terça-feira, 22 de outubro de 2013

Posição sobre o leilão da Libra.

É NÓS POR NÓS

Como membro do Condedine Bom Jesus do Itabapoana-RJ e integrante da Banca É Nós Por Nós/Noroeste-Fluminense que compreende os seguintes membros Cayo Valentim, Maykão Marques, Betinho Carlos Roberto e Sergio Pimenta, expresso a minha opinião sobre a autorização dos mesmos sobre o leilão da Libra:

Apesar das manifestações, protestos e críticas que também são construtivas há de se destacar a importância desse leilão. A região do campo de libra que tem a maior camada de pré-sal do Brasil foi leiloada a título de partilha e essa parceria com as multinacionais tem uma importância histórica, pois trará grandes investimentos nas áreas da EDUCAÇÃO e SAÚDE como também um aumento significativo na QUALIDADE DE VIDA dos brasileiros. Um avanço inédito foi dado. Contudo não podemos esquecer que o Estado Brasileiro, e não a Petrobrás detém 85%. Não podemos sempre enfatizar uma empresa estatal como representante máxima de um povo. Ressaltando o que a nossa presidenta disse

"O modelo de partilha que nós construímos significa uma grande conquista para o nosso País. Com ele, estamos garantindo o equilíbrio justo entre os interesses do Estado brasileiro e os lucros da Petrobras e das empresas parceiras. Trata-se de uma parceria em que todos sairão ganhando. Pelos resultados do leilão, 85% de toda a renda a ser produzida no campo de Libra vão pertencer ao Estado brasileiro e à Petrobras. Isso é bem diferente de privatização"

Durante os anos de concessão, prazo é de 35 anos, o Brasil arrecadará em torno de R$ 700 bilhões de reais e como disse a nossa presidenta “é o nosso passaporte para o futuro”. Assim sendo, vamos caminhando e fiscalizando para que realmente cheguemos há um futuro de igualdade social, econômica e justa para todos.


Att: Marcelo Silles

É Nós Por Nós

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A IMPOSSIBILIDADE DE UM NEGRO SER RACISTA



Constantemente em rodas de conversas ouço alguém, leia-se branco, dizendo: “Os nego tão ficando racista” (...) “que nego racista”. O “racismo ao contrário” é bastante evocado em discussões sobre o tema; seja para transferir/redimir a culpa ou mascarar as mazelas causadas, exclusivamente, aos negros, pelo racismo. Os brancos estão passando por um surto de coitadismo. Frente a algumas iniciativas negras, nota-se um apequenamento e intensa tentativa de provar que negros estão tão racistas quanto brancos.

Carlos Moore
Vejamos o que Carlos Moore, em O Racismo Através da História, nos fala,
“... o racismo beneficia e privilegia os interesses exclusivos da raça dominante, prejudicando somente os interesses da raça subalternizada. O racista usufrui de privilégios e do poder total enquanto o alvo do racismo experimenta exatamente a experiência contrária.” Ele continua;“O racista se beneficia do racismo em todos os sentidos: econômica, política, militar, social e psicologicamente. Não somente ele se sente superior, mas vive uma vida efetivamente superior à vida daqueles que ele oprime.”

                                                                                                                                                                                                                                                    
Ora, um negro pode até cometer algum tipo de preconceito contra uma pessoa branca, mas ele nunca cometerá racismo. Para isso ser possível a estrutura dominante mundial, ou no mínimo nacional, precisaria ser drasticamente mudada; os negros passariam de oprimidos a opressores. Aí sim, um negro poderia ser chamado de racista e usufruir “... privilégios econômicos e sociais que são negados à população-alvo.” Deter “... um poder hegemônico, de fato, na sociedade...” Que lhe permitiria “... reproduzir e perenizar as estruturas de dominação sócio-raciais em favorda sua prole e dos seus descendentes genéticos...” C. M. – Racismo Através da História.



Para haver um "racismo negro" a estrutura de poder teria que mudar.




No documentário Café com Leite – Água e Azeite? O Antropólogo João Batista Félix resume bem a questão; “Discutir racismo no Brasil é discutir relação negro e branco. E discutir relação negro é branco é: o branco é racista e o negro não é racista. Eu, por exemplo, todo debate que eu vou não engulo mais essa discussão; - ‘Ah, mas tem negro que não gosta de branco’. Tem. Mas ele não é racista porque racismo é uma ação de poder; quem tem poder é o branco.”

Com a falácia de que o negro está racista iguala-se o racista branco com o “racista” negro – notem o perigo que isso representa; podendo um negro ser racista qualquer ação que vise à melhora de condições da raça (termo sócio-político-cultural) negra pode ser acusada de racista;cotas, por exemplo. Portanto, cuidado. Não sejam vocês reprodutores de um discurso de caráter, no mínimo, duvidoso.


FONTE:http://ofensivanegritude.blogspot.com.br/2010/10/impossibilidade-de-um-negro-ser-racista.html

Pesquisa revela: mais de 90% das meninas que trabalham no Brasil são negras



De acordo com dados divulgados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 93% das crianças e dos adolescentes envolvidos em trabalho doméstico no Brasil são meninas negras. Em números absolutos, são mais de 241 mil garotas executando tarefas domésticas na casa de terceiros.

Os dados foram divulgados pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), no estudo O Trabalho Doméstico no Brasil, com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, a mais recente. Em relação à cor, o perfil dessas crianças e jovens indica que 67% são negras.

Estima-se atualmente que haja cerca de 3,7 milhões de crianças e adolescentes dos 5 aos 17 anos trabalhando no Brasil, segundo dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mundo, há mais de 168 milhões de crianças e adolescentes (entre 5 e 17 anos) trabalhando no mundo, das quais 85 milhões em atividades consideradas as piores formas – que são perigosas, insalubres ou abusivas.


Fonte:http://ofensivanegritude.blogspot.com.br/2013/10/pesquisa-revela-mais-de-90-das-meninas.html

TARJA PRETA, FALSA ABOLIÇÃO.






sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A DINÂMICA PERSPECTIVA DA CULTURA NEGRA EM BOM JESUS DO ITABAPOANA-RJ

MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL NA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE & RAPPER.

A manifestação da Cultura Negra em Bom Jesus – RJ se desenvolve ritualisticamente em celebrações de beleza, festa e o que podemos dizer de certo encobrimento da verdadeira história da negritude bom-jesuense. O negro é lindo, o reconhecimento do valor do negro, que o negro tem importância histórica e os mesmos blá, blá, blá de sempre.

Perpassa aos intelectuais bom-jesuenses em que muitos não entendem o devir negro em sua diáspora. Muitos, ou melhor, dizendo em sua máxima maioria, não sabem interpretar a sua importância ancestral, histórica, política e cultural para as gerações pretas vigentes e vindouras. Reina um ambiente tipo deixa disso, o negro é lindo e tem sua importância na sociedade, um discurso romântico-meloso para não deixar passar em branco o dia da Consciência Negra no dia 20 de novembro. E o Novembro Negro e sua máxima importância simbólica e representativa onde fica? E o cotidiano preto como fica? E que importância é essa do preto na sociedade?

Perguntas que sempre ficaram e ficarão sem respostas em Bom Jesus se nós pretos deixarmos sempre aqueles que acreditam que tem o direito de discursarem por nós, continuarem injetando os seus engodos execrados de bons samaritanos e cordialidades. Continuará sempre assim, se continuarmos a deixar aqueles que se quer conhecem Ganga Zumba, Grande Zumbi dos Palmares e Dandara contarem nossas histórias de acordo com a versão deles.  

O que se pretende hoje a reparação da escravização e a exploração do negro vincula-se apenas a praticidade, objetividade do que convém, rompendo totalmente com os vínculos ancestrais e afetivos. Certo afirmar também de que alguma forma a pomposidade midiática entorno do negro deturpa e desmitifica a formação na diáspora calhando num túnel do tempo brutalmente plausível a realidade na qual se encontra, transformando mercenariamente a data e o mês do negro em campanhas político-partidárias e de interesses escusos.

Como seria lindo e belo um documentário sobre a história de formação do Tupi Dancing Clube do Senhor Toninho do Tupi, mestre dos Bonecos do Tupi onde presidiu com fervor a Escola de Samba Tupi que por muitos anos abrilhantou os carnavais bom-jesuenses. Relatam-se histórias de segregação e perseguição na época de funcionamento do Tupi Dancing Clube. Alguns munícipes já comentaram comigo que o Tupi era o local dos pobres e pretos e que o Aero Club era o local da elite e dos brancos bom-jesuenses. Um grande homem para ser homenageado na data máxima do povo preto brasileiro, mas se quer é lembrado por aqueles que se dizem doutores da cultura negra bonjesuense. A verdade é que não passam de oportunistas e aproveitadores.

As caricaturas condensadas e prontas deixam visivelmente a estética corporativista dos festejos, nos discursos e atrações alegóricas. São produtos do famoso toma lá da cá e do cala a boca em contrastes que remetem a aparência enganosa temperada de sofismo e maqueavelidade. Como disse a escritora moçambicana Paulina Chiziane “nós temos medo do Brasil”. Fica objetivado o intento de vender, ainda, uma branquitude brasileira um antigo sonho de exterminar todos os não-brancos brasileiros. O marketing branco brasileiro confunde a cabeça de nossos irmãos na diáspora que quando pisam em solo brasileiro, vêem um outro Brasil que não é transmitido lá fora em suas terras. Essa confusão cultural e racial é proposital.

Capitaneada pela elite e a classe média, a cultura e historicidade negra brasileira afastou-se de sua diáspora, cabe as futuras gerações e as de hoje uma reflexão profunda do Devir Negro no que tange ao mês máximo de nossa celebração no que ele representa hoje para nós enquanto descendentes afros e pretos. Necessitamos urgente refletirmos do debate situacionista entorno de nossas causas e interesses. A revolução também é tida enquanto nos reconhecemos descendentes na ancestralidade, defensores e multiplicadores de nossa diáspora, para reproduzirmos gerações pretas bom-jesuenses cidadãos conscientes com sede do saber de sua genealogia histórica e ancestral. O resgate do verdadeiro sentido do Novembro Negro e do dia 20 de novembro Dia da Consciência Negra, faz-se oportuno e necessariamente urgente em Bom Jesus do Itabapoana-RJ.


Viva Zumbi! Viva Dandara! 4P.

Eu sou negro, lindo e Orgulhoso!


Em um período de afirmações e definições, defender sua identidade é fundamental pra sua autonomia. Por isso assistam Wattstax. Documentário essencial pra se entender que eu somos nós.


FONTE: http://fabioemece.blogspot.com.br/2013/10/eu-sou-negro-lindo-e-orgulhoso.html

STREET TV ENTREVISTA "EVA RAPDIVA"



R.M.G Apresenta: Barbie Killer - "Pratos Limpos" ft. Célio Py (Prod. Billy Beatz)


República Music Group (R.M.G) nos traz hoje a segunda faixa da Barbie Killer com o seu selo contando com a participação especial do rapper Célio Py.
Mais uma música hospedada pelo “Deejay Sipoda”, proveniente da mesma equipa (R.M.G) e produzida pelo grande produtor da nova escola “Billy Beatz”.

Barbie Killer – Pratos Limpos Feat Célio Py (Prod. Billy Beatz)

FONTE: http://www.hiphopangolano.net/2013/10/rmg-apresenta-barbie-killer-limpos-ft.html

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

AZAGAIA - ABC DO PRECONCEITO


Imagino que muitos tinham dado por fim a carreira do Azagaia diante dos últimos acontecimentos. Quem pensou assim errou, Azagaia só não está de volta porque nunca ausentou-se, este video é a prova de que o homem jamais perde a majestade.

Parabéns ao mano Azagaia pelo tema de abordagem na música, pela musicalidade e pelo videoclipe, como se diz na gíria em Luanda, Azagaia está no lume (num bom momento). Assista ao video e deixe o seu comentário.   



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

DEUSES AFRICANOS RETRATADOS EM INCRÍVEL SÉRIE FOTOGRÁFICA


Acho que podemos entrar em consenso sobre uma coisa: Em um geral, sabemos pouco sobre a mitologia africana. Conhecemos Zeus e Deus muito bem, Thor e Loki estão aí se digladiando em batalhas de milhões de dólares... Mas, se formos parar pra ver, poucos de nós conhecem bem os orixás de religiões como Umbanda e Candomblé. Uma Iemanjá ali, um Xangô aqui, Salve, Jorge! ao fundo — Jorge esse que não deixa de ser Ogum —... A verdade é que a integração das religiões afro na sociedade é pouco difundida, então mesmo sabendo alguns nomes por aí, é difícil quem saiba dar forma a esses deuses. E eu me incluo aí, infelizmente conheço muito pouco dessa cultura (mas sou bebê e tenho muito tempo de vida pra conhecer, 2bjs pro recalk idoso).
Mas 'tou aqui trazendo a vocês uma maneira bem interessante de começar a se integrar nesses paraná-paranauês todos: O fotógrafo americano James C. Lewis (nome de celebridade, né? shyck), CEO da Noire 3000 Studios, resolveu ser mítico e criou a série Yorùbá African Orishas, que com todo seu garbo e elegância representa 20 dos mais de 400 deuses da religião nigeriana yorùbá (ler iorubá, num vai inventar pronúncia), que deu origem, por intermédio do tráfico de escravos, a várias ramificações no Brasil, Jamaica, Cuba e Caribe, como Santeria (sim, tipo aquela música lá) e as já citadas Umbanda e Candomblé.
Diferente, no entanto, das ilustrações comumente vistas das divindades, James resolveu fazer uma representação menos adereçada e mais, hã, podemos dizer até que renascentista: Há uma grande valorização da aparência dos deuses, bem no estilo do que podemos encontrar em outras mitologias — com direito a muito músculo e umas feições badass que fariam deles ótimos personagens do Mortal Kombat, sem sacanagem. Então chega mais, vista o terninho do Zé Pilintra e apenax observe esse trabalho mais do que artístico (e como são as representações originais de cada um dos orixás), de quebra conhecendo uma cultura muito da subestimada por aquê:

Aganju: Deus dos vulcões e desertos, também pai de Xangô (em outras histórias, seu irmão).
Representação padrão -
Obaluaiyê: Deus das doenças e enfermidades.
Representação padrão -
Erinlè: Deus da saúde física e bem-estar, médico dos deuses (e segurança de buaty nas horas vagas, combinemos). No Candomblé ele corresponde a Oxóssi.
Representação padrão -
Exú: Deus das encruzilhadas, mensageiro entre humanos e divindades.
Representação padrão -
Ìbejì: Deuses da juventide e vitalidade, também conhecidos como os Gêmeos Sagrados (as moça tá tudo pedindo pr'eles serem sagrados na casa delas qu'eu seeeei) (e são normalmente relacionados aos famosos Cosme e Damião dos docin).
Representação padrão -
Obatalá: Deus da humanidade e retidão espiritual e moral, Rei do Pano Branco e segundo filho de Olorum (o criador do universo). E, na moral, deve dar um pau no Shao Kahn.
Representação padrão -
Obá: Deusa do casamento e domesticidade, esposa banida de Xangô e filha de Iemanjá.
Representação padrão -
Oxumarê: Deus da mobilidade, cobra-arco-íris (ele é uma serpente em algumas representações), guardião das crianças, lorde das coisas prolongadas e controlador do cordão umbilical (Ah, e também é considerado protetor dos LGBT!).
Representação padrão -
Ogum: Deus guerreiro do ferro, trabalho, política, sacrifício e tecnologia.
Representação padrão -
Okô: Deus da agricultura e colheita (e faz ponta de Chris Rock vez ou outra).
Representação padrão -

(pronto pra soltar um Hadouken na tua fuça) Olokun: Deus do oceano abissal, e significa "sabedoria imensurável".
- Representação padrão -
Olorum: Deus e criador do Universo, também conhecido como O Senhor do Céu.
Representação padrão -
Ori: Deus da intuição espiritual e destino. Seu nome significa, literalmente, "cabeça".
Representação padrão -
Orunmilá: Deus da sabedoria, adivinhação e vidência.
Representação padrão -
Oxum: Deusa da beleza, amor, fertilidade e divindade dos rios.
Representação padrão -
Oxóssi: Deus da caça e patrulha, protetor dos acusados e de quem busca justiça (ou seja, protetor da maior parte dos filmes de ação).
Representação padrão -
Oyá: Deusa guerreira do vento, mudanças bruscas e redemoinhos. Poderosa feiticeira (pode isso, povo do RPG? Guerreira, feiticeira e elemental?).
Representação padrão -
(canto deOssanha ou Ossaim: Deus da floresta. Curador natural, guardião das ervas (tem que ter o Mago Branco na party, né, galere?)
Representação padrão -
Xangô: Deus do fogo, raio e trovão. Representa o poder e sexualidade masculinas.
Representação padrão -
Iemanjá: Deusa-mãe da humanidade, divindade do mar, filha de Obatalá e mulher de Aganju.
Representação padrão -

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

EVA RAPDIVA

Já não é segredo para ninguém que Eva, a Rap Diva, está a preparar o seu primeiro projecto a solo. “Rainha Ginga do Rap” é o titulo da primeira mixtape de um dos principais nomes do Rap feito por mulheres e não só da actualidade em Angola. Depois de várias participações, inúmeras views em vídeos de freestyles espalhados pelo youtube,  videoclipes e entrevistas nos principais canais de TV em Angola, é chegada a hora de um trabalho a solo, decidiu começar a promover a sua mixtape lançando o single “A Amiga“.
Em “A Amiga“, conta uma história muito comum nos dias de hoje, em que moças(principalmente) vivem como prostitutas de luxo. Uma história interessante e que certamente chamará a atenção de todos. A faixa foi produzida por Beatoven e co-produzida pelo Condutor e a “amiga” interpretada pela rapper Leo Mi. Eva escolheu hoje, 7 de Outubro, para lançar o single por ser o seu aniversário como “prenda” para si mesma e para todos aqueles que a apoiam…
Fonte: http://www.hiphopangolano.net/2013/10/eva-rapdiva-lanca-faixa-amiga-via-cenas.html

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ARTIGO 5º

MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE & RAPPER.

Abordaram-me numa noite escura, sem estrelas, numa esquina ríspida e traiçoeira. Gritaram em minha direção “parado, mãos para o alto”. Disse-lhes então: ”porque todo esse alvoroço sou da paz seu moço”. Splaft foi-me dado um tapa que ecoou do início da esquina até os confins da mesma. Nunca antes na minha vida, havia sido violentado em minha integridade e caráter, um pai de família firme em suas confecções cumpridor da moral e do dever correto repassado de geração para geração.

Naquele momento senti-me acuado num passado sombrio de capitães-do-mato, segregações, açoites, correntes, cárceres, a mão branca julgando e condenando, censuras que de tão pretérito-imperfeito pareceu-me presente-mais-do-que –perfeito. Fui jogado numa jaula, de uma Blazer azul pego com total truculência por quatro brutamontes fardados que me enforcavam, pisavam em meus pés, costas, barrigas quase rasgando a minha blusa deteram-me como seu eu fosse o inimigo público número um. Quatro brutamontes contra um simples e franzino pai de família, trabalhador de fato, correto em todas suas obrigações civis e militares. Mas isso não bastava, passei a crer a cor me condenava.

Novamente retruquei as agressões “senhor não sou bandido, sou pai de família de bem não arrimo, pestanejo de coisas erradas na minha rua sou bem quisto. Continuavam caçoando, zombando. No momento lembrei-me do que meu pai sempre me ensinava “ meu filho seja sempre correto, direito leve para a vida o que aprendestes em casa” mas essas lições não surtiram efeito no momento.

Ó pátria amada, teu filho nunca fugiu a luta nem mesmo em dias de jogos da Seleção Brasileira entidade de representação máxima de nosso orgulho nacional, junto com as nossas abundâncias recheadas carnalmente para o deleite dos gringos que vêem aqui explorarem o nosso turismo máximo, a pornografia. Na delegacia fui apresentado ao Senhor delegado:

- nacional José, o nacional está sendo acusado e autuado por está em posse de entorpecentes.
- entorpecentes nem sei o que significa essa palavra, Senhor Delegado.
- nacional José, são drogas.
- mas Senhor Delegado, sou um cidadão de bem trabalhador, pai de família, correto, honesto nunca fui bandido meus pais sempre me ensinaram honestidade, nunca mexi com coisa errada, não sou bandido, essas coisas feias não são minhas.
- vejamos foram encontrado em posse do nacional os seguintes flagrantes: 15 buchas de maconha, 30 pedras de crack, 30 sacolés de cocaína e uma farta quantidade de dinheiro proveniente da venda de tais entorpecentes.
- mas Senhor Delegado.....
- o nacional está neste momento preso em flagrante, está sendo autuado nos artigos de 12 a 18 da lei 6368/76 e ficará encarcerado aguardando julgamento.

Preso sem direito a pedir um advogado, sem direito a sursi. A minha família me verá nesse estado deplorável e a vergonha e humilhação já floram na pele. Meu Brasil brasileiro.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança.


Artigo 5º da Constituição Federal.... tudo mentira.