segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Evangélicos querem Acarajé e Capoeira de Cristo!


Já repararam que os mesmos evangélicos que nos atacam que chamam nossas tradições e culturas de satanismo, hoje estão tentando a todo custo usa-las?
Veja que hoje eles usam rosas, águas sagradas, velas e muito mais além de querer descaracterizar os Afoxés, Samba, o Acarajé e a Capoeira nesta onda gospel que chega para precarizar nossas tradições.
Os Cristãos sempre foram às espadas que cortaram nossas cabeças e hoje não é diferente e agora nosso maior problema está na bancada evangélica que é a maior de todas e a mais poderosa até mesmo que a presidenta, portanto precisamos acordar e termos olhos políticos para nossas questões.
E para isso precisamos entender o básico, o que é política de esquerda e política de direita, para que não sejamos enganados cada vez mais e para salientar a bancada evangélica conversa com a política de direita e precisamos mudar nossos atos e transformar nosso futuro, porque devemos ter representantes e ocupar espaços importantes para nossa religião, mas não para fazer que nem os evangélicos, mas para pensar- mos em fazer algo que ajude o país e que garanta nossos direitos. E ano que vem quando chegar às eleições analisaremos os políticos e escolheremos partidos que estejam junto com o povo.
Segue o vídeo assista e comente na página o que você prefere se é política de Direita ou de Esquerda.
Por: Oluandeji



Leonardo Boff - Ubuntu: O significado de Mandela para o futuro ameaçado da humanidade


Nelson Mandela, com sua morte, mergulhou no inconsciente coletivo da humanidade para nunca mais sair de lá porque se transformou num arquétipo universal, do injustiçado que não guardou rancor, que soube perdoar, reconciliar pólos antagônicos e nos transmitir uma inarredável esperança de que o ser humano ainda pode ter jeito. Depois de passar 27 anos de reclusão e eleito presidente da Africa do Sul em 1994, se propos e realizou o grande desafio de transformar uma sociedade estruturada na suprema injustiça do apartheid que desumanizava as grandes maiorias negras do pais condenando-as a não-pessoas, numa sociedade única, unida, sem discriminações, democrática e livre.


E o conseguiu ao escolher o caminho da virtude, do perdão e da reconciliação. Perdoar não é esquecer. As chagas estão ai, muitas delas ainda abertas. Perdoar é não permitir que a amargura e o espírito de vingança tenham a última palavra e determinem o rumo da vida. Perdoar é libertar as pessoas das amarras do passado, é virar a página e começar  a escrever outra a quatro mãos, de negros e de brancos. A reconciliação só é possível e real quando há a admissão completa dos crimes  por parte de seus autores e o pleno conhecimento dos atos por parte das vítimas. A pena dos criminosos é a condenação moral diante de toda a sociedade.



Uma solução dessas, seguramente originalíssima, pressupõe um conceio alheio à nossa cultura individualista: o ubuntu que quer dizer: “eu só posso ser eu através de você e com você”. Portanto, sem um laço permanente que liga todos com todos, a sociedade estará, como na nossa, sob risco de dilaceração e de conflitos sem fim.



Deverá figurar nos manuais escolares de todo mundo esta afirmação humaníssima de Mandela:”Eu lutei contra a dominação dos brancos e lutei contra a dominação dos negros. Eu cultivei a esperança do ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas e em harmonia e têm oportunidadades iguais. É um ideal pelo qual eu espero viver e alcançar. Mas, se preciso for, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”.



Por que a vida e a saga de Mandela funda uma esperança no futuro da humanidade e de nossa civilização? Porque chegamos ao núcleo central de uma conjunção de crises que pode ameaçar o nosso futuro como espécie humana. Estamos em plena sexta grande extinção em massa. Cosmólogos (Brian Swimm) e biólogos (Edward Wilson) nos advertem que, a correrem as coisas como estão, chegaremos por volta do ano 2030 à culminância desse processo  devastador. Isso quer dizer que a crença persistente no mundo inteiro, também no Brasil, de que o crescimento econômico material nos deveria trazer desenvolvimento social, cultural e espiritual é uma ilusão. Estamos vivendo tempos de barbárie e  sem esperança.



Cito o o insuspeito Samuel P. Huntington, antigo assessor do Pentágono e um analista perspicaz do processo de globalização no término de seu O choque de civilizações: “A lei e a ordem são o primeiro pré-requisito da civilização; em grande parte no mundo elas parecem estar evaporando; numa base mundial, a civilização parece, em muitos aspectos, estar cedendo diante da barbárie, gerando a imagem de um fenômeno sem precedentes, uma Idade das Trevas mundial, que se abate sobre a Humanidade”(1997:409-410).



Acrescento a opinião do conhecido filósofo e cientista político Norberto Bobbio que como Mandela acreditava nos direitos humanos e na democracia como valores para equacionar o problema da violência entre  os Estados e para uma convivência pacífica. Em sua última entrevista declarou:”não saberia dizer como será o Terceiro Milênio. Minhas certezas caem e somente um enorme ponto de interrogação agita a minha cabeça: será o milênio da guerra de extermínio ou o da concórdia entre os seres humanos? Não tenho condições de responder a esta indagação”.



Face a estes cenários sombrios Mandela responderia seguramente, fundado em sua experiência política: sim, é possível que o ser humano se reconcilie consigo mesmo, que sobreponha sua dimesão de sapiens  à aquela de demens e inaugure uma nova forma de estar  juntos na mesma Casa.



Talvez valham as palavras de seu grande amigo, o arcebispo Desmond Tutu que coordenou o processo de Verdade e Reconciliação:“Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito  correções, viremos agora a página — não para esquecer esse passado, mas para não deixar que nos aprisione para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito, criadas à imagem de Deus”.



Essa lição de esperança nos deixa Mandela: nós ainda viveremos se sem discriminações pusermos em prática de fato o Ubuntu.

Leonardo Boff escreveu Cuidar da Terra, proteger a vida: como evitar o fim do mundo, Record, Rio 2010.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

BOTAR A CARA NÃO É PRA QUALQUER UM, TEM QUE SER GUERREIRO DE FÉ.

Marcelo Silles
Assistente Social com Bacharel da UFF-Campos/RJ

Os munícipes de Bom Jesus do Itabapoana-RJ, deveriam trocar o gentílico de bom-jesuenses para VIVEM DE APARÊNCIA. As pessoas que se auto-declaram “cidadãos de bem” acabo por acreditar que são as mais covardes. Adoram, ou melhor, amam falar da vida dos outros, arrumam furdúcios e quando o bicho pega, são os primeiros a se acovardarem, iniciam uma guerra mais são os (as) primeiros (as) a se desertarem covardemente.

São católicos romanos progressistas, são católicos romanos tradicionalistas, evangélicos (protestantes), ateus etc. que só enxergam os seus umbigos, mas adoram futricar e da píti na vida alheia. São os donos da razão com soluções para todos os problemas das pessoas problemáticas. Queimam a língua constantemente, cometem o pior dos pecados que é praguejar o comportamento de vida alheia. São sanguessugas que só pensam em discursar o coletivo quando é de interesse próprio.

Eu só observo, filmo as maquiavelidades, as aleivosias disparadas aleatoriamente sempre no encalço de um coitado ou uma coitada para ser lavrado ou lavrada nos sermões dos indivíduos ou individuas que protelam seus jargões do “bem”.  Que os largados abracem as orações e proteções de Fé contra as línguas ácidas e chicoteadoras solucionadoras de todos os problemas, diluem as intrigas e fustigam vilmente para depois sorrateiramente fugirem como covardes que são e sempre foram.

Atesto que ser guerreiro de fé não é pra qualquer um, botar a cara não é pra qualquer um, só os fortes lutam e sobrevivem, não fogem a luta, arcam com as conseqüências de atitudes mal elaboradas, de eventos mal interpretados. Abraçam a guerra e caiem para cima das batalhas. Os fracos e covardes as fomentam e ainda exigem que sejam glorificados. E em Bom Jesus/RJ-ES está lotado dessas espécies. Que o Senhor nos proteja sempre!


“O guerreiro de fé nunca gela, não agrada o injusto e não amarela. O Rei dos reis foi traído e sangrou nessa terra. Mas morrer como homem é o prêmio da guerra”. (Racionais MC´s).

O Brasil e a África negra


José Luís Fiori

Já está em pleno curso uma nova corrida imperialista, entre as grandes potências, e um dos focos desta disputa é, mais uma vez, a própria África.

Ao incluir a África dentro do seu “entorno estratégico”,  e ao se propor aumentar sua influência no continente africano, o Brasil precisa ter plena consciência que está entrando num jogo de xadrez extremamente complicado. Porque já está em pleno curso – na 2º década do século XXI - uma nova “corrida imperialista”, entre as  “grandes potências”, e um dos focos desta disputa é, mais uma vez, a própria África. E não é impossível que as velhas e novas potências envolvidas na disputa pelos recursos estratégicos da África, voltem a  cogitar da possibilidade de estabelecer novas formas maquiadas de controle colonial sobre alguns  países africanos, que eles mesmo criaram, depois da IIº Guerra Mundial.


A África é o segundo maior e mais populoso continente do mundo: tem uma área de 30.221. 532 km2 e uma população de cerca de 1 bilhão  de habitantes, 15% da população mundial. O continente inclui a ilha de Madagascar, vários arquipélagos , 9 territórios e 57 estados independentes. Os europeus chegaram à costa africana e iniciaram seu comércio de escravos negros, no século XV e XVI, mas foi só no século XIX, que as grandes potências europeias ocuparam e impuseram sua dominação em todo continente, menos a Etiópia.



A independência africana, depois da II Guerra Mundial, despertou grandes  expectativas com relação aos seus novos governos de “libertação nacional” e seus projetos de desenvolvimento. Este otimismo inicial, entretanto, foi atropelado por sucessivos golpes e regimes militares, e pela crise econômica mundial que atingiu todas as economias periféricas na década de 70, provocando prolongado declínio da economia africana.



Na década de 90, inclusive, se generalizou em alguns círculos a convicção de que a África seria um continente “inviável” e marginal dentro do processo vitorioso da globalização econômica. E de fato, naquela década, apenas 1% do fluxos dos Investimentos Diretos Estrangeiros, de todo o mundo, foram destinados aos 57 países africanos. Depois de 2001, entretanto, a economia africana ressurgiu, acompanhando o novo ciclo de expansão da economia mundial, igual como aconteceu na América do Sul.



Esta mudança radical da economia africana  se deveu sobretudo ao impacto do crescimento econômico da China e da Índia, que consumiam 14 % das exportações africanas, no ano 2000, e hoje consomem 27%, igual que a Europa e os Estados Unidos, que foram os antigos “donos” comerciais do continente. Na direção inversa, as exportações asiáticas para a África vêm crescendo à uma taxa média de 18% ao ano, junto com os investimentos diretos chineses e indianos, sobretudo em energia, minérios e infra-estrutura. 



Neste sentido, não cabe mais duvida, devido ao volume e a velocidade dos acontecimentos: a África é o hoje, o grande espaço de “acumulação primitiva” asiática, e uma das principais fronteiras de expansão econômica e política, da China e da Índia.



O problema é que neste mesmo período, os Estados Unidos também aumentaram  seu envolvimento militar e econômico africano, em nome do combate ao terrorismo, e da proteção dos seus interesses energéticos, sobretudo na região do “Chifre da África” e do Golfo da Guiné, que deverá estar cobrindo aproximadamente 25% das importações norte-americanas de petróleo, até 2015. E o mesmo aconteceu com a União Europeia, e em particular, com a  França e a Grã Bretanha, que inclusive participaram, neste período, de intervenções militares diretas no território africano. E a própria Rússia tem intensificando seus acordos envolvendo venda de armas e alguns projetos bilionários de suprimento de gás para Europa, através da Itália, e do deserto do Saara.



A relação do Brasil com a África, durante quase todo o século XX, foi de estranhamento e submissão aos interesses das potôncias coloniais europeias, e à estratégia norte-americana da Guerra Fria. Foi só no início da década de 60 que esta posição mudou pela primeira vez, com a “politica externa independente”- PEI,  dos governos de Jânio Quadros e João Goulart, entre 1961 e 1964, política que foi retomada durante o governo Geisel, e depois foi relaxada durante os governos neoliberais da década de 90. Só agora, no início do  século XXI,  o Brasil retomou e e assumiu explicitamente seu interesse estratégico na África, propondo-se irradiar sua liderança e projetar sua influencia política e econômica, sobretudo na sua região subsaariana.



O Brasil é o único país sul-americano que é também negro e que tem excelentes oportunidades econômicas no território subsaariano, em infraestrutura e serviços, mas também na indústria e na capacitação da sua mão de obra.  Entretanto, para manter sua decisão estratégica e conquistar espaços, o Brasil tem que estar disposto e preparado para enfrentar a pesada concorrência das velhas e novas potências, como China e Índia, que tem muito maior capacidade imediata de mobilização econômica e militar. E terá que começar pela conscientização e mobilização da sua própria sociedade, e em particular, de suas elites brancas que sempre tiveram enorme dificuldade de  reconhecer, aceitar e valorizar as raízes africanas e negras do seu próprio país.




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

N.A. - ÉS MINHA VIDA ft. ARES KUZOA & ADIVENCE

N.A, é um artista do Bairro da Samba, membro da Label “Imprevisiveis” e esta neste momento a trabalhar num projecto, sem título ainda, a ser lançado brevemente, onde já conta com as participações de, Sombra (Presidente da Samba), Haudaz, Pereira, Ares Kuzoa, Adivence e outros nomes não menos Importantes. Por agora com uma das promos desse projecto.

N.A - És minha vida ft. Ares Kuzoa & Adivence


Fonte:http://www.hiphopangolano.net/2013/11/na-es-minha-vida-ft-ares-kuzoa-adivence.html

XKOBA - MENINO DE RUA ft. EDSON MENDES


Directo da label “Outro Nível”, Xkoba disponibiliza track “Menino de Rua” onde conta com a participação de Edson Mendes para falar de um dos principais problemas sociais que essa Angola enfrenta. A música agora disponibilizada, fará parte da Mixtape “Meu Diário” que segundo a label e o artistas, estará disponível no dia 25 de Dezembro.

Xkoba - Menino de Rua ft. Edson Mendes

Fonte:http://www.hiphopangolano.net/2013/11/xkoba-menino-de-rua-ft-edson-mendes.html

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O RACISMO ESCANCARADO DE RICARDO NOBLAT

Só mesmo no Brasil, jornalista vira charlatão em psicologia e analista de caráter do negro


por Marcos Romão

Visibilidade e fama para negro no Brasil são coisas perigosas. O perigo de cair do sucesso para o Pelourinho, está em cada casca de banana escondida em todas as curvas de seu caminho.

O caráter do homem e da mulher negra é como 'bundinha de nenén', todo mundo se acha no direito de dar opinião e passar a mão dando seus beliscõezinhos em nada agradáveis.

Para não me alongar no tempo da escravização do negro no Brasil, em nossa república falar e escrever sobre o caráter do negro virou uma especialidade em que todos podem tecer suas teorias, desde os acadêmicos até os fuxiqueiros enciumados da esquina. Todos têm um amigo negro que é bom, mas no geral os negros e as negras precisam se adaptar. Precisam sair desse "complexo de inferioridade", porém, sem montar barracos, confusões e possíveis atos vingativos, melhor serem agradecidos.

De Oliveira Viana a Gilberto Freyre, os acadêmicos brancos brasileiros deram sua pitada sobre o que é o negro brasileiro, o que é o seu caráter. É uma sina do negro brasileiro ter tanta gente a defini-lo. O negro fica sem tempo para saber quem é nesta miríade de definições e sentenças sobre o que ele é e onde deve estar e ficar.

Apesar de alguns avanços da academia em relação aos estudos sobre o negro desde Florestan Fernandes, passando pelos brasilianistas e pelos cientistas sociais balançados pelo movimento negro dos anos 70s. Estes avanços teóricos que tiveram a influência do esquecido e nunca citado Sociólogo Guerreiro Ramos e a faca lingüística e política de Abdias Nascimento, pouco influenciam no dia a dia e no racismo verbal que atingem os negros brasileiros, pois ainda vivemos em nosso imaginário coletivo, nos tempos de Monteiro Lobato e narizinhos empinados e de Gilberto Freyre com sua morenice agradável. Negro bom é o negro que se adapta, se comporta e esquece que é negro, pois adaptado é "igual".

Presos teoricamente em Gilberto Freyre, os intelectuais brancos brasileiros, revelam em 2013, com a aparição de uma casquinha de pele preta próxima ao poder (não nele) seus medos infantis do bicho-papão, do negro mau, que chega de noite para violar suas casas, mulheres ou seus castelos teóricos. Estava tudo tão confortável no Brasil. Negro se fingia de bonzinho e tudo ia bem. Gente negra mal agradecida, bem que os bisavós escravizadores avisaram.

Fiquemos no "Pai de Todos", o Gilberto Freyre e suas lições sobre caráter, comportamento e participação do povo negro na formação do modo de pensar brasileiro.

Em Casa Grande e Senzala, ele nos dá uma pista sobre como se pensa no imaginário coletivo brasileiro de 2013:

"na colocação dos pronomes, como nós brasileiros temos duas faces:

uma dura, antipática, dominante que se expressa no Faça-me isto! E uma suave, simpática, pronta a obedecer do dominado que pede Me faça. E nem precisamos ter uma só linguagem as duas devem coexistir porque a força, a potencialidade da cultura brasileira parece residir toda na riqueza dos antagonismos equilibrados!!!"
Joaquim Barbosa contraditou o esperado e optou como negro "complexado e "dominado" pelo "Faça-me isto!"
Como sujeito negro com complexo de inferioridade, nas palavras do jornalista Ricardo Noblat, o ministro negro saiu de seu papel, que deveria ser dócil e agradecido, pois lá no Supremo está por ser um negro "escolhido" como café de boa cepa.

Pela infeliz escolha do magnânimo senhor de plantão, a coisa ou o julgamento deu no que deu. Foi até o fim e tem gente graúda presa, apesar de 200 milhões de brasileiros e brasileiras, jamais imaginarem que um dia isto poderia acontecer no Brasil.

O jornalista Noblat vai ao cerne do jeitinho que é a base do racismo brasileiro, mas perde as estribeiras, como é típico para intelectuais que entram no campo do "psicológico" quando falam do negro no Brasil:

"Por mais inocente que seja quem não receia ser alvo de uma falsa acusação? Ao fim e ao cabo, quem não teme o que emana da autoridade da toga?

Joaquim faz questão de exercê-la na fronteira do autoritarismo. E por causa disso, vez por outra derrapa e ultrapassa a fronteira, provocando barulho.

Não é uma questão de maus modos. Ou da educação que o berço lhe negou, pois não lhe negou. No caso dele, tem a ver com o entendimento jurássico de que para fazer justiça não se pode fazer qualquer concessão à afabilidade.

Para entender melhor Joaquim acrescente-se a cor – sua cor. Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação.

Joaquim é assim se lhe parece. Sua promoção a ministro do STF em nada serviu para suavizar-lhe a soberba. Pelo contrário."

Joaquim foi descoberto por um caça talentos de Lula, incumbido de caçar um jurista talentoso e... negro."

Tenho respeito por Ricardo Noblat, um jornalista que se caracteriza por sua independência, como também a tem o juiz Joaquim Barbosa.

Em seu texto "Joaquim Barbosa: Fora do eixo". Noblat não entra nas diatribes racistas que se tem publicado ultimamente em blogs e jornalões, em uma campanha orquestrada para se atingir o caráter de Joaquim Barbosa, entretanto a alimenta.

Noblat escorrega no desaforo, como todo bom jogador de futebol amigo do negro que acabou de xingar. Só que Noblat, estamos em 2013 e o pote de tolerância com o racismo transbordou. Basta!

Joaquim Barbosa está Ministro Presidente do Supremo Tribunal porque é negro, todos nós negros, assim como Barbosa, o sabemos. Como sabemos que todos os outros anteriores o foram porque eram brancos.

Como um troféu de outrora ele o negro jurista precisou ser caçado, como eram caçados os griots, quando havia necessidade de alguma conciliação colonial com os escravizados, depois eram mortos.

Negro jurista dificilmente seria encontrável nos churrascos da "Granja Torta e Branca", onde negros só entram como "tias Anastácias" e Lambe-Botas. Caçadores de talentos deveriam sair de lupa na mão para aprisionar um negro com "alguma" competência branca, pois o Brasil assim o precisava para ter uma nova imagem.

São 125 anos de Abolição e só os astros dirão se vai durar mais 125 anos para termos um ou outro presidente do STF negro.

Baixe o pau quem quiser no Presidente do Supremo. Dê sua opinião quem quiser sobre o julgamento do mensalão. Coloque em questão quem quiser os procedimentos jurídicos do julgamento e das prisões. Estamos em uma democracia, mesmo que capenga. Ainda é um direito de qualquer cidadão emitir sua opinião.

Agora pensem duas vezes ao serem analistas do caráter de ser negro. Vocês têm muito pouca experiência no assunto, pois são inconscientes da própria cor e de seus privilégios. Chega de charlatanismo psicológico sobre o que o negro pensa.

Quantas vezes, você Noblat participou de uma roda de conversa antirracista para saber o que é construção de identidade?

Os negros sabem que é muito difícil para os brancos encararem a sua "falta de identidade privilegiada", por isto fica mais fácil falar e escrever sobre os outros, índios e negros e mulheres e assim esquecerem-se da própria "Patologia do Homem Branco", como nos lembra Guerreiro Ramos.

Nestes últimos 40 anos tive o prazer de vivenciar com brancos no Brasil e na Europa, que enfrentaram a Esfinge do Racismo. Doeu mas pariram. Pararam de serem "doutores" em negros. Ai deu para começar a conversar.

Pergunte às mães e esposas de jovens e maridos negros, o que é assistir a seus parentes serem julgados por milhares de juízes brancos, que tem medo e asco à sua pele e comportamento e os enfiam nas masmorras?

Ainda não li uma linha branca nos jornalões sobre o caráter mau, perverso, branco e racista destes juízes e de sua formação e berço.

Ao voltar há dois anos ao Brasil avisei aos meus amigos. O racismo brasileiro está entrando em uma fase nova e virulenta. Poucos acreditaram.

Agora muitos negros estão surpresos e estupefatos, com a sem cerimônia intelectual com que passam a mão nas nossas caras e nádegas e pedem que sejam agradecidos pela condescendência de o fazerem com margarina.

Negro não tem imprensa, mas a resposta está aí. Só não vê quem não quer.
Como diria o Gonzaguinha: "A gente não está com a bunda exposta na janela prá passar a mão nela".
Meus respeitos agora estão na condicional.

Par quem quiser em meia hora se aprofundar sobre a construção do imaginário coletivo racista de 2013, aqui está uma aula sobre o pensamentos social brasileiro da Professora Elide Ruda Bastos



Globeleza Fantástica


Quando da divulgação de nossa Carta Aberta ao Racismo Velado na página Mundo Negro, no Facebook, dentre os diversos compartilhamentos e visualizações, um comentário em especial me chamou à atenção. Era de um internauta (negro) indignado com nossa posição acerca do referido quadro do Fantástico e a reação irritadiça de que nossa visão seria “equivocada”. O argumento foi que a TV só está refletindo a realidade, que se quisermos mudanças, que as cobremos “aqui fora”, na vida real, na educação, etc e não no mundo de fantasia da TV aberta.
Bem, pra mim, em particular, equivocada é essa visão de “a TV é só ficção, não tem culpa pela realidade”, pois, uma mídia que movimenta milhões em influências e interesses não é, nem nunca será, isenta de uma ideologia, mesmo que seja a dos investidores da elite. E a ideologia da Rede Globo é elitista, finge que quer agradar a todos, mas seu pulo do gato é justamente ter programado o povo a aceitar seu conteúdo sem questionar se aquilo é bom ou não, simplesmente ‘fazendo bem feito’ não deixando margem para a observância sobre a procedência desse conteúdo.
Pode até ser implicância, mas não há negras escolhidas com traços negros, saca? O cabelo, o nariz, tudo muito folclórico e muito diluído.
Aí, vem a grande virada na argumentação. Falei lá sobre a questão, que não é querer ver a Globo criando uma realidade que não existe aqui fora, mas que preste ao menos algum serviço útil nessa área. Argumentei que as novelas – alegadas peças de ficção – já ajudaram a desmistificar o tráfico de pessoas, vício em entorpecentes, crianças desaparecidas e mais uma gama de questões delicadas na sociedade. Só o raio do racismo é que não tem essa divulgação. Então, é sim, um desserviço à sociedade manter o negro ignorado e negado na telinha. Estamos bem até aqui? Prossigamos…
A Globo vem, através do Fantástico (ele de novo, estamos de olho!), buscar sua novamulata negra Globeleza. Um concurso onde as candidatas – todas negras – disputarão o posto de musa do carnaval platinado. Aí, algum amigo mais branquinho, ou um irmão menos atento poderá dizer: “viu? Ficaram reclamando aê, olha só um quadro só com pessoas negras participando”. Sim, mas vou te perguntar uma coisa: “Você é o Walcyr Carrasco?” “Já reparou que é só para 20 dias de carnaval e nada mais até a outra temporada?”.
Pois bem, a Globo, descaradamente, mostra onde o negro precisa ficar enfiado (UIA!) o ano inteiro, né? Fica lá se refestelando em paetês em frente às câmeras do bundalelê dentro da senzala Esquenta e depois vai ficar saracoteando sob a vinheta famosa do carnaval. Afora isso? Um ou outro papelzinho na TV e quase nada de negros sendo mostrados em posições bem sucedidas, na vida real, para que o público perceba que um negro vencendo na vida não é algo estranho.
Um quadro muito parecido com o da busca pela Globeleza é o Menina Fantástica, concurso para a descoberta e contratação de uma nova modelo. Nesse, quase não há negras e nenhuma chegou lá, com exceção de Tayna Carvalho (com seus belos traços indígenas – mesmo assim, muito criticada com aberrações como “ganhou por cota, pra Globo fazer média”, demonstrando que se não for branca e de traços finos não poderia ganhar por beleza). Perceberam a diferença do teor dos quadros? Se é estereótipo de carnaval, aí sim, negras venham com sede, mas se for modelo internacional, bem, não falo mais nada…
Finalistas do Menina Fantástica. Tayná, a vencedora de 2010 é a quarta da esquerda para a direita. Notou o padrão de beleza e a minoria num concurso brasileiro?
Aliás, falo, pois, mesmo que a posição do negro no carnaval seja aprisionada pela mente tacanha da grande mídia num estereótipo de inversão de valores (quando aparece em muitos outros lugares, mas sempre lembrando que são ‘comunidade’), as moças – muito belas – escolhidas para o cargo sempre são de cabelos alisados, narizes afilados e lábios finos… Ou seja, são como a Tempestade, dos X-Men (e tantos outros personagens de HQs), são “brancos de cor”. Nada contra os irmãos e irmãs com traços finos (nem pensem nisso), mas estou falando que não há outro tipo de biótipo negro ‘aprovado’ para a telinha, entende? É só ver como a própria Menina Fantástica 2010, Tayna Carvalho passou de paraense para japonesa em dois tempos.

Ainda acha que é exagero MEU – e não do descaramento da TV aberta/racismo velado?
Veja as fotos abaixo e associe ao momento e conclua por si só, se não tem relação com a visão folclórica da elite sobre o pobre e o negro:
Menina Fantástica, de onde sai uma nova modelo porfissional contratada:

Nova Globeleza, quando o uma modelo/bailarina representa as vinhetas oficiais do carnaval da Globo:

Musa do Brasileirão, quando uma modelo representa um time de futebol em ensaios sensuais:

Musa do Caldeirão, uma modelo será eleita a melhor passista no carnaval do Huck:

Então, meu cumpadi, coincidência? O negro e a negra será sempre esse ‘bom selvagem’ que surge no carnaval tirando onda de bacana pra voltar ao resto do ano escondido da mídia? Há quem diga pra nos contentarmos, pois seria pior não ter representação nenhuma, mas a luta não é por presença, é por reconhecimento de igualdade e dignidade. Lembrando Candeia em Dia de Graça, a Globo manda o recado:
“(…) mas depois da ilusão, coitado, negro volta ao humilde barracão“. 
Eu já prefiro a parte:
“(…) faça da sua Maria, uma rainha todos os dias e cante samba na universidade
e verás que teu filho será príncipe de verdade
Daí, então, jamais tu voltarás ao barracão“.
Tá bom pra você?

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Racismo americano x racismo brasileiro


Na mais recente lista de celebridades mais bem vestidas dos EUA divulgada pela revista People figuram três mulheres negras: as atrizes Kerry Washington (em primeiríssimo lugar) e Zoë Saldana, além de Solange Knowles (cantora e irmã caçula da estrela pop Beyoncé).

Por: Patrícia Fortunato

Você pode até achar que listas desse tipo são de uma futilidade sem tamanho, mas tente ver por outro ângulo. No mundo de imagens em que vivemos, uma galeria em que celebridades negras são reconhecidas como bem vestidas são uma injeção de autoestima para milhares de adolescentes e mulheres mundo afora, que muitas vezes não se sentem representadas pelos programas de tevê que costumam assistir ou nas revistas que leem.

Outro aspecto interessante da escolha da People é que estamos falando de mulheres bem vestidas, não de mulheres sensuais. No Brasil parece haver uma lei não escrita segundo a qual para negras e mestiças cabem classificações como sensual, sexy ou "dona de beleza exótica", mas raramente o rótulo de elegante, exceção feita à atriz Camila Pitanga. É como se a elas só fosse permitido ser lindas durante o carnaval, atividade importante até mesmo do ponto de vista econômico, mas muitas vezes encarada como manifestação cultural de menor valor.

Há uma diferença muito grande na maneira como EUA e Brasil lidam com o inglório passado da escravidão. Em ambos os casos, aboliu-se a prática, mas persistiu o racismo. Nos EUA praticou-se uma segregação escancarada e oficial, com leis que determinavam, por exemplo, que brancos e negros deveriam ocupar assentos em ônibus e trens de acordo com sua cor de pele. Já no Brasil, a segregação nunca foi oficial, o que facilitou a convivência diária, mas também originou um racismo subjetivo e perversamente sofisticado que muitos não enxergam. Talvez por isso os versos de "O Teu Cabelo Não Nega" (mas como a cor não pega, mulata, mulata, eu quero o teu amor ...)" ou não são compreendidos por muitos que os entoam ou tem seus efeitos minimizados.

O fato é que o racismo oficial praticado pelos americanos fez com que os negros se organizassem, o que foi decisivo para a derrubada de anomalias como as leis segregacionistas. Quando as batalhas mais duras contra a segregação foram vencidas, essa organização foi em parte canalizada para a conquista do sonho americano: o sonho de fazer parte da classe média.

Não é incomum por aqui (ou é bem mais comum que no Brasil) que membros da classe média negra americana manifestem-se quando acreditam ser representados de maneira caricatural em atrações televisas. E o poder econômico dessa classe que se manifesta se traduz em comerciais de cereais, medicamentos toda uma gama de produtos consumidos pelas classes medias protagonizados por negros. Os catalogos de roupas tambem costumam apresentar mais diversidade que os brasileiros, como modelos brancas, negras e asiáticas.

No Brasil, nesse momento em que tanto se discute a ascensão social dos mais pobres, os publicitários tem uma chance de ouro para criar campanhas mais inclusivas, que reflitam a beleza de todos.

*Esta coluna foi publicada originalmente no blog Ideação do Banco Interamericano de Desemvolvimento (BID).


A República dos Brancos: Joaquim Barbosa como a metáfora da distopia negra? por Jaime Amparo Alves

Joaquim Barbosa não é apenas o nosso Clarence Thomas (o ultra-conservador juiz negro estadunidense) revestido com o manto perigoso do Direito. Ele é também a metáfora do nosso impasse político e a projeção sombria do que vem por aí.

Qual o lugar da categoría “raça” no julgamento da ação penal 470? O que a cor da principal figura do julgamento tem a nos dizer? Ainda que a imaginação racista branca tenha alimentado contra Joaquim Barbosa os estereótipos tradicionais de “destemperado”, “sem-equilíbrio”, “sem-civilidade”, ele têm gozado de uma aceitação que desafia as análises sobre o racismo e talvez por isso explique certo silêncio da intelectualidade negra frente ao papel do primeiro ministro negro do Supremo Tribunal Federal como algoz do maior partido de esquerda do país.

Entro em campo minado consciente dos custos politicos de tal empreitada mas imagino que recusar o debate é perder a chance refletir como a supremacia branca se reproduz no Brasil contemporâneo. Mais que isso, o triste papel de Joaquim Barbosa nos convida a refletir sobre os limites das atuais políticas de identidade. Que o leitor/a não me interprete mal: ao contrário dos que acreditam que as lutas baseadas em categorias como “raça” e “etnicidade” reproduzem o racismo, sustento que tais categorías são não apenas importantes e legítimas como também as únicas possibilidades para afirmar a existencia negra em um mundo estruturado a partir da dominação racial.

Minha crítica aos limites da política de identidade negra é na verdade em direção oposta. A questão não é negar a raça, mas sim reafirmá-la sobre outras bases que não a da agenda da inclusão per si. É que ela não tem sido forte o suficiente, como gostaríamos, para construir uma consciencia negra anti-sistêmica, radical, revolucionária. Tampoco quero invisibilizar uma tradição radical negra herdada da luta de Palmares que se mantem viva nas periferias brasileiras. Chamo a atenção, no entanto, para uma identidade negra em formação (nos espaços abertos pelas ações afirmativas) que possui uma inconfortável afinidade com a sedutiva narrativa de redenção que a imagem pública de Joaquim Barbosa projeta.

Franz Fanon já chamava a atenção há mais de meio século para um regime de dominação racial em que a aceitação dos negros é condicionada à sua rendição aos (e reprodução dos) valores  brancos. E daí? Podemos argumentar que não cabe aos negros transformar o mundo destruído pelos brancos. De fato, uma das perversas equações do racismo é responsabilizar suas vítimas. O caso de Barbosa é ilustrativo, no entanto, das artimanhas do racismo e dos limites e possibilidades da identidade negra coletiva.   A imaginação racista à esquerda diría que Joaquim Barbosa é um negro que se embranqueceu. A imaginação racista `a direita, mais sofisticada, tem produzido a imagem pública de um juíz pós-raça (neutro, justo…enfim, a encarnação da Lei). Joaquim Barbosa seria aceito porque, ao contrário de muitos de nós, ele não é revanchista com a sociedade branca e defende os valores republicanos. Sua escolha estratégica do dia 15 de Novembro para prender os ícones da esquerda brasileira oferece pistas interessantes sobre a dualidade da República (históricamente concebida como projeto plural e ao mesmo tempo um projeto civilizatório anti-negro). Estaria Joaquim Barbosa assumindo o papel de herói negro que refundaria a República?

Paradoxalmente, o que as práticas inquisitoriais/autocráticas de Barbosa sugerem é a rendição negra ao papel de subalternidade na República. Sua presença na mais alta corte do país nos convida a refletir sobre a nossa recusa fatalista em pensar a negritude como prática radical que pode transformar a sociedade, para além dos números de inclusão nos espaços de poder e prestígio. Uma utopia revolucionária negra acredita que porque negras e negros entendem como ninguém  o que significa a República, a raiva e a experiencia acumulada de opressão serão o combustível para uma negritude explosiva, radical, para além dos discursos de redenção social tão celebrados atualmente. Em outras palavras, uma pergunta (in)oportuna em tempos de guerra contra as ações afirmativas seria: qual o projeto de sociedade brasileira que nós negras e negros propomos? Que comunidade política pode a categoria raça produzir, para além dos encontros racializados a que estao submetidos os negros e negras?

Estas perguntas oferecem a oportunidade de refletir sobre um último ponto: a estranha aproximação entre a suposta esquerda “autêntica” (com figuras do movimiento negro) e os partidos de direita na orgia moral contra o Partido dos Trabalhadores. Ao invés de aproveitarmos a oportunidade para discutir os limites e possibilidades de uma agenda radical negra para além da representação simbólica em espaços de poder, temos nos distraído com uma agenda do cinismo moral que não nos pertence. Que o PSDB e seus aliados encontrem no STF a última chance de impor um projeto de governo derrotado três vezes consecutivas nas urnas, é tão entendível quanto desprezível. Incômodo e cruel é o triste destino de uma certa militancia negra que se recusando a pensar o projeto revolucionário muito mais `a (ou para além da) esquerda,  sucumbe ao moralismo dirigido da direita. 
Como fazer uma crítica `a cegueira racial da esquerda sem reproduzirmos os discursos convenientes de que esquerda e direita são iguais? Como não relativizar o papel trágico do PT na domestificação da esquerda e ao mesmo tempo reconhecer nossa responsabilidade com o projeto de país que queremos?

A indicação de Joaquim Barbosa pelo presidente Lula, depois de inúmeras reuniões de bastidores com lideranças negras, foi comemorada como um gesto simbólico de afirmação de uma agenda até então inédita no país: ProUni, cotas raciais, Seppir, Bolsa Familia…..todas resultado da luta histórica dos movimentos negros acomodados `a esquerda do espectro politico. O verdugo do PT é tambem resultado irônico e trágico desta luta. Joaquim Barbosa não é apenas o nosso Clarence Thomas (o ultra-conservador juiz negro estadunidense) revestido com o manto perigoso do Direito. Ele é também a metáfora do nosso impasse político e a projeção sombria do que vem por aí em termos de participação negra em um modelo de sociedade que é a nossa negação e a negação do futuro. 


JAIME AMPARO ALVES