sexta-feira, 13 de setembro de 2013

EXCLUSIVO: OUÇA "Perto de Mim", O NOVO SINGLE DE SORRY DRUMMER FEAT. STEFANIE, RASHID, TATIANA BISPO, DJ NEGRITO! (Prod. Silvera & Sorry Drummer)


Sorry Drummer está de volta! O baterista e super produtor recrutou seus "Friends": os rappers Stefanie e  Rashid, a cantora Tatiana Bispo e o DjNegrito em sua nova música, "Perto de Mim".

Produzido em parceria com o renomado produtor/cantor e compositor, Silvera,  "Perto de Mim" é o   primeiro single oficial de seu próximo álbum 'Sorry Drummer & Friends Vol. 2' que será lançado em 2014 pela gravadora Gueropa Records.

Sorry Drummer lançou seu primeiro álbum, 'Sorry Drummer & Friends' em 2012 que é liderado pelo hit e single "Sair Pra Gastar" com Rincón Sapiência & Filiph Neo.

Ouça abaixo com exclusividade, "Perto de Mim" e diga-nos o que achou na seção de comentários!


CONFIRA ABAIXO TAMBÉM UMA PRÉVIA DE SORRY DRUMMER & FRIENDS


FONTE: http://rollingsoulbrasil.blogspot.com.br/2013/09/exclusivo-ouca-perto-de-mim-o-novo-single-do-sorry-drummer-com-stephanie-rashid-tatiana-bispo-djnegrito.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/NuNcuY+(Rolling+Soul)


HIP HOP ANGOLANO - AS MILIONÁRIAS, SINGLE És o meu mor



BLAHKA TAO




terça-feira, 10 de setembro de 2013

A,B,C DO RACISMO


Mariana Santos de Assis, uma militante do movimento negro que está sempre antenada nas informações e debates sobre muitos temas, já estivemos juntos no Pro-Cotas Unicamp e Pro-Cotas do Mandato Pedro Tourinho e em outras ocasiões e tenho que ressaltar a qualidade do debate que Mariana sempre nos traz de forma simples sem deixar de ser acadêmica.
Segue seu Texto abaixo:
Vivemos um momento importante no Brasil, pois nossa elite branca, finalmente está saindo do armário da democracia racial e botando o racismo na rua abertamente. Por um lado isso facilita nossa vida, pois torna visível e incontestável o racismo em certas falas e atitudes, mas por outro lado, torna mais complicado entender as raízes mais profundas da discriminação racial, as formas cruéis e sutis como os interesses e as estruturas política-econômica-ideológica reverberaram em nossa formação cultural e relações sociais.
Por exemplo, quando brancos se mobilizam contra a entrada de negros em números semelhantes a de brancos nas universidades, quando defendem o espaço universitário como sendo DELES; quando se incomodam com médicas que parecem empregadas domésticas (ao invés de se incomodarem com o fato de não termos médicas, no Brasil, que se pareçam com aquelas de Cuba); quando ainda aceitam e reivindicam elevadores de serviço, quartos de empregada e outras estruturas que demarcam e diferenciam os espaços da casa grande e da senzala; quando não paramos para pensar no medo que um homem negro em uma rua escura nos causa, e sei que causa mesmo; quando não pensamos que a marginalidade dessa parcela da população foi construída por uma história de privações e exclusão, quando dizem que “quem quer consegue”, mesmo sabendo que os negros estão, majoritariamente, pobres, presos ou mortos (vide os dados do IBGE), quando excluímos as produções culturais negras dos espaços valorizados de circulação de conhecimento.
Sempre que brancos assumem essas atitudes ou pensam dessa forma estão sendo racistas, estão, excluindo, reforçando os lugares de subalternidade do negro, nos colocando “no nosso lugar”, não é o fato de não sentirem atração sexual por mulheres negras ou não gostar de samba, funk ou qualquer produção cultural da periferia negra que os tornam racistas, assim como o fato de ter amantes negrxs ou frequentar espaços culturais negros não te torna um grande defensor do povo negro e baluarte da igualdade entre as raças. Isso porque nossa luta não é pela aceitação e admiração do branco, lutamos por um espaço digno na sociedade que ajudamos a construir, lutamos pelos mesmos direitos de escolha e liberdade que os brancos gozam, ainda que sejam pobres, dentre outras coisas por estarem bem mais próximos da “boa aparência” necessária para estar em espaços privilegiados.
Por fim, percebam que falei em brancos sendo racistas, excluindo e reforçando os lugares de subalternidade do negro, muitos gritarão revoltados que negros também são racistas, muitas vezes bem mais racistas que brancos. Lembro as palavras de Carlos Moore, “racismo é sistema de poder… O negro não tem poder de ser racista em nenhum lugar, mesmo se fosse possível”. O que negros fazem ao papaguear as bobagens racistas que faz parte de nossa sociedade é apenas reproduzir, fazer as vezes do negro servil que repete a postura do branco, numa busca desesperada por aceitação em uma sociedade que jamais o verá como igual e só o aceitará se ele, de dentro de seu belo carro importado, com sua linda mulher branca, souber abaixar a cabeça e aceitar seu lugar.
Não há nada mais perfeito para os interesses de nossa sociedade racista do que negros falando contra cotas, contra médicos negros cubanos, contra políticas de ações afirmativas ou gritando argumentos pautados no mito da democracia racial. Saibam apenas que o negro que ainda faz esse papel, nunca será revoltante e odioso como o branco privilegiado que faz o mesmo. O branco quer manter seus privilégios, seu papel de dominador e o nosso de dominados; o negro, por sua vez, quer apenas manter-se seguro, garantir o pão e o pano, ainda que o pau seja inevitável e as noites de batuque na senzala, à luz da lua e das doces lembranças de África sejam o mais próximo de liberdade que chegará. Entendo que muitos ainda não tenham consciência de que pensam e agem assim, mas no fim das contas, mesmo que não seja sua intenção é isso que está fazendo, exatamente isso.


HIP HOP ANGOLANO - EVA RAP DIVA





HIP HOP ANGOLANO - Euclarmany – Dia Das Mentiras ft Hernâni da Silva Prod. Smash


Euclarmany apresenta a segunda musica promocional do EP "Arte Contemporanea" com previsão de saída em dezembro deste ano ou janeiro do próximo. Por enquanto façam o download desta faixa que conta com a participação do conceituado rapper da nova escola de Moçambique Hernâni da Silva, esta contou com produção de Smash. 
Dia Das Mentiras é uma música em que o artista retrata sobre uma possível situação que acontece no  dia 1 de abril da qual ele se arrepende e tenta reverter. A música é uma viajem desde o instrumental ao mais básico suspiro por cima dele. Recomendo a todo o pessoal que ouça e entre na onda do Dia Das mentiras.

FONTE: http://www.hiphopangolano.net/2013/09/euclarmany-dia-das-mentiras-ft-hernani.html

HIP HOP ANGOLANO - Straight Killa - CEO's Talk ft. Amaury Pound


HIP HOP ANGOLANO - Leonardo Shankara - Razão Humana



HIP HOP ANGOLANO - BMP – Esse Cara Não Sou Eu ft. Negro Clássico





HIP HOP ANGOLANO - Dj Soneca - Levels ft Nga & Masta




HIP HOP ANGOLANO - RAPPER TULEWIS




sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O ASSASSINATO NO BRASIL DA PRÁXI-MARXISTA NA MODERNIDADE E A FALSA IDEOLOGIA DA REAL DEMOCRACIA RACIAL

MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE & RAPPER.


Jesus Cristo quando veio ao mundo, não andou em todos os cantos da terra. Existem nações até hoje que se quer ouviram falar no Cristianismo. A mesma coisa podemos dizer do socialismo e do comunismo. Quando Karl Friedrich Marx, com o seu O Capital, inaugurou mundialmente a ideologia comunista-socialista, ele apenas pensou e a formulou nos moldes europeus, portanto se quer Marx havia pensado nas outras civilizações que povoavam toda a extensão terrestre. Assim podemos dizer de seus sucessores ideológicos Vladimir Ilyitch Uliánov, Lênin, e Leon Trotsky. Stálin nem pensar, assassino, carrasco e genocida. Assim sendo, como o capitalismo, o comunismo e o socialismo são ideais brancos.

Vejamos então, o que o socialismo e o comunismo fizeram para os povos pretos e indígenas? Absolutamente nada. Na verdade, os ditos socialistas e comunistas não sabem nem o que é ser preto. Estudar, se doutorar numa cultura não quer dizer que o indivíduo seja realmente detentor de todos os seus saberes. Como sempre digo o negro quando nasce já nasce sendo educado como branco, mas o branco quando nasce nunca é educado como preto. Os ideais socialistas-comunistas destruíram a África, com os seus tiranos ambiciosos no víeis molde de Stalin aplicaram durante anos políticas de austeridade do terror. Na África o socialismo-comunismo mostrou a sua verdadeira face: o socialismo-comunismo sempre foi muito mais capitalista do que os neoliberais. Sangue preto jorrava e manchava a Terra Mãe, sangue derramado pelos próprios irmãos que defendiam um sistema de ideal branco.

“Voltem para as senzalas” “escravos”, foi com essa recepção que os médicos cubanos, muitos negros, foram recebidos no Brasil. E muitos brancos com e total convicção mais de 90% de militantes e compactuantes dos ideais socialistas-comunistas compartilham da mesma opinião racista e xenófoba. Socialistas burocratas que servem para dificultar o avanço de outras raças que não sejam de descendência européia e não façam parte de seu grupinho, essa é a verdadeira razão para que o negro não consiga avançar no Brasil. Idéias de um país igual e justo de acordo com determinantes de linhas burocráticas de um determinado grupo e imposto por ele, já é racismo e xenofobia. Como eu posso atender as necessidades, anseios e desejos de determinados grupos se ao menos nem sei realmente do que eles necessitam e desejam? Se esse grupo vai ao contrário do que acredito e prego, como posso satisfazê-lo com justiça e igualdade?

É dessa forma que os defensores do real socialismo pensam. Que somente a doutrina socialista-comunista é a salvadora do mundo. A história prova que não. O indivíduo tem seus desejos, necessidades, particularidades que nenhum defensor do ideal de justiça e igualdade pode impor em sua condição. Isso se aplica também na política de uma nação, de uma forma geral. Se um determinado grupo concorda com um grupo que possa atender as suas demandas e vá desfavorecer a outros grupos, quem pode impedi-los de tomar tal decisão? O coletivo decidi o que é bom para a maioria e não uma ideologia. E porque os pretos brasileiros que foram oprimidos nessa terra desde que chegaram aqui escravizados tem que ouvir e escutar socialistas-comunistas que chegaram aqui com idéias advindas de ideários europeus? Esses mesmos socialistas-comunistas que são contra cotas ou benefícios que atenda a população preta brasileira são os mesmos que seus ancestrais chegaram aqui com total regalia, terras, salários fixos, com a política de higienização para forçar um embranquecimento total da nação.

Ora encheram o bucho e os bolsos fizeram nome as nossas custas e agora querem nos proibir de usufruir de benefícios que deviam ter sido de nossos ancestrais mais infelizmente não foram? Portanto justiça seja feita reparações de um povo escravizado devem ser compensadas sim. Portanto como descendentes desse povo escravizado todo preto tem o direito sim de se beneficiar dessas reparações sociais e econômicas. Socialismo, idéia que surgiu na Europa feita para os europeus e suas revoluções. Socialismo se quer conhece o ser preto, não sabe o que é já nascer perseguido com os estigmas e chagas epiteliais.

Classes imputam a essa derivação de classes toda a sorte de acontecimentos oriundos do desespero da maioria. Mas as tendências classistas carregam consigo jargões xenofóbicos e racistas. Então pergunto: de que forma os classistas-socialistas-comunistas lidam com isso? Sabem qual a resposta? Não lidam simplesmente porque não sabem e simplesmente porque sempre foram e serão racistas e xenófobos, não respeitam e ridicularizam tudo o que é diferente da vida e gostos deles.


Os socialistas-comunistas modernos e de seus respectivos partidos, não vivem a práxis marxista, na verdade nunca viveram, estão interessados apenas no poder e em seus bolsos nos benefícios que a grande massa pode lhes dá ao segui-los. Portanto digo mais, nós pretos (as) o exército de trabalhadores de reserva temos que nos corporativisar criar mecanismos de inserção e luta no cenário econômico e político. Acredito sim que se embrenhar nos ensinamentos de Marx, em sua principal obra O Capital, seja essencial, mas façamos da forma preta conhecimento marxista para os pretos sem escutar os brancos e suas correlações, eles não estão nem aí para nós. Fica a dica e dito.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

TÁ VALENDO

MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE & RAPPER

Ser moderno é fazer parcerias?
Então sou pós-moderno, sou pós-contemporâneo.
Tirei a figurinha premiada num envelope
Acreditei quem ficou pra trás tchau pro estoque.
Um tipo comédia tentou passar um corre na rua
Vi um nada parecido com coisa nenhuma
Implora por uma milagre a galinha dos ovos de ouro
Chorou dos fly´s que não tinham a sua estampa, coitado, abraço.
Te vejo na próxima remessa
Cada qual com sua cruz vai com calma e sem pressa
Deixei de lado um pouco o stress na memória
Escrevo com letras em negrito minha página na história
Coeficiente numa réplica, tréplica
Nesse exato momento sinto o peso da beca
Fiz a minha cama valorizei termos
Interprete a ideia são vários enredos.
0800 rendeu na medida certa foi bravo
Bem requintado com amores de cruela
Foi sem frescura, mas açoitado na censura.
Não pode extrapolar a imagem das ruas
A muralha boçal despencou não aguentou
Egocentrismo se viu em pane, brochou, miou
É lenda verdadeira tamanho não é documento
Nos menores frascos estão os melhores perfumes então tá valendo.
  
Lundus, Jongos, Gege e Nagô
Séculos de lutas a raiz germinou e fortificou
Hoje frente ao espelho orgulho e graça
Quelé marinheiro só, tem que tá na lição de casa.
Bem decorada pra na hora da avaliação
Ser 100% aproveitamento irmão
Exibição com queixo erguido, esguio
Incomodar a fila dos converser, dos que não crer.
Tenho sangue crioulo sobrevivendo o reboco
Imposto margiamente pra que outros tenham berço de ouro.
Mas o sufoco valeu, fortaleceu a luta,
No dia e sou protegido na noite escura.
Quer revistar a minha mochila toma
Se encontrar B.O. por favor você me conta
Pô nada, que pena foi bom o passatempo
Seu dedo tá coçando, fazer o quê só lamento.
É apenas um atrativo sou bem genuíno
Não sou fominha divido também com meus inimigos
Que são gulosos não esperam ficar pronta a mamadeira
Fazem roc-roc com a boca cheia
Dispensam e ignoram o que me apaixono com certeza
ADORO AS NEGRAS, AMO AS PRETAS
Sou da cor de ébano, da cor do carvão
Perguntar não ofende, sou 100% preto negô, é por isso que.

TÁ VALENDO
TUDO BREU, É MEU
TIRE O OLHO, SACA
JÁ MARCOU A HORA ENTÃO VAZA.
VAI VENDO
O QUAL É, MUITA FÉ, NÃO É PRA QUALQUER, POR ISSO, NEGUINHO TE DIGO.
TA VALENDO
O ESFORÇO ESCOMUNAL, É REAL, NÃO É A TOA, É PRA VENCER DOIDÃO, CONFIRA.
VAI VENDO
CONTAS CIFRAS CONTIDAS, RETIDAS SÓ TA NA FIRMA QUEM ACREDITA, E BOTA FÉ

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

DONA MARIA, PRETA, POBRE, EVANGÉLICA E BONJESUENSE.

MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE-UFF/RJ e RAPPER

Dona Maria, 44 anos moradora do bairro Pimentel Marques cidade de Bom Jesus do Itabapoana, estado do Rio de Janeiro. Preta, pobre, doméstica, evangélica. Dona Maria dividi seus afazeres cotidianos entre os cultos na igreja e a escravização doméstica na casa de uma madame de classe média bom-jesuense. Dona Maria é mais uma entre várias. Trabalha nessa residência mais de nove horas por dia de segunda a sábado, inclusive quando solicitada, aos domingos. A patroa da dona Maria a ameaçou de demissão, se a mesma aderisse aos direitos das trabalhadoras domésticas. Diante do assédio moral feito pela patroa madame, dona Maria recuou, aliás, esse tipo de atitude rebelde se quer havia passado pela sua cabeça. Dona Maria não tem carteira assinada e ganha menos de um salário mínimo.
Dona Maria cresceu numa família pobre, é uma das três filhas de sete irmãos. Têm três filhos duas meninas e um menino, pais diferentes. A sua educação sempre foi baseada na subserviência, estudou pouco, pai rígido de doutrina machista e conservadora, mãe submissa as vontades do marido sempre ensinava que lugar de mulher é nos afazeres doméstico e que não deveria estudar. Dona Maria cursou somente até a quarta série. Durante infância e adolescência, com as constantes violências domésticas, dona Maria passou a freqüentar e a se relacionar mais com as amizades criadas na rua, na vizinhança. Álcool, drogas, sexo e os terreiros passaram a ser rotina em sua vida. Engravidou aos 16 anos, uma menina, o pai não assumiu. Aos 20 anos conheceu Antonio, seu marido, na qual foi reside junto. Aos 20 anos, engravidou-se da segunda menina. Aos 30 anos teve o terceiro filho.
Nada muda em sua nova vida, continuam as bebedeiras, o uso excessivo de drogas, visitas constantes ao terreiro. Não era raro sofrer nas mãos de seu esposo, que a espancava cotidianamente, as crianças assistiam tudo cresciam num ambiente que era para ser familiar e de referência.  A sua filha mais velha engravidou aos 14 anos de um rapaz dois anos mais velho, os dois foram residir na casa de dona Maria. Dois quartos, um banheiro no quintal, uma cozinha. As brigas eram constantes. Dona Maria doméstica, praticamente sustentava a casa. O marido vivia de bicos, alcoólatra sempre chegava bêbado em casa. A menina de 10 anos apenas estudava e ajudava a cuidar da casa e olhar o irmão menor. O genro vivia na rua e a filha mais velha cuidava do seu filho e geralmente não fazia nada.
A rotina teve poucas mudanças, dona Maria continuava as bebedeiras, deu um tempo nas drogas, afastou-se do terreiro. Com o passar do tempo descobre que o genro junto com sua filha estavam traficando. Não demora muito e são presos. Ela agora com 16 e ele com 18. A casa caiu. Mais uma somatória de decepções na vida de dona Maria. Agora com o seu filho mais novo com dois anos, a do meio com 12 e o neto também com dois anos. O marido a larga foge com outra, dona Maria está só, aumenta novamente as doses de bebedeiras, volta a usar drogas, retorna ao terreiro. O tempo passa, a idade chega e a vida continua a mesma. Trabalho exaustivo, bebedeiras, consegue uma vitória largar de vez o vício das drogas e decidi por um ponto final no terreiro. Converte-se ao protestantismo. Fim das bebedeiras.
Orações e leituras diárias da Bíblia, feliz por ter encontrado Jesus, mas a vida de tribulações continuava a mesma. O filho mais novo e o neto, juntos agora com 14 anos. A filha do meio com 24 havia fugido de casa com um homem casado. A filha que traficava, retornou, mas continuou no movimento junto com seu marido e novamente encontra-se encarcerada. O neto e o filho mais novo encontram o mesmo caminho da filha mais velha, as drogas e o tráfico. São funkeiros, classificados pela sociedade do “bem” de Bom Jesus como marginais. Os dois fazem parte da gangue que tem rixa com os outros bairros periféricos, um tipo de status entre as “novinhas” e o estilo bandsta trazido das grandes metrópoles. Algo esporádico, pois de acordo com o histórico periférico, não há motivos para existir esse tipo de conflito urbano em nossa cidade. Mas tudo que é das grandes metrópoles e comercializado como “status” é absorvido pela classe pobre interiorizada. O glamour do crime, sacralizado pela grande mídia, pela classe média e a elite é sedutor, atraente e excitante.
Dona Maria e sua vida sofrida, trabalho, casa e igreja. A sociedade do “bem” de Bom Jesus não está nem aí para ela. É somente uma mera individua preta lutando para sobreviver e manter o seu sustento e de seu filho e neto. São constantes os bilhetes e reclamações da escola onde estudam. O Conselho Tutelar vive em sua porta. Num triste dia recebe uma ligação, filho e neto haviam sido presos. Ao chegar à delegacia encontra-os com as marcas da violência brutal da sociedade em seus corpos. Feridos pelos capatazes, algozes e carrascos servos da sociedade do “bem”. Dona Maria desmancha-se em prantos. Recolhidos cumprirão um período de medida sócio-educativa numa unidade de internação para menores infratores.
Dona Maria, 44 anos moradora do bairro Pimentel Marques cidade de Bom Jesus do Itabapoana, estado do Rio de Janeiro. Preta, pobre, doméstica, evangélica. E lá vai ela caminhando, agora solitária, parentes todos hoje residem na capital, sua residência mantém a mesma estrutura desde início. Hoje domingo dia do Senhor, 07h da manhã, lá vai ela atender aos caprichos da patroa madame de classe média bom-jesuense do “bem”, pessoas do “bem” que não querem ver dona Maria Bem. Oremos e torcemos para que dona Maria encontre a real felicidade e que finde suas tribulações.

História fictícia, mas que representa e reflete muitas histórias de muitas mães pobres hoje em nossa cidade.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A VIOLÊNCIA EM BOM JESUS DO ITABAPOANA/RJ

MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL COM BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE-UFF/RJ & RAPPER.

“....... me persegue até o fim
Nesse momento minha coroa ta orando por mim.
É assim demorou já é,
Roubaram minha alma, mas não levaram a minha fé.
Não consigo nem olhar no espelho
Sou combatente coração vermelho.
Minha mina de fé ta em casa com o meu menor
Agora posso dá do bom e melhor.
Várias vezes me senti menos homem
Desempregado e meu moleque com fome.
É muito fácil vir aqui me criticar
Sociedade me criou agora manda me matar.
Me condenar e morrer na prisão
Virá noticia de televisão.
Seria diferente se eu fosse mauricinho
Criado a sustagem e leite ninho.
Colégio particular depois faculdade não, não é essa minha realidade.
Sou caboquinho comum, com sangue no olho
Com ódio na veia soldado do morro.
Feio e esperto com uma cara de mal
A sociedade me criou mais um marginal.
Eu tenho uma nove e uma HK
Com ódio na veia pronto para atirar.” (Soldado do Morro, MV Bill)

É muito inoportuno e chega a ser uma situação jocosa os relatos dramáticos da situação da violência em Bom Jesus do Itabapoana-RJ. Não estou aqui para defender aqueles que praticam, mas sim de tentar fazer uma análise e desconstruir um paradigma que está sendo imposto por indivíduos ditos do “bem” que do bem não têm nada. Não sou fã e não defendo criminoso, porque se for para debater analiticamente a classe criminosa eu teria que dessecar esse termo em diversas partes, pois em nossa sociedade existem diversos tipos de criminosos. Mas irei basear-me, portanto, nos criminosos ditos comuns: pobres, pretos, periféricos, favelados.

O meu professor e mestre Hélio Coelho que leciona na Universidade Federal Fluminense-UFF/RJ, instituição onde cursei e me formei em Serviço Social, ao participar da minha banca expressou-se no dia: ”quando vamos a Bom Jesus do Itabapoana-RJ, nas partes centrais, podemos observar bem uma cidade de colonização branca européia, não se vê praticamente negros. Você, Marcelo, com o seu TCC nos trouxe uma outra realidade.”

Então vamos a nossa análise. Primeiramente antes de tudo, toda a escalada de violência (furtos, roubos, física, entorpecentes) é culpa irrestrita da sociedade, a construção da violência faz parte do embrionário societário. Portanto a violência é algo gerado e criado pela própria sociedade. Como afirmo isso? Pelo histórico de construção do Brasil: escravidão, genocídios, exploração, racismo, discriminação, marginalização, segregação, corrupção etc. Aí me vem um cidadão bonjesuense culto e diz: “mas não tenho culpa dessa tal construção, o que passou, passou temos que pensar no agora.” E eu respondi: “Ok, mas porque você fica por aí dizendo que sente falta dos anos áureos de Bom Jesus do Itabapoana, então vamos esquecer os anos áureos e pensar no futuro. Os inocentes pagam pelos pecadores.”

A relação de senhorio e a perda desse prestígio representam um dos fatores para o crescente desenvolvimento da violência em nossa região. Qualquer surgimento de uma sociedade no decorrer de seus anos sofre mutações culturais e societárias, isso é algo imutável. Portanto tentar frear bruscamente através de ideologias conservadoras e arcaicas essas transformações é algo de uma mentalidade insana. Durante os tempos ditos áureos de Bom Jesus do Itabapoana-RJ, a gestação do progresso e do desenvolvimento humano foi forçada a sofrer um aborto social, sendo assim impedida de dá a luz ao que podia ser uma prevenção dos males que assim se seguiram, no entanto restrito apenas as regiões margeadas, periféricas. Numa clássica posição paternalista e assistencialista os conservadores e a sociedade em prol pensaram que estariam a salvos desses males se os mantivessem longe de seus arredores.

Não permitir o nascimento do progresso humano e o seu desenvolvimento social sadio com um intervencionismo que garanta uma dignidade social justa, é um dos maiores erros e crimes que uma sociedade conservadora/neoliberal pode cometer. Acreditar que seres humanos nascem para servir e outros para serem servidos assim posso dizer, é de uma bestialidade tamanha. O resultado, portanto é o que vemos hoje. O progresso e desenvolvimento humano precoce de Bom Jesus do Itabapoana/RJ. Sem o acompanhamento e cuidados adequados, sem a intervenção social que deveria ter tido o progresso e desenvolvimento humano vai crescendo de acordo com a forma e adequação da atual sociedade. Se não existiu oportunidades e incentivos o exemplo é “eu aprendo com quem está mais próximo”. Abriram os portões para o desenvolvimento das grandes metrópoles, sem uma estrutura humana adequada, o diagnóstico social apontado para Bom Jesus do Itabapoana/RJ é o de grave crise social e humana.

Humana porque, aqueles que cantam pelos sete ventos a canção “ó Bom Jesus, terra de hospitalidade” pertencem às classes abastadas, não fazem parte diretamente daqueles que são atingidos pela crise social. Esses indivíduos abastados, há anos já enviavam seus filhos para estudarem fora obtendo diplomas das melhores faculdades e cursos. Os que não nasceram abastados ou sendo as margens, tinham que aceitar o que os senhorios lhes davam, ou seja, o assistencialismo e o paternalismo, a caridade em troca do senhorio, o não senhor e o sim senhor.

Social porque é clara e evidente territorialmente as famílias e os cidadãos que sofrem com essa violência. Já sofriam desde o nascimento da cidade de Bom Jesus do Itabapoana/RJ com a discriminação e manutenção da segregação institucional velada, com o impedimento do nascimento do progresso e o desenvolvimento humano, e hoje sofrem com as violências que aterrorizam as famílias cotidianamente, drogas, prostituição, ausência de valores (não me refiro a valores religiosos e conservadores mais valores que sempre foram criminalizados por serem valores periféricos) e a humilhação de assistirem seus filhos sendo carimbados como “criminosos”. Criminosos esses, criados pela própria sociedade que os criminaliza e os condena.  
A história sempre deixou registrada documentalmente e oralmente o percurso e condições em que a violência urbana percorreu e se criou e de como esse sistema tentou ser mantido em um único espaço através de políticas mantenedoras e promovedoras da própria violência urbana em seu espaço rústico-urbano. Dá-se a entender, que esse processo de manutenção proposital perpassa a política de higienização e dizimação social desde a formação do Brasil, processo em que consiste manter os indivíduos indesejáveis e aquém da sociedade dita do “bem” em seus territórios aplicando a auto-segregação. Violência gratuita e manipulada para os deleites dos cidadãos do “bem”.

A violência foi produzida de uma forma peculiar, administrada por um tempo por indivíduos da elite na qual pensavam que poderiam adestrá-la e assim sendo mantê-la sob seu controle. Mas o que se viu e vê foi uma escalada desenfreada da mesma que ao perceber sua dimensão era tarde demais. Agora como conseguir parar algo que nós mesmos criamos e adestramos? Pergunta a sociedade refém de sua própria violência. Pergunta a sociedade dita do “bem” de Bom Jesus do Itabapoana/RJ refém de sua própria violência. Racismo, desigualdade social e injustiça social também são as responsáveis pela violência que vivemos hoje, se o senhor do “bem” não sabe.

Lamentar por águas passadas e ser saudosista, tudo bem direito de cada um. Mas querer culpar indivíduos pelos seus atos individuais apenas, quero deixar claro que não estou o isentando de sua culpa, sem levar em conta a construção histórica das relações de classe e formação desse ambiente violento, é um tanto que injusto.

E segundo Educação vem de berço? Posso afirmar que isso seja relativo. A criança passa por quatro fases de sua educação: a família, a escola, a igreja e a rua. Aí te pergunto como exigir dos pais que eduquem seus filhos de acordo com a moral cristã-eurocêntrica se os mesmos foram educados sobre opressão da mesma? Foram criados segundo os costumes de outros e não dos seus? Foram criados conforme as regras e leis “manda quem pode obedece quem tem juízo”?

Sendo assim, criação com formação opressora cria indivíduos distantes da realidade e suas transformações. Pais pobres com formações conservadoras-opressoras quando educam seus filhos, educam na forma que foram educados em determinada época, portanto não acompanham as transformações que ocorrem no mundo. Portanto educação vir de berço é relativo. Pode ser que funcione como pode ser que não, dependerá da formação de cada caráter. Dependerá de saber a distinção de certo e errado, em casos em que o certo é errado e o errado é o certo. Certo e errado, o bom e o mal são infinitas incógnitas.

Olhemos e analisemos o passado para podermos realmente julgar, condenar e culpar os verdadeiros culpados pela sociedade violenta a qual vivemos, não nos direcionemos somente a um indivíduo e suas associações.

“Todos os homens nascem bons, as sociedades que os corrompem.” (Rosseau).