sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

“Abolicionista ou escravocrata?” O show de Elisa Lucinda no Roda Viva

No livro do Brasil, a escravidão está há pouquíssimas páginas atrás da nossa história contemporânea. É um passado intercalado com o presente. Isso explica porque os debates sobre questões raciais, como o que foi apresentado no programa Roda Viva na noite de ontem, 11 de dezembro, são sempre intensos e acalorados. Fomos silenciados por séculos. Há muito a ser dito, corrigido, enaltecido e principalmente questionado e contestado.
A mesa foi composta pela Alexandra Loras , o antropólogo e pesquisador da USP – Universidade de São Paulo, Hélio Menezes,  a pesquisadora de políticas públicas da USP  Natália Neris e atriz e escritora Elisa Lucinda, que levou as redes sociais a loucura com suas pontuações poderosas, destemidas e carregadas de uma altivez de quem sabe da sua importância e dos seus antepassados para a construção da história do Brasil. Tanto isso é verdade, que ela disse, com toda a honestidade, que esperava  ser o centro da roda, local onde fica o principal entrevistado do programa semanal da Cultura. “Posso falar uma coisa”, disse Elisa encarando o mediador desastroso, Augusto Nunes. “Eu achei que o programa era comigo”, completou a poetisa sabendo que teria legitimidade para estar lá.
"Eu já vi aqui em São Paulo um monte de hotel e restaurante chamado 'Senzala'. Mas ninguém tem coragem de chamar um de Auschwitz".

ME BEIJA, @lucindaelisa
Essa foi algumas das AFROntas de Elisa, que prova como temos que ouvir quem tem história para contar, quem viveu em outras épocas e tem uma capacidade de análise em primeira pessoa que são preciosíssimas, já que o negro como contador da sua própria história é algo recente.
"a casa branca deixou os brancos com uma visão muito limitada da realidade"
(Elisa Lucinda) 
Lucinda narrou a sua indignação com a história de uma amiga branca que tinha orgulho em dizer que as empregadas trabalham há gerações em sua família. “A filha da minha empregada é juíza. Aqui na minha casa não tem essa coisa de continuar a obra da escravidão não.”, destacou a atriz, sobre como ela mesma lida com quem trabalha para sua família e ainda trouxe questões de privilégio branco, resquícios escravocratas presentes no cotidiano para debate.
“Há quem ainda reproduz a escravidão (…) Há cotas para brancos,, nunca tive um gerente negro. A gente tem que parar de não ver esse assunto (racismo). Tem uma hora que o tronco da história tem uma corda que bate na mão de cada um de nós, e nessa hora a gente tem que saber que lado a gente está, se você é um abolicionista ou escravagista?”, finalizou Elisa.
Elisa Lucinda falando verdades. Negro só é chamado para falar sobre questões raciais. 
O antropólogo Hélio Menezes foi um outro grande destaque da mesa, trazendo números, nomes, se mostrando bem preparado para atualizar conceitos sobre negritude brasileira, sem esquecer, por exemplo, da Lei 10.639, de 10 anos, que trata do ensino de cultura afro-brasileira e africana nas escolas. “É função da escola educar também para diversidade racial”.
"A USP só em 2017 começou a adotar as cotas. A USP é um núcleo racista nesse país" Hélio, no 
Natália Neris levantou a questão do genocídio negro, trazendo dados do recém divulgado Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, que mostra que jovens negras (mulheres de 15 a 29 anos) tem o dobro de chances de serem assassinadas, comparado com brancas na mesma faixa etária. Ela ainda falou da página do Facebook que administra a Preta Acadêmica. “Recebemos muitos depoimentos de mulheres negras que tiveram dificuldades para fazer mestrado e doutorado, mas elas nunca falam de meritocracia”, explicou Neris.
Convidamos negros, chamamos o Pelé 
A mediação do jornalista Augusto Nunes, que também é colunista da Veja, e que aliás tomou o lado de Willian Waack depois do escândalo do “coisa de preto”, mostrou não só uma falta de preparo para lidar com o assunto, o que já mostra subestimação em relação ao tema e entrevistados,  mas  também não tentou nem disfarçar suas ponderações carregadas de argumentos  problemáticos como  “a turma do politicamente correto”, “não chamamos negros porque são muito poucos” ou “ como fica  a situação dos brancos pobres”, provocação padrão de quem quer deslegitimar articulações em busca de igualdade.
O assunto é combate ao racismo e Augusto Nunes pergunta "como é que fica o branco pobre diante da política de cotas?" Não dá pra acreditar! Ser branco é privilégio, meu querido, nesse país, o branco sai ganhando SEMPRE 
Pelé, Lázaro Ramos e Hélio de La Penha, foram os nomes que ele conseguiu lembrar de convidados negros chamados para o centro da roda, quando Elisa Lucinda questionou sobre a presença de negros no programa.
Augusto mandou um A TURMA DO POLITICAMENTE CORRETO em um programa sobre QUESTÃO RACIAL. É possível afirmar que ele anda em qual grupo? 

A alta movimentação nas redes sociais durante o Roda Viva serve para provar que falar de questões raciais desperta interesse, mesmo fora do mês de novembro. Há tanto para se discutir, debater e aprender, que qualquer emissora que decidir ter um programa sobre negritude, não terá problemas de pauta e nem audiência.

FONTE:https://mundonegro.inf.br/abolicionista-ou-escravocrata-o-show-de-elisa-lucinda-no-roda-viva/?fb_action_ids=1510305495691025&fb_action_types=og.comments

Cobertura fotográfica Prêmio Doggueto 2017

Evento aconteceu no último dia 08 de dezembro, no Teatro Carlos Gomes.
Em uma noite cheia de surpresas e emoções, a 3ª edição do Prêmio Doggueto da Cultura Hip Hop, homenageou artistas, grupos e pessoas que fortaleceram nossa cultura ao longo dos anos. Nessa edição, o DNA Urbano foi o mais votado na categoria VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO e pela segunda vez, recebemos o troféu pelo trabalho que vemos realizando desde 2009. Ficamos muito felizes com mais essa conquista e frisamos que não somos melhores que os demais e que torcemos para que muitas outras iniciativas possam surgir para que a disseminação da cultura Hip Hop possa sempre ter continuidade. Agradecemos a todos que votaram e/ou torcem pelo nosso trabalho e ao Gilmar Martins, idealizador e proprietário da marca Doggueto Hip Hop Wear, parceiro do DNA Urbano a alguns anos.

Os vencedores da 3ª edição do Prêmio Doggueto da Cultura Hip Hop, foram:
Artista de Graffiti: Ronaldo GentilBatalha de MC`s: Projeto Boca a BocaCD: Largando VersosCrew de Break: Underground FunkersDJ/BeatMaker: DJ LD FliGrupo de RAP ou MC: 15 No PentePersonalidade Hip Hop: L BrauProdutora Audiovisual: Lakopa ProduçõesVeículo de Comunicação: DNA UrbanoVideoclipe: 15 No Pente – 826

Além das categorias listadas acima, houve uma emocionante homenagem a algumas pessoas que eram ligadas ao Hip Hop capixaba e que nos deixaram entre 2016 e 2017: Ivy CruzLeo Alves e JailsonChopin.
Para registrar esses momentos, contamos com a colaboração da Luara Monteirouma artísta capixaba que desenvolve trabalhos em diferentes linguagens como fotografia, audiovisual, projetos gráficos, tatoo e ações educativas e sociais voltadas para comunicação colaborativa, questões étnicoraciais, comunidades tradicionais e questões de gênero.

Clique na imagem abaixo para conferir a galeria de fotos completa
fotosdoggueto17

FONTE:https://dnaurbano.com.br/publicacoes/fotosdoggueto2017

Tutorial: Twist Out a seco para cabelos crespos

Alongamento cabelo crespo (tipo 4) | DePretas

🔴 COQUE RÁRIPO PARA CABELO CURTO | TRANSIÇÃO CAPILAR

DIÁRIO DE MICROPIGMENTAÇÃO | VLOG #1

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Aos 12 anos, menino de Perus publica livro de poesia sobre história negra no Brasil

“Existe uma história do povo negro sem o Brasil, mas não existe uma história do Brasil sem o povo negro”. O trecho acima é parte de um dos poemas que integram o livro “A poesia corre em minhas veias”, lançado pelo poeta mirim Wesley Carlos Soares, 12.
Morador de Perus, região noroeste da capital paulista, o garoto se aproximou da poesia por meio da disciplina de história ainda quando estava no 5º ano do ensino fundamental, em 2015, em uma escola pública de seu bairro.
“A professora de história, Rosálio, pediu para fazer uma poesia de cordel e depois não parei mais”, conta o poeta, que impressiona com textos que tratam sobre genocídio da juventude negra, religiosidade e a importância da ancestralidade africana, como o poema completo, abaixo:
A favela pede paz
Existe uma história do povo negro sem o Brasil,
mas não existe uma história do Brasil sem o povo negro.
Genos, povo, raça, tribo, a destruição de um povo de uma nação.
Não queremos viver só chorando em cima de um caixão.
Ver negros, jovens de periferia estirados naquele chão.
Mas o pensamento da polícia é, se o negro correr, ele é ladrão.
77% das mortes de negros crescem a cada dia e o que a polícia diz:
– Eu não sabia.
Mas cansamos dessa vida.
Temos que ser capaz.
A favela pede paz!.

Para a produção do livro, Wesley contou com o apoio de seu irmão, Willian Soares, e da diretora da Biblioteca Padre José de Anchieta, Beth Pedrosa. “Eu nem sabia que poderia digitar e imprimir a capa. E saiu tudo muito ‘daóra’. Foi novo, pra mim, ver a capacidade para montar um livro”.
O menimo, que ainda gosta de brincar de esconde-esconde com seus amigos, sonha em, um dia, se tornar professor de história.
“Quando eu crescer quero ser professor de história, porque fico vendo nos livros alguns assuntos que ninguém nunca entendeu direito, aí eu vou lá e faço uma poesia como se fosse um resumo, um improviso. Eu acho que posso incentivar outras crianças lendo poesias para elas, ensinando a verdadeira história e ajudando no processo de desconstrução [dos preconceitos].”

Atualmente, Wesley integra o coletivo artístico e independente Afronte Empodere-se, fundado pelo irmão Willian em 2016, e tem como objetivo o empoderamento de pretos e pretas da periferia por meio da moda.
“Para o Wesley, assim como todo o restante do grupo, foi uma vivência muito bacana, de desconstrução e construção da identidade de nós mesmos. Desde o nosso primeiro evento o Wesley tem participado com poesia e percebo que cada vez mais ele escreve sobre os negros. Ele faz parte do Centro da Criança e do Adolescente (CCA), onde ele pode servir de inspiração para outros jovens como ele, mostrando que podem lançar um livro.”
O livro “A poesia corre em minhas veias”, impresso em papel reciclável, traz 15 poesias e custa um valor simbólico de R$ 2, que é para colaborar na impressão de novos exemplares para o poeta continuar apresentando seu livro em saraus pelas periferias de São Paulo.
FONTE:http://mural.blogfolha.uol.com.br/2017/12/12/aos-12-anos-menino-de-perus-publica-livro-de-poesia-sobre-historia-negra-no-brasil/?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb

Rap Plus Size - O Pano Rasga [Clipe Oficial]

CRIADOR DO PORTAL RAP 24 HORAS TAMBÉM FEZ COMENTÁRIOS MACHISTAS E RACISTAS NA INTERNET: “NÃO CONFIO EM NEGROS”

FORAM ENCONTRADAS MENSAGENS ONDE ELE MOSTRA “COMO SE DEVE BATER EM UMA MULHER” E DIZENDO “SIM AO PRECONCEITO”

O Hip Hop só existe como tal por causa dos negros e da cultura afrodescendente, a música de uma maneira em geral foi e continua sendo uma maneira de resistir e se opor ao sistema racista de ontem, hoje e sempre, porém até mesmo no meio da música sendo artista ou mídia, existem pessoas preconceituosas e racistas.
Recentemente, vimos o caso dos rappers Raffa Moreira e Delatorvi contra o Youtuber Bruno Fabil, os artistas divulgaram uma série de prints de posts do Youtuber fazendo piadas racistas em sua conta no Twitter, e isso gerou um grande debate. O interessante é que nenhum portal de Rap deu atenção sobre o assunto e se quer fizeram uma nota, agindo como se isso fosse algo bastante normal, mas não é e nunca vai ser.
Com o questionamento de leitores sobre atitudes machistas de um dos maiores sites de rap no Brasil, Portal Rap 24 horas, fizemos uma pesquisa para entender melhor o que estava acontecendo, e depois de saber como funciona o sistema usado no site em questão decidimos denunciar o dono do portal, mas para entender melhor o contexto de tudo isso você terá que compreender toda a história que iremos contar abaixo.
Com mais de 350 mil seguidores no Facebook, o Portal Rap 24 Horas é um dos pioneiros no quesito no país e é um dos sites mais lembrados pelos fãs e rappers. Apenas no período entre Setembro a Novembro, o Rap 24 Horas teve mais de 1 Milhão e 300 Mil de acessos, contra menos de 500 Mil do site Rap Nacional Download por exemplo, uma média de pouco mais de 460 Mil por mês.
Na página “Sobre nós” no site em questão, podemos encontrar os nomes dos membros do site que são, John Lavorato, Caio Lavorato, Lucas Rodrigues e Matheus Soares.Sendo o Criador/editor Chefe, editores e Pesquisador de conteúdo respectivamente.
Apesar de sabermos de outras ocasiões quem era de fato o criador do Rap 24 Horas, fomos atrás de John Lavorato e constatamos que ele não existe, por isso nossas buscas sobre quem era o verdadeiro dono do site foram voltadas para um conhecido de uma comunidade que nós membros do Rap + participávamos, Bruno Guerra. 
Fazendo uma pesquisa no Whois (Site que mostra quem são os donos dos domínios da internet) encontramos Bruno de Oliveira Guerra, mesma pessoa que conhecíamos e divulgava o site nas redes sociais. Fomos atrás do perfil dele e percebemos que nossas contas tinham sido bloqueadas por ele no Facebook. Isso foi ocasionado depois que questionamos em sua página sobre diversas matérias que fizemos com exclusividade e que foram replicadas por eles sem os devidos créditos, como você pode ver aqui
O portal nunca nos respondeu ou tentou resolver o problema de maneira pacifica, como nos dando os devidos créditos por exemplo, e sim nos ameaçou e continuou copiando nossas matérias, noticias, fotos e videos de maneira descarada. Por isso, continuamos tentando descobrir mais sobre Bruno para tentar conversar com o mesmo e resolver nossas diferenças. Mas acabamos nos deparando com algo muito pior do que copiar conteúdo.

Até então já suspeitávamos que John Lavoratto, um suposto “Jornalista” de 27 anos nunca existiu, e na verdade o jovem Bruno Guerra de São Paulo é quem estava por trás do Portal em tempo integral fazendo as postagens junto com outros colaboradores. Pelos textos publicados já percebíamos que a pessoa por trás do Portal não tinha o mínimo de entendimento sobre a ética jornalistica, que segue um conjunto de normas e procedimentos éticos que regem a atividade do jornalismo. Bruno Guerra não deve nem se quer imaginar o que é isso pelas diversas atitudes que vem apresentando também contra o Rap+.

MACHISMO E RACISMO DO FUNDADOR DO RAP 24 HORAS

Há alguns meses, saiu a notícia do vazamento do boletim de ocorrência da ex-namorada do rapper XXXTENTACION, no boletim ela relatou com diversos detalhes horríveis sobre o que passou quando estava com o rapper, e o Rap 24 Horas publicou a matéria “defendendo” o rapper, o que ocasionou uma chuva de críticas nos comentários, até que posteriormente eles tiveram que alterar a matéria.

Essa não foi a primeira e nem a única vez que o portal defende artistas, se você acompanha a página já deve ter visto isso, porém muitos fãs da página (não de rap) simplesmente ignoram todas essas atitudes e quem não ignora é silenciado pela página.
Dando uma pesquisada no Twitter de Bruno Guerra, o dono do Portal Rap 24 Horas, encontramos algumas mensagens antigas onde ele mostra atitudes racistas e machistas,  onde podemos ver entre outras coisas ele dizendo que “não confia em negros”, além de postar um vídeo do rapper Lil Reese brigando com uma mulher com a legenda “Como bater em uma mulher”.
Aguardamos uma resposta de Bruno Guerra sobre seus comentários e esperamos que admita seus erros e que no mínimo se desculpe a todos, não existe espaço principalmente na comunidade do Hip Hop para pessoas desse tipo. Vale ressaltar que todas as provas colhidas que temos e as que colocamos aqui foram enviadas para oMinistério Público do Rio de Janeiro.
Todas as mensagens você pode pesquisar e ver com seus próprios olhos no Twitter de Bruno Guerra clicando aqui (Antes que ele apague) ou pelos prints abaixo clicando na imagem.
Confira e tire suas próprias conclusões sobre tudo isso.
Atualização: Após a publicação da matéria Bruno Guerra excluiu seu Twitter.



FONTE:https://rapmais.co
m/blog/2017/12/13/portal-rap-24-horas-e-comentarios-racistas/

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Fotógrafa especialista em conflitos é presa por desembargador durante julgamento do recurso de Rafael Braga

Na tarde de hoje, durante o julgamento do recurso impetrado pela defesa de Rafael Braga sobre a sua condenação de 11 anos e 3 meses por tráfico e associação, na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o desembargador Luiz Zveiter mandou prender a fotógrafa Katja Schilirò que acompanhava a sessão de julgamento.
O caso de Rafael é mais um que segue o modelo habitual do TJRJ de mecanização do encarceramento do povo pobre, do negro e do morador da favela. O fato ocorreu momentos após Zveiter negar o recurso e seguir com a condenação do reú. O ato do Juiz foi considerado pela platéia presente no julgamento como retrógrado e reacionário, já que Rafael Braga sofre com uma condenação explicitamente injusta.
De acordo com informações que recebemos de pessoas que estavam no tribunal, a indignação do povo foi imediata diante de mais uma decisão arbitrária contra uma vida negra da favela. Enquanto gritos de fascista e racista direcionados à Zveiter ecoavam no tribunal, de forma aleatória e arbitrária ele decidiu dar voz de prisão à fotógrafa especialista em conflitos Katja Schilirò, integrante do Coletivo Mariachi e colaboradora da Mídia Independente Coletiva. Ela foi levada algemada para a 5ª DP, na Lapa e posteriormente liberada após assinar um termo circunstancial.
Postagem e alterações no texto sob a responsabilidade do conselho gestor da Mídia Independente Coletiva.
Texto e foto: Kauê Pallone/Fotoguerrilha.

FONTE:http://midiacoletiva.org/fotografa-especialista-em-conflitos-e-presa-por-desembargador-durante-julgamento-do-recurso-de-rafael-braga/

A286 - A Comédia dos Erros (com letra)

A cor da morte: jovens negros são os que mais morrem no ES No Espírito Santo, homicídios de jovens negros acontecem 5,5 vezes mais do que os de brancos. Diferença é a 6ª maior do país, segundo Unesco

Dez perfurações deixaram no corpo de Gustavo da Fonseca Santos as marcas da crueldade. Aos 18 anos, o jovem negro, que trabalhava como cuidador de um doente, foi morto a tiros no último domingo por criminosos que o alvejaram enquanto ele andava por uma das ruas do bairro Colina, em Cariacica. Revoltada, a mãe Ana Cristina Souza da Fonseca, 45, garante que o filho foi vítima de emboscada. “Ele conheceu uma menina pelo Facebook e marcou de se encontrar com ela. Quando chegou, o namorado dela o matou”. lamenta.

A recente morte de Gustavo, bem como o rastro de dor deixado em sua família, é o reflexo mais duro de uma realidade que se revela em números. De acordo com os dados do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017, enquanto a taxa de homicídios de jovens brancos no Espírito Santo em 2015 era de 25,46 a cada 100 mil habitantes, a de jovens negros era de 139,48.

139,48 jovens negros

Taxa de assassinato no Estado a cada 100 mil habitanteS
Em outras palavras, a população negra do Estado entre os 15 e 29 anos tem 5,5 vezes mais chances de morrer vítima da violência na comparação com jovens brancos. A taxa supera a média do Brasil, em que jovens negros têm 2,7 chances a mais de serem mortos.
Os dados avaliados pelo Fórum Nacional de Segurança Pública e divulgados pela Unesco colocam o Espírito Santo na sexta posição do ranking de Estados em que a diferença da cor da pele tem maior influência sobre o número de homicídios nessa faixa etária.
Para o coordenador do Fórum da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes), Lula Rocha, apesar de alarmante, a situação revelada pelo estudo não é uma surpresa e já vem sendo motivo de denúncias nos últimos dez anos. “O racismo determina que nossas vidas tenham um peso diferente. Se morressem mais jovens brancos do que negros, a comoção da sociedade e dos governos seria maior”, critica.
Rocha argumenta que o preconceito racial serve de base para a desigualdade, que se acaba se refletindo nos índices de violência. Do mesmo modo, a coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) da Ufes, Patrícia Rufino, diz:
“A vulnerabilidade não começa no estigma social e sim no racial - onde se verifica a exclusão da população negra no acesso e qualidade de bens que garantam uma melhor perspectiva social. A perspectiva de vida da maior parte da população negra, gira em torno do trabalho, e nem sempre este trabalho consegue seguir o curso da qualificação. Não apenas pela negritude, mas pela condição social imposta à essa maioria marginalizada”.
ENFRENTAMENTO
Doutor em Educação e pesquisador no campo dos estudos etnico-raciais, o professor Gustavo Forde acrescenta que a melhoria dos índices está diretamente ligada ao enfrentamento do racismo. Segundo ele, investir em políticas públicas que garantam o acesso e permanência de negros na educação, bem como o acesso à saúde, ao lazer e ao mercado de trabalho é fundamental para que a página de desigualdades seja virada.

25,46 a cada 100 mil

É a taxa de assassinatos de jovens brancos no Espírito Santo.
“Historicamente, essas disparidades são mantidas quando o Estado é ausente. Nas áreas onde vivem a maioria dos negros, chamadas de periferias, as políticas públicas não chegam porque o racismo opera institucionalmente. Faltam direitos básicos, como coleta de lixo, iluminação, pavimentação ou praças e parques”.
Por outro lado, o secretário estadual de Direitos Humanos, Julio Pompeu, observa que, comparados a anos anteriores, os índices no Espírito Santo têm apresentado melhora. “Dos critérios que criam o indicador, o pior é o da morte violenta dos jovens negros. E, ainda que seja uma mudança pequena, está melhorando”.
POLÍTICAS PÚBLICAS
Pompeu destaca que os indicadores são um termômetro para mostrar o resultado de políticas públicas ou a falta delas. E, por essa razão, ele acredita que nas pesquisas seguintes o Espírito Santo vai apresentar um cenário de redução da vulnerabilidade, visto que o programa Ocupação Social terá mais tempo de implantação. “Em 2015, quando foi feita a pesquisa, estava apenas começando. Esperamos que o resultado de 2016 comece a refletir de maneira mais intensa o trabalho que estamos realizando”.
O programa concentra, segundo Pompeu, uma série de ações com foco nos jovens da periferia e em especial das regiões com maior número de mortes violentas. As iniciativas têm três eixos como prioridade: reduzir a evasão escolar, gerar emprego e renda, e desenvolver habilidades socioemocionais.
Atualmente, o Ocupação Social está em 26 regiões de nove municípios: Pinheiros, São Mateus, Colatina, Linhares, Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Cachoeiro de Itapemirim. A região mais recente a ser incorporada ao programa foi a do Bairro da Penha, na Capital.
Para 2018, o secretário disse que o principal objetivo é tornar o programa uma lei e, assim, deixe de ser uma política de um governo para ser de Estado, possibilitando sua continuidade em outras gestões.
FONTE:https://www.gazetaonline.com.br/noticias/cidades/2017/12/a-cor-da-morte-jovens-negros-sao-os-que-mais-morrem-no-es-1014110776.html