, fundada após aIndependência do Brasil. Infelizmente, em nome da segurança nacional, ela arranca famílias – com violência – de tradicionais terras quilombolas e perde a oportunidade de conhecer e reconhecer centenas de outras Paulas Baianas...

FONTE:http://raca.digisa.com.br/colunistas/a-negra-que-se-tornou-madrinha-da-infantaria-naval/2003/

LIDERANÇA FEMININA AFRICANA

Kimpa Vita, grande liderança africana | Ilustração: Serge Diantantu

Oswaldo Faustino conta a história de Kimpa Vita, grande liderança feminina que foi queimada na Inquisição por pregar um cristianismo africano

liderança feminina no movimento social negro tem um sem número de referências históricas. Uma delas floresceu no início do século XVIII, no então Império do Kongo. Depois de um período de 200 anos de decadência, a situação tenebrosa do reino levou a jovem profetisa Kimpa Vita a liderar uma reação religiosa e política. Facilmente, Kimpa Vita pode ser comparada à jovem camponesa francesa Joana D’Arc, acusada pela Inquisição de bruxaria e de blasfemar. Assim como ela, a africana teve visões, cativou as massas, enfrentou guerras e irritou os ortodoxos do catolicismo. Foi igualmente acusada de heresia e executada na fogueira. A diferença é que a francesa, cinco séculos depois, recebeu o título de mártir e foi canonizada. A africana, não. Algumas de suas ideias, porém, podem inspirar a inculturação evangélica expressa nas chamadas missas-afro.

O Império do Kongo, fundado no século XIII por Ntinu Wene, seu primeiro manicongo – título do imperador –, existiu até 1914. Seus 130 mil quilômetros quadrados se estendiam pelo que é hoje o norte de Angola, a República Democrática do Congo (ex- Zaire), a República do Congo (Brazzaville) e parte do Gabão. Sua capital era Mbanza Kongo. Ao chegarem ali, no final do século XV, os navegadores portugueses encontraram uma nação que gozava de supremacia: civilização desenvolvida e opulenta, que vestia seda e veludo; soberanos poderosos, mais de 1 milhão de habitantes, terras férteis cultivadas, indústrias, tecnologia de extração do sal, produção de joias e recursos naturais, como o ouro, o cobre e o ferro. Convertido, o manicongo Nzinga-a-Nkuwu, em 1509, tornou o catolicismo a religião oficial do Império. Mudou seu nome para João I e o da capital para São Salvador. Os demais soberanos que se sucederam também adotaram nomes europeus. Porém, no final do século XVII, o Kongo vivia duas realidades: forte influência dos missionários e uma guerra civil, por disputa pelo trono ocupado por Pedro IV. Ele então abandonou a antiga capital, que foi arrasada pelos dissidentes, e se refugiou nos montes Kibangu.

Foi neste contexto que nasceu, em 1684, numa família aristocrática e católica, Kimpa Vita, batizada Beatriz. Em 1704, aos 20 anos, ela teve uma experiência de quase morte. Ao se recuperar, afirmava que Santo Antônio de Pádua havia reencarnado em seu corpo. Percorreu todo o território difundindo uma forma de sincretismo religioso, denominado Antonismo. Dona Beatriz, como passou a ser chamada, pregava que o Kongo era a Terra Prometida, que Jesus Cristo havia nascido em São Salvador e sido batizado em Nsundi. Também afirmava que a Virgem Maria e São Francisco eram originários do Kongo. Questionava a alvura dos anjos que, em suas visões, eramnegros. E acreditava que o império só reencontraria a paz com a partida dos europeus, que espoliavam os africanos dos seus bens e da sua humanidade. Tanto Pedro IV quanto o general Pedro Constantino da Silva, seu adversário político, sonhavam em ter Dona Beatriz como aliada. Mas diante da ameaça a seus privilégios, os missionários capuchinhos, sob a liderança do italiano Bernardo di Gallo, convenceram o manicongo do perigo que representava a popularidade da jovem e suas teorias contra o eurocentrismo. Acusada de heresia, Kimpa Vita teve a sua prisão decretada. Ela se refugiou na floresta com seus aliados. Foi presa dias após dar luz a um menino. Interrogada por di Galllo, afirmou que seu filho vinha do céu e seria o salvador de seu povo, o que foi utilizado como prova da suposta heresia. Em 2 de julho de 1706, Kimpa Vita foi queimada na fogueira da intolerância religiosa e da dominação política. Hoje, em Angola, há uma universidade com seu nome.

FONTE:http://raca.digisa.com.br/colunistas/lideranca-feminina-africana/2123/


Fundador da primeira escola de samba, Ismael Silva já foi impedido de assistir aos desfiles.


Criador ao lado da sua turma do Estácio da primeira escola de samba do país — a Deixa Falar —, Ismael Silva passou por maus bocados para ver sua criação de perto. Sem dinheiro para comprar o ingresso de Cr$ 8 mil para assistir à passagem das agremiações no carnaval de 1965, o compositor fez um apelo à Secretaria de Turismo para ter direito de acompanhar de perto os desfiles. O pedido nem foi considerado.

Em 75, virou enredo da escola Canarinhos da Engenhoca, de Niterói. No mesmo ano, ganhou dos órgãos públicos dois ingressos nas cadeiras cativas para ver os desfiles através de uma lei estadual. Mas no carnaval seguinte, Ismael, aos 70 anos na época, foi barrado por funcionários da Riotur, quando tentava chegar ao camarote e ocupar seu lugar devido — e merecido.

“Nem sequer me deixaram falar com o pessoal da imprensa, que podia explicar tudo. Fui humilhado, tive que me retirar como se fosse um marginal. No meu caso, por exemplo, mesmo quem não me conhece vê logo que não se trata de um delinquente. Não ofereço perigo nenhum, caminho com dificuldade”, desabafou Ismael Silva ao jornal O Globo na época.

A convite do diário, o poeta do Estácio voltou no dia seguinte, na segunda-feira de carnaval, para acompanhar os desfiles de blocos e ranchos. Só não foi impedido de entrar novamente após a insistência do repórter que explicava ao segurança quem era o senhor de bengala. Ismael entrou e foi cumprimentado por Paulinho da Viola, um dos jurados do concurso de ranchos. Ficou por lá durante duas horas e depois pediu para ir embora. Estava emocionado.

Para tentar contornar o episódio, foram entregues dois ingressos de arquibancada para os desfiles no ano seguinte. Ismael recusou. Não pisaria mais naquele palco. Morreu em 78, desgostoso com aquele mundo que ajudou a criar.





terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O que é colorismo?



Só aos vinte anos de idade consegui me reconhecer e autoafirmar negra. Mesmo quando tentei por muitas vezes me identificar como branca - por conta de ter mãe e avós maternos brancos -, não deixei de sofrer racismo. Fui, ao longo dos anos, embranquecida, e tive minha identidade e descendência invisibilizadas. Aprendi, somente muito tarde, que o colorismo é uma das formas cruéis em que o racismo semanifesta.

Autoafirmar-se negro é, além de uma postura política, um grito de resistência. Não há como combater uma opressão sem reconhecê-la primeiro e sem conhecer sua raiz. 

Colorismo, amizades, é por definição a divisão de negros entre “os verdadeiros” (de pele escura) e os negros-não-negros (de pele clara). O colorismo é o que podemos chamar de uma forma legítima de racismo velado. Desde o nascimento, negros filhos mestiços de pai branco e mãe negra e vice-versa, são chamados pardos. Pardos por quê? O que é, afinal, ser pardo? 

“Pardo” é mais um dos muitos termos criados para nos chamarem “não tão negros assim”. Somos chamados de negros-não-negros por não sermos aptos ao padrão que a branquitude estabeleceu para legitimar nossas identidades, mas ao mesmo tempo não possuímos privilégio branco. Nossos traços gritam e nenhum embranquecimento os cala.

O colorismo funciona como um agente de manutenção da branquitude e garante que a sociedade continue a enxergar o que é “branco/claro” como bom e o que é “negro/preto/escuro” como ruim. Somos embranquecidos porque é assim que servimos, sendo os negros que na verdade “nem são tão negros assim”. As revistas, a televisão, os outdoors; a publicidade nos diz que tudo bem ser negro se não for “tão negro assim”. Nossos referenciais são embranquecidos em campanhas publicitárias. Tentam nos sufocar através de todos os meios.

Nossos traços denunciam nossa ancestralidade e nos definem, portanto, como negros. Não somos mais “quase negros” ou “negros de pele clara”, somos negros.

Me lembro de que na infância, meu único referencial de mulher negra foi a avó de uma amiga minha. A mulher, uma negra gorda de cabelos lisos, era sempre elogiada pelos cabelos que mesmo brancos, chamavam a atenção. Eu também os elogiava e me perguntava, muitas vezes, como era possível uma negra de cabelos tão lisos. Hoje entendo que os cabelos da Vó Regina eram elogiados por remeter à branquitude e discorro, a partir de leituras que fiz há algum tempo, sobre quão tamanha é a crueldade do racismo. A miscigenação de negros começou na senzala, quando escravas eram estupradas por seus sinhôs. Será, então, que exaltar os traços “brancos” de um negro não é legitimar a dor daquelas mulheres? A animalização a qual elas foram submetidas?

Acho necessário, contudo, fazer a ressalva de que a autoafirmação não deve ser banalizada. A afirmação de sua negritude não é um espaço aberto para brancos se apropriarem e reivindicarem espaço de fala no nosso movimento. A autoafirmação é um agente empoderador para pessoas negras que foram embranquecidas durante a vida. Vi nos últimos dias duas pessoas se dizerem negras por terem o cabelo cacheado. Ser negro não é ter o cabelo cacheado. O cabelo cacheado é um traço europeu também, inclusive. Às pessoas brancas eu digo: cuidado com a apropriação e atenção ao local de fala.

A valorização de termos como “pardos”, “mulatos” e “morenos” nos aproxima do “quase brancos” e não somos isso. Somos negros. Reafirmo: existimos e somos muitos.

Como uma última consideração levanto o questionamento: Por que é que brancos existem em milhares de biotipos – ruivos, loiros, de olhos claros e escuros - e ainda assim são afirmados brancos, mas negros têm de se encaixar no padrão traços fortes/pele escura ou então são “não tão negros assim”?


FONTE:https://www.facebook.com/Feminiciantes/photos/a.230451850495877.1073741828.230165277191201/317761845098210/?type=1

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Tássia Reis em "Meu rap jazz" no Estúdio Showlivre 2014




A POLÍTICA BONJESUENSE - PARTE I

Marcelo Silles
Assistente Social


A ideologia da direita e da família em Bom Jesus-RJ com seus discursos nostálgicos, saudosistas, melosos e romanescos provou ser uma doutrina política e ideológica ineficiente e incapaz, o sintoma diagnosticado é a podridão de espírito e indiferença ao próximo, portanto um organismo que está adoecendo num estágio avançadíssimo. Precisamos de um novo paradigma, não se deixem levar por belas palavras, lindos discursos, aparências familiares de respeito e falsos caráteres.

É notório e nada mais que justo, o descontentamento de alguns diante do cenário político bom-jesuense. O que é interessante nisso tudo diante de manifestos, publicações, verbetes, lições de moral, militância, patriotismo são as faces de certos cidadãos que pegam para si a bandeira de mártires da nossa cidade. Alguns são figuras lendárias que hoje tentam de alguma maneira reparar erros passados, abster-se do que dizem dito cujo oportunismo para caírem nos braços acalorados no bom grado dos bom-jesuenses inconformados. Outros são cidadãos e cidadãs que se auto intitulam representantes da família, dos bons costumes, saudosistas da épica Bom Jesus e seus dias de glória, se autodeclaram ausentes mais sempre estiveram no mais do mais presentes e com seus privilégios garantidos. Cantam e louvam honras e glórias a nostalgia pretérita do conservadorismo direitista dos pioneiros e suas éticas na política e convívio com seus concidadãos.

São discursos de belas palavras de tremendo furor impactante e de uma conversão tamanha dignas de aplausos e alguns prêmios pois sei que eles almejam status, popularidade e o púlpito e também algum cantinho na sua sala de estar. Clamam por dias melhores, clamam por uma sociedade justa com tanto ardor que me chega até vir a mente Maquiavel em uma passagem no seu épico O Príncipe, ‘os homens são todos egoístas e ambiciosos, só recuando da prática do mal quando há interesses, dentro de si ainda persiste os mesmos desejos e paixões egocêntricas.’

Desanuviando as mentes confusas e embaralhadas, a muito se pergunta porque parte da sociedade está calada?  Será porque o antagonismo de alguns mártires viventes seja evidente e com isso indesfrutam de grande anseio popular?

Carrasco é o grande mote do embate, de fogo ardente apaixonante revelador de figuras simbólicas que prezam pelo nome alcunhado a uma implícita ideia de luta pelo povo. Conjecturas lançadas aos delírios, um monólogo repetitivo e maçante deixa a desejar e massacra a fé de um povo sofrido a título de uma Súplica Cearense, e ambienta uma disputa que aflora em determinados setores da sociedade, um ranço insosso de um sentimento de dúvidas e repulsa aos comportamentos dos tais salvadores municipais bom-jesuenses.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A longa história de um massacre esquecido e nunca reconhecido por Paris

"Aqui afogaram os argelinos". Quarteirão Conti, em Paris, alguns dias após o massacre de 17 de outubro de 1961

Há 50 anos, cerca de 100 a 200 argelinos que se manifestavam pacificamente em Paris foram assassinados pelas forças policiais. Ocultado durante muito tempo pelo poder, este 17 de outubro de 1961 integra progressivamente a memória coletiva.
Durante as décadas de 1970 e 1980, a lembrança de 17 de outubro de 1961 esteve envolta numa espessa mortalha. Quem se lembra ainda daquele dia de outono em que homens, mulheres e crianças que se manifestavam em família, desarmados, nas ruas de Paris, foram mortos à coronhada pela polícia, lançados vivos ao Sena, enforcados em árvores?
“Depois do século XIX, esta foi uma das raras vezes em que a polícia atirou contra operários, em Paris”, afirma o historiador Benjamin Stora. Nas semanas seguintes, dezenas de cadáveres de argelinos com rostos tumefactos foram retirados do Sena. Benjamin Stora supõe que a repressão fez uma centena de mortos, o historiador inglês Jim House pensa que, “no mínimo”, os mortos foram 120 ou 130, Jean-Luc Einaudi, autor de La Bataille de Paris [A Batalha de Paris], diz que foram mais de 150. Nesse dia, os “franceses muçulmanos da Argélia”, convocados pela federação de França da FLN, manifestaram-se contra o recolher obrigatório que lhes tinha sido imposto pelo diretor da polícia de Paris, Maurice Papon. Habitualmente confinados aos bairros de lata dos subúrbios, mais de 20 mil homens, mulheres e crianças desfilaram, então, pacificamente pelas ruas do Quartier Latin, pelas grandes avenidas e próximo dos Campos Elísios.
A violência da polícia foi inaudita: os agentes esperaram-nos nas saídas do metro e nas ruas para os espancarem e insultarem. “Aos mais fracos, aos que já estavam cheios de sangue, batiam-lhe até à morte, eu vi”, contou Saad Ouazen em 1997. Apesar de não terem oposto a mínima resistência, dezenas de manifestantes foram mortos a tiro, outros foram afogados no Sena. Ao todo, mais de onze mil argelinos foram presos e levados para o Palácio dos desportos e para o estádio Pierre-de-Coubertin. Mantidos durante vários dias em condições de higiene assustadoras, foram violentamente espancados pela polícia, que lhes chamava “porcos árabes” e “ratos”. No Palácio dos desportos, os detidos, aterrorizados, nem sequer ousavam ir à casa de banho, porque a maioria dos que ali iam era morta. Na manhã do dia seguinte, a polícia contava oficialmente três mortos – dois argelinos e um francês da metrópole. A mentira instala-se. O silêncio depressa a cobre. Perdurará por mais de 20 anos.
Uma campanha de dissimulação
Esta longa ausência, nas consciências, do massacre de 17 de outubro não surpreende Benjamin Stora. “Nessa altura havia [em França] um imenso desconhecimento daquilo a que chamamos o indígena ou o imigrante, ou seja, o outro. Quando se tem esta perceção do mundo, como é que alguém se interessa pelos imigrantes que vivem nos bairros de lata da região parisiense? Os argelinos eram os “invisíveis” da sociedade francesa. A esta indiferença de opinião junta-se, nos meses que se seguiram ao 17 de outubro, uma campanha de dissimulação lavada a cabo pelos poderes públicos. Os relatos que põem em causa a versão oficial são censurados. A amnistia que acompanha a independência da Argélia, em 1962, sela, depois, o silêncio da sociedade francesa: todas as queixas foram arquivadas. Apesar do silêncio, a memória do 17 de outubro sobrevive aqui e ali, fragmentada, explosiva, subterrânea. Continua viva, evidentemente, entre os imigrantes argelinos da região parisiense. “Esses homens conversavam entre si, mas a maior parte deles não transmitiu essa recordação dos acontecimentos aos seus filhos. Na década de 1980, sabem que os seus filhos ficarão em França e têm medo de lhes comprometer o futuro contando-lhe a violência policial a que foram submetidos”, explica o historiador inglês Jim House. Foi necessária a chegada à idade adulta desta segunda geração de imigração argelina para agitar profundamente a paisagem da memória. Estes jovens frequentaram a escola da República, são eleitores e cidadãos franceses, mas intuem que os preconceitos e os olhares desconfiados de  que são vítimas estão ligados à guerra da Argélia. Pouco a pouco, a memória desperta: na década de 1980, Jean-Luc Einaudi inicia um imenso trabalho de investigação. Quando o seu livro sai, no ano do trigésimo aniversário do 17 de outubro, provoca choque: La Bataille de Paris [A Batalha de Paris], que descreve hora a hora o desenrolar dos acontecimentos e o silêncio que se lhe seguiu, gera o debate sobre a repressão contra os argelinos.
O Estado nunca reconheceu o massacre
Com este livro e alguns outros, a memória do 17 de outubro de 1961 começa a entrar no espaço público. Dois documentários vêm, depois, alimentar a recordação do 17 de outubro: Le Silence du Fleuve [O Silêncio do Rio], de Agnès Denis e Mehdi Lallaoui, em 1991, e Une Journée Portée Disparue [Um Dia Perdido], de Philip Brooks e Alan Hayling. No entanto, as autoridades da época mantiveram a versão oficial. Depois dos historiadores e dos militantes da memória, é a justiça que entra em cena: durante o processo do antigo responsável de Vichy, em 1997, em Bordéus, os juízes debruçam-se longamente sobre o 17 de outubro de 1961. Confrontado com Jean-Luc Einaudi, o ex-diretor da polícia acaba por admitir “quinze ou vinte mortos” durante esse “infeliz dia”, mas atribui-os a ajustes de contas entre os argelinos.
Pela primeira vez, o poder faz um gesto: o primeiro-ministro, Lionel Jospin, abre os arquivos. Baseando-se unicamente no registo de entrada do instituto médico-legal – a maior parte dos arquivos da polícia e da brigada fluvial desapareceram misteriosamente –, conclui, em 1998, que houve pelo menos 32 mortos. Dois anos mais tarde, Maurice Papon decide processar Jean-Luc Einaudi por difamação. Desta vez, Papon admite que houve 30 mortos, mas o tribunal não lhe dá razão: prestando homenagem ao caráter “sério, pertinente e completo” do trabalho de Jean-Luc Einaudi, os juízes concluem que “alguns membros das forças da ordem, relativamente numerosos, agiram com violência extrema, sob o império de uma vontade de represálias”. A versão oficial do 17 de outubro está agora desfeita. Chegou o tempo da comemoração. Por altura do 40º aniversário, em 2001, o presidente do município de Paris, Bertrand Delanoë, colocou na ponte Saint-Michel uma placa “em memória dos muitos argelinos mortos durante a sangrenta repressão da manifestação pacífica de 17 de outubro de 1961”. Na região parisiense, cerca de 20 placas lembram, agora, à memória coletiva, esses dias de outono. O quebra-cabeças da memória coletiva acabou por se refazer mas, para muitos, ainda falta uma peça: o reconhecimento do Estado. [O site Mediapart, lançou, com esse intuito, a 12 de outubro, um apelo ao reconhecimento oficial da tragédia de 17 de outubro de 1961, em Paris
FONTE:http://www.jornalggn.com.br/noticia/a-longa-historia-de-um-massacre-esquecido-e-nunca-reconhecido-por-paris#.VK_4YvcAUVI.facebook

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Nazirê - Acorda pra vida

Uma boa composição, um trio de vocalistas talentosas e uma beleza encantadora leva a banda de reggae Caririense Nazirê a uma explosão de visualizações na internet. Até o fechamento desse post, o vídeo já tinha aproximadamente 80 mil visualizações no Facebook.
[Atualização], o portal SomJah também publicou o video em sua página, no Facebook e lá já alcançou a marca de 300mil exibições!
A Banda Nazirê tem uma formação encantadora e peculiar, pois quem leva os vocais é o trio Géssica, Jordania e Ranny. As três ainda se revezam na composição das letras que tem encantado até aqueles que não são adeptos do estilo musical.
Logo após Jordania apresentar a música nova, composta entre as celebrações de ano novo, as meninas ensaiaram e gostando do resultado resolveram registrar.
O vídeo foi postado no perfil pessoal da compositora e já superou a marca dos 2500 compartilhamentos.
A banda já tem cerca de dois anos e possui diversas composições, dentre elas Clamor a Jah eColar de Joias Raras que o Foobá já apresentou no seu canal do Youtube.


FONTE DO TEXTO:http://fooba.com.br/video-amador-da-banda-nazire-e-sucesso-na-internet/

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ajude a salvar crianças como o Henry



O negro e a negra não querem saber.

Assisnte Social, Bacharel UFF/Campos-RJ
O negro pagodeiro e a negra pagodeira não querem saber desse assunto de racismo, de exclusão, segregação, de lutas por direitos iguais, igualdade, o negro pagodeiro e a negra pagodeira querem ser felizes pagodeando rodopiando sendo os indivíduos pejorativos animadores da festa. O negro pagodeiro e a negra pagodeira não se importam de não serem representados nos dvd´s dos maiores nomes do pagode brasileiro, onde nas primeiras, segundas, terceiras, quartas fileiras estão os brancos bem apanhados, as loiras e morenas gostosas e charmosas, não se importam de estarem bem escondidos lá no fundo, bem no fundão para não serem capturados pelas câmeras que só prezam pela beleza da mulata mestiça, da loira passista e da morena símbolo do pagodear.
O negro evangélico e a negra evangélica não querem saber desse assunto de racismo, de exclusão, segregação, de lutas por direitos iguais, igualdade, se entregaram a Jesus no pentecostalismo carismaticamente louvando a prosperidade individual ou grupal. Eles são os absolutos certos e corretos, estão acima de qualquer verdade social, coletiva e humanitária se não aceita as suas doutrinas não merece o reino dos céus e será eternamente o inimigo de todo o povo de Deus. Valorizam o materialismo e a aparência, menosprezam o caráter, mas adoram cantar que morreram para o mundo e que o dinheiro compra a alma.
O negro funkeiro da ostentação e a negra funkeira da ostentação não querem saber desse assunto de racismo, de exclusão, segregação, de lutas por direitos iguais, igualdade, querem ostentar o que não tem e nunca terão, mas preferem fingir que possuem, queriam ter nascido branco, de preferência numa mansão, terem berços de iates, mamadeiras a lá shandon, fraldas revestidas de dólares e euros, chupetas banhadas a ouro, carrinhos estilo Ferrari, Camaro. O negro funkeiro ostentação quer ter a loira, a morena pra exibir como troféu e colocar uma aliança em seu dedo. A negra funkeira ostentação coitada, chupa o dedo, o máximo que conseguirá no futuro será um varão em sua conversão.
O negro jabuticaba e a negra jabuticaba, assim como o negão no futebol não querem saber desse assunto de racismo, de exclusão, segregação, de lutas por direitos iguais, igualdade, querem paz e amor, no sertanejo e forró brancos, no rock in roll dos descendentes de Elvis, serem a atração humorística do social party onde todos os brancos os chamam pelos seus apelidos carinhosos Bombril, macaco, coé negão, pinche, pneu, urubu e por aí vai. O negro jogador de futebol ostenta as suas esposas fiéis loiras e morenas, são artigos de luxos diferentes daquela neguinha mal vestida pobre que ele conhecia e que se matava para realizar o seu sonho de ir jogar num time grande.

Mas todos os esses negros e negras têm algo em comum, quando conhecem o outro lado sentem na pele a opressão, o racismo, partem para o choro de que é triste ver ainda racismo no Brasil. Que nós negros deveríamos nos unir para acabar com o racismo, lutar por direitos iguais etc, etc, etc, mas a única resposta que tenho para dar para esses tipos de indivíduos é somente uma: VOCÊS ESCOLHERAM O LADO DO OPRESSOR ARQUEM COM AS CONSEQUENCIAS.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O negro na sociedade brasileira, por João Baptista Borges Pereira


Professor emérito da USP e professor pleno de Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie 

Por Por João Baptista Borges Pereira, no GGN
A história do Brasil registra o que hoje ninguém desconhece: a construção histórica do país começa com o cimento da pluralidade de povos, representada esquematicamente pelas populações indígenas, pelos brancos, predominantemente portugueses, pelos negros escravizados em África desde o século XVI até o século XIX. Apenas a partir de 1875, data-símbolo do início do processo migratório com a vinda de imigrantes brancos de várias procedências e, anos depois, em 1908, com a chegada dos japoneses, é que essa pluralidade deixou de ser trinária e se tornou complexa tal qual a conhecemos hoje.
Paradoxalmente, o segmento negro pode ser considerado um dos grandes fatores desencadeadores desse processo. As estatísticas expressam em número e percentuais a preocupação que perpassava pelos políticos e intelectuais da época: havia um “perigoso” equilíbrio entre o contingente branco e o não branco na população brasileira. Deixar que esse desequilíbrio se rompesse a favor do segmento branco por meio da reprodução natural da população era aguardar um processo histórico-biológico longo e de resultados imprevisíveis, talvez indesejados. As teses a favor da imigração de povos ideais brancos, latinos e católicos, que iriam, rapidamente, fazer a balança pender para o lado dos brancos, perpassavam toda a retórica da época. Certamente, essas ideias intencionais de branqueamento da população, via imigração, ficam explicitadas, saem dos subterfúgios para a cena histórica, por ocasião da imigração de japoneses, considerados os antípodas dos ideais de um país branco e ocidental (Dezem, 2005). No tocante à política de branqueamento do país, os amarelos, então, se igualavam aos negros. Nesse sentido é oportuno recuperar o Decreto 528 assinado por Deodoro da Fonseca, logo no início de  seu governo presidencial. Em seus três primeiros artigos, esse decreto especifica que nãoteriam livre acesso aos portos brasileiros, como imigrantes, os “indígenas da Ásia e da África” (Borges Pereira, 2000).
A busca de trabalhadores sérios, que sabiam ou podiam se dedicar plenamente às tarefas produtivas que marcaram o terceiro ciclo da economia nacional – lavouras de café -, é apontada, corriqueira e enfaticamente, como o grande fator de estímulo à imigração estrangeira.
O negro na sociedade brasileira
Essa política levada a cabo pelo governo da época mal dissimulava a ideia de que o negro era o contraponto do ideal aspirado. Na fase escravocrata, nos dois ciclos econômicos anteriores pelos quais o país havia passado, ele fora o ator social subjugado que atuava na cena da produção do açúcar e da exploração dos minérios. Na grande plantação, que iria alicerçar e construir a elite política dominante da República, o recém-liberto, taxado de mau trabalhador agrícola, sai da cena rural a caminho das incipientes cidades, em busca de um espaço em uma estrutura ocupacional pouco diversificada e pouco receptível à mão de obra desqualificada. Nesse instante histórico, segundo Florestan Fernandes, é que a mulher negra encontra seu nicho de ganho em casas de famílias brancas mais abastadas, tornando-se, em oposição ao homem, o ser que trabalha e com o seu trabalho sustenta a sua casa (Fernandes, 1964). É essa situação de precariedade socioeconômica que coloca a mulher na chefia da família e fornece os ingredientes para que o imaginário brasileiro construa a figura do homem negro como indivíduo preguiçoso, desinteressado do trabalho, vivendo às expensas da mulher.
Tal situação é captada pela sensibilidade do negro, que a transmite por intermédio da música, um dos únicos recursos que essa população discriminada encontrava para expressar seus anseios e denunciar os problemas que envolviam a então autodenominada “raça”. Samba de autor anônimo ou composição coletiva, que segundo João da Baiana, um dos “heroicos” desse gênero musical, teria sido composto no começo do século, expressa muito bem esses dilemas nas festas da Penha:
“Roelá. Roelá
Vamo vadiá minha nega (pois) amanhã eu
[vou embora
que é que eu vou levá?
Levo pena e saudades
coração pra te amá
Cê de mim pode falá: meu amor não tem
[dinheiro
não vai roubá pra me dá
no tempo que ele podia
me tratava muito bem
hoje está desempregado
não dá porque não tem
Quando a polícia vier e souber
quem paga casa pro homem é mulher
O que é que eu tenho com a polícia?
quem manda em mim sou eu
hoje está desempregado
Ele também já me deu”
(Borges Pereira, 2001).

A associação entre essas duas buscas – a do branqueamento/ocidentalização do país e a do perfil ideal do Homo economicus (para usar expressão meio fora de moda) – marca todo o projeto e a política imigrantistas do Brasil, encurralando, consequentemente, a população negra na vida nacional. A reflexão acadêmica ou intelectual, desde o transcorrer dos séculos XIX e XX, esteve diretamente influenciando essa retórica e essa política. Seria oportuno lembrar que nessa época o mulato Nina Rodrigues, professor de medicina legal da Universidade da Bahia, antecipando teses de um Brasil dual, tão festejadas nas décadas de 50 e 60 (século XX), apontava em suas pesquisas e reflexões a existência de dois Brasis a se contraporem: de um lado, um Brasil arcaico, pobre, sem perspectivas de progresso; de outro, um Brasil moderno, rico ou mais rico, pautado pelos ideais do progresso. O Brasil primeiro era o Brasil onde predominavam os negros; o Brasil segundo fora colonizado pelos imigrantes brancos – o Brasil Meridional.
Esse deveria ser, na opinião desse autor, o Brasil ideal, o país a ser construído. Há no pensamento de Nina Rodrigues, como se sabe, profundas influências das escolas criminológicas italiana e, principalmente, francesa. É um pensamento que flui de uma intensa e sistemática biologização do mundo, característica do século XIX, do qual brotam as teses racistas (Nina Rodrigues, 1935).
Esse tipo de pensamento, sempre desfavorável ao negro, perdurou pelos anos seguintes nos cenários intelectuais e políticos do país, pelo menos até o final dos anos 20 (século XX), sendo pouco a pouco, até os dias atuais, bloqueado por uma crítica sistemática da questão racial brasileira (Seyferth, 1996).
Alcançado por essa dupla discriminação – raça e vagabundagem -, o negro se viu sistematicamente colocado à margem das esferas mais significativas da sociedade. Encurralado, sobrou-lhe como único e semipermitido espaço social para desenvolver sua sociabilidade entre os seus pares os eventos e precários redutos lúdico-religiosos que o grupo mesmo criara, às vezes dentro de modelos adotados pelas camadas brancas. Essa alternativa, às vezes, apenas tolerada ou mesmo proibida pela repressão policial até o final da década de 20, transformava o negro refém em seu próprio mundo. No primeiro samba gravado com esse rótulo, em 1917 – “Pelo Telefone” -, o compositor Donga denuncia essa iniquidade de que era vítima a população negra do Rio de Janeiro. O mesmo compositor relata em entrevista pormenorizada essa ação policialesca contra as reuniões festivas do negro e a busca de abrigo do grupo nos tradicionais terreiros de candomblé da ex-capital (Borges Pereira, 1997). Ironicamente, essa alternativa de sociabilidade que lhe foi franqueada, ou semifranqueada, agrega à imagem do negro mais um quesito que reforça a ideia de homem vagabundo – a do homem lúdico e mágico, apenas preocupado com as coisas sem importância, improdutivas, de uma nação que se orientava já pelas linhas de um futuro capitalismo. E, assim, constrói-se na sociedade nacional a “identidade deteriorada” do negro brasileiro (Goffman, 1975).
REDEFININDO A IDENTIDADE
A reação dos negros a essa imagem estigmatizada se dá, de forma titubeante, com uma incipiente imprensa, nos primórdios da década de 10 (século XX).
Essa imprensa manifestava grande preocupação pedagógica, ao tentar ensinar aos negros como viver entre brancos, como dominar suas maneiras de se trajar, suas etiquetas, como se portar civilizadamente à mesa de refeição. Além disso, observa-se nesses jornais contínuo apelo ao bom comportamento em bailes, evitando transformá-los em “frege”. Além disso, nota-se ao lado de elencar locais e dias festivos, principalmente “reuniões dançantes”, nítida preocupação em alertar os negros para a necessidade de cultivar o trabalho e não apenas o lazer (Pinto, 1993). O comportamento da mulher negra é, também, uma preocupação constante, quase puritana, nesses jornais. É como se a mulher fosse a precipitadora de situações morais indesejáveis, que poderiam macular a imagem do grupo (Queiroz Jr., 1975).
Posteriormente, com o surgimento de uma imprensa, também alternativa, criada por imigrantes, observa-se o delinear de confrontos identitários entre os recém-chegados e os negros, registrados nos discursos de ambas as imprensas étnicas (Mello, 2005).
Nos princípios dos anos 20, surge o Movimento Modernista, que pode também ser visto como movimento que conduz à exaltação da negritude brasileira. Os atores sociais que atuaram com destaque nesse movimento que pretendia ser de renovação da cultura nacional não eram negros, a não ser que se categorize como tal Mário de Andrade, portador, como se sabe, de inegáveis traços negroides. Dentre os que aderiram ou mesmo fizeram o movimento, simbolizado na Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922, há grande presença de italianos, ou descendentes de primeira geração de imigrantes peninsulares. Assim, Menotti Del Picchia inagura, em 1917, a poética de exaltação do negro com seu clássico poema – Juca Mulato. Nessa linhagem temática situam-se Cândido Portinari, com os seus tipos humanos amestiçados, curtidos pelo trabalho, como que cheirando a suor. Di Cavalcanti dedica-se à glorificação estética da mulata, enquanto Jorge de Lima faz apologia poética de sua “negra fulô”. Francisco Mignone, alertado por Mário de Andrade, alimenta sua inspiração musical a partir de expressões da cultura negra. Destaca-se no repertório de Mignone, dentro dessa temática, a composição Quarta Sinfônica para piano e orquestra, baseada na música de uma escola de samba do Rio de Janeiro.
Como se deduz, não há a presença do homem negro, mas sim a exaltação do que se entendia então por cultura negra como sinônimo de popular e folclórico, dando consequentemente maior visibilidade ao negro tomado como espécie de autenticidade nacional de brasilidade. Todavia, é de se registrar que, mesmo ausente como ator social, a identidade do negro ganha contornos positivos por intermédio do modernismo da década de 20 (século XX). Afinal, a identidade de um grupo se constrói, passando inevitavelmente pela cultura a ele associada, lógica ou historicamente.
O negro como ator social ressurge na transição da década de 30 (século XX) na figura da Frente Negra Brasileira, idealizada e liderada por Arlindo Veiga dos Santos, professor da Faculdade de Filosofia São Bento e jornalista do Correio Paulistano. Sua proposta de luta era a ascensão do grupo negro na sociedade brasileira, paradoxalmente, dentro de um ideário conservador, diria mesmo, à direita desse pensamento. Nesse ponto, a FNB se aproximava muito de uma organização paramilitar, espécie de face negra do patrionovismo que unia um catolicismo antiliberal e nacionalista a um projeto político igualmente antiliberal e nacionalista, nas vizinhanças do integralismo de Plínio Salgado. Além do mais, a Frente Negra Brasileira, em sua proposta original, pregava o retorno do país ao regime monárquico, ao mesmo tempo em que criticava o projeto imigrantista que havia beneficiado os estrangeiros e deixado o negro à mercê de suas próprias desditas. Ao tentar se transformar em partido político, a FNB foi desfeita por Vargas; antes, porém, já estava internamente dilacerada por confrontos entre militantes de esquerda e militantes de direita (Malatian, 1990). Muitos frentenegrinos (autonominação) formaram, cada qual em suas posições ideológicas, a militância negra posterior, denominada hoje “velha militância” em oposição aos que, na geração de 70, assumiram a liderança do “protesto” negro (Cuti, 1992; também Lucrécio, 1987). Cabe observar que foram os “velhos militantes” que contribuíram com suas histórias de vida para que Roger Bastide e Florestan Fernandes realizassem a primeira pesquisa sociológica sobre a questão racial, na década de 50 (Bastide & Fernandes, 2006).
No final da década de 40, período da Segunda Guerra Mundial, Abdias do Nascimento cria o Teatro Experimental do Negro (TEM), encenando peças de repertório clássico do teatro universal. O TEM permaneceu como um marco na história da redefinição da identidade do grupo. Porém, é preciso reconhecer que a mensagem transmitida pelo teatro de Abdias não alcançava a população que seria por ela beneficiada, pois era uma mensagem que saía das esferas da cultura erudita à qual o negro não tivera ainda acesso. De qualquer forma, ao estudioso, o TEM denuncia os sinais da identificação de uma identidade étnica a uma identidade de classe média, que é hoje uma das chaves para se entender esse processo identitário complexo, porque pleno de dilemas e contradições entre “raça”, “classe” e “gênero” (Soares, 2004).
O MOVIMENTO REATIVO NEGRO NA HISTÓRIA PRESENTE
Na noite do dia 7 de julho de 1978, um grupo de jovens negros protestou na escadaria do Teatro Municipal de São Paulo contra dois atos discriminatórios: o primeiro referia-se à proibição de adolescentes negros de praticarem natação em um clube da cidade; o segundo era endereçado ao regime militar que dominava ditatorialmente o país e fora responsável pela prisão e morte de um operário negro. Nascia, assim, o Movimento Negro Unificado (MNU) que, dentro de um referencial ideológico marxista, propunha reverter a situação do grupo na sociedade brasileira a partir de uma reconstrução da identidade do negro. Isso significava, entre outras coisas, a eliminação da cena social da tradicional “identidade deteriorada”, substituindo-a por uma imagem positiva da qual o próprio grupo deveria se orgulhar.
Da agenda do MNU constava:
1) Redefinir, a partir da própria estética, a imagem do negro, enquanto expressão de um corpo não branco. Entram nesse item as preocupações com a beleza negra, principal, mas não exclusivamente, com a beleza feminina. Ganham destaque, como expressão dessa nova identidade ligada à estética negra, os cosméticos e o cabelo. Tais preocupações abrem brechas no mercado consumidor, gerando salões de beleza étnicos nas principais cidades brasileiras e indústrias de cosméticos que, por sua vez, estimulam uma publicidade que tem como alvo o grupo negro (Gomes, 2006).
2) Eliminar os quarenta rótulos pelos quais em diferentes regiões do país se nominavam o preto e seus mestiços (Harris, 1967). Para tal seria adotado o termo abrangente “negro”. Essa estratégia de nominação única procurava alcançar dois objetivos politicamente relevantes para o grupo: em primeiro lugar o número e o percentual da população não branca, doravante chamada negra, cresceria a ponto de recuperar o equilíbrio registrado no final do século XIX. Em segundo lugar, se construiria a rede de solidariedade intergrupal, cuja ausência impedia uma ação política conjunta. Enfim, tentava-se com essa estratégia eliminar as distâncias entre gênero, religião e políticas partidárias (Valente, 1986).
3) Estabelecer propostas positivas de valorização dos quilombolas, de exaltação do herói mítico Zumbi, de estímulo e criação da Semana da Consciência Negra; colaborar para o esmaecimento no imaginário negro e nacional do dia 13 de maio como símbolo de uma redenção outorgada; exaltar a cultura chamada negra no país em que se destacam como expressões diacríticas a música, as religiões afro e a fertilização da cultura brasileira a partir das contribuições dos negros.
4) Vigiar, até o policiamento, os meios de comunicação de massa, em especial a TV, para, a um só tempo, aumentar, positivamente, a visibilidade do negro nas telas e eliminar, se possível, de uma vez, a imagem negativa do negro malandro, sem escrúpulos, risível, enfim, do “negro caricatural”, que se perpetua e incomoda o grupo desde a fase do rádio (Borges Pereira, 2001; também Fonseca, 1994). Essa vigilância saneadora alcança até os artistas negros que se prestam a representar tais papéis (Araújo, 2000).
5) Eleger a educação superior, universitária, como um dos mais poderosos recursos para reverter os sinais. Essa ideia, impregnada fortemente por uma mística do poder da escola num processo de ascensão social, parece ser unanimidade entre os negros, militantes ou não. É possível distinguir na busca desse objetivo duas estratégias do grupo. A primeira, reatualizando uma estratégia da autodenominada elite negra das décadas de 40 e 50 (século XIX), usa–se a negociação com representantes de camadas mais privilegiadas da população branca (políticos, empresários, profissionais liberais, instituições de ensino) para concretizar os ideais desse segmento. A segunda, ao invés de negociação, prefere uma estratégia baseada na contestação pública e até mesmo no conflito ao topar com os entraves sociais a sua projetada trajetória. Dessa última estratégia, marcada por anseios de camadas mais carentes do grupo negro, nascem as reivindicações de cotas raciais junto às universidades públicas.
6) Finalmente, não aceitar a pluralização do movimento negro: ele é único, embora comporte várias faces, atuando cada qual em seu tempo, cada qual em seu lugar, cada qual com suas estratégias de luta (Borges Pereira, 2007).
Os próprios militantes atuais reconhecem ser esta uma agenda ambiciosa, ainda que admitam que a imagem que se tem do negro hoje não seja mais a desgastada imagem de décadas atrás. E o que é mais relevante: o negro já se liberta da ideologia reflexa, da imagem do espelho do “outro”, historicamente construída desde tempos pretéritos. Em outras palavras, o negro já se vê com seu próprio e renovado olhar, embora saiba que resta muito a se fazer. Por negros e por brancos, a favor de negros e brancos, em busca de uma cidadania plena – pedra de toque de um Brasil plenamente democrático.


FONTE:http://www.geledes.org.br/o-negro-na-sociedade-brasileira-por-joao-baptista-borges-pereira/#axzz3NxnNyMX0