sexta-feira, 9 de agosto de 2013

LEI 10.639 - Coleção História Geral da África em português - coleção completa


8 volumes da edição completa.

Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.
Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.
Download gratuito (somente na versão em português):
  • Volume I: Metodologia e Pré-História da África(PDF, 8.8 Mb)
    • ISBN: 978-85-7652-123-5
  • Volume II: África Antiga (PDF, 11.5 Mb)
    • ISBN: 978-85-7652-124-2
  • Volume III: África do século VII ao XI (PDF, 9.6 Mb)
    • ISBN: 978-85-7652-125-9
  • Volume IV: África do século XII ao XVI (PDF, 9.3 Mb)
    • ISBN: 978-85-7652-126-6
  • Volume V: África do século XVI ao XVIII (PDF, 18.2 Mb) 
    • ISBN: 978-85-7652-127-3
  • Volume VI: África do século XIX à década de 1880 (PDF, 10.3 Mb)
    • ISBN: 978-85-7652-128-0
  • Volume VII: África sob dominação colonial, 1880-1935 (9.6 Mb)
    • ISBN: 978-85-7652-129-7
  • Volume VIII: África desde 1935 (9.9 Mb)
    • ISBN: 978-85-7652-130-3













Preconceito racial, discriminação e racismo, distinções de letramento - Por Cidinha da Silva


Certos amigos, aborrecidos, perguntam-me se gosto de tudo em Lado a lado. Não, não gosto de tudo. Fico incomodada, por exemplo, com a frouxidão da personagem Eulália (Débora Duarte), sinto falta de coerência. Num dia ela se junta ao povo na manifestação em frente à delegacia para libertar Jurema (Zezéh Barbosa), a mãe de santo e quitandeira negra, valendo-se de discurso respeitoso à uma mulher religiosa, mesmo que não seja a sua religião, como declara ao filho delegado (Guilherme Piva).
 
Em outro dia, durante jantar familiar, Eulália diz que a neta Sandra (Priscila Sol) não deveria passar tanto tempo no morro ao lado daquela mulata, referia-se a Isabel, personagem de Camila Pitanga. Pode ser que a gênese de Eulália seja mesmo a incoerência, a tergiversação de acordo com a conveniência (como é comum nas relações entre brancos e negros no Brasil), mas me parece muito mais a necessidade de oferecer texto para que uma atriz consagrada como Débora Duarte tenha mais ação nas cenas. Eu ficaria mais contente, caso a carolice dela fosse mais confrontada com os valores de Padre Olegário (Cláudio Tovar), personagem interessante, interpretado por um ótimo ator.
 
Não gosto também da relação entre Sandra e Teodoro (Daniel Dalcin). Há um buraco ali. Sandra amamenta. Que marido em lua de mel não percebe isso? Leite materno tem cheiro, gosto, será que o ex-donzelo não faz nada com a mulher amada que o obrigue a perceber o cheiro e o gosto do leite?  A não ser que, por amor, Teodoro já tenha entendido tudo, mas mantenha-se calado. Leite vaza, empedra o peito de uma mulher que amamenta de maneira errática como Sandra. Estamos diante de uma mãe inverossímil.
 
O bom mocismo romântico (e machista lustroso) de Edgar (Thiago Fragoso) é cansativo. Ele perdeu uma chance enorme de crescer como homem ao reduzir a sociedade na escola de Isabel à promoção de um espaço para sua amada trabalhar e realizar um sonho. É muito pouco diante de causa tão imensa (possibilitar a escolarização de crianças negras 25 anos depois do fim da escravidão). Espero que a inauguração da escola possa tocar seu coração de mocinho apaixonado, para a compreensão de seu papel estratégico como mecenas da educação dos negros. Que Edgar coloque a própria fortuna, construída honestamente, a serviço do crescimento intelectual, esportivo, cultural dos negros que o cercam. Seria um ótimo recado para o pessoal de hoje. Este mesmo que bate nos ombros dos negros, chamando-os de irmãos, de manos, quando são acolhidos nos espaços de socialização dos negros, mas não fazem ação afirmativa de promoção da igualdade racial na própria empresa.
 
Mas o que mais me desagrada é a forma como a expressão preconceito (sequer é o preconceito racial) tem dissimulado a força da discriminação e do racismo ao longo da trama. Meus amigos dizem que é por ação de Ali Kamel, orientação global. Tenho dúvidas, a mim parece mais a ausência de letramento racial.
 
O preconceito é aquela concepção interna que uma pessoa carrega e só se torna conhecida quando é externada de alguma forma. Na novela,  Albertinho (Rafael Cardoso) tem conhecidos preconceitos raciais contra negros, inclusive seu fetiche por mulheres de melanina acentuada, Isabel, Gilda (Jurema Reis) faz parte do arcabouço de concepções prévias e utilitaristas sobre as mulheres negras. Branca para casar, preta para cozinhar, mulata para fornicar, como diz o velho ditado.
 
Entretanto, quando Albertinho discrimina os dois meninos negros do morro que, escondidos, assistem ao treino de seu time de pernas-de-pau, não se trata de preconceito, é discriminação racial. É a materialidade do preconceito racial, discriminação, portanto, que humilha aquelas crianças, impede que elas possam assistir passivamente a um treino de futebol de janotas brancos, apenas assistir, nada mais. Preconceito racial é o que o vilãozinho conquistador nutre pelas crianças negras, considerando-as inferiores, subalternizadas e indignas de mínimas atitudes de lazer e fruição. Quando ele as escorraça das laterais do campo de futebol, quando deliberadamente humilha seres inofensivos, pelo simples fato de serem negros, isso é discriminação racial, é ação discriminatória, é atitude que extermina a humanidade dos alvos do racismo (as crianças).
 
As atitudes de discriminação racial são diversas, vão das falas aos olhares, aos muxoxos, aos risos de lado. Está presente em todas as vezes que o garanhão Umberto (Klebber Toledo) ironiza a queda de Albertinho por mulheres negras e pobres, nas caras de nojo que Carlota (Christiana Guinle) faz ao falar de pessoas negras, em todas as atitudes e comentários desdenhosos de Fernando (Caio Blat) dirigidos aos negros, seus descendentes e sua história.
 
Tudo isso, o preconceito e a discriminação racial são parte de um todo chamado racismo, um sistema ideológico espraiado e arraigado em instituições e corações, que esvazia de humanidade seus alvos, os serviliza e constrói privilégios para aqueles que exercem o poder. O preconceito racial, então, diferente de outros tipos de preconceito, motivados hipoteticamente pelo desconhecimento, está a serviço da manutenção de um sistema de poder, de exploração que, no Brasil, tem cristalizado o lugar de mando dos brancos em detrimento dos negros. A discriminação racial, por sua vez, é o braço ativo do racismo, é o que define a eficácia de seu modus operandi.
 
É fácil de compreender, nem é preciso desenhar. É só ter coragem para enfrentar um sistema ideológico pujante (não é invenção ou apego a o passado), atualíssimo e destruidor, que hierarquiza as pessoas de acordo com seu pertencimento racial e gera privilégios para as outras consideradas superiores. É só tirar os pezinhos do chão, o bumbum da cadeira e arregaçar as mangas para infundir o letramento racial.


Por que ninguém pensou nisso antes, pergunta filho do humorista Mussum ao falar da Biritis


"Por que ninguém pensou nisso antes?" Foi a partir de uma pergunta simples - mas que revela o potencial do projeto - que surgiu a ideia de se fazer uma cerveja em homenagem a um dos principais humoristas do País, Antonio Carlos Bernardes Gomes. Ou simplesmente Mussum. Em entrevista para a Rádio Estadão, Sandro Gomes, revela detalhes até então desconhecidos do lançamento.
"Para falar a verdade, nós estávamos viajando, eu e alguns amigos. Foi quando, relembrando alguns momentos que vivemos com meu pai, pensamos que gostaríamos de fazer alguma homenagem. 'Por que a gente não faz uma cerveja', falamos. 'Por que ninguém pensou nisso antes'. E daí surgiu realmente a ideia", afirmou Sandro Gomes.
O lançamento da cerveja Biritis, o primeiro produto da Brassaria Ampolis, será lançada no dia 19 no Rio de Janeiro e um dia depois em São Paulo. Além de Gomes, a Brassaria conta com outros dois sócios: Diogo Mello e Leonardo Costa.
Desde que veio à tona o projeto, a repercussão - principalmente nas redes sociais - foi enorme. E isso surpreendeu Sandro Gomes. "Na verdade, a gente esperava uma boa reação do público porque o meu pai sempre foi uma pessoa muito querida. Ele conquistou pessoas de meia-idade, mas também crianças de 12, 13 anos porque os pais acabaram apresentando ele por meio do YouTube e outros meios, mas eu me surpreendi (com a reação) para ser sincero", afirmou o empreendedor. "Não achei que ia tomar tanta proporção."



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

DIÁRIO PRETO - Jairo Pereira, Força, Foco e Fé.





Cabelo oprimido é um teto para o cérebro - Alice Walker


Como muitos de vocês devem saber, fui aluna desta faculdade, há muitas luas. Eu me sentava nessas mesmas cadeiras (às vezes ainda com o pijama sob o casaco) e olhava para a luz que entra por estas janelas. Eu ouvia dezenas de palestras encorajadoras e cantei e ouvi música maravilhosa. Acho que sentia que ia voltar para falar deste lado do pódio. Acho que naquele tempo, quando eu estudava aqui, adolescente ainda, eu já pensava no que diria a vocês, hoje.
 Talvez os surpreenda saber que não pretendo falar (talvez até o período de perguntas e respostas) sobre guerra e paz, economia, racismo ou sexismo, ou sobre os triunfos e atribulações dos negros ou das mulheres. Nem sobre filmes. Embora os mais atentos possam ouvir em minhas palavras a preocupação por alguns desses assuntos, vou falar sobre algo muito mais perto de nós. Vou falar sobre cabelo. Não se preocupem com o estado dos seus cabelos neste momento.
Não fiquem alarmados. Não se trata de uma avaliação. Simplesmente quero compartilhar com vocês algumas experiências com nosso amigo cabelo, e espero entreter e divertir a todos.
 Durante um longo tempo, desde a primeira infância até a idade adulta crescemos física e espiritualmente (incluindo o intelecto com o espírito), sem que nos demos muito conta do fato. Na verdade, alguns períodos do nosso crescimento são tão confusos, que nem percebemos que se trata de crescimento. Podemos nos sentir hostis, zangados, chorosos ou histéricos, ou deprimidos. Jamais nos ocorre, a não ser que encontremos por acaso um livro ou uma pessoa capaz de explicar, que estamos em processo de mudança, de crescimento espiritual. Sempre que crescemos, sentimos, como a semente nova deve sentir o peso e a inércia da terra, quando procura sair da casca para se transformar numa planta. Geralmente não é uma sensação agradável. Porém, o mais desagradável é não saber o que está acontecendo. Lembro-me das ondas de ansiedade que me envolviam nos diferentes períodos de minha vida, sempre se manifestando por meio de distúrbios físicos (insônia, por exemplo) e como eu ficava assustada, porque não entendia como aquilo era possível.
 Com a idade e a experiência, vocês ficarão satisfeitos em saber, o crescimento torna-se um processo consciente e reconhecido. Ainda um pouco assustador, mas pelo menos compreendido. Aqueles longos períodos, quando algo dentro de nós parece estar esperando, contendo a respiração, sem saber qual será o próximo passo, com o tempo transformam-se em períodos esperados, pois enquanto ocorrem, compreendemos que estamos sendo preparados para a próxima fase da nossa vida e que provavelmente vai se revelar um novo nível de personalidade.
 Alguns anos atrás passei por um longo período de inquietação, disfarçado em imobilidade. Isto é, isolei-me do grande mundo a favor da paz do meu mundo pessoal, muito menor. Eu me desliguei da televisão e dos jornais (um grande alívio!), dos membros mais perturbadores da minha grande família, e da maioria dos amigos. Era como se eu tivesse chegado a um teto no meu cérebro. E sob esse teto minha mente estava extremamente inquieta, embora tudo em mim estivesse calmo.
 Como é comum nesses períodos de introspecção, contei as contas do meu progresso neste mundo. No relacionamento com a família e os antepassados eu agira respeitosamente (nem todos concordarão, acredito); no meu trabalho eu havia feito, usando toda a habilidade de que disponho, tudo que era exigido de mim; no relacionamento com as pessoas com quem convivo diariamente, eu agira com todo amor que podia encontrar no meu íntimo, Eu começava também, finalmente, a reconhecer minha responsabilidade para com a Terra c minha adoração do Universo. O que mais então eu devia fazer? Por que, quando eu meditava e procurava o alçapão de escape no alto do meu cérebro, o qual, nos outros estágios do crescimento, eu sempre tive a sorte de encontrar, só achava agora um teto, como se o caminho para me identificar com o infinito, o caminho que eu costumava trilhar, estivesse selado?
Certo dia, depois de ter feito ansiosamente essa pergunta durante um ano, ocorreu-me que, no meu ser físico, havia uma última barreira para minha libertação espiritual, pelo menos naquela fase: meu cabelo.
 Não meu amigo cabelo propriamente, pois logo percebi que ele era inocente. O problema era o modo pelo qual eu me relacionava com ele. Eu estava sempre pensando nele. Tanto que, se meu espírito fosse um balão, ansioso para voar e se confundir com o infinito, meu cabelo seria a pedra que o ancoraria à Terra. Compreendi que seria impossível continuar meu desenvolvimento espiritual, impossível o crescimento da minha alma, impossível poder olhar para o Universo e esquecer meu ego completamente nesse olhar (uma das alegrias mais puras!) se continuasse presa a pensamentos sobre meu cabelo. Compreendi de repente porque freiras e monges raspam as cabeças!
 Olhei no espelho e comecei a rir de felicidade! Tinha conseguido abrir a pele da semente e estava subindo dentro da terra.
 Então comecei as experiências. Durante alguns meses usei longas tranças (era moda entre as mulheres negras na época) feitas com o cabelo de mulheres coreanas. Eu adorava isso. Realizava minha fantasia de ter cabelos longos e dava ao meu cabelo curto e levemente processado (oprimido) a oportunidade de crescer. A jovem que trançava meu cabelo era uma pessoa que eu acabei adorando - uma jovem mãe lutadora; ela e a filha chegavam à minha casa às sete da noite e conversávamos, ouvíamos música, comíamos pizzas ou burritos, enquanto ela trabalhava, até uma ou duas horas da manhã. Eu adorava o artesanato dos desenhos criados por ela para a minha cabeça. (Trabalho de cesteiro! exclamou uma amiga, tocando a teia intrincada na minha cabeça.) Eu adorava sentar entre os joelhos dela como sentava entre os joelhos de minha mãe e de minha irmã enquanto elas trançavam meu cabelo, quando eu era pequena. Eu adorava o fato do meu cabelo crescer forte e saudável sob as "extensões", coma eram chamadas as tranças.
Eu adorava pagar a uma jovem irmã por um trabalho realmente original e que fazia parte da tradição do penteado dos negros. Eu adorava o fato de não precisar tratar do meu cabelo a não ser com intervalos de dois ou três meses (pela primeira vez na vida eu podia lavar a cabeça todos os dias, se quisesse, e não fazer nada mais). Porém, uma vez ou outra as tranças tinham de ser retiradas (um trabalho de quatro a sete horas) e feitas novamente (mais sete a oito horas); também eu não me esquecia das mulheres coreanas que, de acordo com minha jovem cabeleireira, deixavam crescer o cabelo expressamente para vender. É claro que essa informação me fez pensar (e, sim, me preocupar) sobre os outros aspectos de suas vidas.
 Quando meu cabelo atingiu dez centímetros de comprimento, dispensei o cabelo das minhas irmãs coreanas e trancei o meu. Só então renovei o conhecimento com suas características naturais. Descobri que era flexível, macio reagindo quase com sensualidade à umidade. Com as pequenas tranças girando para todos os lados, menos para onde eu queria que virassem, descobri que meu cabelo era voluntarioso, exatamente como eu! Vi que meu amigo cabelo, tendo recuperado vida própria, tinha senso de humor. Descobri que eu gostava dele.
 Mais uma vez na frente do espelho, olhei para minha imagem e comecei a rir. Meu cabelo era uma dessas criações estranhas, incríveis, surpreendentes, de parar o tráfego - um pouco parecido com as listras das zebras, com as orelhas do tatu ou os pés azul-elétrico do mergulhão - que o universo cria sem nenhum motivo especial a não ser demonstrar sua imaginação ilimitada. Compreendi que jamais tivera a oportunidade de apreciar o cabelo em sua verdadeira natureza. Descobrir que ele, na verdade, tinha uma natureza própria. Lembrei-me dos anos que passei agüentando cabeleireiros - desde o tempo de minha mãe - que faziam trabalho missionário nos meus cabelos. Eles dominavam, suprimiam, controlavam. Agora, mais ou menos livre, ele ficava todo espetado para todos os lados. Eu telefonava para todos meus amigos no país para relatar as travessuras do meu cabelo. Ele jamais pensava em ficar deitado. Deitar de costas, na posição missionária, não o interessava. Ele cresceu. Ficar curto, cortado quase até a raiz, outra "solução" missionária, também não o interessava. Ele procurava espaços cada vez maiores, mais luz, mais dele mesmo. Ele adorava ser lavado; mas isso era tudo.

Finalmente descobri exatamente o que o cabelo queria: queria crescer, ser ele mesmo, atrair poeira, se esse era seu destino, mas queria ser deixado em paz por todos, incluindo eu mesma, os que não o amavam como ele era. O que acham que aconteceu? (Além disso, agora eu podia, como um bônus adicional, compreender Bob Marley como o místico que suas músicas diziam que era). O teto no alto do meu cérebro abriu-se; mais uma vez minha mente (e meu espírito) podia sair de dentro de mim. Eu não estaria mais presa à imobilidade inquieta, eu continuaria a crescer. A planta estava acima do solo.
 Essa foi a dádiva do meu crescimento, no meu quadragésimo ano. Isso e saber que enquanto existir alegria na criação haverá sempre novas criações para descobrir, ou redescobrir, e que o melhor lugar para olhar é dentro de nós mesmos. Que a própria morte, sendo parte da vida, deve oferecer pelo menos um momento de prazer.

Fiz esta palestra no Dia dos Fundadores, 11 de abril de 1987, no Spelman College, Atlanta


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Seis Pequenos Contos Africanos sobre a Criação do Mundo e do Homem

Livro: Seis Pequenos Contos Africanos sobre a Criação do Mundo e do Homem
De: Raul Lody
Há muito tempo, o Brasil recebeu muitos homens e mulheres que foram capturados em diversos lugares da África e escravizados. A história de seus povos, os segredos da sua religião, os modos de fazer as coisas eram contados pelos mais velhos para os mais novos; falaram de seus deuses, de seus mistérios, de sua sabedoria. E as velhas lendas continuaram a ser narradas. As seis histórias deste livro são uma amostra da sabedoria que o Brasil recebeu da África. Elas falam da criação do mundo e de alguns deuses africanos.


HIP HOP ANGOLANO - Osvaldo Braga disponibiliza “Estás Quase a ser Minha” & “Meus Anjos” para Free Download





segunda-feira, 29 de julho de 2013

MORTE AOS ESCRAVOS - No Império, a pena capital atingiu majoritariamente negros, pobres, descendentes de escravos e mestiços

Por: João Luiz Ribeiro


Compareceu ao tribunal do júri da corte imperial do Rio de Janeiro, em 18 de dezembro de 1851, o escravo José, crioulo (nascido no Brasil), cozinheiro de profissão. Era acusado do homicídio de seu senhor, o armador e capitão do mar José Augusto Cisneiros, em novembro do mesmo ano. Desconsolado, porque o juiz de direito não lhe permitia contar sua versão dos fatos, suspirou: "no meio das galinhas as baratas não têm razão". Condenado à morte, José foi enforcado em 13 de janeiro de 1852, segundo o modo habitual de execução, conforme descrito pelo missionário Daniel Kidder (1815-1891): "No Brasil não se adota o cadafalso de alçapão. A forca ergue-se sobre três moirões, em forma triangular. A ela se sobe por uma escada e, quando a corda já está ajustada ao pescoço do condenado, este é içado pelo carrasco que, para abreviar a morte, se pendura nos ombros da vítima".
A fala de José resume o que é ser escravo diante de homens livres encarregados de julgá-los segundo os termos de uma lei feita com a finalidade de regular a imposição da pena de morte a eles. Uma lei, de 10 de junho de 1835, relacionada à Revolta de Carrancas, em Minas, dois anos antes, que tirava do escravo qualquer chance de ter razão.
Com exceção da pena de açoites, reservada aos cativos, nos pontos essenciais, as normas estabelecidas pelo Código Criminal de 1830 e pelo Código do Processo Criminal de 1832 não distinguiam os homens livres dos escravos. Eram todos julgados da mesma maneira: para a sentença de pena última era preciso a unanimidade dos votos; os réus podiam protestar por um segundo julgamento, podiam apelar para os tribunais superiores e impetrar revista no Supremo Tribunal de Justiça. Com a lei de 10 de junho de 1835, tudo mudou. Homens livres e escravos, até então desiguais em vida, tornaram-se desiguais para a morte.
No Brasil imperial, a pena de morte estava intimamente relacionada à escravidão. Pelo código criminal, três eram os crimes capitais: a insurreição de escravos, o homicídio qualificado e o homicídio com roubo. O artigo 1º da lei incluiu novos crimes que deveriam ser punidos com a morte: "matar por qualquer maneira que seja, propinar veneno, ferir gravemente, ou fazer qualquer outra grave ofensa física a seu senhor, sua mulher, a descendentes ou ascendentes, que em sua companhia morarem, ao administrador, feitor e às mulheres que com eles viverem". O artigo 2º enquadrava na nova lei o crime de insurreição e quaisquer outros que merecessem a pena de morte. Para se condenar à morte, bastariam dois terços dos votos dos jurados e a sentença seria executada sem recurso.
Para que a lei de 10 de junho fosse aplicada, era preciso que o réu fosse escravo; não o sendo, aplicava-se o código criminal. Embora deixasse de compartilhar com os homens livres inúmeros direitos, o escravo continuou a apresentar-se diante de um tribunal de "iguais". De qualquer modo, tornou-se muito mais fácil condenar um escravo à morte, e muito mais rápido executá-lo.
Além dos escravos, argumentaram os partidários da pena capital, existia no Brasil uma casta de homens em tudo semelhante a eles, e que só poderia ser contida pelo terror salutar da pena última. Referiam-se aos homens livres pobres: descendentes de escravos, mestiços, imigrantes, enfim, à maioria da população brasileira. Além da apelação da parte, criou-se uma apelação ex-officio, feita pelojuiz de direito, também em caso de sentença capital ou de galés perpétuas.
Entre as pessoas livres condenadas à morte no Império, encontramos ladrões assassinos, jagunços mandatários de morte encomendada, maridos ciumentos e esposas adúlteras. Mas, ao contrário do que sucedia com os escravos, entre o tribunal e a forca ainda haveria um longo caminho a percorrer. A maioria dos homens livres condenados à morte no Brasil imperial conseguiu, em novos julgamentos, a redução da sentença, geralmente para a de galés perpétuas.
Condenar à morte é uma coisa, executar a sentença, outra muito diferente. A Constituição de 1824 concedera ao imperador o direito de graça – perdoar ou comutar as sentenças criminais. Em 1829 esse direito foi limitado, dele excluindo os escravos que matassem os senhores A circular reservada de 29 de dezembro de 1853, do poder moderador, acabou com a limitação. O direito de graça dera ao imperador a chave para controlar a política da pena de morte, ou mesmo a política criminal do Estado brasileiro. D. Pedro II, a partir de 1854, comutaria cada vez mais as sentenças de morte, paulatinamente abolindo de fato, embora não de direito, a pena de morte no Brasil.
No período regencial (1831-1840), entre a abdicação de D. Pedro I e a subida ao trono do seu filho, D. Pedro II, foram pouquíssimas as comutações. Durante a regência tivemos o grande tempo das execuções capitais no Brasil, quando ficou mais fácil condenar à morte, e mais rápido executar a sentença. O regente usava o direito de graça com parcimônia para não desagradar as elites que, em última instância, o elegiam. Na província do Rio de Janeiro, por exemplo, carrascos transitavam de uma vila à outra, com a ordem de "execute-se" alcançando-os no caminho de volta à corte. Dois carrascos não foram suficientes. Entre 1833 e junho de 1841, puderam ser constatadas 90 execuções de escravos e 78 ordens de execução, cujo cumprimento ainda não pôde ser comprovado pela pesquisa. Quanto aos homens livres, tivemos, no mesmo período, 14 execuções e 13 ordens de execução a serem comprovadas. Apenas 16 escravos tiveram suas sentenças comutadas.
De 1841 a 1853, o panorama mudou. Os casos menos problemáticos continuaram a ser examinados pelo procurador da coroa, antes de seguirem, por intermédio do ministro da Justiça, para exame do jovem imperador. Os processos que suscitavam controvérsias jurídicas passaram a ser também examinados pela seção de Justiça do Conselho de Estado. Encontramos a execução de 82 escravos e outras 48 ordens de execução. São conhecidas 13 execuções de homens livres e três ordens de execução. De 1842 a fevereiro de 1854, tivemos a comutação das sentenças de morte de 58 escravos e de 27 homens livres.
Foi a partir de meados dos anos 1850 que Pedro II começou a praticar sua política de abolição gradual da pena de morte, em consonância com a política de abolição gradual da escravidão. Primeiramente, em parceria com o ministro da Justiça Eusébio de Queirós, à frente da pasta entre 1848 e 1852, depois, com Nabuco de Araújo, que ocupou o cargo entre 1853 e 1857. Política cautelosa. Ao mesmo tempo em que se tomavam medidas em prol dos escravos condenados à morte, havia um endurecimento em relação aos homens livres, com vistas a combater a impunidade. É na década de 1850 que encontramos o maior número de execuções de homens livres: 23, e mais oito ordens de execução. Quanto aos escravos, 45 foram enforcados e ordenadas outras 12 execuções. Cinquenta e oito cativos e 27 homens livres tiveram a pena de morte comutada em galés perpétuas.
A partir do início dos anos 1860 a pena de morte fica reservada aos escravos. A última execução de um homem livre condenado à morte pela Justiça civil foi a de José Pereira de Souza, no termo de Santa Luzia, no atual estado de Goiás, em 30 de outubro de 1861. Embora nos anos 60 e 70 se continuasse excepcionalmente a mandar enforcar escravos, a orientação de Pedro II era para que os conselheiros de Estado da seção de Justiça buscassem a todo custo argumentos que justificassem a comutação da sentença. Quando não encontrava motivos para comutar, o imperador engavetava o processo por anos a fio. O último enforcamento no Brasil foi o do escravo Francisco, em Pilar das Alagoas, em 28 de abril de 1876. É importante mencionar que Francisco não matara o próprio senhor, mas fora cúmplice de dois outros escravos no homicídio do senhor destes. O número de comutações supera de longe o de execuções: 150 na década de 1860 (131 escravos e 19 homens livres); 183 na década de 1870 (158 escravos e 25 homens livres) e 108 na última década do império (82 escravos e 26 homens livres).
Naquele ano de 1876, Pedro II partiu para a Europa, e lá se encontrou com o escritor francês Victor Hugo (1802-1885), incansável defensor da abolição da escravatura e da pena de morte. Depois que voltou ao Brasil, o imperador passou a comutar todas as sentenças de morte, de homens livres e de escravos.
Pedro II, apesar dos protestos dos escravocratas, não voltou atrás. Nunca mais mandou executar uma sentença de morte, abolindo de fato a pena capital, embora tivéssemos que esperar a República para que de direito ela fosse abolida para crimes civis.

Bibliografia
ANDRADE, Marcos Ferreira. O outro 13 de maio. Revista de História, Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, Ano 1, n. 2, agosto de 2005.
CARVALHO FILHO, Luis Francisco. "Impunidade no Brasil – Colônia e Império". Estudos Avançados, São Paulo, v. 18, n. 51, USP, 2004.
FERREIRA, Ricardo Alexandre. Senhores de poucos escravos: cativeiro e criminalidade em um ambiente rural, 1830-1888. São Paulo: Editora UNESP, 2005

Esquecer Jamais!


FONTE: http://www.geledes.org.br/esquecer-jamais/179-esquecer-jamais/20069-morte-aos-escravos


sábado, 27 de julho de 2013

''Rima Cabrunco'' leva jovens as ruas para preservar a cultura popular de Campos

Na noite da última sexta-feira (26/07), o evento ''Rima Cabrunco'' levou um grande
 número de jovens a participar de uma batalha de rimas, realizada na 
Quadra de Basquete Hugo Saldanha, localizada em baixo da ponte Leonel Brisola, 
no Centro de Campos. Com a participação de muitos praticantes de skate e bike, 
além de um trabalho de grafite sendo realizado, o evento fez com que fosse 
resgatado principalmente a parte da cultura em espaços públicos da cidade.

Segundo um dos organizadores Felipe Flow, as batalhas iniciaram no final do ano 
de 2011, e o ''Rima Cabrunco'' vem tentando ganhar mais espaço na mídia da 
cidade principalmente por conta da falta de apoio para a organização de 
uma melhor estrutura para o evento. Felipe destacou que logo nas primeiras 
batalhas, quando não possuía as caixas de som e os microfones necessários 
para fazer as rimas, o evento acontecia por meio de improvisação com palmas 
e apenas nas vozes dos rimadores. Por conta disso, o movimento vem 
começando a ganhar mais apoio como no caso da participação do 
Dj Jason e do web designer Jean Moraes que viram a necessidade de 
apoiar e durante a apresentação da última noite, auxiliaram no 
equipamento de som e na divulgação do evento por meio de redes sociais.

Apoiando o ''Rima Cabrunco'', o Jornal Cultural estará mais uma vez nas 
próximas edições das batalhas de MC's, e por meio de videos e fotos, você 
leitor irá ficar por dentro de tudo que acontece nesse evento que vem 
resgatando a cultura popular de Campos.

FONTE:http://portaljornalcultural.blogspot.com.br/2013/07/rima-cabrunco-leva-jovens-as-ruas-para.html?showComment=1374949627242#c2729343992628286859

MEDUZA MC, RAPPER DE ANGOLA, LANÇA NOVO SINGLE.

A rapper angolana, MEDUZA MC, lança seu novo single MEU GUETO, após lançar o single URBANIZAÇÃO no qual considero uma obra de arte. A Rapper relata seu cotidiano, Angola está no cenário do rap e hip hop com excelentes representações, e MEDUZA está no topo das promessas futuras de uma safra gloriosa de Angola. Clique abaixo no link ouça e baixe o som MEU GUETO. Está um luxo.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

O ELEMENTO NEGRO. REFLEXÃO.

MARCELO SILLES
ASSISTENTE SOCIAL(BACHAREL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE/RJ) E RAPPER.


Quem contribuiu para o florescimento, crescimento e desenvolvimento dessas terras e que não tem o seu devido valor na história deste município e sequer é lembrado em suas manifestações e festas? O elemento negro. Quem de fato serviu com entusiasmo os seus senhores sempre com o “sim senhor” e “não senhor” e se quer tem um obrigado aclamado em sua memória por ter se dedicado com tanta afeição e amor por essa terra? O elemento negro.  Elemento Negro, adjetivo cunhado no livro de Ana Maria Teixeira (HISTÓRIA DE BOM JESUS DO ITABAPOANA. UFF.EDUFF. 3ª EDIÇÃO AMPLIADA. 2005) que conta a história do município de Bom Jesus do Itabapoana. Mas uma pergunta soa no ar: porque referir-se ao preto como elemento? No livro destacam-se as referidas palavras “introduziram o elemento negro”, como se o negro fosse algo, alguma coisa de uma devida importância um tanto material e não visto como um ser humano, cidadão, indivíduo que contribuiu para o desenvolvimento e crescimento da cidade de Bom Jesus do Itabapoana.
De certo que não devemos julgar épocas passadas as contemporâneas, mas porque isso aplica-se somente aos pretos e índios e não aos europeus? Os descendentes eurocêntricos sempre adoram lembrar que seus ancestrais contribuíram e muito para o desenvolvimento e crescimento destas terras, adoram falar de seus feitos. E o negro, como foi trazido à força para essa região sob o status de escravizado, inferior e sub-inferior nada vale ser lembrado a respeito de seus feitos a não ser quando o mesmo aceite as mesmas condições históricas construídas sob sua condição “sim senhor” e “não senhor”. A condição servil forçada somada a caridade e o paternalismo-assistencialista transformaram o negro num ser subserviente e pactuante de sua condicionalidade dócil de serviçal a alegre como tudo está bom. Apontar àqueles que colaboraram de certo modo para a manutenção dessa condição é tida como algo que se for buscada a fundo, como retrograda e uma discussão atrasada, fato que estamos caminhando para um futuro, que assim afirmam, promissor e de igualdade universal para todos. Portanto, reabrir discussões e trazer a tona ranços passados atrapalham o desenvolvimento. Ou seja, a verdade dói.
Quem vem de fora percebe uma cidade com traços eurocêntricos, os negros estão nas periferias, margeados. Desde sua fundação a política de segregamento sutil, teve sua aplicabilidade com total benção e colaboração por parte da gigantesca população negra bom-jesuense desde seus primórdios. A consciência de negritude, cultura e ancestralidade nunca foi cultuada entre os pretos e pretas bom-jesuenses, portanto, a docilidade e subserviência entre seus senhores, a prática cotidiana do “sim senhor” e “não senhor” transformaram-se em um ritual abençoado e pactuado. Aquele preto que reconhece a sua ancestralidade e seu valor na sociedade é rapidamente excluído e desmoralizado entre os seus irmãos. É taxado de racialista e um indivíduo que atenta contra a moral e os bons costumes de nossa boa e pacata cidade.
Portanto a denominação de “elemento negro” batizada por Teixeira nos deixa a entender o motivo dessa alcunha. Tratar o negro como “elemento” e referenciar-se ao negro dessa forma é a forma mais clara e cabal de racismo sutil e velado criado pelos tais “senhores” e percebido sutilmente em nosso cotidiano diariamente. Nos tratamentos dados, nos cargos e funções, nas ascensões sociais e econômicas e na própria postura do negro em sua aceitação social e econômica.  A criminalização do ser negro, por sua cor não é novidade em nossa sociedade. Pelas fotos históricas podemos contar nos dedos quantos negros e negras constam nelas. Números ínfimos.
Analisando criticamente o passado bom-jesuense consta uma total desvalorização proposital da exclusão do negro em seu valor histórico, cultural e econômico para o desenvolvimento da cidade. O negro nunca teve o seu espaço reconhecido, no entanto, é sempre requisitado em épocas que favoreçam as famílias dos tais e os tais “cidadãos de bem” de Bom Jesus. Doravante os atributos do preto e da preta serviçal são bem quistos pelos mesmos e pelos tais “cidadãos de bem” de Bom Jesus. Ver um preto em ascensão é algo aterrador para muitos, como sempre já ouvi piadas e comentários bom-jesuenses racistas do tipo: que neguinho marrento só porque passou num concurso; é isso que dá, da asas a macaco só porque está de farda; lugar de preto é na faxina. Estes são apenas alguns dos adjetivos que os tais “cidadãos de bem” de Bom Jesus elogiam os pretos.
E esse tal de “neguin”, neguim pra cá, neguim pra lá e muitos dizem “é algum comum é cultural, não estamos falando dos negros mais de todos”. Mas só que esse adjetivo, que de nada tem em elogio, somente é aplicado quando se refere ao indivíduo que faz algo de ruim, péssimo e novamente entra a questão que de tudo relacionado ao termo negro é ruim: não pode deixar assim porque se não neguim invade; rapaz toma cuidado porque tem neguim muito doido por lá. E por aí vai. Agora me digam, tem ou não tem algum sentido e conotação racista neste termo coloquial neguim?
Várias são as desculpas esfarrapadas, assim sendo no livro que basicamente conta história oficial do município de Bom Jesus do Itabapoana-RJ, o negro tem o seu referencial marcado como um “elemento” e nada mais do que isso. Uma triste realidade histórica de nossa região onde muitos ditos os tais “cidadãos de bem” amam em conclamar o seu retorno histórico triunfal da qual a mesma foi um dia.

Rapper Marcelo Silles


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