quarta-feira, 14 de maio de 2014

PARTICIPAÇÃO E INCLUSÃO: A BANANA COMO FOCO. UMA ASSISTENTE SOCIAL BONJESUENSE E SEU VISIONARISMO SOBRE A MACAQUICE.

MARCELO SILLES
Assistente Social com Bacharel da Universidade Federal Fluminense, UFF Campos/RJ

Pois é, a banana por um curtíssimo período de tempo foi sendo a maestream midiática. Além de ser rica e ter benefícios em cálcio foi também símbolo de luta contra o racismo. Lutaram em vão, portanto grandes nomes da nossa resistência preta Zumbi, Dandarah, Osvaldão, João Cândido, Luther King, Tupac, Rosa Parks, Afeni Shakur, entre outros que se levantaram bravamente contra o racismo, mas, como podemos ver por um tempo, necessitavam apenas de uma banana para a vitória contra o racismo, a segregação e a exclusão.

Bem uma Assistente Social bonjesuense, em diálogo com minha pessoa ergueu a voz orgulhosamente saudando o fruto bananesco amarelo, um gesto que mais parecia uma saudação vitoriosa ao grande símbolo salvador do povo preto brasileiro. Em brado e bom tom ela me disse em todas as letras decifráveis: “A ATITUDE DE DANIEL ALVES FOI DE GRANDE IMPORTÂNCIA PARA NÓS BRASILEIROS, PRINCIPALMENTE PARA OS NEGROS. VOCÊS DEVIAM TER ORGULHO DESSA AÇÃO QUE SIMBOLIZA UMA LUTA EXTRAORDINÁRIA CONTRA O RACISMO. A CAMPANHA #SOMOSTODOSMACACOS É DE UMA IMPORTÂNCIA IMPAR PARA TODOS. Pois bem, podem observar que a mesma não é negra e sim branca.

A atitude do jogador Daniel Alves, que atua num clube espanhol, não deve ser desmerecida foi um ato de coragem e de repúdio ao racismo. Mas venhamos e convenhamos que muitos aproveitaram o ensejo bananesco para se promoverem marqueteiramente e as agências de publicidade para ganharem uma graninha com os bobões e as bobonas que acreditam em tudo que os maenstream fazem. Pô discurso de luta contra o racismo uma ova, são oportunistas que só visam à luta pelo engordamento de suas contas bancárias.

Graças ao bom Deus que essa campanha oportunista bananesca não vingou. Para a minha companheira de profissão fica o seguinte questionamento: ATÉ QUE PONTO A MESMA CONSEGUE EM SUA ATUAÇÃO PROFISSIONAL FAZER UMA RELAÇÃO ENTRE RACISMO E O MITO DA DEMOCRACIA RACIAL? A mesma me parece não entender muito esse conflito racial que está embutido em nossa sociedade bonjesuense, construída sobre uma cultura de assistencialismo, clientelismo, aceitalismo, falso cordialismo, conservadorismo. Aconselho, portanto a minha companheira de profissão que volte a cadeira acadêmica e reveja seus conceitos. Fica a dica.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

“Mães Negras”, por Ademir Barros dos Santos

Vírginia Yunes - Guiné Bissau

Sorocaba – Parece incrível, mas a tradição africana, especialmente nas sociedades patriarcais, cria um tipo de mulher que dificilmente se encontra fora de lá: a mãe social; naquelas sociedades, quando se pergunta à mulher quantos filhos ela tem, a resposta é quase imediata:

"Dei tantos filhos a meu marido" responde ela!

Estranho, mas é verdade: afinal, a sociedade pode ser patriarcal; mas a mãe, é mãe social.

Em outras palavras: por lá, todas as mães são mães de todos os filhos, o que é facilitado pela compreensão de que a autoridade é diretamente proporcional à idade; como decorrência, além da esposa mais antiga escolher e comandar todas as outras, enquanto existir uma única mãe, não existirá a orfandade!

Entretanto, por que falar, aqui, de mães africanas? Simplesmente porque, embora não se tenha, no Brasil, o mesmo sistema social, as mães negras brasileiras ainda mantêm, consigo, o mesmo carinho e cuidado por todos os filhos. Seus ou alheios.

Quem nunca ouviu aquela música em que se pergunta: "Olorum, quem mandou essa filha de Oxum, tomar conta da gente e de tudo o que há"?

Pois é: se é certo que todos sabem que esta letra, linda, homenageia Mãe Menininha, saudosa cuidadora do candomblé do Gantois, também é preciso entender que esta Mãe – com maiúscula – e todas as demais Mães do candomblé, não são, apenas, "mães-de-santo"! Isto porque, além de cuidadoras de seus orixás, são elas, principalmente, cuidadoras de variados "filhos" de seus diversos orixás – exatamente como o costume africano impõe e determina.
FOTO: João Branco, Angola

Mas, não é só nos candomblés, onde veneráveis senhoras, até por dever de ofício, acolhem desvalidos, que tais mães acolhedoras podem ser encontradas facilmente: basta dar uma volta por qualquer periferia socialmente fragilizada, e lá estão, os negros carentes, lambendo o leite social que escorre do colo de suas mães de adoção; então, cuidados que são por mães alheias, adotam eles suas novas mães, que se tornam suas, mais por devoção que por dever ou vocação!

Há mais: pelas periferias encontram-se, ainda e em profusão, mães de mães, que se tornam mães de colunas de netos, quer porque as filhas não têm com quem deixar os pimpolhos, quer porque há genros tirando férias em alguma colônia penal; quer porque as filhas não podem sustentar, sozinhas, as próprias proles, quer porque certas proles, desvanecidas em famílias decompostas, preferem, a qualquer outro colo, carinho ou regaço, o colo, carinho e regaço de envelhecidas senhoras, mesmo que um tanto alheias a suas mães naturais.
Foto: Mamaye-Malawi

Mães cuidadoras, nossas negras mães! Mais que mães, veneráveis mulheres, que ultrapassam, de muito, a imagem, petrificada em estátuas, que sempre as representam como escravas que amamentam os filhos de seus senhores não africanos, até torná-los tão senhores e tão cruéis com seus neoafricanos, quanto foram seus pais...

Mães cuidadoras, nossas mães negras! Que adotam como seu, mesmo quando ao largo da lei, qualquer filho desvalido que atravesse suas portas maternais...

Adoráveis senhoras Oxuns, nossas mães negras, que nunca nos negam o amor e a água de que carecem nossa sede e nossa alma.



Velhas Iemanjás, nossas cuidadoras mães negras; que insistem de fazer de nós, meros mortais, seus onipotentes e onipresentes orixás...







FONTE:http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/180-artigos-de-genero/24539-maes-negras-por-ademir-barros-dos-santos

Cem anos de segregação

Há um século nascia Carolina Maria de Jesus, pioneira da literatura marginal. Há um século São Paulo transforma periferia em nova senzala
Carolina Maria de Jesus, Audálio Dantas e Ruth de Souza na Favela do Canindé.

Por Felipe Neves
O ano era 1958. O jovem jornalista Audálio Dantas, nos seus primeiros anos de reportagem, enfiava os sapatos na lama para tentar entender como pessoas poderiam se aglomerar em um terreno, sob barracos de madeira, sem as mínimas condições de saneamento. Era a primeira vez que ele pisava na favela do Canindé, na Zona Norte da cidade, às margens do rio Tietê.
Entre crianças com os pés diretamente no chão, velhos com a saúde degenerada e mulheres lavando roupas em tanques improvisados, uma certa negra chamou a atenção do repórter. Tratava-se de Carolina Maria de Jesus, a favelada que viria a se tornar a escritora pioneira da literatura dita “marginal” no Brasil.
Sua principal obra, que chegou às editoras graças à intervenção de Audálio, era um compilado de reflexões sobre o cotidiano ingrato em que ela tentava sobreviver, catando lixo para sustentar, sozinha, seus três filhos. Para Carolina, a favela se traduzia como o símbolo do descaso com o que não se quer ver. Uma espécie de tapete para onde é empurrada a maior parte dos problemas da cidade. Um verdadeiro Quarto de Despejo.
Meio século depois, qualquer olhada nos mapas de análise urbanística e social de São Paulo revela que a visão da escritora à época ainda não mudou completamente. “O padrão centro-periferia ainda persiste”, argumenta o urbanista Kazuo Nakano. Durante uma de suas apresentações, ele demonstra que a cidade possui uma espécie de anel no entorno de seu centro, comportando a maioria das favelas da capital. Assentamentos irregulares e áreas de risco ajudam a espessar o círculo. As exceções são os cortiços, majoritariamente localizados no centro, mas que, pela pouca estrutura que possuem, acabam por se tornar uma espécie de “periferia centralizada”.
Obviamente, se observadas in loco, essas realidades parecem distantes da relatada por Carolina. Mas mesmo com mudanças significativas na qualidade de vida da população que vive longe do centro – os níveis de acesso precário a água, esgoto e tratamento de lixo são extremamente baixos na periferia, quase não chegando a 1% – o que se constata é que a favela ainda precisa encontrar alternativas geradas dentro de si mesma para resolver seus problemas.
As comunidades ainda se perpetuam como forma de organização urbanística próprias da periferia. De 2000 a 2007, o crescimento populacional nessas regiões alcançou incríveis 660% acima da média da capital.
Mais do que ampliar o número de barracos de madeira, no entanto, para inflar tanto as favelas precisaram adotar um modos operandi recorrente dos bairros nobres. Uma frase da música Grajauex, do rapper Criolo, ilustra bem o que aconteceu ali. “The Grajauex, Duas laje é triplex”, diz ele para ilustrar a verticalização da periferia, processo que tratou de elevar os níveis de adensamento da periferia a níveis nunca antes alcançados. As favelas têm 65 mil habitantes por km² na cidade – no distrito da Bela Vista, com a maior densidade da capital, há 23 mil pessoas distribuídas no mesmo perímetro.
A diferença, no entanto, é que o aumento da densidade demográfica nas regiões de classe média da cidade é estimulado com implantação de infraestrutura de transportes, saúde educação. Nas periferias, o que ocorre é o inverso. Primeiro, chegam os moradores. Dias ou décadas depois, os serviços.
“Crescer para cima” foi a maneira que comunidades encontraram para existir comportando seu crescimento exponencial. Mas também é uma resposta à pouca ação do poder público para resolver seus problemas. Hoje, existem cerca de 440 mil domicílios nas favelas da capital. Deste número, somente 10% sofreram processo de urbanização. Outros 17% estão passando por modificações. Nos 70% restantes, nenhuma intervenção tem sido feita. Mais do que isso, cerca de 80% dessas áreas ainda não receberam título de concessão, o que significa dizer que estão irregulares.
“O loteamento periférico clandestino foi uma das principais formas de alocação de moradia nas periferias ao longo do século passado”, relembra Kazuo. Apesar de terem surgido pelo processo de crescimento desenfreado da cidade, problemas como esse também continuam a existir.
Um exemplo está na Vila Nova Palestina, na Zona Sul, comunidade com cerca de 8 mil famílias que vivem em um terreno de 1 milhão de m², sem quaisquer condições de saneamento. A área havia sido destinada à construção de um parque pela Prefeitura. Sob pressão dos movimentos de moradia, o prefeito Fernando Haddad prometeu conceder a área à população assim que Plano Diretor da cidade for aprovado na Câmara.
Em 2014, Carolina Maria de Jesus completaria 100 anos. Numa entrevista, sua filha, Vera Eunice, uma das protagonistas do diário, revela o desconforto ao ver que a realidade em que viveu com a escritora ainda persiste. “Eu achava que as abordagens do livro se tornariam obsoletas. O problema é que quase tudo que minha mãe viu e escreveu ainda está aí, na nossa frente.”
Felipe Neves é estudante de jornalismo da PUC. Tem 20 anos e mora em São Paulo

FONTE:http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/cem-anos-de-segregacao-8916.html


Inspiradas em Lupita, jovens negras falam de preconceito e da valorização da própria beleza.

Da esquerda para a direita: a atriz Erika Januza, a psicóloga Vanessa Andrade, a estudante de Artes Fernanda Ribeiro e a consultora e escritora Nina Silva

Mulheres negram abandonaram os produtos químicos para os fios e assumem seus traços

RIO - A eleição da atriz negra Lupita Nyong’o, 31 anos, como a mulher mais bonita do mundo pela revista “People”, no fim do mês passado, não tem o poder de acabar com o preconceito nem em Hollywood nem no resto do mundo. Não muda o fato de que, no Brasil, há o dobro de negras e pardas no serviço doméstico em comparação às mulheres brancas, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE de 2013. Tampouco transforma a diferença no rendimento mensal das mulheres negras — que corresponde a 56% da renda das brancas, e não chega à metade daquela dos homens brancos, segundo o “Dossiê mulheres negras”, elaborado no ano passado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).


Mas a escolha de Lupita, vencedora do Oscar 2014 de atriz coadjuvante pelo filme “12 anos de escravidão”, de Steve McQueen, causou, em mulheres do mundo todo, orgulho de ver no pódio da beleza uma negra de cabelo natural, pele reluzente, boca e nariz grossos. Também em brasileiras como Nina Silva, Vanessa Andrade, Fernanda Ribeiro e Erika Januza, reunidas pela Revista O GLOBO na Casa Soul, em Santa Teresa.

Negras, jovens e bonitas, elas conhecem o preconceito, mas abandonaram os produtos químicos para os fios e assumiram seus traços — como a própria atriz de origem queniana, que disse estar feliz porque outras meninas como ela se sentiriam “mais vistas”. Em discurso no prêmio Mulheres Negras em Hollywood, em fevereiro deste ano, Lupita contou como foi importante se espelhar em outras mulheres para se sentir bonita, como a modelo anglo-sudanesa Alek Wek.

— É muito bom ver na capa uma mulher negra altamente pigmentada e fora do padrão de boca fina e cabelo na cintura. Ela tem o fenótipo de uma certa região da África que nunca foi valorizado como bonito — diz Nina Silva, consultora de tecnologia da informação, escritora e produtora, 31 anos e pele tão negra como a da atriz.

Vanessa Andrade concorda. Aos 28 anos, cabelo “quanto mais alto melhor”, a psicóloga que cresceu no Morro do Cantagalo diz que “demorou para entender que o preconceito que sentia era racismo’’ — já que sua pele não é tão escura.

— Sou negra, mas minha estética ainda é aceita. Eu abomino este termo, mas no Brasil estou mais próxima ao que se chama de mulata. Por isso a Lupita é importante. Mas, para além dela, quero que as crianças cresçam com algo tangível, que elas possam admirar alguém no próprio meio — afirma Vanessa, que é mestre em Psicologia e trabalha em projetos sociais no Cantagalo e em Vigário Geral.

Mesmo com a pele mais escura, a estudante de Artes Visuais da Uerj Fernanda Ribeiro, de 26 anos, também demorou a se dar conta do preconceito, e só passou a refletir sobre o tema ao entrar num curso pré-vestibular na Mangueira.

— Comecei a perceber que não era coincidência o que eu passava ainda pequena, quando era chamada de negra do cabelo duro — conta ela, que cortou os fios longos e alisados numa performance no ano passado.

No ar na novela “Em família”, na TV Globo, Erika Januza também só assumiu os cabelos naturais há menos de dois anos. A atriz diz que se sentiu representada por Lupita.

— Isso deveria ser normal, porque ela é bonita independentemente da cor. Mas, como não é normal, fiquei superfeliz — diz a atriz, a única das quatro a apoiar a campanha #somostodosmacacos. — O que aconteceu com o Daniel Alves (jogador de futebol que comeu uma banana arremessada contra ele em campo, em resposta irônica ao ato praticado por um torcedor espanhol) foi absurdo, e esse movimento chama a atenção de que somos todos iguais.

Vanessa se opõe:
— Vejo todos os dias crianças sofrendo por serem chamadas de macaco. É uma violência simbólica muito grande. É muito fácil capitalizar o sofrimento do povo negro. Tenho amigos que acreditam que esse é um movimento estratégico, mas eu acho ingenuidade. Vivemos uma condição de profundo racismo, não podemos perder o foco.


Leia mais sobre esse assunto em http://ela.oglobo.globo.com/beleza/cultura-em-beleza/inspiradas-em-lupita-jovens-negras-falam-de-preconceito-da-valorizacao-da-propria-beleza-12453031#ixzz31VKLYOIu 




domingo, 11 de maio de 2014

Racionais MC’s celebra 25 anos e deixa fãs com mãos ao alto


O grupo Racionais MCs se apresentou nesse sábado (10), no Espaço Victory, na zona Leste de em São Paulo, para celebrar 25 anos de carreira
Foto: Leonardo Benassatto / Futura Press


O grupo Racionais MC's se apresentou nesse sábado (10), no Espaço Victory, na zona Leste de em São Paulo, para celebrar 25 anos de carreira. Os representantes do rap nacional agitaram o público, composto por homens e mulheres, que se rendeu ao som e levantou mãos e dedos para alto para acompanhar a batida.

A banda é conhecida pelos clássicos Diário de um Detento, Fórmula Mágica da Paz, Capítulo 4, Versículo 3, Mágico de Oz, Jesus Chorou e Estilo Cachorro, sucessos que representam a realidade das periferias. Eles abordam temas como o crime, pobreza, preconceito social e racial, drogas e consciência política.

Mano Brown, Ice Blue, DJ KL Jay e Edi Rock seguem na estrada mesmo sem aparecer nas grandes mídias e festivais. Durante a carreira já venderam cerca de 1 milhão em álbuns.

O show de ontem contou ainda com outra atração, o grupo Facção Central – com Dum-Dum, Moyses, Bihel e DJ Binho. Eles viraram destaque devido ao forte conteúdo de suas letras e até a prisão de seus integrantes após a veiculação do clipe Isso aqui é uma Guerra, considerado pelas autoridades como apologia ao crime.

FONTE:http://www.geledes.org.br/patrimonio-cultural/artistico-esportivo/musica/cantores-compositores/24537-racionais-mc-s-celebra-25-anos-e-deixa-fas-com-maos-ao-alto

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Facção Central na Sonia Abrão (Entrevista Completa)




CLIPE CENSURADO DO FACÇÃO CENTRAL

O videoclipe da música dirigido pelo premiado diretor Dino Dragone e produzido pela FIRMA FILMES foi lançado em 2000 e desde esta data vem trazendo polêmicas.[1] Ele mostrava como era arquitetado um sequestro, desde a invasão na casa de um "playboy" até a morte da mulher na frente do marido e do filho.[2] Foi veiculado pela primeira vez na rede de televisão MTV[3] e logo em seguida, foi proibido com a alegação de tentativa de apologia ao crime. Provocou investigações mas no final do inquérito ninguém foi preso.[3] O Clipe contém uma forte crítica social, contrapondo a condição social e econômica que motiva o crime, por exemplo a falta de escolaridade, quando no clipe ele afirma que com apenas a 5ª séria concluída não se consegue emprego, e a solução encontrada para não morrer de fome é agir como a sociedade espera que marginalizados atuem.

Fonte: O próprio vídeo do clipe.


A história do rapper Ice Cube.

O'Shea Jackson - nascido em 15 de Junho de 1969 -, porém, conhecido pelo seu nome artístico - Ice Cube - é um rapper estadunidense, produtor musical, ator, escritor, produtor de filmes e diretor. Ice Cube começou sua carreira como membro do grupo C.I.A. e depois entrou para o grupo de rap N.W.A. Após ter deixado-o em dezembro de 1989, construiu uma carreira solo bem sucedida na música e também como escritor, diretor, ator e produtor de filmes. 

Fonte: O próprio link do vídeo.


A HISTÓRIA DO HIP HOP NACIONAL




DOCUMENTO ESPECIAL HIP HOP REDE MANCHETE 1991




UMA SINGELA REFLEXÃO DA SITUAÇÃO BRASILEIRA. Texto de Elis Tavares

Chegamos a um ponto onde agir SOMENTE em benefício próprio, mesmo que prejudicando milhares de pessoas é muito comum. O crime da corrupção já não nos assusta, pois se tornou muito normal. O que nos assusta é quando alguém age pensando no bem de toda uma coletividade. Invertemos os valores, subtraímos o amor, multiplicamos a covardia e somamos a impunidade. Já não percebemos o que o sistema faz com nossas crianças quando tira a educação PENSANTE delas. Elas estão seguindo os nossos passos de "robôs ambulantes e ferozes" por consumismo!
Já não causa estranheza se uma criança de 3 anos pedir aos pais um I-PHONE de presente. "Meu filho tem que ter o que não tive", é o argumento usado por muitos pais. E eles não percebem que estão criando verdadeiros monstros, sangue sugas que somente fazem algo em troca de dinheiro e de favores, e o que é pior, muitas das nossas crianças e adolescentes estão se tornando o maior pesadelo que alguém pode ter: assassinos que matam para roubar em troca do I-PHONE cobiçado por muitos!
O caminho para mudar este quadro? Investimento na educação de qualidade. Mas, infelizmente melhorar a EDUCAÇÃO BRASILEIRA nunca foi interesse desse nosso governo, porque não é viável para o sistema que a educação produza cidadãos pensantes que irão questionar o por quê da situação caótica do país.
É interessante para o sistema continuar a produzir cidadãos "robóticos" que NUNCA questionarão o por quê da corrupção na saúde, da folha de pagamento inchada do governo, tanto na esfera federal, estadual e municipal, o por quê de nossos professores ganharem tão, mas tão, mas tão mal! Puxar saco hoje em dia é considerada a melhor "profissão" do mundo! Ganha mais que médicos e arquitetos! É uma mina de outro! Dar uma "limpadinha" nas praças e ruas das cidades é método usado por muitos deputados, vereadores, presidentes de associações como trampolim político!
É normal vermos que cestas básicas e viagens dão voto! É porque a população não conhece se quer, a própria Constituição Brasileira e seus direitos firmados na máxima lei do país. Porque, se fossemos cidadãos conscientes e PENSANTES nunca aceitaríamos vender nossos votos a troco de cestas! Iríamos exigir empregos com salários dignos, educação de qualidade, saúde eficiente, enfim, iríamos exigir a diminuição da desigualdade social no país!
Mas, isso não é interessante para aquela "corja" que está no poder! Querem ver mesmo nossos jovens nas drogas e roubando; querem ver nossos idosos morrendo, porque eles são um fardo para o SUS; querem ver todos os cidadãos "burros robóticos" interessados apenas em consumir e consumir, porque isso sim, é lucrativo para o sistema! 
Enquanto você pensa no seu I-PHONE, neste exato momento existem corruptos sugando o dinheiro público, dando festas em suas mansões e exibindo seus carros importados para vadias siliconadas.

Veja os noticiários, ESTUDE a situação do país, vasculhe a internet e você verá que estamos no completo caos. E quanto a Copa acabar, meus caros, a situação irá piorar, pois a previsão é que a economia do país sofra uma tremenda queda. Mas, quem vai pagar o "pato" não são os marajás dos políticos corruptos e nem seus puxa-sacos de plantão! Quem pagará o "pato" é você, sou eu, é seu filho, seu pai, tua mãe!
As eleições estão batendo nas nossas portas e, ao meu ver, estamos "a pé" de candidatos em todas as esferas! Por isso, antes de escolher seu candidato, pesquise sua VIDA e saiba se existem processos contra ele, principalmente de improbidade administrativa. Pesquise também se este candidato "faz" trocas de favores políticos. Agora, se você é um "vendido" que espera conseguir um emprego de "puxa-saco" em troca do seu voto, sinto muito cidadão, mas você pertence a raça mais desprezível da face da terra: os corruptos! É por causa de você e tantos outros que nosso país não vai para frente! Pronto, falei!
Elis Tavares


terça-feira, 6 de maio de 2014

Conheça a história de Oswaldão, o grande herói negro na luta contra a ditadura militar

Imagem original de uma gravação feita durante o período em que Osvaldão esteve na Tchecoslováquia para estudar (cena do filme “Osvaldão”)

Os livros didáticos de história contam a trajetória do Brasil, da colonização à independência, da abolição da escravatura aos tempos modernos. Apesar de todo o conhecimento cultural e intelectual que transmitem às crianças e jovens, deixam para trás muitos personagens importantes, que merecem ter suas histórias exaltadas ou, no mínimo, contadas. Coincidência ou não, existem figuras negras emblemáticas que fazem parte da “lista dos esquecidos”. A ausência de registros nos livros escolares pode e deve ser compensada pela internet e por veículos segmentados como a Raça Brasil. Assim sendo, nas próximas páginas apresentaremos um sujeito que poucos conhecem, mas que foi um grande herói na luta contra a ditadura militar. Militante comunista e figura de destaque na Guerrilha do Araguaia, ocorrida entre o final da década de 1960 e o início dos anos 70, Osvaldo Orlando da Costa, ou Osvaldão, como era conhecido, até hoje é lembrado pelo povo local por sua compleição física, inteligência e bondade. Saiba mais sobre o herói negro contra a ditadura.

Osvaldão foi a figura mais forte da Guerrilha do Araguaia. Mineiro de Passa Quatro, foi o primeiro comunista do PC do B a chegar à região, entre 1966 e 1967. Negro, quase 2 metros de altura, ficou marcado e é até hoje lembrado pelo povo local por sua coragem e generosidade. Lá, é considerado um herói, e muitas pessoas o enxergam como um ser mítico, conforme descreve Ana Petta, atriz e produtora do filme “Osvaldão”. “Ele era muito hábil na floresta, tinha dom para caçar e pescar. Os índios falam da técnica dele para imitar os sons dos animais. Osvaldão se integrou à natureza e à vida de camponês. Mesmo não sendo nativo, ele ensinava as pessoas a sobreviverem na mata. Perguntei a um índio seeles o ensinaram a imitar os sons dos bichos e, para a minha surpresa, ele respondeu: ‘não, ele que nos ensinou’”.

Inteligente e hábil para aprender, Osvaldo dominava a língua francesa, idioma que aprendeu junto com o pai, um padeiro, por causa da amizade com um chefe de cozinhafrancês. Aprendeu também o tcheco, após uma passagem de 6 meses pela então Tchecoslováquia, em 1962. Antes disso, Osvaldão morou na cidade de São Paulo, onde fezo curso Industrial Básico de Cerâmica na Escola Técnica. Mudou-se para o Rio de Janeiro e se formou na Escola Técnica Federal como Técnico de Construção de Máquinas e Motores, em 1958. Seu porte físico avantajado o colocava sempre entre os melhores nos esportes que praticava; como atleta, foi campeão de boxe pelo Botafogo Futebol e Regatas após servir o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva - CPOR - do Rio de Janeiro, onde adquiriupreparação militar.

Não se sabe ao certo quando Osvaldão foi visto pela última vez, acredita-se que tenha sido em 1973 ou 1974. Durante os quase oito anos em que esteve na região do Araguaia, tornou-se grande referência entre guerrilheiros e camponeses. “Andei pela região do Araguaia e conversei com as pessoas que conviveram com Osvaldão. Eles se lembram dele com orgulho e carinho. Ele era mariscador, o cara que entra no mato para tirar pele dos animais. Naquela época ainda não era proibido. Ficava dois, três meses lá, vivendo de caça, pesca e mariscando. Voltava com uma montanha de peles sobre as costas. Ele tinha esse poder do carisma, era capaz de interagir com pessoas de diferentes segmentos com a mesma simpatia e inteligência”, comenta Vandre.
O cineasta acredita que Osvaldão merece um lugar de maior destaque na memória do brasileiro. “Não tem imagens em movimento de Carlos Marighella e Carlos Lamarca, por exemplo, que são ícones de resistência. Do Osvaldo tem, e fora essa questão, ele tem um legado forte na região, algo que os demais não possuem. E, ainda, um terceiro fator muito importante: ele é o único negro que pegou em arma. Em uma população majoritariamente negra como a nossa, a história é contada sem Osvaldão. Falam de Zumbi dos Palmares e Antônio Candido, mas fica uma lacuna. Ele precisa estar no patamar de herói brasileiro”, completa.
À esquerda Carlos Marighella e à direita Carlos Lamarca 

Osvaldão era o guerrilheiro mais bem preparado para o confronto armado. Lendas à parte – muitos camponeses e até mesmo membros do exército acreditavam que ele transformava-se em pedra e em animais –, era temido pelos inimigos e admirado pelo povo local por sua força,coragem e pontaria. Foi comandante do Destacamento B, onde participou com êxito de vários combates. Em um confronto na região próxima ao Suruí, povoada por índios, foi dito pelos militares que Osvaldão baleou um oficial. Deste momento em diante, sua captura e mortetornou-se o principal objetivo do exército. “Os militares sabiam que ele havia passado pelo CPOR no Rio de Janeiro, sabiam da educação militar que ele tinha. Sem contar o treinamento de guerra que fez na China. Ele era o inimigo número um, pegá-lo era questão de honra e um grande troféu para o regime militar. Tanto que, quando ele foi morto, passearam com o seu corpo amarrado no helicóptero como forma de comemoração. Fazendeiros e mateiros contam que foi feito um grande churrasco em Xambioá, uma zona de prostíbulo. Todos foram convidados a participar de uma grande festa, e ficou só um núcleo do exército responsável por enterrar Osvaldo. Até hoje não se sabe o paradeiro da ossada dele”, conta Vandre.

Estima-se que o conflito tenha deixado 76 mortos. Além de Osvaldão, outra figura emblemática não teve seus restos mortais encontrados: Dinaelza Coqueiro. Dina estevejunto dos companheiros de guerrilha pela última vez em 30 de dezembro 1973, e foi vista pela última vez enquanto estava presa na base dos militares em Xambioá, onde insultavae cuspia nos oficiais que a interrogavam, incluindo o Major Curió. “Ela estava sendo procurada pelo Curió e suas tropas, e a ordem destes para os camponeses era que, se a vissem, deveriam capturá-la, do contrário poderiam ser fuzilados. No desespero, os camponeses a pegaram quando ela apareceu em busca de água e comida na aldeia.

Conseguiram amarrá-la e foram avisar o Curió, mas Dina conseguiu fugir para a mata. Nas buscas pela floresta, a encontraram em cima de uma árvore. Ela ainda tentou lutar, mas foi a última vez em que foi vista”, detalha o pesquisador Osvaldo Bertolino. Na época, a censura não permitia a divulgação de notícias sobre a guerrilha na imprensa local e nacional, ordens diretas do presidente Ernesto Geisel. O sigilo fazia parte do controle que o governo exercia sobre a população, que poderia ser inflamada e ter reações contra o regime militar por conta dos acontecimentos no Araguaia. Todo e qualquer vestígio do conflito deveria ser apagado. “O povo nem sabia da guerrilha até o fim da ditadura e, na verdade, até hoje não se sabe exatamente o que aconteceu, porque os arquivos do Araguaia não foram abertos.

Mas a partir do fim da ditadura, começaram a aparecer reportagens e livros para esclarecer que a guerrilha foi resultado de um pensamento político comunista. A história não foi divulgada, pois a guerrilha poderia ter um apelo popular, não digo nosgrandes centros, mas a massa camponesa e empobrecida do norte e nordeste poderia ter se motivado pela luta. A ditadura varreu qualquer vestígio, os corpos dos guerrilheirossão considerados desaparecidos. Os arquivos estão fechados, não há detalhes sobre as mortes e ainda hoje há receio em se falar no assunto. Há gente por aí que teria dese retratar pelo que aconteceu naquela época, por exemplo, Curió, que continua vivo. Mas há essa resistência porque o Exército e a Marinha têm culpa, foi um crime de Estado”, avalia Bertolino.

Com o abafamento da revolta, foi ocultada a história de Osvaldão, de maneira que ainda hoje poucos têm conhecimento de um dos principais líderes da luta contra os abusos cometidos na época da ditadura militar. “O Osvaldão sempre foi uma figura forte para quem se aproximou da história da guerrilha. Tem algo especial por ser um líder negro, por ter despertado diversas emoções, ódio e medo para os inimigos, sendo ao mesmo tempo uma figura carismática, um homem carinhoso. Merece ter a sua história contada”, conclui Ana Petta.

FONTE: http://racabrasil.uol.com.br/especiais/o-heroi-negro-contra-a-ditadura/1940/



segunda-feira, 5 de maio de 2014

Sacolinha - Dudu de Morro Agudo [Enraizados] [VideoClipe Oficial]




Nossas crianças não sabem que são negras

Aline Guimarães para as Blogueiras Negras

Me uso como exemplo para a afirmação do titulo, desde pequena tive problemas em me aceitar negra, diversas vezes me olhava no espelho, isso com uns 8 anos, não gostava do que via e acreditava nas agressões verbais que sofria na escola, coisas do tipo: "O cabelo de Bombril", "Ei, me dá seu cabelo para lavar lá em casa", essa redução me fez crescer com um ódio de ter tal cabelo.

Desde que compreendi minha negritude abro os olhos para nossas crianças que ainda sofrem com esse preconceito nas escolas, elas têm vergonha não de só assumir seus cabelos, mas também se assumirem negros, pois a Ideia de que ser negro é ser inferior ainda perdura.

Quantas vezes ao falar para uma criança que a cor dela é linda, aqueles olhos infantis me olhavam com incredulidade sem entender onde está sua beleza.

Infelizmente o que ainda se perpetua é o embranquecimento de muitos que nascem, crianças recém nascidas são registradas como brancas sendo que seus país são negros, a origem daqueles bebês não é vista , mas o que é colocado a frente é um facilitador que generaliza os povos com essa cultura "do não saber de suas origens" até mesmo os pais na hora do registro não se interpõe, pois o seu filho ser registrado como branco é um orgulho.

As origens afro estão perdidas em um mar de preconceitos, algumas crianças aprendem desde o berço que não devem aceitar a Umbanda ou o Candomblé (manifestações afro-brasileiras muito rechaçadas) por que são obras de um demônio que os brancos criaram justamente para os afrodescendentes não conhecerem a matriz africana. Se perguntar em alguma sala de aula de escola pública quais crianças se consideram negras a resposta já se sabe, nem a metade levanta a mãos, porém mais metade são negras.

O espelho delas ainda são bonec(as/os) loir(os/as) de olhos claros, nas publicidades sempre crianças brancas de cabelos lisos, e esse não é o reflexo que elas se veem, transformando a cor da pele delas em um fardo para se carregar pelo resto da vida.

Lembrando que esse texto não é para generalizar, pois há crianças que gostam de seus cabelos crespos, sua pele negra, porém essa é uma pequena parcela.

Escrevi uma pequena história pensando nessa questão da visibilidade da beleza negra no mundo infantil.
Na rua 19 tinha um artista que era feliz por ter um desejo grande de pintar.


Certo dia ele com seus pincéis e as suas tintas nas mãos olhou para a tela e pensou:



Eu sei pintar, mas de onde vem meu desejo?



Então o artista caminhou de um lado para o outro, coçou a testa e resolveu sair pela rua a fora.


Percebeu que a muito tempo não via os cães e as pessoas. Ele começou a ver como uns lugares são coloridos e os outros nem tanto, viu que as pessoas são de cores diferentes; isso o deixou com uma coceira nas mãos e quanto mais ele via pessoas, animais e objetos, mais ele tinha essa coceira.

Até que do outro lado da rua ele viu a menina mais linda do mundo, ela era negra como o céu sem estrelas, seus cabelos pareciam nuvens de tão macios, o artista surpreso com a beleza da menina, atravessou a rua e foi falar com ela.

-Onde encontrou a cor de sua pele?


-Não sei, só sei que nasci assim.



-Mas eu nunca tinha vista tal cor



-Então você nunca olhou muito por aí, por que existem muitas pessoas com a cor igual a minha.



E a menina saiu andando enquanto o artista a observava.



Ele voltou para a casa pegou seus pincéis e suas tintas e quando ele fez primeiro risco na tela descobriu que o desejo de pintar vem quando observamos as pessoas com beleza e respeito.
Descobriu que as diferenças que fazem o desejo de pintar.


FONTE:http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questao-racial/22806-nossas-criancas-nao-sabem-que-sao-negras