quinta-feira, 4 de abril de 2013

SERÁ REALMENTE QUE NÃO EXISTE RACISMO, PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO EM BOM JESUS DO ITABAPOANA-RJ E ES?

MARCELO SILLES
Rapper e Assistente Social



         Lemos consternados um artigo num blog pertencente ao bonjesuense Ricardo Teixeira (fonte: http://rtfonseca.blogspot.com.br/2013/02/bom-jesus-carnaval-2013.html?spref=fb), em que o mesmo classificou, sem detalhar e especificar, os adeptos do funk de marginais. Relatou indignado, que a presença dos mesmos no carnaval com suas músicas e danças não era apropriado para uma época, onde se deveria está tocando músicas para pessoas de bem e família de Bom Jesus do Itabapoana-RJ. Sabemos que existem determinadas regiões de Bom Jesus do Itabapoana RJ, que brigam pelo status de famílias de bem tradicionais e detentora do centro das atenções das demais plebes (assim que essas pessoas devem achar que devemos agir com elas) bonjesuenses.
Fica uma pergunta no ar: imaginem o que devem pensar comentar entre si e com piadas, bonjesuenses compactuantes da mesma ideia do autor do referido artigo? O que pensam sobre os pobres, negros (em geral)?
            Sem fazer-me de rogado, contrariando o discurso democrático racial, Bom Jesus do Itabapoana-RJ podemos estender até Bom Jesus do Norte-ES, traz consigo em sua sociedade as chagas, estigmas da escravidão, exploração, apropriação desumana e vil de seres humanos negros escravizados do continente africano. Tal afirmação pode ser verificada, num livro de batismo que existe na Paróquia Matriz do Senhor Bom Jesus, um livro batismal com anotações de batismo somente de negros escravizados na época. Por ter passado por aqui o fantasma branco da escravidão também veio junto às verbalizações na qual o negro ficou pejorativamente representado, através de estereótipos raciais com o único propósito simples de inferiorizar, segregar num conjunto de subalternizações a raça negra, diretamente dizendo “ponha-se no seu lugar”.
            E o presente não é diferente. O discurso romântico de igualdade mascara o cotidiano de desejo simplório de centralizar a detenção econômica e social da dita sociedade do bem de Bom Jesus do Itabapoana-RJ. São saudosistas da época “manda quem pode obedece quem tem juízo”, “do sim senhor, do não senhor” onde nas bibliografias da construção societária bonjesuense não está incluída a figura do negro, da sua importância histórica na construção dessa sociedade. Fatos como esse nos remete a crermos fielmente que Bom Jesus do Itabapoana-RJ por mais pacata que seja, tem sim um passado não só escravocrata como também de racismo, segregação e exclusão social algo que pode ser percebido no cotidiano periférico dos bairros onde o Poder Público menos atua. Cabe ressaltar sem generalizações, mas como disse Martim Luther King “o silêncio dos bons” é a prova cabal da conivência com a opressão do sistema.
          Sim e o funk é oriundo das camadas mais pobres da população, suas batidas lembram os toques dos terreiros, dos batuques fortes de resistência dos quilombos com seus atabaques que saudavam a guerra na luta por suas liberdades. Não, cultura que representa as camadas pobres e a resistência não interessa e não é bem vista pelas pessoas ditas "do bem". Salvo na ocasião quando são transformadas em mercadorias e engordam os bolsos dos hipócritas e sofistas.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

AFFLANTE SPÍRITUS (MARCELO SILLES) – TRINDADE SANTA


CLIQUE , ACESSE E OUÇA A MÚSICA TRINDADE SANTA.


AFFLANTE SPÍRITUS, foi um grupo católico formado por Marcelo Silles, Julia de Rezende, Gerlane Alves, Érica, Vitor, Carolina e Luciana para concorrer ao PRIMEIRO FESTIVAL CATÓLICO DE MÚSICA MENSAGEM – 1º FESTCAMM. O festival ocorreu no dia 25 de março de 2000 na cidade de Bom Jesus do Itabapoana – RJ. Escolhemos esse nome pois como cristãos, temos que está sempre avante acompanhando as mudanças, mas nunca longe do amor do Pai e da Trindade Santa. Com a música TRINDADE SANTA, ficamos em primeiro lugar empatando com o nosso companheiro Silvério Lúcio Venâncio que cantou a música MISTÉRIO SANTO.
A música TRINDADE SANTA, foi composta, letra e música por mim Marcelo Silles, Gerlane Alves, Juliana Rezende e Érica. Eu e Juliana como compositores apenas e Érica e Gerlane como compositoras e vocais. Com os votos de aclamação do público e melhor letra conquistamos o primeiro lugar, empatando com o nosso irmão.
Confiram a música, ela foi gravada ao vivo no dia do Festival. Trindade Santa faz parte com mais 14 músicas que participaram do festival e estão eternizadas no cd I FESTCAMM. E para quem quer saber mais sobre o que significa a palavra  Afflante Spíritus é só clicar aqui.



sábado, 9 de fevereiro de 2013

FERNANDO PAULO - A BELA E O MONSTRO




O rapper angolano que também é fechadaço com a É NÓS POR NÓS, BOM JESUS/PÁDUA-RJ, Fernando Paulo (Duplo B) junto com os também angolano o rapper Braulio Sky e a Rapper Platina Roox, acaba de lançar o single A BELA E O MONSTRO.  O som está da hora, muito loko. De um clique no link confira e baixe, está puro luxo.

Por Rapper Silles

OS MALÊS




Os Malês no dia da sua rebelião orgulhosamente apresenta o primeiro som Oficial intitulado "Conceito" para todos os ascendentes de Pretos dessa terra.


"SEGUINDO CONCEITO MANTENDO RESPEITO GUARDANDO SEGREDO
25 DE JANEIRO REBELIÃO DOS PRETOS."


GRUPO OS MALÊS

FELIPE ALEM - MAGIA & ALQUIMIA(Scratch Dj Maldonado)




O rapper carioca, é parceiraço da É NÓS POR NÓS - BOM JESUS/PÁDUA-RJ, acaba de lançar um single, intitulado MAGIA & ALQUIMIA. Cliquem no link, façam o seu download e confiram o som. É puro luxo.

Rapper Silles

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

REFLEXÃO PRETA EM BOM JESUS: O POLÍTICO BRANCO E O POLÍTICO NEGRO. Um mini-texto.

REFLEXÃO PRETA
MARCELO SILLES
RAPPER




            Bem sabemos desde quando os brancos portugueses invadiram essas terras, junto com outros brancos europeus, que a política nas terras brasílis sempre foi composta majoritariamente por brancos. Ora bem sabemos que o porquê desta discrepância numa terra plural, miscigenada (assim dizem por aí) e multicultural que o branco sempre representou (crenças da raça branca), a pureza, o bem, tudo de bom. Assim o branco/a sempre esteve fora de qualquer suspeita, sendo branco/a é muito mais fácil desviar dinheiro público, roubar dinheiro público, fraudar, etc.
            Sem contar que é um marketing perfeito para se vender a imagem de lobo na pele de cordeiro. Na última eleição passada para a Alerj, um tal deputado lançou os dois filhos que saíram vitoriosos, o pai perdeu. A vitória simplesmente se deu pelos seguintes fatores: cor-fenótipo-cútis branca, jovens de excelente aparência (aos olhos da sociedade racista), boa família (branca de classe alta) livres de qualquer suspeita, infiltrando na corrupção nunca serão presos, julgados, condenados serão sempre inocentes. Se fossem negros, primeiro não seriam eleitos, segundo sempre estariam na mira de qualquer suspeita. O mesmo vale para as mulheres brancas candidatas.
            Bom a política em Bom Jesus não é diferente. Como diz MV Bill “um negro não quer ver o outro negro bem”. Um negro político bonjesuense na década de 80, filiado em um partido político, engajado nas lutas sociais, movimento negro com uma participação bem expressiva na militância, na política, católico praticante, exemplo de família, candidata-se a vereador num determinado período da década de 90. Infelizmente tem uns míseros votos. Por outro lado, um branco político bonjesuense, filiado no mesmo partido, bem mais jovem, não tem engajamento nenhum em lutas sociais, fez faculdade durante a mocidade, teve muita sorte na vida, bem apanhado, pai de família, candidata-se a dep. Estadual e vence. Sabe qual o fator primordial de sua vitória? A imagem, o marketing, a brancura. Jovem branco, pai de família branca aparência bem sucedida, traços eurocêntricos, bonito para as mulheres pobres, ideal para o partido político e para a política brasileira. Qual o fator primordial para a derrota do negro? O fato de ser negro.
            Ele poderia ser um pai de família exemplar, honesto, religioso, militante ativo todas as qualidades que o outro não tem, mas é negro. O branco somente o fato de representar uma minoria majoritariamente no poder, garantiu a sua vitória.
            Isso é costume nos partidos políticos brasileiros, em qualquer canto seja de direita, esquerda, centro todos são racistas, não há democracia racial nos partidos políticos. À direita e centro são declaradamente racistas. À esquerda além de racista, prega a distribuição de renda dos outros não as dela. Episódios como esse acontecem ainda em Bom Jesus, onde quem levanta a voz em defesa da maioria é prontamente acusado de excitar o radicalismo, a barbárie, o racismo etc. nunca pensa no bem comum, no bem coletivo no qual inclui a todos de uma forma geral. O discurso reto e direto incomoda.
            Até quando vamos ficar enojados com a política, até quando vamos ficar sendo hipócritas distanciando das atividades políticas de nossos interesses e quando chega à época da eleição elegemos racistas, oportunistas, interesseiros, paneleiros tudo isso em troca de farra, orgia, sacos de cimento, remédio, mudança, vasos sanitários, uma conta pra pagar etc. Depois do orgasmo obtido vem a frustração de uma transa mal feita e o arrependimento.
            Ficar metendo a língua por trás em conversinhas de que na política só tem corruptos, não adiantou, não adianta e não adiantará nada se não arregaçarmos as mangas e pegarmos as rédeas da situação. Levantar a bunda da cadeira, sair do comodismo e exigir da sua própria comunidade representantes fiéis que façam valer seus direitos ou representantes do nosso grupo, é a única saída. Não deixemos o fato ocorrido com o nosso irmão negro político bonjesuense, seja algo comum, oportunidades, chances temos que dar aos nossos, que sabemos bem estão na luta cotidiana contra o racista opressor, informando, conscientizando, sendo exemplo de negritude.
            Sejamos, portanto, É NÓS POR NÓS.

PS: COM CERTEZA, IRÁ APARECER UM PSEUDO-INTELIGENTE E FARÁ O SEGUINTE COMENTÁRIO: VOCÊ ESTÁ SENDO RIDÍCULO, TEMOS POLÍTICOS NEGROS NO BRASIL OCUPANDO CARGOS. E EU IREI RESPONDER AO PSEUDO-INTELECTUAL: MEU FILHO, É UMA SITUAÇÃO QUE CONTA-SE NOS DEDOS, NÃO SE PODE LEVAR EM CONTAR NÚMEROS DE NEGROS EM CARGOS NO LEGISLATIVO COMO UM FATOR REPRESENTATIVO EXPRESSIVO PARA SE APAZIGUAR UMA LUTA, MÁSCARAR UMA REALIDADE PERVERSA. IMPORTÂNCIA TEM SIM, MAS FALTA MUITO. NÃO QUEREMOS ALGUNS NÚMEROS, QUEREMOS MUITOS NÚMEROS.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

E DESSA FORMA VAMOS TRILHANDO


Ontem, dia 09/12/2012, no encontro de carros de som em Apiacá/ES, o DJ Betinho da É Nós Por Nós, mais uma vez mostrou para que veio. Com a equipe Jandão Som detonou, esculachou e fez as caixas de som estrondarem toda a estrutura da quadra poliesportiva da Associação Recreativa de Apiacá. Fiquem atentos, porque é só o começo.
Por Rapper Silles


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

PRONTO PARA 2013

     Esse ano de 2012, foi um ano de muita correria, dificuldades e prosperidade. Mas tudo planejado e já esperado. A corrida no rap não é fácil no Brasil, ainda mais sendo a nação mais racista do mundo e uma das mais corruptas. 2013 nos aguarda, vamos chegar com gás e colocar pra ferver na pista os nossos projetos. Enquanto isso, façam uma retrospectiva conferindo os nossos som e nossa mixtape que lançamos esse ano. Abraços para geral.

Por Rapper Silles

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

BANDEIRA NEGRA


O grupo de rap de Cabo Frio/RJ, lança o single intitulado "A PAZ". O rap é um som pesado e realístico que tem tudo haver com o nosso cotidiano. Clique no link e confira o single. É puro luxo.

Por Rapper Silles

FÁBIO EMECÊ


O rapper cabofriense, o ativista Fábio Emecê lança um novo single intitulado "QUAL É O SEU NOME?". O som é muito loko aconselhamos que vc acesse o link e confira essa pedrada. É puro luxo.

Por Rapper Silles

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

DJ BETINHO, NÓS POR NÓS.


     Foi desse jeito, o evento Noite Jovem, com a presença do DJ da Nós Por Nós Betinho, foram 30 minutos de black onde rolou muito rap, hip hop, funk/soul. Marcou o início da Nós Por Nós em Bom Jesus do Itabapoana-RJ, apesar de ter acontecido fora da data realmente prevista 20 de novembro de 2012 dia da Consciência Negra, a presença foi um marco histórico, onde pela primeira vez desde o início da década de 90, um DJ se propôs a quebrar barreiras, tabus e tocou o que há de melhor na Rua no estilo underground.
     No repertório constou nomes como Blahka Tao, Madimbu A.K.A Hood Niga, Valentim V8, Biggie Êni,     Dizzy Ragga, Sativamente, Felipe Alem, Refem, Vanonne e outros só fechamento porque é desse jeito. E com certeza, Deus assim permitindo, a Nós Por Nós do noroeste-fluminense-RJ fará um encontrão para deixar a sua marca registrada. É Nós Por Nós, Crias da Rua.

Por Rapper Silles

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

DIZZY RAGGA



Após lançar dois singles: EQUALIZANDO e POR AÍ, é com imenso prazer que trago para vocês o meu novo som, “NÃO SE AMASSE”, a letra e a melodia são criações minhas, o beat produzido por Biggie Êni e a mixagem ficou por conta do engenheiro de som Luiz Café.conta do engenheiro de som Luiz Café.
Definitivamente, estou ampliando as fronteiras do que já fiz antes...
No primeiro cd, “De Repente”, passei por diversos ritmos da cultura brasileira mesclando com hip hop e raggamuffin 
. Agora estou renovando meus horizontes, "equalizando" todas essas referências que fazem parte da minha história, e como as fontes são muitas podem esperar grandes novidades.

No começo do ano impressionei meus fãs abrindo o verão com o hit POR AÍ… Um electro hop e na seqüência a versão dubstep da faixa EQUALIZANDO em parceria com o produtor Cavalaska.
Agora chegou à vez de NÃO SE AMASSE.
Curta a fanpage www.facebook.com/dizzyragga.
E lembre-se aconteça o que acontecer em sua vida, NÃO SE AMASSE!"
Dizzy
Esperar em Serviço

Por Dizzy Ragga

domingo, 4 de novembro de 2012

BlahkaTao - Chocolate com pimenta e taça de vinho

    A correria não para, e quem é rua mesmo sabe muito bem disso. Blahka Tao, joga na pista mais um single CHOCOLATE COM PIMENTA E TAÇA DE VINHO. O som é puro luxo. Recomendamos que escute e faça download desse som que representa a rua.




Por Rapper Silles


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A MULHER NEGRA NA SOCIEDADE BONJESUENSE: UMA VISÃO HISTÓRICA NACIONAL NUM CONTRASTE ATUAL. PARTE 2

Marcelo Silles

A rejeição por parte dos homens pretos brasileiros as mulheres pretas brasileiras, é algo que intriga e manifesta um sentimento repulsivo a tudo que representa a cultura do clareamento.
Os negros brasileiros das cenas do pagode-futebol com seus rígidos corpos torneados esbeltamente, com a pele negra bem tratada e lisa, a qual os mesmos as esculpem para atraírem as fêmeas brancas e, de preferência tom de neve, desfilam pelas ruas como se fossem reis, imperadores da sexualidade prontos para expelirem suas sementes da procriação.  Não é raro vê em Bom Jesus do Itabapoana-RJ, os homens negros com suas parceiras pretas as tratando de forma machista e vil. As mulheres pretas, na atual conjuntura familiar continua como a maioria de mães solteiras em nossa sociedade. E ainda como a maioria com mais filhos.
Em tempos em que, muitos por aí ficam latindo que somos apenas uma raça, humana, porque a mulher negra brasileira ainda ocupa a pior posição na pirâmide social?
Desde que, os homens preferem as loiras, um preto afirmar que prefere as pretas corre o sério risco de ser tachado de racista e que tal comportamento é um racismo às avessas. Isso ocorre freqüentemente comigo em Bom Jesus do Itabapoana-RJ. Mas pérai, porque pode-se dizer de peito estufado e com sorriso largo que os homens em geral preferem as loiras, morenas e quando um preto diz que prefere as pretas é classificado de racista?
Particularmente por algumas pessoas, sou chamado de radical, isso é bom porque significa que tenho raízes, e que quero dividir o país em raças. Como dividir o que sempre esteve dividido?
Onde se materializa a idéia de uno, cortando assim o cordão umbilical da identidade ancestral de cada ser, o buraco é muito embaixo, lá no fundão mesmo. Se somos apenas um, pra que tenho que vasculhar o meu passado? O engraçado que para os descendentes europeus, os seus passados sempre são presentes e futuro. Quando um preto começa a esmiuçar suas origens, chegando a lógica de sua existência, rapidamente a sua voz é calada, sua boca é amordaçada e seu discurso amputado junto as suas raízes. A cronologia preta é negada até a morte por aqueles que têm medo e pelos interessados em não remoer feridas, trazer a tona crimes, brutalidades, genocídios.
“Durante quase cem anos, os estudos que analisaram o negro no Brasil, se não o viam como destituído de tudo, viam no como mercadoria, que no limite é quase a mesma coisa.  Em outras palavras, o olhar era externo, mais do que isso, era sob a ótica do colonizador, sobre tudo do traficante e do senhor. “(BERNARDO, Teresinha Bernardo. As Deusas na diáspora negra. 2010. p.64)
É nesse terreno vertiginoso de disputas de iguais e não-iguais, que paira sobre nós a nuvem da intolerância atrelada à alienação, o descompromisso e o não querer saber de alguns irmãos pretos, que para serem aceitos ou simplesmente pregam que todos temos o mesmo sangue, firmam pactos de agressão contra seus próprios irmãos, pois de fato é muito mais conveniente está do lado dominante financeiramente, do que do lado da verdade. Outrora não se discute aqui o comportamento de nossos irmãos em aceitar a miscigenação e nem os culpar para tal contribuição, mas sim a construção histórica de uma exclusão perpetrada quando já não se vinha mais necessária a mão-de-obra escrava. Para criar o tal apartheid brasileiro e controlado, foi necessário criar estereótipos negros, batizar com nomes portugueses, criar novas vidas.
A crítica aqui feita, não se trata de julgar e fazer semelhanças com a realidade cotidiana generalizada de alguns indivíduos, mas resgatar e fazer com que esses indivíduos entendam as circunstâncias simbólicas que causaram o efeito colateral nas relações humanas-afetivas brasileiras. Tal efeito provoca no presente momento, um desejo incansável de busca pela verdade do preto e da preta, de sua árvore genealógica: quem eu sou de onde vim, meus ancestrais, antepassados. De que lugar da África vim? Sendo descendente de pretos escravizados, onde aportaram, de que senzalas? Porque os negros não tem participação na histórica fundação da cidade de Bom Jesus do Itabapoana-RJ?
São muitas as perguntas que ficarão sem resposta, se não houver um embate que cause desconforto entre os cidadãos bonjesuenses que logo rebaterão que são assuntos que não mais vêem a se preocupar no momento.  Agora se comemora a tal Feira da Providência. Porque celebramos então e lembramos da cultura libanesa, italiana, portuguesa se no dia 20 de novembro no distrito de Rosal na festa da Consciência Negra, não podemos celebrar da nossa forma a nossa cultura afro, relembrar e homenagear os nossos ancestrais, a nossa culinária corretamente como deve ser feita, nossos ritos etc. sem sermos tratados de radicais? Muito de nossa cultura foi abstraída sem indenização. E isso incomoda.
Bom de volta ao título-tema de nosso texto, data venia ao Sr. Gilberto Freire, novamente discordo de sua obra Casa Grande e Senzala a qual classifico novamente, como uma obra machista, sexista e a culpo por ser uma das obras responsáveis pela criação dos estereótipos feministas da mulher preta na qual a coloca na condição de objeto e não de ser humano. Bem esse autor pode ser de renome para alguns, para mim não. Um amigo da cidade confessou a mim que é louco para ter um caso com uma negona, pois disseram a ele que, as mulheres negras são quentes, bem quentinhas. O mesmo tem um relacionamento a mais de dez anos com uma mulher branca. Vejam bem, disseram a ele. Então se disseram, não foi apenas um e sim vários homens que apontam a mulher negra como foguenta, boa de cama, quentes, nunca apontam-nas como mulheres dedicadas, inteligentes, lindas, esposas, valorosas nunca com qualidades que realmente rainhas merecem ter, mais sim com adjetivos exdrulos, machistas e racistas criados pelo homem branco durante os séculos.
Nós homens pretos, temos que saber respeitar, valorizar e saber a verdadeira história da mulher preta, embrear-nos mais na diáspora, fortalecer ainda mais os nossos conhecimentos e saberes, sairmos do comodismo da limitação e desbravar o universo preto e da mulher preta.

Referências bibliográficas:
BERNARDO, Teresinha Bernardo. As Deusas na diáspora negra. 2010.
CAMPOS, Maria Consuelo Cunha. A representação da mulher negra na literatura brasileira. UERJ/PEN Clube do Brasil. 2007.
ARAÚJO, Clarice Fortunato. Porque as mulheres negras são minorias no mercado matrimonial.  XI CONLAB. 2011
EUCLIDES, Maria Simone; FIÚZA, Ana Louise de Carvalho; PINTO, Neide Maria de Almeida; DOULA, Sheila Maria. O sentido da liberdade para as mulheres negras: Discussão necessária. XI CONLAB. 2011

JASMINE "SERIZZY" DAVIS

     Pensando que é somente os rapper´s brasileiros, os rapper´s bonjesuenses que passam perrengue nos corres com cultura rap/hip hop? Geral engana-se. Diretamente das terras do Tio Sam, minha parceira a rapper Jasmine, de New Jersey. A mina faz uma correria loka que merece respeito, apesar das dificuldades mantem-se firme nas ruas mandando suas rimas. Apresento a vocês JASMINE "SERIZZY" DAVIS. Cliquem no link abaixo e confiram os sons dessa rapper, que faz um corre loko como todos nós do perrengue.



Por Rapper Silles

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

CORNO OFSHORE do rapper I. O Bagaceiro feat Vanone Rapman



     A realidade de quem trabalha embarcado é nua e crua rapaziada. É dessa forma que o rapper I. O Bagaceiro com a participação de Vanone Rapman relata o dia-a-dia daquele que é fiel a sua mina no período que permanece embarcado nas plataformas de petróleo. Clique no link abaixo e confira o rap CORNO OFSHORE. É puro luxo.


Rapper Silles

PRO SAFADO NOVO SOM DE VANONE RAPMAN

     

     O rapper Vanone Rapman lança um novo single intitulado PRO SAFADO. Como ele mesmo diz sobre o som "As semelhanças entre os fatos reais e os narrados no rap são mera coincidências! Lembrando que descarta a quem se doer... nada pessoal! Tem isso em todo lugar!". O som é puro luxo recomendamos. Clique no Link abaixo e confira o som PRO SAFADO. Som de rua é norte e noroeste-fluminense.


Rapper Silles