quarta-feira, 11 de novembro de 2015

LUANA HANSEN

"Sempre fui lésbica, mas no começo da carreira era muito desgastante. Eu tinha que sempre estar me justificando, tinha que ser melhor [que as outras mulheres]",diz a MC, produtora musical e DJ Luana Hansen. Em entrevista a Clara Averbuck, Luana conta um pouco da sua vida e dos preconceitos sofridos dentro e fora do cenário do hip hop.
O vídeo é uma parceria da ‪#‎TvCarta com o Lugar de Mulher.



MC DRIK BARBOSA


"Quando comecei a fazer rap eu não via mulher, eu não via espaço para a mulher", diz a MC Drik Barbosa em entrevista a Clara Averbuck. Em vídeo parceria entre a#tvCarta e o Lugar de Mulher, Drik falou sobre o espaço para a mulher dentro e fora do rap. Assista.


sábado, 7 de novembro de 2015

Vênus Negra - Legendado



"Vênus Negra" mostra as razões pseudocientíficas que defendiam o racismo no século 19

Por: EDU FERNANDES 

"A primeira cena de "Vênus Negra", filme em cartaz no Festival Varilux de Cinema Francês, é repleta de importância. Trata-se de uma aula de anatomia que acontece na Paris do começo do século 19. Na ocasião, são comparados atributos físicos de uma mulher negra com a de macacos, uma prática corriqueira na época para defender o racismo.

Além de já apresentar o tema polêmico do filme baseado em uma história real, a cena mostra o trágico desfecho de sua protagonista, cujo cadáver serviu como objeto de estudo para cientistas franceses. Saartjie (pronuncia-se "Sar-qui") era uma bosquímana utilizada por um sul-africano como atração circense. Ela apresentava-se como se fosse uma selvagem e assustava a plateia com rompantes violentos.

Outro ponto importante na cena inicial é estabelecer um código próprio do filme, em que "espetáculos" são mostrados integralmente para que depois apenas se façam referências a parte deles. Além da aula absurda (para o conhecimento que temos hoje), constituem cenas de espetáculo as humilhantes apresentações da Saartjie.

Por mostrar diversas versões desses shows, o filme acaba por também explorar a miséria e o exótico de sua protagonista. Um bom exemplo de conduta diferente pode ser contemplado em "Homem Elefante" (1982), outro filme em que uma atração circense é o personagem principal. A diferença é que o diretor David Lynch prefere focar-se mais no humano e menos na aberração. 

Outro efeito colateral de se mostrar demais as apresentações de Saartjie é a grande duração de "Venus Negra", com 159 minutos. Dessa maneira, a extrema passividade da personagem principal chega a incomodar.

Percebe-se que ela não está nada contente com sua situação, mas não há reação por parte dela. Saartjie recorre à bebedeira como válvula de escape e colabora para a atmosfera de decadência humana na qual o filme se passa.

SINOPSE

Paris, 1817, na Escola Real de Medicina. "Eu nunca vi a cabeça de um ser humano tão parecida com a de um macaco.". Parado ao lado do modelo feito a partir do corpo de Saartjie Baartman, o médico Georges Cuvier é categórico em sua afirmação. Sete anos antes, Saartjie sai de sua terra natal na África do Sul com seu mestre, Caezar, que expõe seu corpo para a audiência dos shows de horrores em Londres. Livre e escravizada ao mesmo tempo, a "Vênus de Hottentot" se torna um ícone dos miseráveis, destinada a ser sacrificada na busca de um fio de esperança na prosperidade.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Novo clipe do Eduardo mostra a dificuldade que as crianças negras tem de ser adotadas #DepósitoDosRejeitados


No Fim do ano passado o rapper paulistano Eduardo lançou o álbum "A fantástica fabrica de cadáver", um álbum duplo de alto teor lirico, com letras pulsantes,vivas me falta adjetivos para descrever este álbum.

Mas voltando, o Eduardo em parceria com o diretor Vrazz 77 firmou uma parceria de 2 clipes, o primeiro foi o "Substancia Venenosa" e o segundo lançado hoje foi o "Deposito dos Rejeitados".

Este segundo vídeo aborda uma questão forte,pois pra quem não sabe o índice de crianças negras que não são adotadas são enormes, a maioria dos pais que vão adotar crianças escolher as crianças recém nascidas e brancas,como as crianças negras recém nascidas, quase não são adotadas, quando elas crescem um pouco mais a chance de ser adotadas são menores ainda.

Vamos ao clipe!

FONTE:http://www.noticiario-periferico.com/2015/11/novo-clipe-do-eduardo-mostra.html



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Grupos da ‘velha escola’ do rap se unem para um disco histórico; ouça o primeiro single


Bang Nova Ameaça é o nome do coletivo que marca a reunião de 8 grupos de rap já consagrados no cenário nacional em um disco que promete fazer história e agradar todos os amantes do rap brasileiro de raiz.
O projeto é formado pelos grupos Realidade CruelFacção Central,Consciência HumanaSistema NegroTribunal Mc’sTribunal Popular,Lokazoras e a rapper Lauren. Além do disco de inéditas que sairá ainda em 2015, o coletivo pretende produzir clipes para a obra e ainda sair em uma turnê especial pelo Brasil.
O primeiro single do disco se chama “Dama de Saia Transparente” e é bem gangster. A produção musical de de DJ Luiz (Consciência Humana), a música fala sobre a cocaína e tudo o que ela envolve, e como o título mostra, é cheia de metáforas. Nos versos, temos rimas de Douglas (Realidade Cruel), Dum Dum(Facção), Kid Nice (Sistema Negro) e Lauren.
De acordo com o site Portal Rap Nacional, o intuito do ‘Bang Nova Ameaça’ é “expandir o RAP de raiz e mostrar que a união no movimento, ao contrário do que muitos dizem, existe sim“.
FONTE:http://www.rapnacionaldownload.com.br/27971/grupos-da-velha-escola-do-rap-se-unem-para-um-disco-historico-ouca-o-primeiro-single/

UBUNTU


Música Tema Oficial do Instituto Encrespa Geral
(Os direitos autorais serão doados ao Instituto Encrespa Geral).



terça-feira, 3 de novembro de 2015

MENSAGEM PARA O NOVEMBRO NEGRO

Marcelo Silles
Assistente Social com Bacharel da UFF/Campos-RJ

Descortinando saberes, trazendo a tona reivindicações de nossa causa, de nossas demandas e inquietações.

O que me incomoda é a passividade e pacificidade de muitos negros (as). Enquanto permitirmos que atos repugnantes sejam transformados em espetáculos midiáticos de indignação, como o caso da atriz Thaís Araújo e outros, deixarmos que o branco das classes média, alta, elite e até mesmo pobres, deixarmos que a mídia racista se indigne por nós, seja a nossa representatividade, qualquer mobilização, organização que tange a causa preta, será em vão, não passará apenas de mais um ibope fantoche.

Você pode ter um amigo branco, uma amiga branca, eles podem entender a sua dor, suas inquietações, mas eles não podem senti-las pelo simples fato concreto, não são pretos. Um preto desde o seu nascimento é criado pra ser branco, mas um branco nunca é criado para ser um preto. A nossa causa, a nossa ideologia tem que sempre partir dos nossos, pautar aos nossos, nós que temos que ser os primeiros na fila da comunhão.

Temos que expelir, expurgar de nós mesmos primeiramente, essa ideia de que, toda mobilização e organização preta, é tida como racismo ao contrário que o oprimido está querendo se transformar em opressor, que vemos racismo em tudo. Não podemos nos deixar de se enganar pela falácia da meritocracia. Quantos pretos no Brasil ocupam cargos importantes baseados na meritocracia, poucos. Quantos estão fora baseados na meritocracia, milhares. E isso não é por competência não, o preto pode igualar em aparência ao branco, mas os olhares sempre são diferentes, o tratamento é diferente. Não percebe quem não quer aceitar.

Não nos querem no legislativo, executivo, judiciário. Não nos querem como advogados, médicos, doutores, nos lugares de status da sociedade que, segundo eles, não são reservados para nós. Somos ainda para eles a segunda classe, vou usar um termo eleitoral, só servimos para sermos cabos eleitorais, recebermos migalhas.

Temos que acabar com os discursos de seda, do negro bom, do negro dócil, do negro que é aceitável temos que educar as nossas crianças em nossos lares contra o racismo, sobre a sua importância e valorização como preto, porque as escolas não irão fazer e não fazem.
Temos que ser menos academia e mais realistas, porque até mesmos negros e negras acadêmicos, militantes conceituados já ganharam seus prêmios, empregos com salários rendosos de acordo com a meritocracia e a causa a luta, deixaram nas periferias e favelas, pois hoje vivem o sonho branco.

Devemos suprimir toda emoção no que concerne ao etnocídio ancestral, histórico e cultural. Devemos reforçar cada vez mais o empoderamento, o Devir negro em afro-diáspora. Não se trata de revanchismo, não se trata de atitude e nem sentimento esquerdopata, se trata de chega do preto (a) bode-expiatório, temos que nos afastar dos iguais que nos fazem mal, não tem nada a acrescentar e nem a somar, esses nem na partilha estarão, judarias não podem comungar ao nosso lado.

Por fim, É Nós Por Nós mesmo, não quero aqui enfatizar que não aceitemos sugestões, críticas mediante algumas ações, intervenções pontuais mesmo dos que estão em atitudes que repudiamos. Só afirmo que, estamos iniciando aqui algo no qual acreditamos, portanto, a palavra final sempre tem que ser a nossa, para o nosso e do Coletivo e grupo que defendemos. Essa será a minha contribuição. E minha contribuição o meu sangue, será somente pelos pretos(as), não vou gastar suor e saliva para ajudar bando de negros e negras jabuticabas, palmiteiros, lós macaquitos, negropeus e por aí vai.




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

não existe racismo de negro contra branco


porque o racismo é um sistema de dominação de cima pra baixo.
quem exerce o racismo é a raça dominante, hegemônica, sobre a raça subalterna, oprimida.
não tem COMO existir racismo de baixo pra cima.
* * *
ontem, escrevi um texto em defesa da stephanie ribeiro, militante, feminista, negra, bloqueada pelo facebook por… racismo.
agora, muitas pessoas chamaram atenção para um fato: de que eu não poderia afirmar que a stephanie não foi racista se nem vi o que ela falou.
e eu respondo: posso sim.
* * *
uma pessoa negra que entre em surto e mate a facadas várias pessoas brancas PORQUE elas eram brancas…
é uma pessoa louca, é uma pessoa homicida, é uma pessoa que precisa ser presa….
mas não é uma pessoa racista.
o racismo é um sistema, é uma estrutura, através do qual a raça branca domina, explora, mata, estupra as raças que ela vê como inferiores, as pessoas asiáticas, as pessoas originárias, as pessoas negras.
de fato, não sei exatamente o que a stephanie falou para ser bloqueada.
talvez até tenha sido um comentário raivoso com o qual eu não teria concordado.
(uma boa pergunta para homens brancos pensarem: por que será que muitas mulheres negras, nesse nosso país tão machista e tão racista, sentem tanta raiva? o que será que elas estão vendo, sentindo, sofrendo que vocês nem imaginam?)
mas de uma coisa eu tenho certeza:
não tem COMO uma moça negra de 21 anos, bolsista universitária, sem poder algum além da sua própria voz, ter sido racista contra pessoas brancas em um país misógino e negrofóbico até a medula, maior importador de pessoas escravizadas da história, construído em cima do sangue negro.
então, não, a stephanie ribeiro não foi racista.
não se muda o mundo respeitando a opinião de quem te oprime.

FONTE:http://www.revistaforum.com.br/outrofobia/2015/10/28/nao-existe-racismo-de-negro-contra-branco/

sábado, 24 de outubro de 2015

Palestra na íntegra: Eliane Dias e o negócio por trás dos Racionais MC’s


Dentro da programação do PULSO  aconteceu na noite de terça (08) uma palestra com a produtora e advogada Eliane Dias, responsável pela carreira do Racionais Mc’s, o maior grupo de rap do Brasil.
Durante sua fala, Eliane falou sobre o começo do grupo, a carreira na advocacia e na política e a decisão de cuidar da carreira dos Racionais. A produtora falou também sobre preconceito, a turnê de 25 anos da banda e respondeu a perguntas da plateia. Confira abaixo a palestra completa:


FONTE:http://www.redbullstation.com.br/palestra-na-integra-eliane-dias-e-o-negocio-pos-tras-dos-racionais-mcs/

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Alexandre Garcia e as cotas

ontem, quarta-feira 21, um amigo me chamou para jogar sinuca num boteco estranho, na Orla de Aracaju, chamado Academia Sergipana dos Iletrados, reduto preferencial dos analfabetos políticos de todos os matizes.
Por Lelê Teles , do FALA QUE EU DISCUTO
o amigo me convenceu a ir dizendo que a vantagem do lugar é que a cerveja está sempre gelada e o preço é bom.
como recomenda o papa, fui jogar e beber com o amigo, tomado de curiosidade.
no copo sujo, há sempre duas TVs ligadas: uma na Globo e outra na Globo News – veja que beleza – e nas mesas do butiquim sempre tem uns exemplares do jornal O Globo que o dono da peixaria rejeita e os cachaceiros levam pro bar.
até aí tudo bem.
eu passava giz no meu taco, garbosamente, quando aparece na tela da TV, no meio desse povo, o indefectível moralista sem moral Alexandre Garcia; aquele que foi porta-voz do ditador Figueiredo, o general que preferia o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo.
enfim, um jumento.
e da tela plana de 50 e tantas polegadas, em imagem digital, Garcia relincha um dos mais equídeos de todos os relinchos, tape o nariz, nobilíssimo leitor: “o país não era racista até criarem as cotas.” disse isso e desferiu um coice ao vento.
olhei para o meu amigo, ele deu uma golada na cerva geladíssima e arregalou os olhos para a TV.
Garcia, veja que gracinha, disse que o racismo no Brasil é um subproduto do sistema de cotas criado para tirar negros da invisibilidade econômica, social e intelectual.
pela lógica ásnica, cínica e ilógica do jornalista irascível, a lei das cotas para negros ingressarem na universidade federal e no serviço público federal criou o racismo.
tá serto, escreveu um analfabeto no forro da mesa de bilhar.
e digo mais, disse o nosso ilustre iletrado com o jornal O Globo nas mãos, no Brasil nunca houve fome, até esses vagabundos criarem o maldito Bolsa Família.
nós, esbravejou o ágrafo – batendo com o jornal enrolado no fundo de uma panela – nunca tivemos déficit habitacional neste país, todo mundo morava bem e onde bem quisesse, aí chegaram os petralhas e vieram com essa porcaria de Minha Casa, Minha Vida.
inririririri, relincharam os colegas aprovando-o.
com o cotovelo no balcão, dando uma bicadinha no rabo-de-galo, outro bebum com cara de leitor da revistaveja, que mascava um chumaço de feno como tira-gosto, completou o raciocínio do amigo:
e tem mais, meu imortal acadêmico, no Brasil os pobres sempre foram às universidades, que são públicas e livres, ou iam a faculdades particulares porque podiam pagar, até que os comunistas criaram esse tal de FIES, ENEM, PROUNI e olha aí, não tem mais pobre estudando.
todos bateram os casacos no chão, deram pequenos pinotes e morderam sua barra de açúcar.
com mil diabos, eu pensei, como eu vim parar aqui neste estábulo?
aí entrou em cena um quadrúpede, sem sela, também em defesa de Alexandre, o grande embusteiro. no sertão, disse ele, a água nunca foi um problema, mas Lula queria levar uns pixulecos e fazer lobby para os empresários da indústria da seca e inventou lá umas cisternas que armazenam água da chuva, tem cabimento uma burrice dessas? beber água da chuva?
e agora com essa transposição do São Francisco é que o povo morre de sede de uma vez, completou. Lula criou a sede no sertão.
falava isso e abanava o rabo para se livrar dos insetos.
nunca se viu falar em corrupção no Brasil, disse o dono do bar, do lado de dentro do balcão, aí veio o PT e olha o peteco que virou este país. só se fala em ladroagem, é dólar na cueca, na calcinha, nas meias, no soutien…
não me contive. senhores, disse eu com o taco em punho, vocês estão a inverter a história. o sistema de cotas está aí para que os negros enfrentem o racismo, contra a negação conta a negra ação.
e as cisternas foram feitas para matar a sede, o Bolsa Família…
o garçon deu um coice na mesa de sinuca, comunista, gritou.
seu negro de merda, racista vagabundo, ladrão comunista, esbravejou o dono do boteco.
os dois analfabetos que relinchavam em favor do jornalista filhote da ditadura quebram suas garrafas e vieram em nossa direção.
vai pra Cuba, fora PT, somos milhões de Cunhas…
saquei do bolso um patuá que trouxe da China, joguei no chão, ele explodiu e levantou fumaça.
eu e meu amigo desaparecemos do bar, ninjicamente.
palavra da salvação.


FONTE:http://www.geledes.org.br/alexandre-garcia-e-as-cotas/#gs.26SfILQ

Escritora negra é reconhecida por seu livro “Quando nós somos uma”

Jornalista freelancer, autora e poeta, Zaji escreve seu primeiro romance, “Quando Nós
Somos Uma”: A História de uma Raça Ancestral (Publicada pela editora Peace in the Strom), com perspicácia, através de provocações e um atraente trabalho que leva os leitores a uma jornada por um mundo inesperado.
Inspirada por autores como Octavia Butler, Ray Bradbury e George Orwell, “Quando Somos Uma” leva os leitores a lugares distantes no campo do romance imaginativo ficcional.
O jornal estadunidense USA Today avaliou o livro de forma positiva e o indicou como leitura obrigatória a seus leitores: “Ahistória dela é uma celebração da irmandade e suas conexões com o mundo físico e o além... O conto imaginativo de Zaji irá nos estimular a pensar e ficaremos entretidos”.
“Quando Nós Somos Uma” homenageia as mulheres e suas relações, e homenageia os homens e suas conexões com as mulheres, enquanto leva os leitores a um tour pelas memórias de dias passados. É uma jornada que aborda a alma feminina e o longo caminho que elas trilharam. O livro também reverencia a natureza e a vastidão dos muitos universos que espreitam a escuridão.
A obra é um esforço de Zaji para compartilhar algo corajosamente inventivo aos leitores, escorada em algo ancestral e familiar. Ela é uma ávida leitora, fecunda escritora e pianista meditativa. Ela mora em Mississippi com sua família. Zaji pode ser encontrada online em www.thezaji.com.
Para ler a resenha completa da USA Today, visite http://usat.ly/1Leu0Rl
Disponível na Amazon em: www.amazon.com/dp/0985076380
FONTE:http://www.ceert.org.br/noticias/historia-cultura-arte/8628/escritora-negra-e-reconhecida-por-seu-livro-quando-nos-somos-uma

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A DITADURA PRETA E A PASSIVIDADE NEGRA.

Por Marcelo Silles
Assistente Social

O que acontece com a negritude brasileira?

O fato é que, o branco trabalhou muito bem o quesito dividir para conquistar. Apoderando-se das culturas afro-brasileiras, cedendo aos pouquinhos alguns espaços e reconhecimentos, o branco foi promovendo habilmente a política da boa vizinhança e da reconciliação do tipo “deixa disso”, “vamos perdoar e esquecer”, “só o amor racial é a solução” e por aí vai.

Só que eles promovem a cordialidade somente entre os nossos, entre eles, os brancos, essa cordialidade para conosco não é totalmente demonstrada e nem aplicada. A verdade, que seja dita e doa a quem doer, é que novamente a máxima de manter os negros dóceis e passivos é o real objetivo da política da boa vizinhança branca. Infelizmente existem negros que concordam e querem está do lado, segundo eles, vencedor e harmônico.

Negros passivos que não querem saber absolutamente nada de consciência negra e nem coletiva. Acusam, nós pretos, de querer forçá-los a fazer parte de nosso empoderamento de luta e consciência a favor dos nossos, que somos ditadores e queremos implantar uma ditadura totalmente preta no Brasil. Viajem pura desses jabuticabas.

O Devir Negro Afro-Diásporo brasileiro, não é para qualquer negro, tem que ser preto por dentro e por fora. Tem que trazer na pele, no sangue e na alma, o orgulho da negritude, honrar aqueles que um dia lutaram para que desfrutássemos hoje essa liberdade de certo modo, honrar nossos ancestrais.

Toda vez que um preto ou uma preta levanta a voz para glorificar a sua raça, é tido(a) como racista, intolerante, que quer dividir o país e implantar uma ditadura. Toda vez que um preto ou uma preta se defende de um branco ou uma branca, é tido como racista, intolerante, que quer dividir e implantar uma ditadura.

Em verdade vos digo, exigir direitos sociais e econômicos justos não é ser ditador, nem intolerante e nem racista. Direitos que esses jabuticabas, palmiteiros, negropeus já estão gozando com as ações afirmativas que, com certeza absoluta eles se quer suaram a camisa e ferveram a mente para merecê-las.

Negros passivos nos acusam de ditadores? Então nós pretos os acusamos de colaboradores dos propósitos brancos para extirpação e extinção do negro brasileiro, de colaboradores para a destruição de nossa cultura e apropriação imoral da mesma. A divisão do povo negro é tudo que a elite e a sociedade branca brasileira quer novamente, querem que voltemos a sermos totalmente passivos, dóceis, obedientes, sim senhor e não senhor. Tudo com o apoio e aval de negros jabuticabas que tem vergonha da sua cor e lamentam pelos cantos por ter nascido negro em vez de branco.


Sou preto com orgulho por dentro e por fora, e se isso me faz ter um perfil ditatorial, que assim seja.

Mc Soffia, 11 anos: “Aceitem seu cabelo, sua cor”

Criada na Cohab Raposo Tavares, em São Paulo, sucesso entre as crianças, e autora de versos como “Crianças da periferia não conseguem brincar com alegria”, Mc Soffia deu entrevista ao site “Nós, mulheres da periferia“, onde fala da sua descoberta do racismo, na escola: “Fazem  a cabeça das crianças falando para elas alisarem o cabelo, falam que são feias porque são negras, zoam elas. Elas não precisam aceitar isso. Aceitem o que são, que a mãe delas as levem em eventos de Hip Hop, onde também há muitas mulheres negras. Ah, e não ter vergonha de ser da periferia também”, ensina
Por Jéssica Moreira, no Brasil 247
“Aceitem seu cabelo, sua cor”, diz Mc Soffia às crianças da periferia
” Crianças da periferia não conseguem brincar com alegria”. O verso faz parte de uma das músicas da rapper mirim que vem sendo sucesso entre as crianças da periferia paulistana, Mc Soffia. Mc Soffia é Soffia Gomes da Rocha Gregório Correia, 11 anos. Cresceu na Cohab Raposo Tavares, em São Paulo, onde vive com a mãe Kamilah Pimentel. Adora jogar futebol, pular corda ou brincar de esconde-esconde na rua com os amigos. “Eu sempre tenho que brincar antes dos shows, senão não consigo cantar”, conta a menina, que diz não ter vergonha de subir ao palco e adora ver as meninas soltando seus cabelos crespos.
Foi na escola que Soffia descobriu o que era o racismo. As crianças, muitas vezes, a ofendiam pelo fato de ser negra e ter cabelos crespos. A garota, então, contou à mãe que queria ser branca para não passar mais por aquelas situações. Kamilha acentuou a importância da história africana à filha e também a introduziu na cultura do Hip Hop, além de eventos culturais e shows onde havia outras mulheres negras.
E esse é exatamente o recado que Sofia deixa para as meninas negras hoje: que elas [as meninas] aceitem seu cabelo, sua cor. “Fazem  a cabeça das crianças falando para elas alisarem o cabelo, falam que são feias porque são negras, zoam elas. Elas não precisam aceitar isso. Aceitem o que são, que a mãe delas as levem em eventos de Hip Hop, onde também há muitas mulheres negras. No samba-rock, então, há muitas mulheres. Ah, e não ter vergonha de ser da periferia também”.
Na entrevista cedida ao Nós, mulheres da periferia, por telefone, Soffia fala ainda dos problemas que persistem na periferia e impedem as crianças de brincarem de forma feliz; quais as soluções para isso e como as escolas poderiam enfrentar o preconceito e racismo entre as crianças . “As crianças, a maioria da periferia, são negras. Podem sofrer racismo, preconceito. A própria questão da polícia, que mata muitas crianças inocentes, aparece na TV, então elas não conseguem brincar. Tem bala perdida, elas não conseguem brincar direito. Eu acho que deveriam fazer oficinas, por exemplo, pra quem gosta de funk, batalhas do passinho, oficina de hip hop, ballet, natação, teatro, como nos lugares do centro, deveria ter tudo isso na periferia”.
Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Nós, mulheres da periferia: onde você nasceu e como foi sua infância nesse local?
MC Soffia: Eu nasci na Santa Casa, em São Paulo. Minha infância, que ainda estou, está sendo legal, né? Eu gosto de brincar na rua de futebol, de pular corda, mas o que gosto mais de brincar é de esconde-esconde, tem muita criança lá na minha rua, eu moro na Cohab Raposo Tavares desde que nasci. Antes eu morava no centro, quando era bem pequenininha, antes de fazer um ano.

Nós, mulheres da periferia: quantas escolas você já estudou, lembra-se delas?

Mc Soffia: Hoje estudo no Projeto Âncora, em Cotia, mas já estudei em seis escolas, contando as creches.

Nós, mulheres da periferia: você já passou por situações de racismo?

MC Soffia: Sim, tudo que já falei em outras entrevistas. Na escola, a gente tem um projeto de racismo, bullying e preconceito na escola, as crianças mesmas que fazem, se alguma criança sofre, as crianças vão lá e conversam. Deveria ter em todas as escolas.

Nós, mulheres da periferia: Em uma de suas canções você diz “Crianças da periferia não podem brincar com alegria”. O que acha que essa frase quer dizer?

MC Soffia: ” Porque as crianças, a maioria da periferia, são negras, podem sofrer racismo, preconceito. A própria questão da polícia, que mata muitas crianças inocentes, aparece na TV, então elas não conseguem brincar, tem bala perdida, elas não conseguem brincar direito”.

Nós, mulheres da periferia: O que você acha que deveria mudar para as crianças conseguirem brincar como deveriam?

MC Soffia: Eu acho que deveriam fazer oficinas, por exemplo, para quem gosta de funk, batalhas do passinho, oficina de Hip hop, ballet, natação, teatro, como nos lugares do centro, deveria ter tudo isso na periferia, conseguiriam brincar, não iriam para esse mundo de crescer e ser bandido.

Nós, mulheres da periferia: Qual a mensagem que você gostaria de passar para as meninas e crianças todas com suas canções?

MC Soffia: ” Que elas [as meninas] aceitem seu cabelo, sua cor. Fazem a cabeça da criança falando para elas alisarem o cabelo, falam que são feias porque são negras, zoam elas. Elas não precisam aceitar isso, aceitem o que são, que a mãe delas as levem em eventos de Hip Hop que também há muitas mulheres negras, samba-rock, então, há muitas mulheres. Ah, e não ter vergonha de ser da periferia também”.

Nós, mulheres da periferia: Quais são seus planos para quando crescer?

MC Soffia: Quando eu crescer eu vou ser médica, cantora, atriz, jogadora de futebol, vôlei. Tudo isso. Mas o que quero mesmo é ser  medica, atriz e cantora, mas eu também posso jogar em alguns lugares.

Nós, mulheres da periferia: quais são seus livros ou leituras favoritas?

Mc Soffia: Já li coisas sobre a Anastácia,  Dandara, Carolina Maria de Jesus.

Nós, mulheres da periferia: você brinca bastante?

Mc Soffia: Antes dos shows eu brinco na rua, ou brinco em todo lugar, e antes do show sempre tenho que brincar, senão eu não consigo cantar direito. Antes do show, dou umas piruetas, fico pulando, quando tem brinquedo, eu brinco. Na minha escola eu brinco bastante, tem pista de skate, quadra, tem um monte de coisas, pista, tem natação, lá eu brinco bastante.


FONTE:http://www.geledes.org.br/mc-soffia-11-anos-aceitem-seu-cabelo-sua-cor/#gs.L_fIl7o